Blog destinado a temas de interesse de gnósticos e simpatizantes. Se você sofre por não ter sucesso na Morte do Ego e se preocupa porque o tempo está passando, ou se é simplesmente alguém que quer se livrar de problemas emocionais e desejos prejudiciais que te afligem, você veio ao lugar certo. As idéias aqui contidas expressam apenas a opinião pessoal do autor e não substituem de modo algum a orientação de um mestre de consciência desperta.
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terça-feira, 31 de maio de 2011
Um erro dos estudantes gnósticos
domingo, 29 de maio de 2011
A relatividade da distância
A distância é uma ilusão da mente e não existe no mundo real. Dois objetos que nos parecem separados por um espaço, em um nível profundo de realidade, estão unidos.
Se a distância entre dois objetos existisse objetivamente, não poderia ser encurtada com o aumento da velocidade e seria sempre a mesma. A distância entre dois pontos poderá ser maior ou menor, consoante a escala espaço-temporal em que se vive ou à velocidade com que se desloca de um a outro.
Uma pessoa poderá transformar dois pontos distantes em pontos muito próximos, caso se desloque a grandes velocidades. Caso dê um salto e passe a viver na escala do seu Espírito, os pontos distantes lhes serão vizinhos.
Consideramos que São Paulo e Tóquio estão distantes porque estamos quase divorciados do nosso Ser.
O Ser tem o poder de transitar por diversas escalas de espaço e de tempo, de acordo com sua vontade. No mundo do Espírito, o passado pode ainda estar acontecendo e o futuro já ter chegado, ambos irmanados em um agora contínuo.
Nossa pobre consciência sofre, aprisionada em uma pequeníssima fração da Grande Realidade. Vivemos e nos movemos em uma parcela relativa do Todo. As distâncias que consideramos longas somente possuem sentido dentro da relatividade em que estamos aprisionados. Se nos libertássemos, poderíamos vivenciar o distante no aqui e o futuro no agora.
O mundo das relatividades não é o mundo verdadeiro, é o mundo das ilusões, dos pontos de vista.
Se o espaço e o tempo fossem absolutos, não poderiam ser alterados pela velocidade. Mas a verdade é que podem ser alterados pela velocidade. Quando estamos atrasados, pedimos ao motorista para que aumente a velocidade. Um lugar será ou não distante de outro em dependência da velocidade de deslocamento de que dispusermos.
Aprofundando a concentração
Diferenças e semelhanças entre concentração e distração
A distração e a concentração apresentam pontos em comum e também diferenças diametrais.
Vocês já viram uma pessoa distraída com algo, algum entretenimento? Observem-na: nada mais existe além do objeto do seu interesse. Ela se esquece de todo o resto do mundo. A concentração é semelhante à distração, no que se refere ao envolvimento, mas oposta a ela no que se refere à consciência. o distraído não está consciente do que faz, está esquecido de si mesmo, ao passo que a pessoa concentrada está percebendo plenamente o que faz.
Quando estamos distraídos, estamos com atenção plena, natural e espontânea naquilo que nos interessa, mas, ainda assim, não é correto dizer que estamos concentrados, pela simples razão de que não estamos conscientes do que estamos fazendo.
A diferença entre a concentração e a distração é a consciência, as semelhanças são o envolvimento, a absorção, a entrega e a espontaneidade.
O distraído está fascinado, esqueceu-se de si mesmo. O concentrado está plenamente lúcido, percebe aquilo que lhe interessa com profundidade crescente. Entretanto, ambos estão entregues e absortos.
Equivocam-se aqueles que imaginam a concentração como um ato de esforço, pois a concentração é um ato espontâneo e natural. Fazer esforço para se concentrar é sabotar a concentração.
Observem-se quando estiverem distraídos e verão que se encontram plenamente ocupados com aquilo que lhes interessa, como se estivessem concentrados, mas não o estão simplesmente porque estão fazendo aquilo inconscientemente, por impulso, e mantêm a consciência passiva, sem receber os fatos e sem perceber nada.
Quando estamos tentando nos concentrar e um pensamento nos atrapalha, dizemos que aquele pensamento nos distraiu, ou seja, roubou nossa atenção. Isso significa que a atenção foi desviada do alvo de nosso interesse para outro alvo que não havíamos planejado. Logo, a distração é também uma forma de focarmos atenção e nos oferece um parâmetro para entendermos o que seria uma atenção concentrada. Se quisermos entender o que é a concentração, basta observarmos o que é a distração. A concentração é o pólo contrário da distração, mas nem por isso deixa de ser semelhante a esta última, em certos aspectos. Ambas são similares e antitéticas, são especulares.
É importante entender o que é exatamente a concentração para se evitar esforços equivocados.
Para se desenvolver a concentração, é conveniente escolher objetos que nos interessem, pois se tentarmos nos concentrar em algo que nos molesta, algo enfadonho, teremos dificuldade, nos cansaremos e não teremos resultado.
As pessoas leigas costumam confundir uma pessoa concentrada com uma pessoa distraída. Se alguém caminha por uma estrada altamente lúcido e concentrado, os demais podem achar que ele está distraído com seus pensamentos, isso porque, aparentemente, os dois estados são semelhantes, mas diferem radicalmente no que tange à lucidez e a recordação de si.
O indivíduo concentrado percebe de forma intensa e objetiva aquilo que se propôs a observar, pois aprofunda a sua atenção e não mariposeia. Já o distraído mariposeia , muda de objeto constantemente e seu pensamento é superficial.
Há um certo tipo de divagação superior e objetiva na concentração, isenta de fascinação e totalmente distinta das divagações subjetivas da distração. Trata-se de uma viagem imaginativa que ocorre sem perda de consciência, sem queda na fantasia.
Poderíamos, para melhor entendimento, colocar as coisas assim: a distração é uma concentração inconsciente, enquanto a concentração é uma distração consciente (apenas para facilitar o entendimento, pois em realidade são opostos).
Concentrar-se é contemplar, observar com interesse.
A concentração está para a imaginação consciente assim como a distração está para a imaginação mecânica (fantasia).
Que ninguém suponha que a concentração seja um conflito com a mente, pois é a superação ou transcendência dos conflitos. Na concentração, tudo vai ficando para trás, inclusive os conflitos com a mente.
Um homem dirigindo em uma estrada, plenamente lúcido e relaxado, sem que nada o distraia, está altamente concentrado.
Tanto na concentração quanto na distração há receptividade, a pessoa está aberta ao objeto, porém na distração não há aprofundamento, a pessoa muda constantemente de objeto.
No cotidiano, temos que aprender a nos concentrar naquilo que estamos fazendo, sem distração, isto é, temos que contemplar a nós mesmos em cena, em ação. Então descobrimos muita coisa sobre o ego que antes não suspeitávamos.
A auto-observação é uma concentração em si mesmo, no que se está realizando.
Um motorista concentrado perceberá minuciosamente o que está fazendo. Esquecerá seus pensamentos, não se ocupará com eles, os deixará para trás. Somente perceberá o que estiver diretamente relacionado à sua tarefa ou ocupação naqueles momentos. Estará presente ao momento e ao lugar, vivendo o aqui e o agora. Perceberá profundamente o que faz, nuances e detalhes do ato penetrarão em seu campo de consciência. Seu campo de consciência abrangerá a estrada, os movimentos do volante, as acelerações e desacelerações, curvas, perigos etc. estará conscientemente entregue ao ato. Seu centro intelectual estará em repouso,enquanto seu centro motor e sua consciência estarão em atividade.
A concentração é o caminho para a meditação e não se consegue silenciar a mente sem antes desligar-se dos múltiplos pensamentos. Quem rejeita a concentração não conseguirá meditar.
Tenho visto pessoas tentarem meditar sem concentração e até rejeitando o sono, o que me parece um absurdo. A mesma similaridade antitética que existe entre a concentração e a distração, existe entre a meditação e o sono. A meditação é um sono consciente, enquanto o sono comum é algo assim como uma espécie de meditação inconsciente (digo isso para fins didáticos, pois a verdadeira meditação é consciente). Tentar meditar rejeitando o sono é forçar uma falsa meditação, cujo efeito é danificar o cérebro. A verdadeira meditação não cria transtornos psiquiátricos, mas a falsa meditação ou meditação sem sono sim. Por isso é tão importante compreender corretamente a teoria. Ninguém pode meditar de verdade sem baixar as ondas cerebrais e o metabolismo. Assim como no sono, os batimentos cardíacos, a respiração e muitas outras funções corporais reduzem-se durante a meditação.
Quando você ouvir falar em meditação, pense em algo análogo ao sono que você tem todas as noites, porém consciente.
O êxtase que se atinge por meio da concentração e da meditação não tem nada a ver, no que se refere à consciência, com os transes, sejam hipnóticos, mediúnicos ou de quaisquer outros tipos. Também entre o transe e o êxtase existem similaridades antitéticas, ambos são semelhantes e contrários.
A partir da concentração, chegamos à meditação e ao êxtase. A partir da fascinação, chegamos ao transe. O indivíduo em transe está absolutamente inconsciente, adormecido, enquanto o indivíduo em êxtase está hiperconsciente e hiperlúcido, ainda que seus centros e seu corpo físico estejam em repouso.
O V.M.R. nos diz que, quando criança, se concentrava, por medo, no som dos grilos à noite, ao deitar-se, e que tal concentração instintiva tinha por resultado o desdobramento astral consciente. Isso demonstra que a concentração não é algo artificial e nem forçado, mas sim espontâneo e natural. "Atenção plena, natural e espontânea, sem artifício de espécie alguma é a concentração perfeita", escreveu o V.M.S.
Por medo do grilo, o menino, bodhisattwa do V.M. Rabolú, se concentrava. O medo fazia com que o som se tornasse objeto do seu interesse e o levava a focalizar a atenção ali, esquecendo-se de todo o restante.
Se ainda assim a concentração não está clara para você, imagine o seguinte. Suponha que você tenha que carregar uma xícara cheia de água sem derrubar uma só gota e sob a mira de um arqueiro, pronto para disparar a flecha contra você caso não cumpra a meta. Você obrigatoriamente terá que se concentrar da forma correta! Se pensar na flecha, se desconcentrará.
Temos que diferenciar a atenção do esforço. Atenção é uma coisa e esforço é outra. Na concentração existe atenção pura, sem esforço nenhum, somente a atenção, separada do esforço e de modo algum mesclada ao mesmo.
A atenção pode existir na ausência total do esforço, da preocupação e até do desejo, pois o ato de prestar atenção é um ato de receptividade. Estar atento não é estar tenso, é estar receptivo, aberto a alguma coisa. Quando se diz "concentre-se", está-se dizendo "torne-se aberto para tal coisa".
O V.M. Rabolú nos fornece alguns parâmetros que permitem melhor compreender o que é uma prática da concentração. Ele nos diz que concentrar-se em um objeto é refletir sobre seus seguintes aspectos:
- o que é o objeto (em que consiste?);
- de que é feito o objeto (quais são os materiais que o constituem, de que é composto?);
- para que está feito o objeto (qual é a sua função, para que serve?);
- como funciona o objeto (de que maneira opera, como o mesmo atua?);
O estudante, concentrado, deve refletir sobre esses aspectos. Tais parâmetros "balizam" o pensamento sobre o objeto e o direcionam. O Mestre também sugere ao estudante que "entre" no objeto com a imaginação.
Em suma, concentrar-se, dentro desta concepção, é investigar reflexivamente o objeto. Muito provavelmente, o V.M. não restringia a prática a tais parâmetros, os quais parecem ser mais um ponta-pé inicial. Entendo que tudo o que for intrinsecamente inerente ao objeto pode ser alvo de reflexão sem que incorramos em desvio e desconcentração.
Em etapas profundas, o pensamento na concentração não é articulado, é um simples "dar-se conta" silencioso, receptividade pura.
Por meio do pensamento único ocorre o desligamento dos sentidos externos, do mundo físico e do corpo físico.
A recordação do Ser
Os desejos não são o Ser.
Os pensamentos não são o Ser.
A mente não é o Ser.
As emoções não são o Ser.
O corpo físico não é o Ser.
A Essência é o Real Ser em nós, o que há dEle em nosso interior.
Recordar-se de si é recordar-se da Essência.
Recordar-se de si é recordar-se de que se possui um Ser/Essência real, totalmente distinto do corpo, dos sentimentos, das emoções, da mente, dos pensamentos, dos desejos, das lembranças, dos sofrimentos, alegrias etc. É recordar-se desse "algo" que ultrapassa tudo e que somos, no fundo.
Mediante a recordação de si, a Essência se dissocia do Ego. Nos separamos do Ego quando nos recordamos de nós mesmos.
Quando nos recordamos de nós mesmos, rompemos com a fascinação e nos diferenciamos de tudo o que não é o Ser.
Não é possível observar algo com o qual estejamos identificados.
Identificar-se com algo é confundir-se com aquilo, perdendo a noção da diferença entre o que verdadeiramente somos e o objeto que nos fascina.
Nos identificamos pela fascinação (força hipnótica).
A fascinação "apaga" a consciência (adormece a Essência), impedindo-a de observar e contemplar.
O choque da recordação de si rompe com a fascinação e permite a contemplação consciente do objeto do qual nos diferenciamos.
A observação do Ego somente é possível mediante a recordação de si.
A Essência fascinada confunde-se com o Ego e sente seus desejos e sofrimentos.
Por ser uma parte do Ser Real (Espírito Divino ou Deus Interior), a Essência (alma pura e primordial) participa da mesma natureza natureza divina. A Essência é Deus em miniatura.
São características da Essência e, portanto, do Real Ser:
· silêncio interior (o que pensa não é o Ser);
· serenidade (o que se perturba não é o Ser);
· contemplação (observação).
Damos o choque da recordação de nós mesmos para romper nossa identificação com o Ego. Rompemos a identificação com o Ego para podermos observá-lo.
Aquele que se identifica com o Ego, sente-se como ego e se confunde com o mesmo. Identificado, sentirá como se os seus pensamentos, atos e desejos fossem ele mesmo, sua própria Essência, o seu próprio Ser Real ou Espírito, perdendo a capacidade de diferenciar-se dos mesmos.
O choque da recordação de si mesmo rompe tal vínculo fascinatório e equivocado, nos permitindo evidenciar que não somos os elementos que pensam, sentem e atuam dentro de nós.
Na recordação de nós mesmos, nos recordamos de nosso próprio Ser e rompemos a identificação com o ego, a qual é causada pela fascinação. Somente assim podemos começar a observá-lo e compreendê-lo.
A mente, os desejos, as emoções e o comportamento como um todo não podem ser observados quando os consideramos como parte do Ser e não como algo distinto.
Tratar a mente como um elemento estranho e o Ego como um conjunto de pessoas estranhas ("Eus") assinala o princípio do trabalho sério sobre nossa natureza interior.
terça-feira, 24 de maio de 2011
Prazer mental
quinta-feira, 5 de maio de 2011
O erro de focar somente os defeitos mais graves
quarta-feira, 4 de maio de 2011
A valorização negativa do Ego
sexta-feira, 29 de abril de 2011
Abordando imparcialmente o lado tenebroso
quarta-feira, 27 de abril de 2011
A disciplina e a vontade na aplicação do livre arbítrio interior
domingo, 17 de abril de 2011
Arrependimento e culpa
quinta-feira, 14 de abril de 2011
Buscando o sublime através da meditação
Durante a meditação, deixamos para trás tudo o que é denso: corpo físico, corpo etérico, corpos astral e mental, pensamentos, sentimentos, recordações. Nos dissociamos dos elementos que nos prendem à realidade temporal, ao mundo relativístico. Buscamos aquilo que é sublime, divino, superior, elevado, leve, divino.
O desligamento se inicia com o relaxamento, prossegue com a concentração e se realiza na meditação, mas pode prosseguir e se aprofundar a niveis inimagináveis. Não há limites na viagem da alma em busca da leveza.
O trabalho de meditar é o trabalho de dissociar completamente a consciência da mente, do corpo físico, dos sentimentos e dos elementos externos.
Na verdade, nos desligamos de tudo para experimentar aquilo que nunca antes experimentamos e que não pode ser descrito e nem imaginado. Qualquer tentativa de se imaginar o que se poderia experimentar fracassa e pode até sabotar a meditação caso se converta em guia do que deveríamos fazer. A experiência da meditação é a experiência do desconhecido.
O esforço que se faz na meditação pode ser qualificado como um esforço negativo. Um esforço negativo é um esforço menor que zero. Todo o empenho é no sentido de se atingir o esquecimento e a despreocupação totais. Meditar é uma forma de dormir e semelhante a morrer (embora não seja a mesma coisa que morrer).
Quem pressupõe um caminho ou meio, através do qual deva se esforçar para meditar, está se sabotando antes de iniciar a prática. Pressupostos sobre a meditação a travam de antemão.
Quanto tempo dedicar às práticas?
A frequência ideal para as práticas de meditação é o maior número de vezes possível durante o dia. Entretanto, todas as práticas devem ser feitas sem esforço (sem forçar-se). A pessoa deve se sentir bem, e não mal, ao fazer as práticas. A leve dor de cabeça, característica do esforço mental, não pode ser sentida.
Uma sugestão minha: em vigília, reparta o seu tempo entre a meditação e a dedicação ao ginásio psicológico (morte em marcha), dedicando 50% do tempo a cada uma.
Alterne as práticas ao longo do dia, isso significa: alterne períodos de atividade contemplativa (meditação) com períodos de atividade corporal (morte em marcha, luta do dia a dia).
Se dedicarmos a metade do nosso tempo à meditação (e práticas afins) e a outra metade à morte em marcha (e práticas afins), reproduziremos o mesmo comportamento em astral, à noite.
O conteúdo dos pensamentos
Cada pensamento possui um conteúdo. O conteúdo de um pensamento é a informação que ele traz. Exemplo: se penso em uma casa com uma mulher na janela, este é o conteúdo do meu pensamento.
O conteúdo de cada pensamento corresponde a uma faceta do ego que o emite. Os egos usam o centro intelectual para emitir mútiplos pensamentos.
A esmagadora maioria dos pensamentos são inúteis, meros desperdícios de energia intelectual, e não servem para nada.
Usar nossa pequena margem de livre arbítrio intelectual para parar de pensar é o primeiro passo. Observar e pedir a morte dos pensamentos que fogem ao alcance deste livre arbítrio é o segundo passo.
Então, fazemos duas coisas: pedimos a morte dos pensamentos existentes e, mediante o exercício da vontade, deixamos de recriá-los ou de criar novos pensamentos.
A auto-observação revela o conteúdo de cada pensamento e permite verificar o avanço na morte do defeito correspondente.
Pensamentos são manifestações do Ego no centro intelectual.
Quando nos propomos a eliminar um ego, o primeiro a fazer é não ocupar nossa mente com os objetos de sua libido (desejos, medos, sofrimentos etc.). Se ocuparmos nossa mente com os pensamentos emitidos pelo Ego, o fortificaremos e jamais o eliminaremos. A verdadeira morte é o enfraquecimento progressivo, até o definhamento e morte totais (decapitação). Morte é esquecimento.
A vigilância no sentido de não reprimir e nem deixar de pedir pela morte da faceta expressa no pensamento deve ser rigorosa. Temos que encontrar um ponto interno de equilíbrio, onde não reprimimos os pensamentos, mas também não deixamos que passem sem serem queimados pela Mãe Divina. Não os reprimimos, mas não deixamos de pedir à Mãe Divina que os mate. Aí está o rigor da disciplina mortal e não repressora.
Neste ponto de equilíbro, não emitimos nenhum pensamento voluntariamente, mas pedimos a Morte para todos os pensamentos involuntários que nos assaltam, sem nos preocuparmos em reprimir estes últimos e nem tampouco alimentá-los pela identificação.
Alimentar um pensamento pela identificação e pedir por sua morte é um contra-senso. Alimentar um pensamento pela identificação e tentar reprimi-lo também é um contra-senso. O correto é não reprimir e nem estimular, mantendo-nos fora desta dualidade.
Existem pensamentos voluntários e involuntários. Os voluntários são aqueles que podemos deixar de emitir por um simples esforço de vontade. Os involuntários são aqueles que não nos deixam, mesmo quando tentamos expulsá-los de nosssa mente (ex. música que toca na cabeça por vários dias).
Na correta prática da morte, não emitimos voluntariamente os pensamentos e não deixamos que os pensamentos que nos invadem involuntariamente passem sem serem mortos pela Divina Mãe.
Na correta prática da morte, não procuramos os pensamentos: os esquecemos e nos ocupamos com nossas tarefas cotidianas. No entanto, não deixamos que passem por nossa mente sem serem afetados pelo fogo da Mãe Interna. Por isso nossa meta é a observação e a oração.
Procurar os pensamentos é evocá-los, atraí-los e criá-los, motivo pelo qual não os procuramos. Mas não deixamos de percebê-los quando chegam sem terem sido chamados e, nesse caso, imediatamente pedimos pela morte.
Os pensamentos devem morrer porque não são o Ser e obstaculizam o Ser. Somente o Ser (ou Essência) deve ser admitido em nós.
Quem se deixa fascinar pelos pensamentos, confunde-os com a Essência, alimenta os egos que os emitiram e se torna incapaz de observá-los . A mente deve sempre ser vista como um elemento estranho, como algo distinto do Ser.
Buscamos o Ser Verdadeiro, nosso Espírito Divino, que é o que temos de melhor e mais decente. Então, não cultivemos o Ego, apressemos sua morte e o Ser resplandecerá. O Real Ser é Deus em nós.
O conhecimento do coração
Existe uma sabedoria do intelecto, que pertence à cabeça, e existe uma sabedoria do coração.
A sabedoria da cabeça vincula-se ao pensar, o qual, por sua vez, vincula-se ao sensorial: a lógica do intelecto é dada pelos sentidos comuns.
A sabedoria do coração vincula-se a um sentir específico. Sua lógica é de tipo interno e se fundamenta no supra-sensorial.
A emoção também é veículo de conhecimento. O mundo das emoções que podem ser experimentadas é infinito e corresponde a todo um universo a ser conhecido.
Podemos conhecer um objeto a partir das sensações físicas que o mesmo nos proporciona e a partir das sensações internas que provoca.
Um objeto qualquer do mundo provoca em nós sensações internas e a percepção consciente das mesmas constitui uma forma de conhecimento. Esse é o conhecimento do coração.
O conhecimento do coração é o conhecimento das sensações interiores.
O mundo inteiro, com todos os seus objetos físicos exteriores, toca o homem psiquicamente, de forma análoga à que o toca com suas vibrações físicas. A luz refletida por um pássaro afeta a retina, o som produzido por seu canto, afeta seus ouvidos. Mas há algo além: a imagem, o canto, a presença do pássaro provoca em nós uma reação psíquica: emoções de variados tipos, recordações, imagens mentais etc. O pássaro também nos atinge interiormente.
A principal forma de sermos atingidos interiormente por algo é a emocional.
Se nosso sentido de auto-observação fosse desenvolvido, veríamos uma gama imensa de emoções oriundas dos objetos que nos rodeiam. Estaríamos captando o aspecto astral do mundo e adquirindo o conhecimento do coração.
Quando as percepções emocionais se tornam conscientes e objetivas, desenvolvemos a faculdade da intuição, que é o mesmo conhecimento do coração, aprimorado e treinado. O intuitivo lê o mundo com o centro emocional.
Quem tem o ego desenvolvido não pode ter conhecimento intuitivo porque suas emoções são desordenadas, caóticas e subjetivas.
Se quisermos entrar nos mundos espirituais, temos que desenvolver a emoção. As emoções inferiores caotizam e desordenam a percepção interior.
Todo ser humano possui um pouco de intuição que pode ser exercitada e desenvolvida, desde que se saiba o caminho.
Não há limite para o desenvolvimento do conhecimento do coração. A capacidade de discernir objetivamente as emoções que sentimos pode ser aprimorada até níveis inimagináveis, revelando o que ao intelecto se mantém oculto.
À medida que o Ego morre, as emoções não deixam de existir: se tornam mais e mais objetivas, correspondendo-se com a realidade.
Não temos que nos tornar seres frios e sem emoção, temos que eliminar as emoções inferiores e desenvolver as emoções superiores.
Aqueles que supõem não existir relação alguma entre a emoção e a realidade estão enganados. A realidade não pode ser capturada objetivamente na frieza porque a emoção é, ela própria, uma parte da realidade. A emoção humana é parte do aspecto emocional do universo.
A realidade não é constituída somente por vibrações sonoras, luminosas e de outros tipos.
Existem também as vibrações psíquicas (emocionais e mentais, entre outras não compreensíveis ao intelecto materialista), as quais fazem parte da realidade e são requeridas para uma compreensão mais profunda do todo no qual estamos inseridos.
A frieza do intelecto, que exclui a emoção, não pode penetrar no aspecto mais profundo do universo. Pode ser útil para a compreensão da secção sensorial do mundo, mas se torna desorientante quando aplicada à tentativa de se ir além, como vemos nos casos dos cientistas que tentam penetrar o mundo subatômico sem renunciar ao paradigma sensorialista.