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segunda-feira, 27 de maio de 2013

Morte do Ego: corrigindo impressões equivocadas

Você está andando na rua e de repente alguém ri da sua cara. Você então fica bravo. O que isso indica? Entre outras coisas, que você não enxergou a realidade do riso. Sua visão está "enviesada" pelo eu da ira. A ira está "colorindo" e subjetivando sua percepção do fato.

Em si mesmo, como coisa em si, nenhum riso é irritante. No entanto, nós atribuímos ao riso significados variados, conforme os contextos em que ele se dá. Se possuíssemos uma percepção absolutamente objetiva, não consideraríamos o riso como uma provocação, mas apenas como um som, pois é isso o que ele é. Nossa mente, então, não reagiria. Teríamos o estado mental dos budas, os quais são impenetráveis ao escárnio e não necessitam "resistir" à ira, pois não a possuem, a desarmaram dentro de si mesmos. 

Portanto, nossa percepção do riso como escárnio é equivocada, é uma percepção falsa, pois o riso, em si mesmo, é apenas um som. Por mais escarnecedora que seja a intenção de quem ri, seu riso será somente um som, ainda que com intenções de provocar. No entanto, as tentativas de provocação se tornam vazias quando não temos a ira, pois é a ira que faz a provocação ressoar em nosso interior como ofensa. Em outras palavras, a provocação não existe para aquele que eliminou a ira de si mesmo pois sua visão do mundo, da realidade, é distinta da visão que seria proporcionada pela ira.

Ao andar na rua e perceber o riso, você se enfureceu porque não transformou a impressão, permitiu que a impressão entrasse em seu psiquismo sem ser transformada. A visão errônea do riso teve livre curso e se cristalizou em sua psique sob a forma de ira, raiva ou algo assim. Por mais estranho que pareça, você não percebeu o riso de forma objetiva e exata, mas de forma equivocada e tendenciosa. Você não percebeu o riso em si mesmo, mas sim uma imagem do riso, moldada por suas imaginações e crenças. Sua mente atribuiu ao riso o significado de uma provocação ou desafio, o rotulou como tal, por ter sido condicionada a isso no passado. O riso causou uma impressão de ira por não ter sido compreendido tal como é. Ao permitir que a impressão ocorresse sem participação da consciência, houve um impacto inconsciente do riso em seu psiquismo. Se houvesse um impacto ou choque consciente, o riso teria deixado uma impressão distinta. Se você pensasse a respeito e imaginasse o riso de outra maneira, uma impressão ou marca distinta teria sido deixada em seu interior, mas você o recebeu como provocação. 

Para modificar a impressão que os acontecimentos deixam em nós, temos que refletir sobre os mesmos até o ponto em que a reflexão modifique a forma como os encaramos. Tentando olhá-los de forma cada vez mais objetiva, exata e profunda, vamos corrigindo os equívocos e recebendo as impressões de outro modo. 

Transformar as impressões que os acontecimentos nos causam é algo muito bom e útil, mas requer sinceridade absoluta. Transformar as impressões é corrigir as impressões equivocadas que entram e causam desastres e prejuízos em nosso interior a todo momento. Não é demais dizer que tudo isso precisa ser feito em sintonia com a Morte em Marcha sobre cada detalhe ou faceta dos defeitos. Os detalhes ou facetas não são outra coisa senão impressões equivocadas que estão vibrando e necessitam ser desarmados pela compreensão. A compreensão corrige as impressões equivocadas, restabelecendo uma melhor conexão com a realidade.

Ampliação em 21/05/2014

Cada objeto que percebemos nos impressiona de uma forma específica, ou seja, fere o nosso psiquismo e deixa uma impressão. A impressão corresponde ao viés pelo qual tomamos o fato.

Transformamos a impressão quando refletimos sobre o objeto que nos impressiona. Ao fazê-lo, mudamos nossa forma de pensar a respeito e, consequentemente, nossa forma de percebê-lo e senti-lo. 

Portanto, no trabalho de Transformação das Impressões, refletimos sobre o objeto e, no trabalho de Morte do Ego, refletimos sobre o sujeito. O objeto é aquilo que percebemos (o fato que nos impressiona, qualquer que seja) e o sujeito somos nós mesmos.

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Super-esforço e negligência


Temos que diferenciar o esforço intenso do esforço correto. Um esforço intenso, se for incorreto, não dará resultados bons. Um esforço correto, se não for intenso, também não dará resultados bons. Um super-esforço e correto, se for realizado sem tensões e nem desesperos, nos conduzirá a resultados bons.

Um esforço sem tensão é um esforço sereno e, ao mesmo tempo, desprovido de negligências. É o esforço sem qualquer abertura para sermos relapsos, um esforço com tolerância zero à negligência. Esse é o super-esforço do qual falam os mestres.

Temos que estudar e meditar em nossas próprias experiências constantemente, para que nosso esforço seja cada vez mais acertado.

O super-esforço está relacionado com a persistência e a dedicação plenas. O esforço comum não apresenta persistência e nem dedicação contínua. No esforço comum, há uma dedicação temporária. Por isso o esforço comum não serve para o espiritual.

Quando, em certas postagens, critico o esforço, não estou de modo algum louvando a negligência. O esforço que critico é o desespero da tensão, o qual intensifica o nosso estresse e trava o desenvolvimento. Não nos ocupemos com o desespero e sim com a seriedade, a dedicação e a disciplina.

sábado, 27 de abril de 2013

Concentrar-se é também aprender


Concentrar a mente em algo é, entre outras coisas, aprender a respeito daquilo. Aprender algo pela concentração da mente inclui extrair informações do inconsciente, trazendo-as à consciência.

Quando queremos muito resolver um problema importante, pensamos nele constantemente. Isso é uma forma de concentração da mente, a qual se ocupa com a questão problemática, procurando saída. Embora nem sempre seja algo saudável, pois a mente, em tais casos pode ficar obsessionada pelo problema e provoca um sem número de reações emocionais e corporais negativas, além de nos distrair no cotidiano, tal ocupação mental contínua serve como exemplo para entendermos melhor o que é a concentração do pensamento. Concentrar a mente é pensar continuamente em algo, sem interrupção, pelo que tempo que dispormos para nos dedicarmos exclusivamente a essa tarefa, sem nos desviarmos e nem nos distrairmos com outras coisas. 

Podemos dizer, portanto, que existe uma forma de concentração boa e outra má ou prejudicial. Quando você está obsecado por algo, está concentrado naquilo, embora tal concentração possa ser prejudicial. O ideal proposto pelo ensinamento espiritual é que nos concentremos em temas edificantes, que nos façam bem, estimulem emoções superiores e nos deixem absolutamente em paz. Usei, portanto, o exemplo da má concentração da mente apenas como um exemplo para melhor entendimento do que é uma boa concentração da mente, pois ambos os tipos de concentração, embora sejam contrários, são também similares.

Quando nos concentramos em um koan, é recomendável que tentemos compreender profundamente aquela frase propositalmente sem sentido, até que possamos “atravessá-la” e cair do outro lado, no reino onde a lógica que conhecemos não funciona. Se tivermos uma questão filosófica ou um problema que nos importuna, podemos usá-lo como lakshya em nossas sessões de meditação, desde que os mesmos não provoquem emoções negativas. Se uma pessoa se concentrasse em cenas pornográficas ou de terror, por exemplo, é claro que seria assaltado pelas emoções inferiores correspondentes, as quais seriam qualitativamente muito diferentes das emoções estimuladas pela concentração nos céus, nas nuvens, em uma cachoeira, em uma floresta, na Mãe Divina, no Cristo ou no Senhor Buda.

É de grande valia, durante o exercício da concentração (dharana), pensarmos para aprender. Aprender é descobrir o que não sabíamos, aprofundando-nos no tema. Sivananda chama esse tipo de prática de meditação analítica.

Em dharana, a mente, isto é, os pensamentos e a imaginação, devem fluir com a mesma naturalidade com que fluem quando a mente está dispersa, com a diferença de que seu fluxo ocorre dentro de um tema, aprofundando-o, ao contrário do funcionamento comum da mente, em que seu fluxo abrange muitos temas infinitamente, passando de um para outro, e não se aprofundando em nenhum. Em dharana, a infinitude do funcionamento mental se dá em profundidade, não em abrangência.

Quando você estiver muito preocupado com um problema grave, sua mente se concentrará com facilidade naquilo que está lhe causando preocupação, mas você não deve fazê-lo, pois o seu sofrimento aumentará até níveis insuportáveis. Ao invés disso, procure um tema contrário que lhe seja muito atraente e lhe faça bem, proporcione emoções superiores, e concentre-se profundamente nele. Deste modo, através da dualidade, o tema superior suplantará os efeitos do tema inferior. Caso sua concentração seja profunda, você se libertará completamente do sofrimento emocional ocasionado pelo problema. O ideal é atingir um estado em que o problema não exista para você.

Se, no entanto, o problema não for algo que provoque emoções inferiores e violentas, você pode usá-lo como objeto de sua concentração. Neste caso, simplesmente pense e pense naquilo pelo tempo disponível para a sua prática, mas não o faça fora das sessões de meditação, quando estiver trabalhando, dirigindo ou andando na rua, pois nessas situações a sua atenção deve estar naquilo que você está fazendo e não e um tema abstrato fora da realidade presente.

Se você se concentrar em um problema, por exemplo, em uma questão filosófica ou científica, muitas idéias e insights surgirão, e sua compreensão sobre o assunto será cada vez mais profunda. Sua mente fluirá e você construirá cada vez mais associações de idéias direcionadas dentro do tema proposto. Uma questão estratégica relacionada a algum tipo de trabalho também pode ter o mesmo resultado. Suponhamos que você tenha que consertar uma parte difícil do telhado de sua casa e não saiba como. Você poderá dedicar alguns minutos para pensar naquilo e aprender algo a respeito. Assim você poderá aprender melhor o que é a concentração e como aplicá-la na resolução de problemas do cotidiano.

A concentração analítica é especialmente útil na análise de nós mesmos, de nossas emoções e problemas psicológicos, promovendo a melhor compreensão dos nossos egos.

A prática da concentração em plantas, por outro lado, serve mais para desenvolvermos a capacidade de penetrá-las com a imaginação, mas não tanto para desenvolvermos a capacidade analítica, pois costuma haver um ponto além do qual a imaginação se esgota e não conseguimos extrair mais informações sobre a planta com que nos ocupamos. No entanto, quando plenamente desenvolvida, também termina resultando em aprofundamento da compreensão pois, em última instância, imaginação e cognição são interdependentes e não se dissociam.

O aprender e o compreender se dão pela concentração da atenção e do pensamento. Isso deveria ser levado em conta pelas ciências da educação.

domingo, 7 de abril de 2013

Morte do Ego: transformando as impressões por meio da Dualidade.

Aprendemos, em passadas reflexões, que devemos controlar os sentidos (Indryas), evitando as percepções daquilo que reforça os egos. Aprendemos também que devemos nos antecipar aos defeitos, removendo suas causas. No entanto, algumas vezes somos inevitavelmente atirados em certas situações das quais não podemos escapar. Quando isso ocorre, somos impactados emocionalmente pelos eventos de forma brusca e repentina, sem chance de nos anteciparmos aos mesmos para evitá-los ou desviarmos as percepções, fechando as portas às impressões destrutivas e negativas. Em tais situações, a prática da transformação das impressões é uma adicional ferramenta de trabalho que nos ajuda a modificar a maneira de recebermos e percebermos os eventos da vida que nos atingem emocionalmente. Vamos analisá-la mais de perto.

Por que Kaspar Hauser era insensível a ofensas e ameaças? Porque sua mente não processava as ofensas como ofensas e nem as ameaças como ameaças, não havia aprendido a entendê-las como tal. Certa vez um estudioso golpeou violentamente a parede logo acima de sua cabeça e Kaspar Hauser não moveu sequer um músculo e nem esboçou a menor reação. O estudioso então exclamou: "Totalmente insensível!". 

Por ter crescido isolado do contato social, a mente de Kaspar Hauser não aprendeu a reagir aos fatos externos. Sua mente era, num certo sentido, semelhante à mente que gostaríamos de ter. No entanto, Kaspar Houser não possuía consciência disso, ou seja, seu caso não se tratava de um processo consciente e voluntariamente adquirido.

As reações da mente aos fatos são, em grande medida, resultado de aprendizagem. Aprendemos a reagir a cada fato de determinada maneira e a maneira como reagimos corresponde à forma como os entendemos, como os processamos por meio da mente. Reagimos às ameaças com medo porque as processamos mentalmente como perigos, reagimos aos insultos e provocações com ira porque os processamos mentalmente como agressões contra nossos pontos fracos. Quando alguém nos ofende em um idioma que não entendemos, nossa mente não processa o ataque como tal e nada sentimos. Nossas reações correspondem à forma como entendemos as coisas e, se as entendemos de uma maneira distinta, as reações também mudam. Nesse sentido, as emoções guardam estreita relação com a mente: sentimos em consonância à maneira como entendemos. Se entendo um fato como ofensa, reagirei com ira, mas se entendo o mesmo fato como um elogio, reagirei com vaidade ou ficarei orgulhoso. Esse é o motivo pelo qual não adianta tentar corrigir as emoções sem corrigir o entendimento e é também a razão pela qual os mestres instruem os discípulos a começarem o trabalho interior pela mente. A mente é a guarida do desejo.

Nossa forma de entender os fatos é equivocada, o que nos leva a reagir com emoções negativas àquilo que percebemos. Aquilo que chamamos de "fatos desagradáveis" não são mais que formas tendenciosas de compreender o mundo. O caráter desagradável não está no fato exterior em si, mas em nossa forma de entendê-lo, de recebê-lo e processá-lo mentalmente. Um mesmo fato pode ser desagradável para uma pessoa e agradável para outra, o que prova o caráter subjetivo de tais percepções. 

Desde crianças, ao longo de nossa vida (das muitas existências), aprendemos a processar interiormente os acontecimentos de determinadas maneiras. O resultado atual é que estamos condicionados mentalmente a entender o mundo de muitas maneiras equivocadas. O trabalho de compreensão dos defeitos abrange a correção desses pontos de vista equivocados que nos fazem sofrer.

Vejamos o exemplo do dinheiro. Desejamos loucamente mais e mais dinheiro simplesmente porque o entendemos como o melhor bem de todos. Achamos que o dinheiro irá comprar felicidade e tal entendimento equivocado nos leva a desejá-lo intensamente. O mesmo se dá com todos os demais desejos, os quais são originados por formas de entender. 

Há, assim, uma estreita relação entre os desejos e emoções sentidos e as formas de entender o mundo, a qual é processada pela mente e aprendida. Temos, portanto, que "desaprender" o que foi erroneamente aprendido.

A forma pela qual a mente processa as percepções exteriores guarda estreita relação com a imaginação. Se nos apontam uma arma de brinquedo e acreditamos que a mesma seja real, sentiremos as emoções correspondentes. O motivo é que nos imaginamos em perigo. Entre imaginar e entender há grande interdependência. O que acontece quando uma pessoa, ao ser insultada, não entende direito o que está se passando e imagina que o insultador está brincando, fingindo insultá-la? Ela não reage com ira, pelo menos não antes de entender o insulto como tal. O motivo está na imaginação: a pessoa se imagina em uma situação diferente do insulto. 

Insultar ou ameaçar alguém é uma forma de ferir sua imaginação. A pessoa que grita e ofende quer ferir a imaginação do outro. Quando a imaginação da vítima é atingida, ela passa a pensar constantemente naquilo, sua mente é invadida por maus pensamentos relacionados ao problema e assim permanece por um tempo relativamente longo, de acordo com a intensidade da identificação da pessoa com o fato. 

Quando alguém tenta refrear suas emoções negativas sem corrigir o entendimento equivocado que lhes corresponde, cria um conflito entre a imaginação e a vontade, ou seja, entre a mente e as emoções, originando uma neurose. O resultado é a intensificação do sofrimento. Se constantemente penso e ocupo minha imaginação com um problema, não poderei deixar de sentir as emoções correspondentes. 

Assim, temos que corrigir os entendimentos equivocados, mas como fazê-lo? Antes de mais nada, corrigindo a imaginação. Se, no momento em que somos impactados por um fato, o imaginamos da maneira oposta, desarmamos o ego naquele instante. Isso se chama "transformar a impressão". Há que se entender claramente isto.

Todo entendimento dos fatos possui um entendimento contrário que o anula. Quando encontramos a antípoda de um entendimento tendencioso e colocamos na mente, o anulamos e chegamos a uma síntese, isto é, à neutralidade. Em última instância, os fatos não são, em si mesmos, bons e nem maus, simplesmente existem, são processos naturais. Por pior e mais traumático que seja um fato, o será somente do ponto de vista subjetivo, isto é, do ponto de vista de quem o percebe assim. O Ego faz com que sempre vejamos as coisas como boas ou más, desejáveis ou detestáveis. Passamos a vida entre tais opostos, os quais são subjetivos, e não enxergamos a realidade objetiva. 

Diz o V.M.R. que podemos transformar a impressão que os fatos ocasionam aplicando a Dualidade. Isso significa, no meu entender (pobre adormecido que sou!) que temos que encontrar um modo de imaginar o fato que seja oposto ao modo como o estamos imaginando naquele momento: se estou diante de uma mulher linda que me perturba, devo imaginar algo que se encaixe perfeitamente naquela situação e anule a fascinação por sua beleza. Não é qualquer coisa que serve e isso varia de uma pessoa para outra. Para alguns, pode dar resultado imaginar que aquela pessoa é um simples ser humano, um mero animal racional como todos somos, um mamífero bípede. Para outros, imaginar o corpo da mulher envelhecendo e se desintegrando na sepultura pode dar o mesmo resultado (não se trata de desejar que ela morra e sim de enxergar o outro lado da questão). Isso varia. O que importa é ir além dos opostos e chegar à sintese, que é a neutralidade, passando além do desejo e da aversão. Estamos em um pólo do entendimento e, para ir além dos pólos, temos que encontrar o entendimento oposto, para confrontar ambos. Após o confronto, nos liberamos (temporariamente) daquele tormento mental e das emoções correspondentes. Essa é a forma como entendo a prática da transformação das impressões. 

Transformar as impressões é, de certa maneira, algo assim como enganar a mente, a qual, por sua vez, já nos mantinha previamente no engano. Não se trata de enganarmos a nós mesmos (nossa consciência), pois isso já o fazemos a todo momento, mas sim de enganarmos a mente, para convencê-la a entender os fatos de outro modo. Enganamos a mente para reverter o engano ou erro no qual ela incorreu, que é o de tomar os fatos de uma forma que nos prejudica e ocasiona emoções negativas e destrutivas.

Diante de um insultador, podemos imaginar (silenciosamente) que o mesmo não está nos insultando, somente encenando uma representação teatral. Essa imaginação seria o pólo oposto da imaginação comum (mecânica), à qual já estamos previamente condicionados, estejamos conscientes disso ou não. Mediante a imaginação oposta, corrigimos o erro, obtemos uma compensação e, ao atingirmos o equilíbrio entre as duas imaginações, por meio do incremento da imaginação que estava descompensada, escapamos da polaridade.

Quando uma pessoa nos ridiculariza ou tenta nos trapacear, podemos anular o efeito emocional provocado se procurarmos entendê-la (ou imaginarmos, se você preferir assim) como alguém que se encontra em um estado lamentável, muito pior que aquele em que estamos. Essa imaginação fornecerá o pólo contrário necessário para a correção da percepção tendenciosa equivocada. Então, se estivermos práticos, a ira poderá se transformar em piedade e não sofreremos. A irritação diante do escárnio provém da idéia, ainda que inconsciente, de que o escarnecedor está em condições superiores às nossas (e, portanto, em condições de nos ridicularizar), o que é um equívoco, pois o escárnio, em si mesmo, não é bom e nem mau, simplesmente é um fato que existe, mas que a ira não nos permite perceber objetivamente. Tampouco o escárnio, de um ponto de vista objetivo, coloca o escarnecido em uma posição inferior ao escarnecedor, somente o faz desde um ponto de vista subjetivo, pois, objetivamente, a vítima, em si mesma, não perde e nem ganha nada ao ser escarnecida (prova disso é que, quando o escárnio não é compreendido como tal, não atinge a pretendida vítima). Portanto, o ponto de vista da ira de quem é vítima do escárnio é subjetivo, tendencioso e equivocado, necessitando ser corrigido. Uma pessoa como o Buda é completamente imune ao escárnio e não necessita fazer força alguma para tanto, porque simplesmente vê o mundo de forma objetiva, sem os equívocos tendenciosos da dualidade.

Quando a alma escapa da mente, durante a meditação, se liberta também da dualidade e já não vê o mundo como uma soma de coisas boas e más, desejáveis e detestáveis. Vida e morte, doença e saúde, velhice e juventude, pobreza e riqueza perdem seu sentido. Escapar da mente é perder a noção daquilo que entendemos ordinariamente como lógica, coerência e sentido, para adquirirmos uma superconsciência onde tudo é resignificado. Porém, na meditação, tal estado é temporário e nós queremos algo mais: almejamos cristalizar definitivamente tal estado em nós, o que somente é possível mediante a Morte do Ego.

A prática de imaginar os fatos como sendo o contrário do que normalmente imaginamos que sejam não provoca a morte dos defeitos que estão por trás das imaginações mecânicas e emoções negativas, porém os desarma temporariamente, o que é de grande valia. Esta é a prática da Transformação das Impressões, que faz com que recebamos os acontecimentos de outra maneira e impede a criação de novos defeitos. Esta prática não substitui de modo algum a Morte em Marcha e nem tampouco lhe é incompatível. É uma arma ou chave adicional que os Veneráveis Mestres nos entregaram para a Morte. Obviamente, quem pratica a Morte em Marcha está corrigindo os entendimentos equivocados e imaginações tendenciosas, pois do contrário perderia todo o trabalho alcançado.

Diante de um fato, o primeiro cuidado deve ser o da recordação de nós mesmos (Recordação de Si), para evitar que a fascinação nos "apague", mas isso não basta. O segundo cuidado deve ser a Auto-observação, para verificarmos se estamos sendo atingidos em algum centro da máquina ou não. Se estivermos sendo atingidos, o próximo passo é aplicar a Morte em Marcha e a Transformação das Impressões entra aí como um trabalho fusionado. O resultado dessas práticas é o aumento cada vez maior da compreensão.

Transformamos as impressões compreendendo as situações. Ao compreendê-las, modificamos a forma de pensar e imaginar a respeito das mesmas. É claro que aprofundar a compreensão sobre algo equivale e a modificar os pensamentos e imaginações que tenhamos a respeito. Ninguém poderia aprofundar a compreensão e continuar com as mesmas idéias pois o compreender exige uma modificação no entendimento. Compreender é descobrir o novo e descobrir o novo é deixar a velha concepção. Quanto mais compreendo algo, mais modifico minhas concepções a respeito daquilo e, por extensão, meus pensamentos e imaginações relacionados.

A transformação das impressões não é uma análise dos defeitos, mas sim das situações que os evocam. A análise dos defeitos pertence a uma outra instância do trabalho interior. Transformamos as impressões no momento de entrada, no instante em que os acontecimentos exteriores nos impactam e chocam o nosso psiquismo. A impressão deve ser transformada imediatamente, por me, meio da compreensão. Transformar a impressão é "mudar a forma de ver", modificar o ponto de vista, alterar o significado do fato que nos impacta ou choca. Os acontecimentos sempre nos têm chocado sem que os percebamos conscientemente, mas agora temos que nos tornar conscientes desses choques. Quando começamos a perceber conscientemente o impacto dos eventos da vida, experimentamos o Primeiro Choque Consciente (pois até então os eventos nos chocavam inconscientemente, ou seja, tínhamos somente choques inconscientes).  O choque consciente é o choque modificado pela compreensão.

Quando compreendemos algo, modificamos a impressão que aquilo nos causa e passamos a vê-lo de outra maneira, mas para tanto é necessário refletir sobre a situação impressionante até o ponto de irmos além da forma como sempre a vimos. No entanto, há um obstrução para essa reflexão, para tal compreensão: os condicionamentos passados do Ego.

A única forma de modificarmos as impressões no momento de sua entrada, antes que causem danos, é por meio da Morte em Marcha. A Morte em Marcha modifica a impressão que os fatos provocam. Quando transformamos uma impressão, os egos correspondentes não se alimentam e não surgem novos egos ou novas facetas egóicas em nosso psiquismo. Assim, podemos interromper o processo de decadência espiritual.

Os defeitos existentes são impressões que não foram transformadas no passado e agora vibram intensamente em nosso psiquismo, originando formas equivocadas de ver, perceber, pensar e imaginar os fatos da vida.

A visão que temos do mundo, da vida, dos problemas, dos prazeres etc. são falsas e mentirosas, mas acreditamos que sejam reais, pois estamos enganados pelas impressões equivocadas que fortificamos no presente e no passado. E Ego nos engana e nos faz ver o mundo de determinada maneira condicionada, a qual nos leva a temer a dor e desejar os prazeres, pois estamos presos na dualidade. E isso está diretamente ligado à imaginação pois imaginamos as coisas de acordo com a impressão que delas tenhamos.  

Portanto, quem quer modificar seus estados internos, necessita transformar as impressões que os fatos externos lhe causam. E quem quer transformar as impressões necessita compreender melhor e de forma mais objetiva tais fatos, receber de forma consciente o choque ou impacto que os mesmos ocasionam no psiquismo, não nutrir impressões equivocadas com respectivas imaginações equivocadas e também, é claro, aplicar a Morte em Marcha em cada pequena alteração que os acontecimentos provoquem em seus centros, pois tais alterações não são mais que impressões não transformadas. Uma impressão não transformada é uma impressão equivocada, errônea e falseante.

Após a leitura deste post, sugiro a você que estude profundamente esta conferência, sob a perspectiva da Morte em Marcha e dos Detalhes:


Ao estudar a conferência, você descobrirá que o ensinamento sobre a Morte em Marcha e os Detalhes  converge completamente com o ensinamento sobre a Transformação das Impressões.



sexta-feira, 15 de março de 2013

Morte do Ego: como aprofundar a compreensão


Quando concentramos analiticamente o pensamento em um tema, é comum que, após alguns minutos, as idéias se esgotem e, ainda assim, a mente não se aquiete e não experimentemos nada espiritualmente transcendente. O motivo para tanto é o condicionamento do parâmetro analítico: estamos analisando o objeto somente sob algumas perspectivas e outras perspectivas não nos ocorrem. O problema pode se verificar também no ato de observar: ao observamos o objeto, levamos em consideração somente alguns de seus aspectos e a observação estanca, não percebemos nada novo.

Quando a concentração analítica é aplicada a um defeito com o intuito de compreendê-lo, durante a prática da meditação, pode ocorrer o mesmo problema do estancamento do processo. Então, sentimos que não conseguimos ir além e não conseguimos aprofundar a compreensão, por mais que tentemos. Lutamos para compreender mais, para descobrir o novo, mas não somos capazes. Sentimos perfeitamente que ainda não compreendemos o defeito, mas não somos capazes de obter mais informações além das que já temos. Rodamos dentro do círculo vicioso das informações conhecidas e não avançamos, o trabalho da compreensão fica estancado. Sentimos que existem informações ocultas, mas não somos capazes de acessá-las. 

O aprofundamento da compreensão, em tais casos, somente é possível se adotarmos novos parâmetros analíticos e observacionais, o que se consegue quando se busca analisar e observar o defeito desde outros pontos de vista, ou seja, considerando-se aspectos ainda não levados em conta.

Um mesmo defeito pode ser analisado segundo múltiplos critérios. Podemos estudá-lo no que se refere aos danos que ocasiona, aos centros da máquina pelos quais se manifesta, às suas metas, aos seus padrões recorrentes de manifestação diária, aos conteúdos de suas fantasias no pensamento, aos fatores externos da vida horizontal que o evocam, às formas sutis como principia a se manifestar, às suas causas psicológicas ocultas, às justificativas inventadas pela mente para desculpá-lo etc. Não há um limite definido para as facetas de um defeito e, portanto, não há um limite definido para os critérios a serem levados em consideração. Ao analisar um defeito, podemos levar em consideração múltiplos critérios, o que significa, em outras palavras, que podemos analisá-lo, durante a concentração e a meditação, segundo múltiplos pontos de vista. 

Quando adotamos um critério novo para analisar um defeito, descobrimos informações novas. Quanto mais informações tenhamos, maior será a compreensão. Quanto maior for a compreensão, mais a Mãe Divina poderá enfraquecê-lo. A compreensão aumenta com o aumento das informações que tenhamos. Temos que buscar descobrir o novo, novas facetas do defeito que almejamos enfraquecer.

Muitas pessoas tentam compreender melhor os fatos exteriores que as afetam, buscam olhá-los de forma diferente, mas não buscam compreender os defeitos que ocasionam a visão condicionada e distorcida desses fatos. Elas tentam mudar a forma de ver os acontecimentos, as dificuldades, mas não tentam ver seus egos de múltiplos pontos de vista. Como são os egos que condicionam nossa visão de mundo, tentar ver o mundo de outra maneira sem primeiramente compreendê-los resulta inútil. Nossos defeitos nos obrigam a ver as coisas de determinadas maneiras, ainda que não queiramos. Se queremos chegar ao verdadeiro estado de Apatheia (ausência de paixões), temos que compreender as causas da visão condicionada que temos do mundo, dos eventos e das coisas.

Cada defeito tem uma forma particular de ver os fatos do ginásio psicológico, uma ótica pessoal. O defeito da luxúria vê o corpo feminino de determinada maneira, o defeito da gula vê os alimentos de outra, o defeito da ira vê os insultos e gracejos de outra maneira e assim por diante. Não poderemos ver os elementos exteriores de outra forma, ou seja, desde outro ponto de vista, se não eliminarmos os defeitos correspondentes. Quem quer ver e sentir as coisas de outro modo, tem que compreender e eliminar os defeitos que condicionam sua visão e percepção. E a compreensão se consegue por meio da concentração e da meditação sobre os defeitos. Aqui, concentrar e meditar significa refletir a respeito sem desviar-se e nem distrair-se com mais nada.

O campo de nossa consciência é limitado e, além dele, se sucedem infinitos fenômenos físicos, psicológicos e espirituais (o psicológico é o início do espiritual). Além dos desejos que alcançamos enxergar, temos muitos outros que nem sequer suspeitamos. Isso significa que aquilo que alcançamos e compreendemos sobre um defeito não é tudo, é uma ínfima parte. Se quisermos ampliar e aprofundar a compreensão, temos que explorar e penetrar o defeito com a consciência, nos tornando conscientes de aspectos ainda insuspeitados. Por trás de determinado desejo ou temor sempre existem outros desejos e temores ocultos. Somente a reflexão absolutamente sincera permite penetrar nessas regiões obscuras de nós mesmos.

Entre os vários critérios analíticos utilizáveis no trabalho de compreensão de um defeito, considero de grande importância a procura por suas causas psicológicas (os "porquês" das manifestações). Por trás de um desejo visível há outros desejos, ocultos e em relação sinérgica com o desejo visível, que atuam como suas causas psicológicas. Debater-se contra o desejo visível ao invés de buscar suas causas psicológicas ocultas limita a pessoa a esforços sem resultados. Quando descobrimos as causas psicológicas ocultas, normalmente o desejo fica desarmado. Caso não desarme, isso significa que ainda há outras causas psicológicas a serem descobertas.

Os desejos podem formar grupos que apresentam relações sinérgicas entre si. Por relação sinérgica entenda-se uma relação não conflitante e de reforço mútuo. Quando vários desejos diferentes apontam exatamente na mesma direção, para o mesmo objetivo, estamos diante de uma relação sinérgica. Os grupos concordantes de impulsos são chamados pela psicologia de "complexos" ou "agregados psíquicos". Normalmente, um defeito não é constituído somente por um desejo, mas por vários desejos agregados, sendo a maior parte deles ocultos: sentimos os impulso para a satisfação, mas não sabemos exatamente o "porquê".  O "porquê" está nos desejos ocultos, que atuam como causas psicológicas.

As causas psicológicas ocultas necessitam ser reveladas e esclarecidas, o que se consegue mediante a concentração e a meditação analíticas direcionadas às mesmas. Quem não sabe concentrar o pensamento e refletir analiticamente em profundidade, não poderá explorar o defeito para descobrir tais causas.

Suponhamos que você esteja apaixonado(a) e sua libido esteja fixa em determinada pessoa. Você está sofrendo uma obsessão, quer se livrar e não consegue. Ao olhar para si mesmo, à primeira vista, verá somente um impulso cego e louco. No entanto, se você for prático na concentração/meditação e se perguntar a respeito dos motivos de tal impulso ("Por que a desejo tanto?"), descobrirá desejos, emoções, temores e valores escondidos. Concentre-se na pergunta e busque as respostas com a máxima sinceridade e coragem possível. Você verá que, além do desejo visível de ter aquela pessoa para si, há outros desejos que o reforçam. Pode ser que você a deseje tanto porque simplesmente ela se negou a você, originando o desejo de vencer sua resistência; pode ser que você a deseje porque deseja uma pessoa como aquela para exibir como um troféu para seus amigos e parentes; pode ser que você a deseje porque ela se pareça com alguma pessoa parecida do passado que você desejaria ter de volta; pode ser que você a deseje porque esteja curioso(a) por saber se ela irá lhe proporcionar prazeres inimagináveis etc. As causas psicológicas ocultas de um desejo variam de um caso para outro. 

Um homem pode gostar exageradamente de determinada prática sexual. Ao explorar seu vício, poderá descobrir que valoriza tal prática por outros desejos ocultos (os quais variam de uma pessoa para outra) ou até por temores. Explorando-se e interrogando-se, ele poderia descobrir muita informação útil sobre o defeito e compreendê-lo cada vez mais.

A despeito da crença freudiana na impossibilidade de realização de uma auto-análise solitária, o fato é que a descoberta das causas ocultas costuma trazer alívio e foi realizada por filósofos e ascetas espirituais desde a antiguidade.

Há, porém, outro aspecto nesse problema da compreensão: a necessidade de enxergar cada vez mais objetivamente os fatos exteriores que nos afetam. Se descobrirmos as várias facetas de um defeito, mas não nos preocuparmos em também trabalharmos a compreensão dos fatos exteriores que os criam e os reforçam, perdemos os resultados conquistados. De nada adianta descobrir facetas se continuamos a recriá-las e alimentá-las. Portanto, além de compreender os egos, temos também que modificar as impressões que os fatos deixam em nós. Falarei um pouco mais profundamente sobre isso em outros posts.

Que fique claro, porém, que, no trabalho da Morte dos Egos, a compreensão não é tudo. A compreensão é metade do caminho. A outra metade é completada pela devoção intensa à Mãe Divina, que é quem realmente decapita e mata os nossos defeitos. Sem a Mãe Divina, não haverá Morte. A psicoterapia, por exemplo, não alcança a Morte porque exclui a Mãe Divina. A Morte somente se concretiza quando oramos e suplicamos intensamente à Mãe Divina.

Que essas palavras cheguem exatamente àqueles que estiverem delas precisando.  

quinta-feira, 14 de março de 2013

A dissolução dos egos que almejam virtudes


Que este conhecimento chegue aos desesperados que estão perdidos na luta pela superação de seus próprios defeitos e estejam necessitando das informações que seguem.

Vamos falar um pouco sobre os egos úteis e bons. Dizem os V.V.M.M que existem eus bons que, ao serem eliminados, são substituídos por partes correspondentes do Ser que desempenham as mesmas tarefas, porém de forma muito mais eficiente e sem os efeitos colaterais destrutivos dos egos que anteriormente as realizavam. Se um homem trabalha como vendedor, por exemplo, e dissolve seus egos vendedores, o ato de realizar as vendas passará a ser realizado por alguma parte do Ser que tem habilidade na área, porém o fará de forma superior. Um mesmo ato pode ser realizado por um ego ou por alguma parte do Ser. O ato de compor e executar músicas, por exemplo, pode ser um ato inferior e animalesco ou um ato superior e sublime. Quando o ego o realiza, teremos um tipo de produto e, quando o Ser o realiza, teremos outro. Se o ego que realiza um ato é eliminado, alguma parte do Ser poderá, sempre que necessário, substituí-lo na realização do mesmo ato que, a partir de então, será realizado de forma diferente. Até mesmo o ato sexual pode ser realizado pelo Ser ou pelo Ego. São os resultados que irão nos mostrar.

Há, no entanto, um tipo específico de ego bom que descreverei hoje: os egos que almejam a santidade e cobiçam a liberação dos pecados.  São egos que possuem intenções veneráveis e irreprováveis mas apresentam efeitos colaterais danosos.

Aqueles que desejam intensamente libertar a alma dos pecados sofrem muito com a lentidão natural do processo da Morte. A Morte dos Defeitos não é algo rápido, que ocorra do dia para a noite. No entanto, os egos ascetas e espiritualistas podem ocasionar grande sofrimento e graves danos emocionais aos irmãos de todas as religiões que almejem ardorosamente o estado de santidade e pureza.

Quando uma pessoa não aceita a crua realidade dos seus próprios defeitos e não se conforma com a situação em que se encontra (refiro-me a uma inaceitação e a um inconformismo doentio) pode desenvolver neuroses. Certas neuroses são típicas de religiosos e ascetas espiritualistas e se devem à atuação de poderosos egos que anseiam pelo estado de pureza e entram em choque frontal com os egos que amam os prazeres da vida mundana.

Por mais estranho que pareça, existem egos que desejam, de forma inconsciente e condicionada, a evolução espiritual e os mesmos necessitam ser eliminados como quaisquer outros. Ao serem eliminados, partes correspondentes do Ser os substituem e realizam com maior eficiência o trabalho de nos impulsionarem para cima.

A inaceitação e o inconformismo com o estado de adormecimento e pecado apresentam duas facetas, dois aspectos: o inferior e o superior, sendo um egóico e o outro átmico (originado pelo Ser). A inaceitação e o inconformismo egóico ocasionam as neuroses religiosas. O intenso sofrimento emocional que advém após a satisfação dos desejos mundanos, sejam eles a fornicação, a gula ou quaisquer outros, é o princípio da neurose religiosa e se deve a tais egos “espiritualistas”, os quais possuem propósitos nobres e resultados catastróficos. Assim, temos que nos observar e nos descobrir também nesses aspectos relacionados com os desejos de superação de nós mesmos, pois aí existirão defeitos escondidos e disfarçados de virtudes.

Se explorarmos nossos próprios complexos espiritualistas, por meio da auto-observação e também da meditação, poderemos descobrir o medo do castigo divino, a preocupação com o próprio destino após a morte, a cobiça por poderes psíquicos e por estados de felicidade espiritual, o conservadorismo arbitrário e moralista que não possui lógica alguma, o fanatismo, a auto-depreciação, o ódio a si mesmo e muitos outros defeitos, os quais podem estar por trás da vida emocional atormentada de muitos religiosos. Não importa se os egos sejam bons ou maus, no final, eles sempre ocasionam prejuízos.

É importante frisar que não estou pregando o conformismo e nem a negligência, estou somente chamando a atenção para o fato de que os egos podem tomar o lugar do Ser (e vice-versa) nos impulsos pela superação. Quando a Mãe Divina dissolve os egos espiritualistas, as neuroses espirituais são substituídas por disciplinas conscientes dirigidas pelo Ser. Nossa meta não é sofrer a vida inteira por sermos pecadores, mas de fato deixarmos de ser pecadores para sermos felizes.

É natural que queiramos a libertação dos pecados e a verdadeira pureza do coração, mas a realização da alma não é algo assim tão simples, não é simples questão de querer. Não basta querer e tentar, é preciso adquirir muito conhecimento experiencial, o que é gradativo. A alma não se desenvolve por um passe de mágica, necessita trabalhar e adquirir conhecimento, experiencia e consciência ao longo da vida, o que é um processo muito lento. Se estamos presos em vícios e erros, é por falta de compreensão. E a compreensão é algo elástico, que se alonga conforme vamos aprofundando nossas observações e reflexões durante toda a vida. O estado de pureza dos budas e dos santos não resultou do simples querer, resultou de trabalhos sem fim ao longo de existências. 

Normalmente, as pessoas não entendem corretamente a Morte do Ego. Imaginam que seja uma mera disciplina de esforços para "amarrar" emoções e desejos, como se isso os eliminasse. A Morte do Ego é uma verdadeira morte dos desejos e emoções inferiores e não o mero encarceramento dos mesmos. Encarcerar desejos e emoções negativas não nos liberta.

Bem, este é apenas o meu ponto de vista pessoal sobre o problema. Espero ter me feito entender.

domingo, 10 de março de 2013

Morte do Ego: evitando o cultivo


Enfraqueça o ódio evitando tudo o que alimenta o ódio. Enfraqueça a cobiça evitando tudo o que alimenta a cobiça. Enfraqueça a gula evitando tudo o que alimenta a gula. Enfraqueça a luxúria evitando tudo o que alimenta a luxúria. Enfraqueça o medo evitando tudo o que alimenta o medo. Enfraqueça o apego evitando tudo o que alimenta o apego.

Mediante a Morte em Marcha, evite aquilo que alimenta o defeito que você almeja eliminar de sua natureza. Muitas situações exteriores alimentam inevitavelmente defeitos específicos. Evite-as mediante a morte dos impulsos (nos cinco centros) que te impelem para elas. Retire de sua vida TUDO o que conduz ao problema psicológico. Retire de si todas as recordações, não mediante o conflito da oposição força-a-força, mas mediante a descoberta seguida da aplicação da Morte em Marcha e do esquecimento. Se não houver esquecimento, o defeito será reavivado. Se o esquecimento não for possível, por mais esforço que se faça, é porque está sendo reativado por algum canal subconsciente.

Desejo e aversão (temor) são as duas formas básicas assumidas pela natureza animal inferior. Todos os egos se enquadram em uma das duas categorias. A luxúria, o apego, a gula e a inveja são formas de desejo. O medo, a valentia e o ódio são formas de aversão. A preguiça é o desejo de não fazer nada. A cobiça é o desejo de posses. O ódio é a aversão pelo inimigo. Todos os defeitos são formas mentais que reforçamos continuamente, através de atos, palavras e, principalmente, de pensamentos e recordações.

Caímos em situações exteriores que reforçam os defeitos porque somos levados por impulsos internos. Dissolvendo os impulsos nos cinco centros, deixamos de ser arrastados para elas e os defeitos começam a enfraquecer. Querer livrar-se de um defeito sem abandonar as situações exteriores que o alimentam é um contra-senso absurdo.

Entenda-se que "evitar" ou "abandonar" situações é algo realizado após as mesmas terem sido descobertas e compreendidas como prejudiciais e reforçadoras dos defeitos. Não se trata de uma simples supressão de fatos da vida sem compreensão alguma e sem a oração pela Morte em Marcha. A renúncia é posterior a descoberta e constatação dos prejuízos.

Ampliação em 12/12/2013

Quando deixamos de usar uma função psicológica, ela sofre uma atrofia. O Ego é um conjunto de funções ou funcionamentos psicológicos mantidos vivos pelo uso constante, formas de pensar, sentir e entender continuamente exercitadas. Sinapses, sanskaras e circuitos cerebrais que se tornaram poderosos começam a se enfraquecer e a atrofiar ao deixarem de serem usados. E isso o que queremos com a Morte do Ego.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

O erro de cultivar e reprimir


Cultivar e reprimir

Vamos detalhar um pouco um erro que muitos cometem no trabalho da Morte. Pode ser que você também o tenha cometido. O erro consiste em reprimirmos e cultivarmos os defeitos ao mesmo tempo.

Temos uma tendência de reprimir defeitos sem deixar de cultivá-los. Trata-se de um comportamento contraditório mas comum: cultivamos o defeito e, quando seus resultados nefastos se fazem sentir, tentamos contê-lo e reprimi-lo. Assim, passamos a vida sofrendo em um círculo vicioso, no qual damos vida e força àquilo que nos prejudica.

Geralmente, não compreendemos que é perfeitamente possível deixar de reprimir um defeito sem, no entanto, cultivá-lo. O senso comum dita a (falsa) crença de que temos sempre que optar entre reprimir e cultivar, de que ambas as coisas não podem ocorrer simultaneamente e nem podem ser abandonadas ao mesmo tempo. Na verdade, o reprimir e o cultivar não são mutuamente dependentes e nem tampouco excludentes, podendo ocorrer simultaneamente ou não. Uma pessoa pode reprimir e cultivar, assim como pode também deixar de reprimir ao mesmo tempo em que deixa de cultivar algo em sua psique. Essa última possibilidade é a que nos interessa agora.

O reprimir e o cultivar formam um par de opostos que pode ser abandonado e isso soa estranho tanto aos conservadores como aos seus antípodas, os hedonistas. 

Uma pessoa corretamente preparada pode retirar a repressão que pôs sobre os seus defeitos ao mesmo tempo em que remove todas as formas que adotou para seu cultivo. 

Não se pode reprimir aquilo que não existe, não aparece ou não se manifesta. A repressão, portanto, exige que ocorra manifestação prévia de algo. No entanto, a manifestação de um defeito é resultado de um cultivo que a antecede. Cultivamos um defeito através de lembranças, de falas, de atitudes. Se, ao invés de nos ocuparmos com a repressão, formos diretamente às causas da manifestação, não haverá defeito manifesto para ser reprimido. As manifestações se tornarão progressivamente mais fracas, até desaparecerem, sem necessidade de serem sufocadas e nem contidas. O segredo, aqui, consiste em irmos às causas e removê-las. Quando removemos as causas, não há manifestação a ser reprimida.

Como removemos as causas? Por meio da Morte em Marcha. 

Muitas vezes confundimos tudo e achamos que remover as causas é o mesmo que reprimir, o que é falso. Reprimir é sufocar aquilo que está manifesto, não é despotenciar as manifestações. Despotenciar uma manifestação é algo totalmente diverso de reprimir. 

Cultivamos constantemente aquilo que nos faz mal e não nos damos conta disso, pois o fazemos inconscientemente.

As causas das manifestações devem ser buscadas nos atos comuns e inocentes do cotidiano. Alguns atos comuns e sem importância resultam em posteriores manifestações violentas de defeitos. Se os removemos, desarmamos o problema. As causas se escondem em frases, olhares, expressões, nos modos, nas vestimentas e em inúmeros detalhes do nosso comportamento. Removendo-os, deixamos de cultivar os defeitos correspondentes e não necessitaremos reprimir.

Um defeito é como um animal que você criou e continua a cuidar dele. Agora o animal cresceu e se tornou forte. Não tente brigar diretamente com a fera, simplesmente deixe de cuidar dela. Observe-se e descubra por onde você está mantendo-a viva. Você a alimenta, cuida do animal todos os dias e não se dá conta. Vá descobrindo e retirando todos os cuidados e ele aos poucos enfraquecerá e morrerá.

O cultivo pela identificação

Outra forma de cultivar um defeito consiste em tentarmos "encarar" situações perante as quais somos impotentes. Por exemplo, não há como contemplarmos algo que desejamos muito sem sentirmos ainda mais desejo. Quando o fazemos, o resultado é a fortificação do respectivo defeito. Ainda que o façamos com boas intenções, tentar "afrontar" certas situações para as quais não estamos preparados somente irá nos lançar cada vez mais para baixo. Daí a necessidade do controle dos Indryas (sentidos).

Uma pessoa que tenha fobia de aranhas, por exemplo, não poderá sujeitar-se ao perigo das aranhas sem identificar-se. O simples ato de permanecer no meio de aranhas já é uma forma de alimentar o seu medo. Quanto mais tal pessoa tentar encarar aranhas, mais medo sentirá. O medo se fortificará com o próprio medo. Quanto mais medo sentir, mais medo terá. Quanto mais a pessoa se ocupar com o objeto do seu temor, quanto mais pensar, falar, precaver-se, ver etc. o objeto em questão, pior ficará o seu problema. Para que seu medo morresse, ela deveria primeiramente deixar de alimentá-lo. Novos samskaras seriam criados em sua mente, até o dia em que a pessoa se estabelecesse totalmente em uma forma mental diversa, em um outro modo de entender os aracnídeos. Somente quando outro modo de encarar o problema se enraizasse, é que as aranhas poderiam ser encaradas de frente.

Com o desejo sexual acontece a mesma coisa. Um homem sexualmente ativo não poderá jamais tentar afrontar situações perante as quais não pode resistir. Se um sacerdote fosse pregar a Palavra do Senhor em um prostíbulo, terminaria fornicando com as prostitutas. Um homem que queira contemplar imagens de lindas mulheres altamente desejáveis não deixará de desejá-las ainda mais e de fortificar, assim, seu desejo. O ideal, nesses casos, seria controlar os Indryas: não ver, não olhar, não ouvir, não percebê-las. O simples desejo de querer percebê-las já assinala o princípio da manifestação causal, a qual deveria ser removida através da Morte em Marcha ao invés de ser reprimida.  

Acreditar que se pode enfrentar certas situações sem ser afetado pelas mesmas é ilusório. Temos que diferenciar as situações que podemos enfrentar daquelas perante as quais somos impotentes. Por "enfrentar" entenda-se: olhar, perceber, ocupar-se. Há situações que não nos afetam de modo algum, mas há outras que provocam intensa identificação, quer queiramos ou não. 

Escolhamos uma imagem qualquer, perante a qual você é impotente. Você é incapaz de perceber aquela imagem ou situação (um conjunto de imagens) sem ser afetado. A imagem ou situação te provoca inúmeras emoções negativas indesejáveis e prejudiciais. Pois bem, se você cometer o erro de tentar enfrentá-la, acreditando que poderá percebê-la sem identificar-se, estará também cometendo um auto-engano, sendo iludido por seu próprio Ego, que se nutrirá desta maneira. Quanto mais você se ocupar, pensar e perceber aquilo que te afeta, mais afetado ficará, por uma simples razão: você não tem forças para resistir, mas está tentando fazê-lo, em vão. Inconscientemente, você está preso ao problema por diversos laços, de diversas maneiras. Você se ocupa com o problema e não sabe disso. Caso queira se livrar, tem que descobrir e cortar todos esses laços. Tome consciência dos laços e os corte.

Eu, por exemplo, não tenho medo de andar em uma floresta sozinho. As serpentes e outros perigos não existem para mim. Posso andar pela floresta sem nenhum problema. No entanto, uma pessoa que tenha pavor de florestas não poderá sequer contemplar uma mata sem fortificar sua fobia. Tal pessoa necessita controlar os seus Indryas nesse aspecto, até o dia em que seu medo desapareça por completo.

O que foi dito aqui vale para todos os defeitos da personalidade humana. Morrer para algo é deixar de existir completamente para aquilo, não é ocupar-se cada vez mais. Morrer é desligar-se, abandonar. A Morte do Ego consiste em deixar tudo para trás, em romper com o passado para sempre.


Mas... e quando não há escapatória?

Provavelmente, você deve estar se perguntando: "Mas o que deve fazer a pessoa que não pode evitar um problema e se vê obrigada a enfrentá-lo, contra a sua vontade?" Este é um ponto importante a ser esclarecido.

Existem situações que realmente não podem ser evitadas. Se uma pessoa que esteja trabalhando o seu vício em doces for atirada em uma confeitaria, o que deve fazer? Minha proposta: deve fazer o mesmo que faz o equilibrista que anda sobre uma corda entre dois prédios.

O equilibrista não leva sua mente e nem os seus sentidos ao perigo, mesmo estando dentro da situação perigosa. Ele controla seus Indryas, pois não olha para baixo, e imagina estar caminhando sobre uma linha traçada no chão e não sobre uma corda. Ao imaginar que caminha no chão, o equilibrista mantém sua mente concentrada. A concentração o protege, forma uma espécie de escudo protetor que o deixa blindado contra a sensação de que está prestes a cair. A sensação de que se pode cair é o princípio do medo. Se o equilibrista olhar para baixo, sua mente se desviará do lakshya e o medo irá invadi-lo. A chave não está fora, está dentro: é a imaginação concentrada. A imaginação definirá o rumo dos acontecimentos. O que sentimos depende, em grande medida, do que imaginamos. Se nos imaginamos vulneráveis, nos sentimos vulneráveis. Se nos imaginamos protegidos, nos sentimos protegidos. Portanto, o equilibrista seleciona o que percebe e ao mesmo tempo o que imagina. Ele evita perceber e se recusa a concentrar sua mente no perigo, criando assim uma outra forma de ver a situação. Levada às últimas consequências, a correta concentração da imaginação nos permite atravessar tempestades e terremotos mantendo a serenidade do Budha.

Vejamos outro exemplo. Um praticante de tantra ioga não poderá levar sua mente à mulher no momento do ato sexual ou sofrerá uma ejaculação involuntária. Ele se concentra em seu próprio órgão sexual, procura sentir e imaginar sua energia sendo transmutada. Ao manter a imaginação assim focalizada, o iogue tântrico se torna blindado contra a luxúria e pode prolongar o seu ato por muito tempo. Ele faz o mesmo que faz o equilibrista: controla a imaginação e se recusa a perceber e imaginar o que pode conduzi-lo pelo caminho indesejável. Se o iogue concentrasse sua mente em fantasias e fetiches eróticos ou concentrasse sua atenção nas formas femininas, nos gemidos, nas sensações proporcionadas pela mulher etc. finalizaria involuntariamente o ato sexual e não atingiria a sua meta, que é retirar-se do ato antes da finalização para continuá-lo outro dia.

Mais um exemplo, para entendermos melhor. Um lutador que fique prestando atenção nos pontos fortes do inimigo e deixe de lado os seus pontos fracos, terminará acreditando que está completamente vulnerável. Ao acreditar-se vulnerável, levaria sua mente à derrota, pensaria e imaginaria mil coisas, problemas e perigos. Tal lutador estaria derrotado de antemão. Por outro lado, se prestasse atenção somente nos pontos fracos do rival, terminaria acreditando que é invulnerável (o que está em questão aqui não é quem objetivamente irá vencer a luta, mas sim o processo psicológico envolvido). Se o lutador escolher como lakshya seus próprios pontos fortes e os pontos fracos do inimigo, impedirá que sua imaginação seja ferida e não sentirá as emoções correspondentes.

Uma bailarina ou um músico que levem sua mente, sua percepção e sua imaginação à platéia poderão ser tomados pela insegurança e, então, errarão a execução do trabalho. O que eles fazem? Se concentram no que estão fazendo. Alguns usam a tática de imaginarem que estão tocando/dançando sozinhos. Quanto mais concentrados estiverem, menos ansiosos ficarão. Com o tempo, suas mentes sofrem uma modificação e não mais acreditam ou imaginam que estão vulneráveis.

Se uma pessoa apontar para você uma arma de brinquedo dizendo que se trata de uma arma de verdade, você provavelmente se sentirá em perigo. Sua imaginação terá sido ferida e provocará várias emoções negativas correspondentes.

Portanto, o que deveria fazer nosso amigo viciado em doces que caísse de para-quedas dentro de uma confeitaria? Deveria escolher algo em que concentrar a percepção e a imaginação para, assim, atravessar incólume a "tempestade de açúcar". Deveria evitar olhar para os doces e imaginar que está em um lugar distinto da confeitaria.

Se você se ver obrigado a enfrentar uma situação estressante inevitável, poderá se proteger desviando a imaginação e a percepção dos aspectos negativos do problema, focando-os e firmando-os nos aspectos positivos ou imaginando que está em uma situação parecida, porém não tão difícil assim. Recuse-se a alimentar o mal com a mente.

Que fique claro, no entanto, que esta é somente uma dica para as situações extremas. O procedimento de desviar a imaginação e a percepção, embora muito útil, não chega realmente a matar os egos envolvidos, somente nos blinda.  

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Morte do Ego: indo às causas

Na Morte do Ego é comum que cometamos muitos erros. Este blog foi aberto com a intenção de permitir a reflexão, e não a mera teorização ao ar, sobre os erros que nos deixam estancados. Por um erro não detectado, uma pessoa pode ter o seu passo espiritual travado por muitos anos.

Os erros que as pessoas cometem nem sempre são os mesmos, podem variar de uma pessoa para outra. Neste blog apontamos alguns, na esperança de alcançar as pessoas que precisam ser alcançadas. Pode ser que os erros que você cometa não estejam apontados em meus textos. 

De todas as maneiras, a Morte é algo que se aprende aos poucos e se aperfeiçoa com a prática. Se você tem recaídas aqui e ali, cometendo atos que não gostaria de cometer, não deve se preocupar muito com isso. As falhas de caráter, ainda que graves, não devem ser motivo para não continuarmos trabalhando. Por mais degenerado ou pecador que você se considere, não deve desistir. Se você não consegue deixar de ser "mau" por um lado, trabalhe outros lados de si mesmo, outros aspectos, mas não deixe de se aperfeiçoar. Suas piores fraquezas irão ceder cedo ou tarde, nesta ou em outra vida.

Os erros que cometemos na Morte são, entre outras coisas, artimanhas do Ego para sobreviver. Para permanecer vivo, o Ego nos engana. 

Lamentar-se e prender a atenção aos prejuízos ocasionados por um determinado defeito é um exemplo de erro. A lamentação não resolverá o problema, mas nos distrairá e desviará eficientemente a atenção de suas causas. Enquanto eu fico prestando atenção e pensando nos prejuízos de um ato de fornicação, por exemplo, não estou pondo cuidado em suas causas, nos fatos que o ocasionaram. Como consequência, serei incapaz de remover o problema da minha vida.

O que seria a "causa" da manifestação de um defeito? Seria aquilo que antecede e provoca a manifestação (1). Por definição, a causa é aquilo que antecede um efeito. Seria ilógico supor que a causa sucedesse ao efeito, ou seja, que o efeito antecedesse à causa. É óbvio que antes do efeito vem a causa e, no caso da manifestação de um ego, alguns fatos psicológicos ocorrem antes que o defeito venha à manifestação. Na linha do tempo, a causa vem antes e o efeito vem depois.

Sutis e leves alterações nos centros são o princípio de  manifestações violentas e as antecedem. Se as removemos, as manifestações violentas não ocorrem. Somos sacudidos por manifestações violentas porque não nos mantemos atentos às manifestações sutis, que são as leves alterações nos centros. Qualquer alteração sutil em algum centro da máquina deve ser resolvida ali mesmo onde estivermos, de imediato, sem postergação, de modo a desviar o rumo de nossas vidas, evitando as manifestações violentas posteriores. É claro que, uma vez removido o pequeno detalhe, também precisamos desviar os Indryas da situação exterior que provocou sua aparição, pois a mesma já não é mais necessária e pode fazê-lo ressurgir. Se você eliminou alguma emoção indesejável que sentia ao ver alguém, melhor é não ver mais essa pessoa dali em diante (ou pelos menos por um bom tempo, até que os novos samskaras se fixem) pois, se o fizer, poderá alimentar a emoção negativa novamente.

Portanto, as causas das manifestações do Ego apresentam dupla face, dois aspectos: um aspecto físico, exterior, correspondente às situações da vida que as evoca, e um aspecto psicológico, interior, correspondente às leves alterações nos centros, às manifestações sutis do Ego. A Morte só é possível quando, por meio da auto-observação, descobrimos as causas e as removemos. 

Quais são os fatos que antecedem a manifestação de um ego, provocando-a? São as sutis formas de pensar, sentir, falar e agir. Qualquer pensamento levemente pecaminoso, qualquer mínima atitude, por mais inocente que pareça, podem colher energia e ganhar força, tornando-se perigosos inimigos. Quando uma manifestação mínima ganha força, transforma-se em uma obsessão violenta e incontrolável. As manifestações mínimas são as causas que deveriam ser trabalhadas para que seus efeitos posteriores desastrosos fossem evitados. Ocupar o tempo com lamentações é, portanto, um erro muito comum que atrapalha a Morte do Ego. Poderíamos, porém, ir um pouco além na busca das causas e chegaríamos às situações exteriores (acontecimentos do ginásio) que provocaram tais manifestações psicológicas sutis. Se quiséssemos ir ainda mais além, teríamos que ir às dimensões superiores e ao abismo, mas não é disto que estou tratando agora. No momento, estou me referindo às causas "horizontais" de tais manifestações e as encontramos nas situações da vida às quais reagimos constantemente, na maior parte das vezes sem sequer nos darmos conta.

Um erro frequente que costumamos cometer é nos debatermos contra um desejo e reforçá-lo simultaneamente. Se me mantenho metido em situações que dão força aos desejos, não poderei me libertar dos mesmos. Não é possível enfraquecer o inimigo se o estamos reforçando ao mesmo tempo. Não poderei eliminar o que sinto por determinado objeto ou pessoa se me mantenho em constante contato com aquilo. Portanto, se quero morrer para determinado objeto ou situação, tenho que remover aquilo de minha vida. Não poderei dissolver o ódio que sinto por um inimigo se estiver constantemente me ocupando, pensando no mesmo ou vendo-o. Se realmente quero morrer psicologicamente para determinada situação, tenho que remover da minha vida o objeto que ocasiona a emoção negativa correspondente, pois é para isso que tal objeto existe! Esta é a função do ginásio psicológico: chamar nossa atenção para o que deve ser retirado de nossa vida, mostrar os elementos dos quais devemos nos desligar. Cada situação provocadora de reações negativas deve ser descoberta e removida. Manter tais situações em nossa vida, sob a desculpa de nos exercitarmos psicologicamente, equivale a manter uma relação equivocada com o ginásio psicológico. 

Muitas pessoas acreditam que devem se manter presas às adversidades da vida para que possam se desenvolver. Particularmente, considero que estão equivocadas completamente. As adversidades existem para que possamos superá-las, transcendê-las. Transcender uma adversidade é deixá-la para trás, desligar-se. Se fico prestando atenção, pensando e me ocupando com aquilo que me altera ou me perturba, estou identificado e jamais poderei me libertar. Se discuto com quem me irrita, jamais eliminarei a ira correspondente; se fico contemplando ou dialogando com a mulher que desejo, jamais eliminarei a luxúria correspondente; se fico abrindo e lendo cartas malcriadas que me escrevem, jamais dissolverei o mal estar que provocam; se fico olhando para a ameaça que me atemoriza, jamais dissolverei o temor. O motivo é simples: somos incapazes de ter contato com o objeto provocante sem nos identificarmos e sem sermos afetados.

Por outro lado, se as adversidades, os objetos provocantes, não existissem, não tomaríamos consciência da necessidade de removê-los. Portanto, as adversidades cumprem uma função em nosso trabalho espiritual, a qual consiste em serem descobertas e removidas. Obviamente, o que não existe não pode ser descoberto e nem tampouco removido. 

Vivemos e nos movemos em um universo composto por aquilo em que pensamos e no que prestamos atenção. Se nos ocuparmos e pensarmos nas adversidades, viveremos em um universo composto por adversidades. Importa, pois, deixar as adversidades para trás.

Quero enfatizar esse ponto pois me parece que são muitos os gnósticos que acreditam que irão eliminar a luxúria se continuarem olhando para as mulheres que desejam e esperam eliminar a ira ao continuarem se ocupando com os seus inimigos. Eles chegam mesmo a crer que se trata de uma necessidade para a Morte. Vejo-os como uns pobres infelizes que estão completamente equivocados. Como poderia alguém eliminar o ódio e auto-importância se ficasse remexendo as fofocas que dizem a seu respeito? Como poderia eliminar a fobia do sobrenatural alguém que fica assistindo a filmes de terror? Temos que aprender a selecionar os fatos com os quais ocupamos nossa consciência. Se você ficar contemplando garotas dançando "funk" nunca deixará de desejá-las. Temos que aprender a escolher e a selecionar criteriosamente aquilo que entra em nossa percepção. Isso, na ioga, se chama "controle dos Indryas" (sentidos). Se você abre as portas de sua percepção ao lixo, sua mente e seu psiquismo se encherão de lixo. Quem quer deixar de nutrir o Ego, tem que evitar as situações que lhe dão alimento, isto é, tem que aprender a controlar os sentidos, não abrindo suas portas ao que causa estrago. E mais: não ocupar-se com aquilo nem mesmo em pensamento. Nossos pensamentos e percepções devem ser elevados.

Porém, vocês poderiam me contestar, dizendo que existem situações negativas das quais não podemos escapar, tais como a doença, a morte, a velhice e os problemas econômicos da vida. Eu lhes responderia o seguinte: quando avançamos muito na Morte, somos capazes de desviar os pensamentos e os sentidos até mesmo de tais dificuldades. Um adepto desenvolvido seria capaz de enfrentar tais situações sem levar o pensamento ou os sentidos às mesmas. Como isso seria possível? Ocupando-os com outros elementos, mais elevados, que os anulassem. Porém, isso é para pessoas mais desenvolvidas e não para nós, meros principiantes.

Por hoje é só e espero que tenham compreendido.

(1) Não se confunda a causa aqui referida com as origens do Ego no mundo causal, ou seja, as causas que se encontram na sexta dimensão natural. Neste artigo, estou me referindo às causas detectáveis enquanto estamos neste mundo físico tridimensional. As origens causais da sexta dimensão não podem ser acessadas por pessoas comuns, enquanto que as causas aqui referidas podem ser detectadas por qualquer pessoa que preste um pouco de atenção em si mesma e em sua própria vida.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

A concentração no cotidiano.

No dia a dia, quando você estiver trabalhando, caminhando, lendo, escrevendo, conversando ou fazendo qualquer outra coisa que não seja meditar, procure, na medida do possível, não pensar em nada, nem mesmo em outras coisas relacionadas ao que estiver fazendo. Ao invés de pensar em qualquer outra coisa, preste atenção no presente e perceba o que você está fazendo.

Concentre a atenção em sua tarefa no presente, se possível até o ponto de perder a noção de tudo o que não tenha nada a ver com aquilo. Procure o esquecimento total do que não esteja relacionado à realidade presente que você vivencia. Procedendo assim, você terá mais facilidade para, depois, prestar atenção no pensamento único quando se sentar ou deitar para meditar. Bastará então manter a atenção no ato de pensar no lakshya, tratando-o como mais uma tarefa real e presente.

Quando nos concentramos no que fazemos, vivenciamos o presente de forma realista e intensa, diminuindo os riscos de acidentes, por exemplo. Os acidentes estão, na maior parte das vezes, relacionados a distrações. Quem se concentra no instante presente, não está distraído.

O ato de estar presente ao que se faz inclui a percepção natural do ambiente envolvido. Partindo daí, sua consciência poderá se ampliar cada vez mais e você verá, escutará e sentirá o que ocorre à sua volta, pois não estará vivendo em um hipotético amanhã ou no que ocorreu ontem. 

Se queremos despertar consciência à nossa essência, temos que aprender a exercitá-la no cotidiano.  Então, transferimos esta prática de estar conscientes para o ato de meditar. 

Ao contrário do que todo mundo imagina, quem medita não está distraído, está plenamente lúcido e consciente em outro plano. Pode não estar com a consciência direcionada ao mundo físico exterior, mas onde quer que sua alma esteja, estará plenamente lúcida e consciente. É claro que o meditador, de olhos fechados, estará desligado do corpo físico e das percepções sensoriais externas, mas isso não significa que ele esteja distraído, que tenha perdido sua consciência e não saiba o que está fazendo. O meditador não está em eikásia, está em dharana e dhyana. Quando o meditador retorna do mundo espiritual e se levanta, está mais lúcido do que nunca, pois trouxe a lucidez consigo e a manterá.

As tarefas do cotidiano são ótimas para exercitar a consciência e a lucidez. Focando a percepção nas mesmas, vamos tornando a mente cada vez mais passiva.

sábado, 10 de novembro de 2012

The Three Principal Aspects of the Path


A CONDENSED LAMRIM BY JE TSONGKHAPA
Homage to the venerable Spiritual Guide

I shall explain to the best of my ability
The essential meaning of all the Conqueror’s teachings,
The path praised by the holy Bodhisattvas,
And the gateway for fortunate ones seeking liberation.

You who are not attached to the joys of samsara,
But strive to make your freedom and endowment meaningful,
O Fortunate Ones who apply your minds to the path that pleases the Conquerors,
Please listen with a clear mind.

Without pure renunciation there is no way to pacify
Attachment to the pleasures of samsara;
And since living beings are tightly bound by desire for samsara,
Begin by seeking renunciation.

Freedom and endowment are difficult to find, and there is no time to waste.
By acquainting your mind with this, overcome attachment to this life;
And by repeatedly contemplating actions and effects and the sufferings of samsara,
Overcome attachment to future lives.

When, through contemplating in this way, the desire for the pleasures of samsara
Does not arise, even for a moment,
But a mind longing for liberation arises throughout the day and the night,
At that time, renunciation is generated.

However, if this renunciation is not maintained
By completely pure bodhichitta,
It will not be a cause of the perfect happiness of unsurpassed enlightenment;
Therefore, the wise generate a supreme bodhichitta.

Swept along by the currents of the four powerful rivers,
Tightly bound by the chains of karma, so hard to release,
Ensnared within the iron net of self-grasping,
Completely enveloped by the pitch-black darkness of ignorance,

Taking rebirth after rebirth in boundless samsara,
And unceasingly tormented by the three sufferings
Through contemplating the state of your mothers in conditions such as these,
Generate a supreme mind [of bodhichitta].

But, even though you may be acquainted with renunciation and bodhichitta,
If you do not possess the wisdom realizing the way things are,
You will not be able to cut the root of samsara;
Therefore strive in the means for realizing dependent relationship.

Whoever negates the conceived object of self-grasping
Yet sees the infallibility of cause and effect
Of all phenomena in samsara and nirvana,
Has entered the path that pleases the Buddhas.

Dependent-related appearance is infallible
And emptiness is inexpressible;
For as long as the meaning of these two appear to be separate,
You have not yet realized Buddha’s intention.

When they arise as one, not alternating but simultaneous,
From merely seeing infallible dependent relationship,
Comes certain knowledge that destroys all grasping at objects.
At that time the analysis of view is complete.

Moreover, when the extreme of existence is dispelled by appearance,
And the extreme of non-existence is dispelled by emptiness,
And you know how emptiness is perceived as cause and effect,
You will not be captivated by extreme views.

When, in this way, you have correctly realized the essential points
Of the three principal aspects of the path,
Dear One, withdraw into solitude, generate strong effort,
And quickly accomplish the final goal.

Como identificar os causadores do estresse


Como funciona o estressepor Betty Burrows, Ph.D. - traduzido por HowStuffWorks Brasil

Fonte: http://saude.hsw.uol.com.br/como-funciona-o-stress2.htm

Todos nós nos sentimos estressados por diferentes motivos. Uma situação que faz uma pessoa querer se jogar no precipício pode ser um pequeno obstáculo ou até mesmo um grande desafio para outra. O primeiro passo na superação de seus estressores pessoais, ou indutores do estresse, é identificá-los.

Os estressores geralmente estão nas categorias relacionadas a seguir.

Os estressores emocionais, que também podem ser chamados de estressores internos, incluem medos e ansiedades (como preocupações sobre se você será demitido ou se causará uma boa impressão no primeiro encontro), assim como certas características de personalidade (como perfeccionismo, pessimismo, desconfiança ou sensação de impotência ou falta de controle sobre a vida de alguém) que podem distorcer suas idéias ou percepções em relação aos outros. Esses estressores são bastantes pessoais.

Os estressores familiares podem incluir mudanças no relacionamento com seu parceiro, problemas financeiros, adolescente rebelde ou síndrome do ninho vazio. 

Os estressores sociais surgem em nossas interações dentro de nossa comunidade pessoal. Eles podem incluir encontros, festas e discursos em público. Assim como acontece com os estressores emocionais, os estressores sociais são bastante individualizados (você pode adorar falar em público, enquanto seu colega treme só de pensar).

Os estressores de mudança são sentimentos de estresse relacionados a qualquer mudança importante em nossas vidas. Eles incluem mudar-se, arranjar um novo emprego ou outro companheiro ou ter um bebê.

Os estressores químicos são quaisquer drogas que uma pessoa usa em excesso, como álcool, nicotina, cafeína ou tranqüilizantes.

Os estressores do trabalho são causados pelas pressões de bom desempenho no local de trabalho. Eles podem incluir prazos apertados, um chefe imprevisível ou as necessidades intermináveis da família.

Os estressores de decisão envolvem o estresse causado pelas tomadas de decisões importantes, como a escolha de uma profissão ou de um companheiro.

Os estressores de fobia são aqueles causados por situações das quais você tem muito medo, como andar de avião ou estar em lugares fechados.

Os estressores físicos são situações que sobrecarregam o corpo, como trabalhar durante horas seguidas, privar-se de uma alimentação saudável ou ficar em pé o dia inteiro. Eles também podem incluir gravidez, tensão pré-menstrual ou excesso de exercícios.

Os estressores de doenças são os resultados de problemas de saúde de curto ou longo prazo. Eles podem causar o estresse (digamos, impedindo que você saia da cama), serem causados pelo estresse (como o aparecimento de herpes) ou serem agravados pelo estresse (como enxaquecas).

Os estressores de dor podem incluir dor aguda ou crônica. Assim como os estressores de doenças, os estressores de dor podem causar estresse ou serem agravados por ele.

Os estressores ambientais incluem barulho, poluição, falta de espaço ou calor ou frio excessivo.Usando a lista acima como referência, anote a categoria na qual estão os principais estressores da sua vida. Pode ser que você descubra que alguns de seus estressores estão em mais de uma categoria.

Entretanto, provavelmente existem itens na sua lista de estressores que você pode deixar de lado. Se limpar a casa inteira no seu dia de folga, toda semana, está fazendo com que você não tenha nenhum momento de lazer, talvez você possa incluir em seu orçamento uma faxineira. Se passar roupa está fazendo com que você fique até tarde acordado, mande-a para a lavanderia. Se você acha que não pode se dar ao luxo de tudo isso, tente rever seu orçamento. Lembre-se de que seu tempo também é valioso.

Diminuir a intensidade de seus estressores geralmente é mais viável do que eliminá-los por completo. Por exemplo, se você não está conseguindo se concentrar no trabalho devido ao barulho no escritório, pense na possibilidade de comprar tampões de ouvido. Se seu percurso até o trabalho faz você dirigir duas horas diariamente em trânsito intenso, tente outra opção, como transporte público ou compartilhamento de veículos, e carregue com você um jornal, um bom livro ou um CD player ou MP3 player com suas músicas favoritas.

Não há dúvida de que enfrentar os estressores é a única opção para a maioria dos itens de sua lista. Entretanto, isso não deve ser tão impossível quanto possa parecer. Existem várias técnicas para aprender a ficar calmo e lúcido sob pressão. À medida que você as domina, até mesmo os seus maiores estressores serão cada vez menos uma ameaça.

Reveja sua lista de estressores e marque E para cada item que você pode eliminar, R para cada estressor que você pode diminuir e C para cada item que você pode aprender a enfrentar. Para os itens marcados com E ou R, anote qualquer idéia que você tenha sobre como chegar a essas metas (por exemplo, mandar as roupas para a lavanderia ou comprar tampões de ouvido).

Agora que você identificou e organizou seus estressores, é hora de começar a aprender a lidar com eles. Na próxima seção, mostraremos como diminuir o estresse em sua vida.