Blog destinado a temas de interesse de gnósticos e simpatizantes. Se você sofre por não ter sucesso na Morte do Ego e se preocupa porque o tempo está passando, ou se é simplesmente alguém que quer se livrar de problemas emocionais e desejos prejudiciais que te afligem, você veio ao lugar certo. As idéias aqui contidas expressam apenas a opinião pessoal do autor e não substituem de modo algum a orientação de um mestre de consciência desperta.
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segunda-feira, 28 de maio de 2012
Concentração: preenchendo a mente com conteúdos superiores
Vamos voltar um pouco ao assunto dos conteúdos mentais.
A mente pensa com facilidade no aspecto negativo e sinistro da vida, nele se concentrando com extrema facilidade. Qualquer pessoa que tenha um problema grave sabe do que estou falando. A concentração da mente nos problemas e desgraças faz com eles aumentem de forma espantosa, o que leva pensamentos e emoções ruins a tomarem conta do cérebro, do sistema nervoso e do corpo. Ocupar-se com os maus pensamentos para tentar erradicá-los não é um bom negócio. Melhor é ocupar-se com pensamentos elevados.
Um motivo pelo qual a mente se ocupa facilmente com o mal é a crença inconsciente de que se pode atenuá-lo através de tal procedimento. A mente realmente acredita que é necessário pensar nas coisas ruins para melhorá-las. Quanto mais pensarmos no mal, mais afundaremos em pensamentos negativos.
Sintonizar-se com os aspectos superiores da vida e do universo é possível quando pensamos no que é superior ao invés de pensar no que é inferior e terrível.
A mente humana pode ser considerada como a substância ou matéria (manas) que compõe os pensamentos e imaginações. Os conteúdos dos pensamentos são adquiridos ao longo da vida, desde a infância. Isso significa que aquilo que se passa em nossa cabeça é resultado de múltiplas e infinitas combinações de elementos capturados sensorialmente e retidos na cabeça, sob a forma de representações.
Quem prestar atenção em seus próprios pensamentos perceberá que são constituídos principalmente por imagens de tipo visual e por representações de tipo sonoro. "Vemos" e "ouvimos" cenas e acontecimentos na tela da mente.
Se ficarmos um dia inteiro passeando em uma praia, à noite perceberemos imagens mentais da areia, das ondas. Se passarmos o dia em uma floresta, as imagens serão de árvores, de folhas e coisas assim. Quando algo nos impressiona muito, seja positivamente ou negativamente, imagens correspondentes ficarão em nossa mente. Basta fecharmos os olhos e as veremos, pois tais imagens podem ser vistas pela clarividência incipiente que todas as pessoas comuns possuem.
Algo similar acontece com os sons. Os sons que ouvimos na vida formarão pensamentos "sonoros", sendo sua principal forma a tagarelice interior. Nas cenas mentais, nós falamos e outras pessoas falam. A mente imagina milhares de situações em que discursamos, discutimos, conversamos, perguntamos, brigamos etc. Tais pensamentos usam o recurso do idioma (português, inglês, francês etc.) para se processarem. Um latino-americano pensará em espanhol ou português. Um oriental pensará em árabe, japonês, chinês ou sânscrito. O idioma aprendido desde a infância serve como base para a tagarelice inútil da mente.
Além das tagarelices internas, merecem destaque as músicas insistentes que invadem a mente e "ficam na cabeça". Às vezes tais músicas se repetem por dias a fio, sem dar descanso. Tais músicas entraram na mente no momento em que as ouvimos e nos identificamos. Em geral, são músicas que detestamos ou das quais gostamos muito. Uma música pela qual nutrimos indiferença dificilmente se fixará na cabeça. Um bom antídoto para o problema é ouvirmos os sons da natureza por um longo tempo, deixando que impregnem a mente. Mantrans vocalizados por longo período também costumam ajudar. O que importa é substituir os sons indesejáveis pelos desejáveis.
Os sons mentais são recordações de sons ouvidos ao longo da vida, sob múltiplas combinações. O silêncio mental é a ausência de sons mentais. Um surdo de nascimento não terá tagarelices interiores e nem ouvirá sons mentais, embora tenha muitas representações mentais de conteúdos visuais.
O silêncio absoluto da mente somente é alcançado no samadhi. Na concentração existe um silêncio relativo. Os sons mentais não são os autênticos sons dos mundos internos, são projeções. Os verdadeiros sons dos mundos internos estão além dos sons mentais e da tagarelice mental. No entanto, os sons e as imagens percebidos durante a fase da concentração servem como guia, como barco para atravessarmos o oceano da mente e depois descartá-lo. As imagens internas com sons não-verbais se convertem, após a fase da concentração, em visões.
Portanto, aquilo que nos impressiona se transforma em conteúdo mental e imaginativo. Convém prestarmos atenção e tomarmos cuidado com o que presenciamos, vemos e vivenciamos. Se queremos aprender a nos concentrar e a meditar, não podemos encher nossa mente com lixo.
Se eu passar um dia inteiro presenciando cenas inferiores e negativas, sejam ao vivo, no computador ou na televisão, à noite não poderei me concentrar em outras coisas. As cenas com que preenchi minha mente irão atormentar durante a prática. No entanto, se eu passar o dia andando em uma praia, à noite poderei me concentrar com certa facilidade em praias e até ter alguns sonhos relacionados. Tudo terá sido voltado para a mesma direção. Temos que aprender a direcionar a mente e parte deste trabalho consiste em cultivar nela aquilo que nos interessa espiritualmente.
Uma das chaves para a concentração é o esquecimento de tudo. Não poderemos esquecer algo se o ficamos cultivando durante a vida.
Sempre que alguém pensar muito em algo, sentirá emoções correspondentes. Se pensar em algo ruim, sentirá emoções e desejos ruins e baixos. Se pensar em algo bom e superior, sentirá emoções elevadas e superiores.
Quando aprendemos a pensar em uma só coisa por um tempo prolongado, o pensamento único toma conta da mente. Emoções correspondentes ao tema pensado são sentidas e, em etapas profundas, nos unimos ao objeto.
O tema da concentração pode e deve ser algo bom que nos interesse: o Senhor Jesus, o Senhor Buda, o Senhor Krishna, o sol, o céu. Podem também ser temas abstratos, como a nossa origem e destino.
Em uma primeira etapa, somente pensamos no tema. Posteriormente, percebemos imaginativamente o objeto de forma nítida e sentimos vivamente as emoções correspondentes. Por último, ultrapassamos a distinção que nos separa do objeto. Tudo é questão de aprender a deixar que um pensamento único tome conta da mente, a impregne. O pensamento único é como uma porta que é atravessada quando é alcançada.
A capacidade de concentrar o pensamento, uma vez desenvolvida, pode ser direcionada a qualquer objeto sensível ou lugar. Posteriormente, pode ser direcionada àquilo que nos parece abstrato: o Atman, Deus ou Espírito Divino no homem.
Enquanto estivermos presos à mente, haverá necessidade de algo em que pensar. Somente quando escapamos da mente é que tais conteúdos se tornam desnecessários. Escapamos da mente durante o samadhi.
Neste universo fenomênico e relativo no qual vivemos, temos que pensar em coisas boas ou então pensaremos em coisas ruins. No entanto, além dos bons pensamentos da concentração, está o não-pensamento do samadhi. O não-pensamento autêntico é a forma mais elevada de pensar que existe.
Concentração: a importância de escolher adequadamente o lakshya
Os praticantes de concentração e meditação provavelmente estarão cientes do fato de que os pensamentos costumam se esgotar (sem que a mente esteja silenciada) quando tentamos concentrá-los em algo difícil. O fluxo dos pensamentos, que deveria fluir em torno do lakshya, deixa de correr e faltam-nos pensamentos sobre o assunto, apesar de sobrarem pensamentos a respeito do que não nos interessa no momento.
Assim como existe o êxtase espiritual sublime da alma, existe o transe obsessivo infernal da mente. Se cultivarmos os maus pensamentos, eles nos conduzirão ao abismo. Se cultivarmos o pensamento elevado, seremos conduzidos a vários céus. A queda no mal é uma espécie de concentração, realizado ao contrário, para a escuridão. Os vícios e falhas de caráter que todos temos são o resultado do cultivo dos maus pensamentos. A mente é como um cavalo: pode nos conduzir em várias direções. O que importa é aprender a pensar corretamente.
Quando, de todas as maneiras, o Ego nos confunde e nos impede de escolher um lakshya, deixando-nos perdidos e indecisos, podemos resolver o problema simplesmente entregando a decisão ao Íntimo e escolhendo aleatoriamente qualquer um dos temas entre os quais estamos indecisos, sem raciocinar a respeito, escolhendo "como um louco escolheria".
quinta-feira, 24 de maio de 2012
Amar a Deus e não ao mundo
terça-feira, 22 de maio de 2012
Concentração: as emoções e o fluxo dos pensamentos
Se você tiver alguns sonhos lúcidos com o seu lakshya, isto será perfeitamente normal e um sinal de avanço, mas não se contente com eles, prossiga.
domingo, 20 de maio de 2012
Transmutação: quebrando o círculo vicioso da energia sexual
É difícil ver o sexo de forma espiritual: a luxúria nos arrasta à animalidade. No entanto, a transmutação da energia é, entre outras coisas, a transformação da forma de encarar o ato sexual.
quarta-feira, 16 de maio de 2012
Concentração: destravando o passo do asno empacado
O pensamento concentrado em um tema é imaginação consciente, os pensamentos dispersos são imaginações mecânicas.
segunda-feira, 14 de maio de 2012
Transmutação: a imaginação que conduz a energia para cima
A imaginação é a responsável pela condução da energia sexual. A imaginação morbosa produzirá orgasmo, a imaginação espiritual transmutará e conduzirá a energia pela coluna.
Sem as imaginações morbosas e fantasias sexuais não existiria a fornicação e nem o orgasmo. Um ser humano desprovido de imaginação seria inorgásmico. Similarmente, sem a imaginação espiritualizada correta durante o ato sexual não se pode modificar a energia para torná-la mais leve e fazê-la subir. O êxtase erótico espiritual será impossível para quem não houver desenvolvido a imaginação pura e a concentração. Não há saída: ou desenvolvemos a imaginação positiva e pura ou seremos tragados pelas imaginações negativas e morbosas.
Concentração: aquele que fala e aquele que observa
Concentre-se com leveza, sem fazer esforços para concentrar-se. Apenas toque levemente os vários aspectos do tema. Não faça esforços para aprofundar a concentração, deixe que o aprofundamento ocorra por si mesmo.
Se a concentração atrapalhar o sono, isso indica que o praticante está ansioso por concentrar-se. A ansiedade por concentrar-se trava a prática.
Uma associação subconsciente entre concentração e contração provocará tensionamento. Veja a concentração como algo que tem a mesma natureza descontraída do relaxamento.
quinta-feira, 26 de abril de 2012
Evitando situações sem retorno
Há situações sem retorno, das quais não saímos sem que o ego tenha se alimentado, fortificado e satisfeito. São situações irresistíveis, em que perdemos completamente o controle de nós mesmos e nas quais o ego forçosamente se manifesta com todo o vigor. Um luxurioso não resistirá à tentação de fornicar se entrar em um prostíbulo, um viciado em jogos não resistirá à tentação de jogar se entrar em um cassino. Enfrentar tais situações é o mesmo que atirar-se contra uma parede: você inevitavelmente se arrebentará.
A auto-observação tem a a função de nos levar a descobrir os caminhos equivocados que trilhamos rumo às situações sem retorno. A reflexão nos permite fazer um levantamento de todas essas situações em que diariamente caímos. Quais são as situações sem retorno em que caímos diariamente? Por onde chegamos até elas? Quais foram os detalhes que nos levaram até as mesmas? O Ego nos prega muitas peças e monta armadilhas.
terça-feira, 17 de abril de 2012
Alcançando e preservando os momentos de paz interior
domingo, 8 de abril de 2012
Concentração: prolongar e desligar-se
Somente com o ato de prestarmos atenção em algo já estamos nos concentrando naquilo. Se formos destreinados, a concentração irá durar apenas alguns segundos antes de ser desfocada, mas será uma concentração verdadeira, embora curta. Portanto, quem quiser compreender o que é uma concentração correta e verdadeira deve apenas prestar atenção em algo e saberá o que é concentrar-se. O importante é desligar-se de tudo o que não seja o lakshya.
Evite fazer esforços para aprofundar e prolongar a concentração, apenas receba o objeto com suavidade, perceba-o conscientemente. Deixe que a concentração se aprofunde por si mesma. Se a mente desviar-se do tema, traga-a de volta.
Concentração não é contração. Cuidado com a semelhança entre as duas palavras. A semelhança entre os termos pode nos influenciar subconscientemente e nos induzir a associar concentração com esforços mentais violentos. Um esforço mental violento produzirá tensão muscular e dores de cabeça. O conflito com a mente estanca a prática da meditação.
Aprofundar a concentração não é fazer força para concentrar-se mais, é esquecer o que ainda não foi esquecido.
E normal que surjam pensamentos de todos os tipos, inclusive pensamentos do arco da velha, relacionados com fatos da infância ou de anos deixados para trás. Eles surgem para que você os esqueça. Não lhes dê importância. Dissocie-se das lembranças e dos pensamentos, atenha-se somente ao tema.
Quando procuramos nos concentrar, pensamentos de todo tipo e os mais absurdos desejos e emoções (consequências de tais pensamentos ou recordações) podem atravessar o nosso caminho. Isso é absolutamente normal e não deve causar preocupação. O praticante não deve preocupar-se com tais pensamentos e lembranças e nem ocupar-se com os mesmos para combatê-los, por mais absurdos e inaceitáveis que sejam. Deixe que eles passem e desapareçam. Não tente reprimi-los e nem tampouco os reforce, fique indiferente, neutro, não seja contra e nem a favor, não reaja aos mesmos. Se cometer o erro de lhes prestar atenção, ficará identificado e os reforçará. O melhor é simplesmente dissociar-se, esquecê-los e continuar mantendo a atenção e a mente sobre o lakshya.
sexta-feira, 30 de março de 2012
Sobre os referenciais teóricos que adotamos
Sivananda, "The Pratice of Brahmacharya":
Além das obras citadas acima, há ainda muito mais, porém não tenho tempo agora de citar todas. Citarei somente alguns autores e posteriormente acrescentarei mais:
- Sócrates/Platão
- Lobsang Rampa
- Helena Blavatsky
- Ane Besant
- Rudolf Steiner
- Charles Leadbeater
- Eliphas Lévi
- Arnold Krum Heller
- Ouspensky
- Gurdjieff
- Milarepa (canções)
- Tsong Kappa
- Paracelso
- Pitágoras
sábado, 24 de março de 2012
O estresse e o trabalho interior
À medida que o tempo passa, a humanidade robustece o Ego, seu desequilíbrio psico-físico aumenta e os seres humanos vão sendo cada vez mais afetados pelo estresse. Enfrentamos hoje uma epidemia mundial de estresse, motivo pelo qual é importante abordarmos esse assunto, que se relaciona diretamente com o nosso trabalho espiritual de meditação, morte do ego e equilíbrio dos centros da máquina (o corpo físico).
Ao contrário do que comumente se imagina, o estresse não resulta somente do trabalho e sim de tudo o que nos agride fisica emocionalmente.
Tipos de estresse
Há estresses agudos e crônicos, em graus variáveis. O estresse crônico costuma ser imperceptível e se apodera silenciosamente da pessoa. Pessoas alegres, calmas e aparentemente equilibradas podem estar sofrendo de estresse crônico e silencioso sem que ninguém perceba, nem mesmo elas. Nos casos de estresse crônico e sutil, a pessoa se dará conta somente quando aflorarem as somatizações (manifestações físicas do estresse), o que pode ocorrer em qualquer fase de sua vida. Alguém que nunca teve sinais de estresse pode apresentá-las de repente, em qualquer idade.
Existem também o estresse físico e o estresse emocional. O estresse físico resulta de agressões diretas ao corpo físico, por meio de excesso de esforço muscular, exposição a rigores climáticos, à alimentação deficiente, a inflamações e infecções, traumas mecânicos, falta de sono etc. O estresse emocional, por sua vez, é o resultado da somatória de todas as emoções negativas, presentes e passadas, acumuladas em nossa vida, incluindo emoções provenientes de traumas, decepções amorosas, traições etc. Tanto o estresse físico como o estresse emocional nos desequilibram quimica e energeticamente, fazendo com que o corpo trabalhe de forma desorganizada, e expressam-se através de diversos mecanismos físicos, tais como dores, arritmias cardíacas, queda na resistência imunológica, alergias etc. Toda doença existente possui alguma relação direta ou indireta com o estresse.
O estresse e os centros
O estresse emocional desequilibra o centro emocional. Este, desequilibrado, roubará energia dos demais centros. O mesmo processo acontece com os centros motor, intelectual, instintivo e sexual.
Podemos nos estressar de várias maneiras. Uma pessoa poderá se estressar sexualmente, por meio de excessos, e ficará impotente ou frígida. Outra poderá se estressar intelectualmente, estudando, discutindo e lendo em excesso, e se tornará confuso. Alguém que dorme pouco ou come em exagero, está estressando o centro instintivo. Em todos os casos, estará provocando desequilíbrio e doenças.
Estresse é sinônimo de desequilibrio dos centros.
O estresse das emoções negativas
Todas as emoções negativas provocam estresse emocional, mas há algumas que podem ser consideradas principais: medo, raiva, ódio, tristeza, irritação, inveja, impaciência. Emoções que nos fazem sofrer e desejos insatisfeitos elevam o nível do estresse.
Os egos, com suas emoções inferiores, vão destruindo o corpo físico aos poucos, desequilibrando os centros. A Morte do Ego é um meio de prolongarmos um pouco mais nossa estadia na Terra. Quem vai corrigindo as emoções inferiores e retirando os estressores emocionais de sua vida vai dando um alívio ao seu coração, o qual pode trabalhar de forma cada vez mais leve. Isso é o que interessa: estar com o coração leve.
Libertando-se do estresse
De nada adianta remediarmos os sintomas físicos de qualquer tipo de estresse se não removemos suas causas. O remediamento dos sintomas é útil em casos emergenciais mas não resolve o problema de forma definitiva. Enquanto as causas não forem removidas, o estresse estará sendo alimentado. Quem quer curar-se do estresse, deve remover as causas. Quem quer remover as causas do estresse, deve primeiro identificá-las, descobri-las em sua vida. Identificamos as causas por meio da reflexão. É muito útil termos um caderno para anotar as causas do nosso estresse. O que nos deixa nervosos, ansiosos, irritados ou com medo? Quais são os excessos que estamos cometendo?
Se você quer se livrar do estresse, o primeiro a fazer é identificar os agentes estressores. Separe um caderno e comece a listar todos os acontecimentos que provocam ira, raiva, medo, tristeza, ódio, inveja, preocupação etc. Tudo aquilo que provocar agitação ou mal estar deve ser incluído na lista, inclusive desejos compulsivos não satisfeitos. Inclua também os estressores físicos: trabalho, exercícios, fome, sede, falta de sono e outros similares. A lista pode ser aumentada diariamente, conforme você vai progredindo.
Há alguns agentes estressores dos quais estamos conscientes e outros dos quais não temos consciência alguma. Esses últimos ocasionam grandes prejuízos porque exercem seus efeitos na sombra, sorrateiramente, e não podem ser removidos porque não sabemos que estão lá. A lista tem a função de trazer à consciência os agentes estressores inconscientes, para que possamos operar sobre eles.
Alguns elementos da lista podem ser removidos de nossa vida imediatamente, outros podem ser diminuídos e outros necessitam ser interiormente resolvidos pela compreensão e morte dos egos relacionados.
Resignificando os acontecimentos estressantes
O estresse emocional é algo psicológico, interior. Um mesmo fato pode ser altamente estressante para uma pessoa e altamente relaxante para outra (ex. andar na floresta, entrar em um rio). Tudo depende do significado atribuído ao fato pela mente. Não podemos alterar o significado das coisas à força, pela mera repressão ou esforço para não sentirmos as emoções negativas.
Temos que afastar de nossa vida aquilo que causa estresse emocional. Estando atentos em nós mesmos, podemos prever muitas situações de intenso estresse emocional antes que aconteçam e evitá-las.
O equilíbrio dos centros requer que se tenha uma vida calma, desprovida de grandes emoções e agitações.
Certos agentes estressores não podem ser evitados mas podem ser resignificados. A resignificação de fato estressor é uma transformação psicológica, cujo primeiro passo é a observação de si mesmo, com o intuito de identificar os elementos psíquicos que se irritam, temem e sofrem. A morte dos “eus” que reagem diante das situações estressantes é imprescindível. Paralelamente, temos que aprender a não nos ocuparmos mentalmente com os problemas. Enquanto pensarmos em um problema, estaremos aprisionados ao mesmo. O que importa é nos libertarmos dos problemas interiormente. Quem está profundamente morto em si mesmo pode atravessar furacões e tempestades sem ser perturbado porque não permite que sua mente pense nas ameaças que o cercam, está interiormente livre do perigo.
A todo instante estamos nutrindo as emoções e pensamentos prejudiciais sem nos darmos conta. Quando deixamos de alimentá-los por meio de comportamentos sutis, os enfraquecemos. Enfraquecer e eliminar os egos que sofrem e desejam é resignificar os acontecimentos estressantes. Não devemos entrar em conflito com os egos e sim nos libertar, o que é diferente. Para tanto, é indispensável deixar de alimentá-los.
Aproveitando o tempo inteligentemente
Os compromissos, apesar de parecerem algo louvável, são poderosos agentes estressores. Quanto mais compromissos tenhamos, mais estressados ficaremos. O ideal é vivermos livres de compromissos, não assumi-los senão em alguns poucos casos realmente necessários. Os amigos, embora sejam importantes, podem nos lançar às costas muitos compromissos, tais como encontros, festas, passeios etc. Os compromissos são estressantes porque geram preocupações e roubam o tempo, encurtando-o.
Nosso tempo necessita ser bem aproveitado. Em nossa agenda, devem ter prioridade a meditação, o descanso e o sono. Em segundo plano devem vir as obrigações materiais fundamentais e indispensáveis, tais como o trabalho remunerado e outros indispensáveis. Necessitamos, ainda, de tempo para o trabalho voluntário pela humanidade e para o lazer. Logo, não nos sobra tempo para compromissos caprichosos.
Organizando os compromissos
Uma agenda de compromissos é indispensável. Alguns compromissos requerem vários dias para serem concluídos, outros requerem algumas horas. Em alguns casos, temos que separar um dia para várias tarefas menores, em outros, temos que separar vários dias ou até semanas para um única tarefa. É importante que os compromissos estejam agrupados de forma inteligente para facilitar sua realização e um melhor aproveitamento do tempo. Evitemos dividir uma grande tarefa de modo a realizá-la de forma “picada”, pois isso aumenta o estresse. Um trabalho que requer vários dias será altamente estressante se o realizarmos de forma picada, realizando um pouquinho hoje e mais um pouquinho na semana que vem. O agrupamente geográfico de tarefas curtas também ajuda a realizá-las de forma mais eficiente. Não agrupemos as tarefas de forma aleatória e sim de um modo racional.
O estresse no desejo
Por incrível que pareça, o desejo extremo também provoca estresse. Quando estamos prestes a satisfazer um desejo exageradamente intenso e brutal, o corpo manifesta sinais de estresse. Um desejo ou uma alegria extremos nos deixa agitados. O ideal é o equilibrio e a moderação.
Estresse e doenças psiquiátricas
O estresse pode se manifestar sob a forma de doenças emocionais e mentais. Ansiedade e depressão são formas de manifestação do estresse. Quando estamos com medo, tristes, apreensivos ou preocupados de forma incomum e exagerada, estamos sob intenso estresse.
Situações traumatizantes não resolvidas, ainda que esquecidas, continuam ativas como agentes estressores.
Corrigir as causas exteriores e interiores do estresse é de grande valia.
Estresse e pensamento
Os pensamentos provocam alterações somáticas, influenciam e modificam os funcionamento dos complexos sistemas bioquímicos e energéticos do corpo físico. Alterações corporais ocorrem quando pensamos em algo que nos atemoriza, nos enfurece ou nos excita sexualmente.
As alterações corporais provocadas pelos pensamentos são algumas vezes visíveis e outras vezes invisíveis. Existem muitas alterações imperceptíveis, mas nem por isso menos reais. Que alterações ocorrem no corpo físico quando pensamos em algo que nos dá medo, ira ou luxúria?
O conteúdo das imagens mentais relaciona-se diretamente com o par de opostos saúde/doença. Que alterações não estará provocando em seu corpo físico aquele que pensa constantemente no mal? E que alterações ou perturbações não estão sendo ocasionadas pelos pensamentos dos quais não temos consciência alguma?
Pelas razões expostas, é conveniente praticar a meditação todos os dias, várias vezes por dia.
Se queremos nos libertar do estresse para equilibrar os centros, temos que praticar o esquecimento, o despojamento, simplificar a vida ao máximo e limpá-la de emoções inferiores e de pensamentos negativos.