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sexta-feira, 15 de março de 2013

Morte do Ego: como aprofundar a compreensão


Quando concentramos analiticamente o pensamento em um tema, é comum que, após alguns minutos, as idéias se esgotem e, ainda assim, a mente não se aquiete e não experimentemos nada espiritualmente transcendente. O motivo para tanto é o condicionamento do parâmetro analítico: estamos analisando o objeto somente sob algumas perspectivas e outras perspectivas não nos ocorrem. O problema pode se verificar também no ato de observar: ao observamos o objeto, levamos em consideração somente alguns de seus aspectos e a observação estanca, não percebemos nada novo.

Quando a concentração analítica é aplicada a um defeito com o intuito de compreendê-lo, durante a prática da meditação, pode ocorrer o mesmo problema do estancamento do processo. Então, sentimos que não conseguimos ir além e não conseguimos aprofundar a compreensão, por mais que tentemos. Lutamos para compreender mais, para descobrir o novo, mas não somos capazes. Sentimos perfeitamente que ainda não compreendemos o defeito, mas não somos capazes de obter mais informações além das que já temos. Rodamos dentro do círculo vicioso das informações conhecidas e não avançamos, o trabalho da compreensão fica estancado. Sentimos que existem informações ocultas, mas não somos capazes de acessá-las. 

O aprofundamento da compreensão, em tais casos, somente é possível se adotarmos novos parâmetros analíticos e observacionais, o que se consegue quando se busca analisar e observar o defeito desde outros pontos de vista, ou seja, considerando-se aspectos ainda não levados em conta.

Um mesmo defeito pode ser analisado segundo múltiplos critérios. Podemos estudá-lo no que se refere aos danos que ocasiona, aos centros da máquina pelos quais se manifesta, às suas metas, aos seus padrões recorrentes de manifestação diária, aos conteúdos de suas fantasias no pensamento, aos fatores externos da vida horizontal que o evocam, às formas sutis como principia a se manifestar, às suas causas psicológicas ocultas, às justificativas inventadas pela mente para desculpá-lo etc. Não há um limite definido para as facetas de um defeito e, portanto, não há um limite definido para os critérios a serem levados em consideração. Ao analisar um defeito, podemos levar em consideração múltiplos critérios, o que significa, em outras palavras, que podemos analisá-lo, durante a concentração e a meditação, segundo múltiplos pontos de vista. 

Quando adotamos um critério novo para analisar um defeito, descobrimos informações novas. Quanto mais informações tenhamos, maior será a compreensão. Quanto maior for a compreensão, mais a Mãe Divina poderá enfraquecê-lo. A compreensão aumenta com o aumento das informações que tenhamos. Temos que buscar descobrir o novo, novas facetas do defeito que almejamos enfraquecer.

Muitas pessoas tentam compreender melhor os fatos exteriores que as afetam, buscam olhá-los de forma diferente, mas não buscam compreender os defeitos que ocasionam a visão condicionada e distorcida desses fatos. Elas tentam mudar a forma de ver os acontecimentos, as dificuldades, mas não tentam ver seus egos de múltiplos pontos de vista. Como são os egos que condicionam nossa visão de mundo, tentar ver o mundo de outra maneira sem primeiramente compreendê-los resulta inútil. Nossos defeitos nos obrigam a ver as coisas de determinadas maneiras, ainda que não queiramos. Se queremos chegar ao verdadeiro estado de Apatheia (ausência de paixões), temos que compreender as causas da visão condicionada que temos do mundo, dos eventos e das coisas.

Cada defeito tem uma forma particular de ver os fatos do ginásio psicológico, uma ótica pessoal. O defeito da luxúria vê o corpo feminino de determinada maneira, o defeito da gula vê os alimentos de outra, o defeito da ira vê os insultos e gracejos de outra maneira e assim por diante. Não poderemos ver os elementos exteriores de outra forma, ou seja, desde outro ponto de vista, se não eliminarmos os defeitos correspondentes. Quem quer ver e sentir as coisas de outro modo, tem que compreender e eliminar os defeitos que condicionam sua visão e percepção. E a compreensão se consegue por meio da concentração e da meditação sobre os defeitos. Aqui, concentrar e meditar significa refletir a respeito sem desviar-se e nem distrair-se com mais nada.

O campo de nossa consciência é limitado e, além dele, se sucedem infinitos fenômenos físicos, psicológicos e espirituais (o psicológico é o início do espiritual). Além dos desejos que alcançamos enxergar, temos muitos outros que nem sequer suspeitamos. Isso significa que aquilo que alcançamos e compreendemos sobre um defeito não é tudo, é uma ínfima parte. Se quisermos ampliar e aprofundar a compreensão, temos que explorar e penetrar o defeito com a consciência, nos tornando conscientes de aspectos ainda insuspeitados. Por trás de determinado desejo ou temor sempre existem outros desejos e temores ocultos. Somente a reflexão absolutamente sincera permite penetrar nessas regiões obscuras de nós mesmos.

Entre os vários critérios analíticos utilizáveis no trabalho de compreensão de um defeito, considero de grande importância a procura por suas causas psicológicas (os "porquês" das manifestações). Por trás de um desejo visível há outros desejos, ocultos e em relação sinérgica com o desejo visível, que atuam como suas causas psicológicas. Debater-se contra o desejo visível ao invés de buscar suas causas psicológicas ocultas limita a pessoa a esforços sem resultados. Quando descobrimos as causas psicológicas ocultas, normalmente o desejo fica desarmado. Caso não desarme, isso significa que ainda há outras causas psicológicas a serem descobertas.

Os desejos podem formar grupos que apresentam relações sinérgicas entre si. Por relação sinérgica entenda-se uma relação não conflitante e de reforço mútuo. Quando vários desejos diferentes apontam exatamente na mesma direção, para o mesmo objetivo, estamos diante de uma relação sinérgica. Os grupos concordantes de impulsos são chamados pela psicologia de "complexos" ou "agregados psíquicos". Normalmente, um defeito não é constituído somente por um desejo, mas por vários desejos agregados, sendo a maior parte deles ocultos: sentimos os impulso para a satisfação, mas não sabemos exatamente o "porquê".  O "porquê" está nos desejos ocultos, que atuam como causas psicológicas.

As causas psicológicas ocultas necessitam ser reveladas e esclarecidas, o que se consegue mediante a concentração e a meditação analíticas direcionadas às mesmas. Quem não sabe concentrar o pensamento e refletir analiticamente em profundidade, não poderá explorar o defeito para descobrir tais causas.

Suponhamos que você esteja apaixonado(a) e sua libido esteja fixa em determinada pessoa. Você está sofrendo uma obsessão, quer se livrar e não consegue. Ao olhar para si mesmo, à primeira vista, verá somente um impulso cego e louco. No entanto, se você for prático na concentração/meditação e se perguntar a respeito dos motivos de tal impulso ("Por que a desejo tanto?"), descobrirá desejos, emoções, temores e valores escondidos. Concentre-se na pergunta e busque as respostas com a máxima sinceridade e coragem possível. Você verá que, além do desejo visível de ter aquela pessoa para si, há outros desejos que o reforçam. Pode ser que você a deseje tanto porque simplesmente ela se negou a você, originando o desejo de vencer sua resistência; pode ser que você a deseje porque deseja uma pessoa como aquela para exibir como um troféu para seus amigos e parentes; pode ser que você a deseje porque ela se pareça com alguma pessoa parecida do passado que você desejaria ter de volta; pode ser que você a deseje porque esteja curioso(a) por saber se ela irá lhe proporcionar prazeres inimagináveis etc. As causas psicológicas ocultas de um desejo variam de um caso para outro. 

Um homem pode gostar exageradamente de determinada prática sexual. Ao explorar seu vício, poderá descobrir que valoriza tal prática por outros desejos ocultos (os quais variam de uma pessoa para outra) ou até por temores. Explorando-se e interrogando-se, ele poderia descobrir muita informação útil sobre o defeito e compreendê-lo cada vez mais.

A despeito da crença freudiana na impossibilidade de realização de uma auto-análise solitária, o fato é que a descoberta das causas ocultas costuma trazer alívio e foi realizada por filósofos e ascetas espirituais desde a antiguidade.

Há, porém, outro aspecto nesse problema da compreensão: a necessidade de enxergar cada vez mais objetivamente os fatos exteriores que nos afetam. Se descobrirmos as várias facetas de um defeito, mas não nos preocuparmos em também trabalharmos a compreensão dos fatos exteriores que os criam e os reforçam, perdemos os resultados conquistados. De nada adianta descobrir facetas se continuamos a recriá-las e alimentá-las. Portanto, além de compreender os egos, temos também que modificar as impressões que os fatos deixam em nós. Falarei um pouco mais profundamente sobre isso em outros posts.

Que fique claro, porém, que, no trabalho da Morte dos Egos, a compreensão não é tudo. A compreensão é metade do caminho. A outra metade é completada pela devoção intensa à Mãe Divina, que é quem realmente decapita e mata os nossos defeitos. Sem a Mãe Divina, não haverá Morte. A psicoterapia, por exemplo, não alcança a Morte porque exclui a Mãe Divina. A Morte somente se concretiza quando oramos e suplicamos intensamente à Mãe Divina.

Que essas palavras cheguem exatamente àqueles que estiverem delas precisando.  

quinta-feira, 14 de março de 2013

A dissolução dos egos que almejam virtudes


Que este conhecimento chegue aos desesperados que estão perdidos na luta pela superação de seus próprios defeitos e estejam necessitando das informações que seguem.

Vamos falar um pouco sobre os egos úteis e bons. Dizem os V.V.M.M que existem eus bons que, ao serem eliminados, são substituídos por partes correspondentes do Ser que desempenham as mesmas tarefas, porém de forma muito mais eficiente e sem os efeitos colaterais destrutivos dos egos que anteriormente as realizavam. Se um homem trabalha como vendedor, por exemplo, e dissolve seus egos vendedores, o ato de realizar as vendas passará a ser realizado por alguma parte do Ser que tem habilidade na área, porém o fará de forma superior. Um mesmo ato pode ser realizado por um ego ou por alguma parte do Ser. O ato de compor e executar músicas, por exemplo, pode ser um ato inferior e animalesco ou um ato superior e sublime. Quando o ego o realiza, teremos um tipo de produto e, quando o Ser o realiza, teremos outro. Se o ego que realiza um ato é eliminado, alguma parte do Ser poderá, sempre que necessário, substituí-lo na realização do mesmo ato que, a partir de então, será realizado de forma diferente. Até mesmo o ato sexual pode ser realizado pelo Ser ou pelo Ego. São os resultados que irão nos mostrar.

Há, no entanto, um tipo específico de ego bom que descreverei hoje: os egos que almejam a santidade e cobiçam a liberação dos pecados.  São egos que possuem intenções veneráveis e irreprováveis mas apresentam efeitos colaterais danosos.

Aqueles que desejam intensamente libertar a alma dos pecados sofrem muito com a lentidão natural do processo da Morte. A Morte dos Defeitos não é algo rápido, que ocorra do dia para a noite. No entanto, os egos ascetas e espiritualistas podem ocasionar grande sofrimento e graves danos emocionais aos irmãos de todas as religiões que almejem ardorosamente o estado de santidade e pureza.

Quando uma pessoa não aceita a crua realidade dos seus próprios defeitos e não se conforma com a situação em que se encontra (refiro-me a uma inaceitação e a um inconformismo doentio) pode desenvolver neuroses. Certas neuroses são típicas de religiosos e ascetas espiritualistas e se devem à atuação de poderosos egos que anseiam pelo estado de pureza e entram em choque frontal com os egos que amam os prazeres da vida mundana.

Por mais estranho que pareça, existem egos que desejam, de forma inconsciente e condicionada, a evolução espiritual e os mesmos necessitam ser eliminados como quaisquer outros. Ao serem eliminados, partes correspondentes do Ser os substituem e realizam com maior eficiência o trabalho de nos impulsionarem para cima.

A inaceitação e o inconformismo com o estado de adormecimento e pecado apresentam duas facetas, dois aspectos: o inferior e o superior, sendo um egóico e o outro átmico (originado pelo Ser). A inaceitação e o inconformismo egóico ocasionam as neuroses religiosas. O intenso sofrimento emocional que advém após a satisfação dos desejos mundanos, sejam eles a fornicação, a gula ou quaisquer outros, é o princípio da neurose religiosa e se deve a tais egos “espiritualistas”, os quais possuem propósitos nobres e resultados catastróficos. Assim, temos que nos observar e nos descobrir também nesses aspectos relacionados com os desejos de superação de nós mesmos, pois aí existirão defeitos escondidos e disfarçados de virtudes.

Se explorarmos nossos próprios complexos espiritualistas, por meio da auto-observação e também da meditação, poderemos descobrir o medo do castigo divino, a preocupação com o próprio destino após a morte, a cobiça por poderes psíquicos e por estados de felicidade espiritual, o conservadorismo arbitrário e moralista que não possui lógica alguma, o fanatismo, a auto-depreciação, o ódio a si mesmo e muitos outros defeitos, os quais podem estar por trás da vida emocional atormentada de muitos religiosos. Não importa se os egos sejam bons ou maus, no final, eles sempre ocasionam prejuízos.

É importante frisar que não estou pregando o conformismo e nem a negligência, estou somente chamando a atenção para o fato de que os egos podem tomar o lugar do Ser (e vice-versa) nos impulsos pela superação. Quando a Mãe Divina dissolve os egos espiritualistas, as neuroses espirituais são substituídas por disciplinas conscientes dirigidas pelo Ser. Nossa meta não é sofrer a vida inteira por sermos pecadores, mas de fato deixarmos de ser pecadores para sermos felizes.

É natural que queiramos a libertação dos pecados e a verdadeira pureza do coração, mas a realização da alma não é algo assim tão simples, não é simples questão de querer. Não basta querer e tentar, é preciso adquirir muito conhecimento experiencial, o que é gradativo. A alma não se desenvolve por um passe de mágica, necessita trabalhar e adquirir conhecimento, experiencia e consciência ao longo da vida, o que é um processo muito lento. Se estamos presos em vícios e erros, é por falta de compreensão. E a compreensão é algo elástico, que se alonga conforme vamos aprofundando nossas observações e reflexões durante toda a vida. O estado de pureza dos budas e dos santos não resultou do simples querer, resultou de trabalhos sem fim ao longo de existências. 

Normalmente, as pessoas não entendem corretamente a Morte do Ego. Imaginam que seja uma mera disciplina de esforços para "amarrar" emoções e desejos, como se isso os eliminasse. A Morte do Ego é uma verdadeira morte dos desejos e emoções inferiores e não o mero encarceramento dos mesmos. Encarcerar desejos e emoções negativas não nos liberta.

Bem, este é apenas o meu ponto de vista pessoal sobre o problema. Espero ter me feito entender.

domingo, 10 de março de 2013

Morte do Ego: evitando o cultivo


Enfraqueça o ódio evitando tudo o que alimenta o ódio. Enfraqueça a cobiça evitando tudo o que alimenta a cobiça. Enfraqueça a gula evitando tudo o que alimenta a gula. Enfraqueça a luxúria evitando tudo o que alimenta a luxúria. Enfraqueça o medo evitando tudo o que alimenta o medo. Enfraqueça o apego evitando tudo o que alimenta o apego.

Mediante a Morte em Marcha, evite aquilo que alimenta o defeito que você almeja eliminar de sua natureza. Muitas situações exteriores alimentam inevitavelmente defeitos específicos. Evite-as mediante a morte dos impulsos (nos cinco centros) que te impelem para elas. Retire de sua vida TUDO o que conduz ao problema psicológico. Retire de si todas as recordações, não mediante o conflito da oposição força-a-força, mas mediante a descoberta seguida da aplicação da Morte em Marcha e do esquecimento. Se não houver esquecimento, o defeito será reavivado. Se o esquecimento não for possível, por mais esforço que se faça, é porque está sendo reativado por algum canal subconsciente.

Desejo e aversão (temor) são as duas formas básicas assumidas pela natureza animal inferior. Todos os egos se enquadram em uma das duas categorias. A luxúria, o apego, a gula e a inveja são formas de desejo. O medo, a valentia e o ódio são formas de aversão. A preguiça é o desejo de não fazer nada. A cobiça é o desejo de posses. O ódio é a aversão pelo inimigo. Todos os defeitos são formas mentais que reforçamos continuamente, através de atos, palavras e, principalmente, de pensamentos e recordações.

Caímos em situações exteriores que reforçam os defeitos porque somos levados por impulsos internos. Dissolvendo os impulsos nos cinco centros, deixamos de ser arrastados para elas e os defeitos começam a enfraquecer. Querer livrar-se de um defeito sem abandonar as situações exteriores que o alimentam é um contra-senso absurdo.

Entenda-se que "evitar" ou "abandonar" situações é algo realizado após as mesmas terem sido descobertas e compreendidas como prejudiciais e reforçadoras dos defeitos. Não se trata de uma simples supressão de fatos da vida sem compreensão alguma e sem a oração pela Morte em Marcha. A renúncia é posterior a descoberta e constatação dos prejuízos.

Ampliação em 12/12/2013

Quando deixamos de usar uma função psicológica, ela sofre uma atrofia. O Ego é um conjunto de funções ou funcionamentos psicológicos mantidos vivos pelo uso constante, formas de pensar, sentir e entender continuamente exercitadas. Sinapses, sanskaras e circuitos cerebrais que se tornaram poderosos começam a se enfraquecer e a atrofiar ao deixarem de serem usados. E isso o que queremos com a Morte do Ego.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

O erro de cultivar e reprimir


Cultivar e reprimir

Vamos detalhar um pouco um erro que muitos cometem no trabalho da Morte. Pode ser que você também o tenha cometido. O erro consiste em reprimirmos e cultivarmos os defeitos ao mesmo tempo.

Temos uma tendência de reprimir defeitos sem deixar de cultivá-los. Trata-se de um comportamento contraditório mas comum: cultivamos o defeito e, quando seus resultados nefastos se fazem sentir, tentamos contê-lo e reprimi-lo. Assim, passamos a vida sofrendo em um círculo vicioso, no qual damos vida e força àquilo que nos prejudica.

Geralmente, não compreendemos que é perfeitamente possível deixar de reprimir um defeito sem, no entanto, cultivá-lo. O senso comum dita a (falsa) crença de que temos sempre que optar entre reprimir e cultivar, de que ambas as coisas não podem ocorrer simultaneamente e nem podem ser abandonadas ao mesmo tempo. Na verdade, o reprimir e o cultivar não são mutuamente dependentes e nem tampouco excludentes, podendo ocorrer simultaneamente ou não. Uma pessoa pode reprimir e cultivar, assim como pode também deixar de reprimir ao mesmo tempo em que deixa de cultivar algo em sua psique. Essa última possibilidade é a que nos interessa agora.

O reprimir e o cultivar formam um par de opostos que pode ser abandonado e isso soa estranho tanto aos conservadores como aos seus antípodas, os hedonistas. 

Uma pessoa corretamente preparada pode retirar a repressão que pôs sobre os seus defeitos ao mesmo tempo em que remove todas as formas que adotou para seu cultivo. 

Não se pode reprimir aquilo que não existe, não aparece ou não se manifesta. A repressão, portanto, exige que ocorra manifestação prévia de algo. No entanto, a manifestação de um defeito é resultado de um cultivo que a antecede. Cultivamos um defeito através de lembranças, de falas, de atitudes. Se, ao invés de nos ocuparmos com a repressão, formos diretamente às causas da manifestação, não haverá defeito manifesto para ser reprimido. As manifestações se tornarão progressivamente mais fracas, até desaparecerem, sem necessidade de serem sufocadas e nem contidas. O segredo, aqui, consiste em irmos às causas e removê-las. Quando removemos as causas, não há manifestação a ser reprimida.

Como removemos as causas? Por meio da Morte em Marcha. 

Muitas vezes confundimos tudo e achamos que remover as causas é o mesmo que reprimir, o que é falso. Reprimir é sufocar aquilo que está manifesto, não é despotenciar as manifestações. Despotenciar uma manifestação é algo totalmente diverso de reprimir. 

Cultivamos constantemente aquilo que nos faz mal e não nos damos conta disso, pois o fazemos inconscientemente.

As causas das manifestações devem ser buscadas nos atos comuns e inocentes do cotidiano. Alguns atos comuns e sem importância resultam em posteriores manifestações violentas de defeitos. Se os removemos, desarmamos o problema. As causas se escondem em frases, olhares, expressões, nos modos, nas vestimentas e em inúmeros detalhes do nosso comportamento. Removendo-os, deixamos de cultivar os defeitos correspondentes e não necessitaremos reprimir.

Um defeito é como um animal que você criou e continua a cuidar dele. Agora o animal cresceu e se tornou forte. Não tente brigar diretamente com a fera, simplesmente deixe de cuidar dela. Observe-se e descubra por onde você está mantendo-a viva. Você a alimenta, cuida do animal todos os dias e não se dá conta. Vá descobrindo e retirando todos os cuidados e ele aos poucos enfraquecerá e morrerá.

O cultivo pela identificação

Outra forma de cultivar um defeito consiste em tentarmos "encarar" situações perante as quais somos impotentes. Por exemplo, não há como contemplarmos algo que desejamos muito sem sentirmos ainda mais desejo. Quando o fazemos, o resultado é a fortificação do respectivo defeito. Ainda que o façamos com boas intenções, tentar "afrontar" certas situações para as quais não estamos preparados somente irá nos lançar cada vez mais para baixo. Daí a necessidade do controle dos Indryas (sentidos).

Uma pessoa que tenha fobia de aranhas, por exemplo, não poderá sujeitar-se ao perigo das aranhas sem identificar-se. O simples ato de permanecer no meio de aranhas já é uma forma de alimentar o seu medo. Quanto mais tal pessoa tentar encarar aranhas, mais medo sentirá. O medo se fortificará com o próprio medo. Quanto mais medo sentir, mais medo terá. Quanto mais a pessoa se ocupar com o objeto do seu temor, quanto mais pensar, falar, precaver-se, ver etc. o objeto em questão, pior ficará o seu problema. Para que seu medo morresse, ela deveria primeiramente deixar de alimentá-lo. Novos samskaras seriam criados em sua mente, até o dia em que a pessoa se estabelecesse totalmente em uma forma mental diversa, em um outro modo de entender os aracnídeos. Somente quando outro modo de encarar o problema se enraizasse, é que as aranhas poderiam ser encaradas de frente.

Com o desejo sexual acontece a mesma coisa. Um homem sexualmente ativo não poderá jamais tentar afrontar situações perante as quais não pode resistir. Se um sacerdote fosse pregar a Palavra do Senhor em um prostíbulo, terminaria fornicando com as prostitutas. Um homem que queira contemplar imagens de lindas mulheres altamente desejáveis não deixará de desejá-las ainda mais e de fortificar, assim, seu desejo. O ideal, nesses casos, seria controlar os Indryas: não ver, não olhar, não ouvir, não percebê-las. O simples desejo de querer percebê-las já assinala o princípio da manifestação causal, a qual deveria ser removida através da Morte em Marcha ao invés de ser reprimida.  

Acreditar que se pode enfrentar certas situações sem ser afetado pelas mesmas é ilusório. Temos que diferenciar as situações que podemos enfrentar daquelas perante as quais somos impotentes. Por "enfrentar" entenda-se: olhar, perceber, ocupar-se. Há situações que não nos afetam de modo algum, mas há outras que provocam intensa identificação, quer queiramos ou não. 

Escolhamos uma imagem qualquer, perante a qual você é impotente. Você é incapaz de perceber aquela imagem ou situação (um conjunto de imagens) sem ser afetado. A imagem ou situação te provoca inúmeras emoções negativas indesejáveis e prejudiciais. Pois bem, se você cometer o erro de tentar enfrentá-la, acreditando que poderá percebê-la sem identificar-se, estará também cometendo um auto-engano, sendo iludido por seu próprio Ego, que se nutrirá desta maneira. Quanto mais você se ocupar, pensar e perceber aquilo que te afeta, mais afetado ficará, por uma simples razão: você não tem forças para resistir, mas está tentando fazê-lo, em vão. Inconscientemente, você está preso ao problema por diversos laços, de diversas maneiras. Você se ocupa com o problema e não sabe disso. Caso queira se livrar, tem que descobrir e cortar todos esses laços. Tome consciência dos laços e os corte.

Eu, por exemplo, não tenho medo de andar em uma floresta sozinho. As serpentes e outros perigos não existem para mim. Posso andar pela floresta sem nenhum problema. No entanto, uma pessoa que tenha pavor de florestas não poderá sequer contemplar uma mata sem fortificar sua fobia. Tal pessoa necessita controlar os seus Indryas nesse aspecto, até o dia em que seu medo desapareça por completo.

O que foi dito aqui vale para todos os defeitos da personalidade humana. Morrer para algo é deixar de existir completamente para aquilo, não é ocupar-se cada vez mais. Morrer é desligar-se, abandonar. A Morte do Ego consiste em deixar tudo para trás, em romper com o passado para sempre.


Mas... e quando não há escapatória?

Provavelmente, você deve estar se perguntando: "Mas o que deve fazer a pessoa que não pode evitar um problema e se vê obrigada a enfrentá-lo, contra a sua vontade?" Este é um ponto importante a ser esclarecido.

Existem situações que realmente não podem ser evitadas. Se uma pessoa que esteja trabalhando o seu vício em doces for atirada em uma confeitaria, o que deve fazer? Minha proposta: deve fazer o mesmo que faz o equilibrista que anda sobre uma corda entre dois prédios.

O equilibrista não leva sua mente e nem os seus sentidos ao perigo, mesmo estando dentro da situação perigosa. Ele controla seus Indryas, pois não olha para baixo, e imagina estar caminhando sobre uma linha traçada no chão e não sobre uma corda. Ao imaginar que caminha no chão, o equilibrista mantém sua mente concentrada. A concentração o protege, forma uma espécie de escudo protetor que o deixa blindado contra a sensação de que está prestes a cair. A sensação de que se pode cair é o princípio do medo. Se o equilibrista olhar para baixo, sua mente se desviará do lakshya e o medo irá invadi-lo. A chave não está fora, está dentro: é a imaginação concentrada. A imaginação definirá o rumo dos acontecimentos. O que sentimos depende, em grande medida, do que imaginamos. Se nos imaginamos vulneráveis, nos sentimos vulneráveis. Se nos imaginamos protegidos, nos sentimos protegidos. Portanto, o equilibrista seleciona o que percebe e ao mesmo tempo o que imagina. Ele evita perceber e se recusa a concentrar sua mente no perigo, criando assim uma outra forma de ver a situação. Levada às últimas consequências, a correta concentração da imaginação nos permite atravessar tempestades e terremotos mantendo a serenidade do Budha.

Vejamos outro exemplo. Um praticante de tantra ioga não poderá levar sua mente à mulher no momento do ato sexual ou sofrerá uma ejaculação involuntária. Ele se concentra em seu próprio órgão sexual, procura sentir e imaginar sua energia sendo transmutada. Ao manter a imaginação assim focalizada, o iogue tântrico se torna blindado contra a luxúria e pode prolongar o seu ato por muito tempo. Ele faz o mesmo que faz o equilibrista: controla a imaginação e se recusa a perceber e imaginar o que pode conduzi-lo pelo caminho indesejável. Se o iogue concentrasse sua mente em fantasias e fetiches eróticos ou concentrasse sua atenção nas formas femininas, nos gemidos, nas sensações proporcionadas pela mulher etc. finalizaria involuntariamente o ato sexual e não atingiria a sua meta, que é retirar-se do ato antes da finalização para continuá-lo outro dia.

Mais um exemplo, para entendermos melhor. Um lutador que fique prestando atenção nos pontos fortes do inimigo e deixe de lado os seus pontos fracos, terminará acreditando que está completamente vulnerável. Ao acreditar-se vulnerável, levaria sua mente à derrota, pensaria e imaginaria mil coisas, problemas e perigos. Tal lutador estaria derrotado de antemão. Por outro lado, se prestasse atenção somente nos pontos fracos do rival, terminaria acreditando que é invulnerável (o que está em questão aqui não é quem objetivamente irá vencer a luta, mas sim o processo psicológico envolvido). Se o lutador escolher como lakshya seus próprios pontos fortes e os pontos fracos do inimigo, impedirá que sua imaginação seja ferida e não sentirá as emoções correspondentes.

Uma bailarina ou um músico que levem sua mente, sua percepção e sua imaginação à platéia poderão ser tomados pela insegurança e, então, errarão a execução do trabalho. O que eles fazem? Se concentram no que estão fazendo. Alguns usam a tática de imaginarem que estão tocando/dançando sozinhos. Quanto mais concentrados estiverem, menos ansiosos ficarão. Com o tempo, suas mentes sofrem uma modificação e não mais acreditam ou imaginam que estão vulneráveis.

Se uma pessoa apontar para você uma arma de brinquedo dizendo que se trata de uma arma de verdade, você provavelmente se sentirá em perigo. Sua imaginação terá sido ferida e provocará várias emoções negativas correspondentes.

Portanto, o que deveria fazer nosso amigo viciado em doces que caísse de para-quedas dentro de uma confeitaria? Deveria escolher algo em que concentrar a percepção e a imaginação para, assim, atravessar incólume a "tempestade de açúcar". Deveria evitar olhar para os doces e imaginar que está em um lugar distinto da confeitaria.

Se você se ver obrigado a enfrentar uma situação estressante inevitável, poderá se proteger desviando a imaginação e a percepção dos aspectos negativos do problema, focando-os e firmando-os nos aspectos positivos ou imaginando que está em uma situação parecida, porém não tão difícil assim. Recuse-se a alimentar o mal com a mente.

Que fique claro, no entanto, que esta é somente uma dica para as situações extremas. O procedimento de desviar a imaginação e a percepção, embora muito útil, não chega realmente a matar os egos envolvidos, somente nos blinda.  

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Morte do Ego: indo às causas

Na Morte do Ego é comum que cometamos muitos erros. Este blog foi aberto com a intenção de permitir a reflexão, e não a mera teorização ao ar, sobre os erros que nos deixam estancados. Por um erro não detectado, uma pessoa pode ter o seu passo espiritual travado por muitos anos.

Os erros que as pessoas cometem nem sempre são os mesmos, podem variar de uma pessoa para outra. Neste blog apontamos alguns, na esperança de alcançar as pessoas que precisam ser alcançadas. Pode ser que os erros que você cometa não estejam apontados em meus textos. 

De todas as maneiras, a Morte é algo que se aprende aos poucos e se aperfeiçoa com a prática. Se você tem recaídas aqui e ali, cometendo atos que não gostaria de cometer, não deve se preocupar muito com isso. As falhas de caráter, ainda que graves, não devem ser motivo para não continuarmos trabalhando. Por mais degenerado ou pecador que você se considere, não deve desistir. Se você não consegue deixar de ser "mau" por um lado, trabalhe outros lados de si mesmo, outros aspectos, mas não deixe de se aperfeiçoar. Suas piores fraquezas irão ceder cedo ou tarde, nesta ou em outra vida.

Os erros que cometemos na Morte são, entre outras coisas, artimanhas do Ego para sobreviver. Para permanecer vivo, o Ego nos engana. 

Lamentar-se e prender a atenção aos prejuízos ocasionados por um determinado defeito é um exemplo de erro. A lamentação não resolverá o problema, mas nos distrairá e desviará eficientemente a atenção de suas causas. Enquanto eu fico prestando atenção e pensando nos prejuízos de um ato de fornicação, por exemplo, não estou pondo cuidado em suas causas, nos fatos que o ocasionaram. Como consequência, serei incapaz de remover o problema da minha vida.

O que seria a "causa" da manifestação de um defeito? Seria aquilo que antecede e provoca a manifestação (1). Por definição, a causa é aquilo que antecede um efeito. Seria ilógico supor que a causa sucedesse ao efeito, ou seja, que o efeito antecedesse à causa. É óbvio que antes do efeito vem a causa e, no caso da manifestação de um ego, alguns fatos psicológicos ocorrem antes que o defeito venha à manifestação. Na linha do tempo, a causa vem antes e o efeito vem depois.

Sutis e leves alterações nos centros são o princípio de  manifestações violentas e as antecedem. Se as removemos, as manifestações violentas não ocorrem. Somos sacudidos por manifestações violentas porque não nos mantemos atentos às manifestações sutis, que são as leves alterações nos centros. Qualquer alteração sutil em algum centro da máquina deve ser resolvida ali mesmo onde estivermos, de imediato, sem postergação, de modo a desviar o rumo de nossas vidas, evitando as manifestações violentas posteriores. É claro que, uma vez removido o pequeno detalhe, também precisamos desviar os Indryas da situação exterior que provocou sua aparição, pois a mesma já não é mais necessária e pode fazê-lo ressurgir. Se você eliminou alguma emoção indesejável que sentia ao ver alguém, melhor é não ver mais essa pessoa dali em diante (ou pelos menos por um bom tempo, até que os novos samskaras se fixem) pois, se o fizer, poderá alimentar a emoção negativa novamente.

Portanto, as causas das manifestações do Ego apresentam dupla face, dois aspectos: um aspecto físico, exterior, correspondente às situações da vida que as evoca, e um aspecto psicológico, interior, correspondente às leves alterações nos centros, às manifestações sutis do Ego. A Morte só é possível quando, por meio da auto-observação, descobrimos as causas e as removemos. 

Quais são os fatos que antecedem a manifestação de um ego, provocando-a? São as sutis formas de pensar, sentir, falar e agir. Qualquer pensamento levemente pecaminoso, qualquer mínima atitude, por mais inocente que pareça, podem colher energia e ganhar força, tornando-se perigosos inimigos. Quando uma manifestação mínima ganha força, transforma-se em uma obsessão violenta e incontrolável. As manifestações mínimas são as causas que deveriam ser trabalhadas para que seus efeitos posteriores desastrosos fossem evitados. Ocupar o tempo com lamentações é, portanto, um erro muito comum que atrapalha a Morte do Ego. Poderíamos, porém, ir um pouco além na busca das causas e chegaríamos às situações exteriores (acontecimentos do ginásio) que provocaram tais manifestações psicológicas sutis. Se quiséssemos ir ainda mais além, teríamos que ir às dimensões superiores e ao abismo, mas não é disto que estou tratando agora. No momento, estou me referindo às causas "horizontais" de tais manifestações e as encontramos nas situações da vida às quais reagimos constantemente, na maior parte das vezes sem sequer nos darmos conta.

Um erro frequente que costumamos cometer é nos debatermos contra um desejo e reforçá-lo simultaneamente. Se me mantenho metido em situações que dão força aos desejos, não poderei me libertar dos mesmos. Não é possível enfraquecer o inimigo se o estamos reforçando ao mesmo tempo. Não poderei eliminar o que sinto por determinado objeto ou pessoa se me mantenho em constante contato com aquilo. Portanto, se quero morrer para determinado objeto ou situação, tenho que remover aquilo de minha vida. Não poderei dissolver o ódio que sinto por um inimigo se estiver constantemente me ocupando, pensando no mesmo ou vendo-o. Se realmente quero morrer psicologicamente para determinada situação, tenho que remover da minha vida o objeto que ocasiona a emoção negativa correspondente, pois é para isso que tal objeto existe! Esta é a função do ginásio psicológico: chamar nossa atenção para o que deve ser retirado de nossa vida, mostrar os elementos dos quais devemos nos desligar. Cada situação provocadora de reações negativas deve ser descoberta e removida. Manter tais situações em nossa vida, sob a desculpa de nos exercitarmos psicologicamente, equivale a manter uma relação equivocada com o ginásio psicológico. 

Muitas pessoas acreditam que devem se manter presas às adversidades da vida para que possam se desenvolver. Particularmente, considero que estão equivocadas completamente. As adversidades existem para que possamos superá-las, transcendê-las. Transcender uma adversidade é deixá-la para trás, desligar-se. Se fico prestando atenção, pensando e me ocupando com aquilo que me altera ou me perturba, estou identificado e jamais poderei me libertar. Se discuto com quem me irrita, jamais eliminarei a ira correspondente; se fico contemplando ou dialogando com a mulher que desejo, jamais eliminarei a luxúria correspondente; se fico abrindo e lendo cartas malcriadas que me escrevem, jamais dissolverei o mal estar que provocam; se fico olhando para a ameaça que me atemoriza, jamais dissolverei o temor. O motivo é simples: somos incapazes de ter contato com o objeto provocante sem nos identificarmos e sem sermos afetados.

Por outro lado, se as adversidades, os objetos provocantes, não existissem, não tomaríamos consciência da necessidade de removê-los. Portanto, as adversidades cumprem uma função em nosso trabalho espiritual, a qual consiste em serem descobertas e removidas. Obviamente, o que não existe não pode ser descoberto e nem tampouco removido. 

Vivemos e nos movemos em um universo composto por aquilo em que pensamos e no que prestamos atenção. Se nos ocuparmos e pensarmos nas adversidades, viveremos em um universo composto por adversidades. Importa, pois, deixar as adversidades para trás.

Quero enfatizar esse ponto pois me parece que são muitos os gnósticos que acreditam que irão eliminar a luxúria se continuarem olhando para as mulheres que desejam e esperam eliminar a ira ao continuarem se ocupando com os seus inimigos. Eles chegam mesmo a crer que se trata de uma necessidade para a Morte. Vejo-os como uns pobres infelizes que estão completamente equivocados. Como poderia alguém eliminar o ódio e auto-importância se ficasse remexendo as fofocas que dizem a seu respeito? Como poderia eliminar a fobia do sobrenatural alguém que fica assistindo a filmes de terror? Temos que aprender a selecionar os fatos com os quais ocupamos nossa consciência. Se você ficar contemplando garotas dançando "funk" nunca deixará de desejá-las. Temos que aprender a escolher e a selecionar criteriosamente aquilo que entra em nossa percepção. Isso, na ioga, se chama "controle dos Indryas" (sentidos). Se você abre as portas de sua percepção ao lixo, sua mente e seu psiquismo se encherão de lixo. Quem quer deixar de nutrir o Ego, tem que evitar as situações que lhe dão alimento, isto é, tem que aprender a controlar os sentidos, não abrindo suas portas ao que causa estrago. E mais: não ocupar-se com aquilo nem mesmo em pensamento. Nossos pensamentos e percepções devem ser elevados.

Porém, vocês poderiam me contestar, dizendo que existem situações negativas das quais não podemos escapar, tais como a doença, a morte, a velhice e os problemas econômicos da vida. Eu lhes responderia o seguinte: quando avançamos muito na Morte, somos capazes de desviar os pensamentos e os sentidos até mesmo de tais dificuldades. Um adepto desenvolvido seria capaz de enfrentar tais situações sem levar o pensamento ou os sentidos às mesmas. Como isso seria possível? Ocupando-os com outros elementos, mais elevados, que os anulassem. Porém, isso é para pessoas mais desenvolvidas e não para nós, meros principiantes.

Por hoje é só e espero que tenham compreendido.

(1) Não se confunda a causa aqui referida com as origens do Ego no mundo causal, ou seja, as causas que se encontram na sexta dimensão natural. Neste artigo, estou me referindo às causas detectáveis enquanto estamos neste mundo físico tridimensional. As origens causais da sexta dimensão não podem ser acessadas por pessoas comuns, enquanto que as causas aqui referidas podem ser detectadas por qualquer pessoa que preste um pouco de atenção em si mesma e em sua própria vida.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

A concentração no cotidiano.

No dia a dia, quando você estiver trabalhando, caminhando, lendo, escrevendo, conversando ou fazendo qualquer outra coisa que não seja meditar, procure, na medida do possível, não pensar em nada, nem mesmo em outras coisas relacionadas ao que estiver fazendo. Ao invés de pensar em qualquer outra coisa, preste atenção no presente e perceba o que você está fazendo.

Concentre a atenção em sua tarefa no presente, se possível até o ponto de perder a noção de tudo o que não tenha nada a ver com aquilo. Procure o esquecimento total do que não esteja relacionado à realidade presente que você vivencia. Procedendo assim, você terá mais facilidade para, depois, prestar atenção no pensamento único quando se sentar ou deitar para meditar. Bastará então manter a atenção no ato de pensar no lakshya, tratando-o como mais uma tarefa real e presente.

Quando nos concentramos no que fazemos, vivenciamos o presente de forma realista e intensa, diminuindo os riscos de acidentes, por exemplo. Os acidentes estão, na maior parte das vezes, relacionados a distrações. Quem se concentra no instante presente, não está distraído.

O ato de estar presente ao que se faz inclui a percepção natural do ambiente envolvido. Partindo daí, sua consciência poderá se ampliar cada vez mais e você verá, escutará e sentirá o que ocorre à sua volta, pois não estará vivendo em um hipotético amanhã ou no que ocorreu ontem. 

Se queremos despertar consciência à nossa essência, temos que aprender a exercitá-la no cotidiano.  Então, transferimos esta prática de estar conscientes para o ato de meditar. 

Ao contrário do que todo mundo imagina, quem medita não está distraído, está plenamente lúcido e consciente em outro plano. Pode não estar com a consciência direcionada ao mundo físico exterior, mas onde quer que sua alma esteja, estará plenamente lúcida e consciente. É claro que o meditador, de olhos fechados, estará desligado do corpo físico e das percepções sensoriais externas, mas isso não significa que ele esteja distraído, que tenha perdido sua consciência e não saiba o que está fazendo. O meditador não está em eikásia, está em dharana e dhyana. Quando o meditador retorna do mundo espiritual e se levanta, está mais lúcido do que nunca, pois trouxe a lucidez consigo e a manterá.

As tarefas do cotidiano são ótimas para exercitar a consciência e a lucidez. Focando a percepção nas mesmas, vamos tornando a mente cada vez mais passiva.

sábado, 10 de novembro de 2012

The Three Principal Aspects of the Path


A CONDENSED LAMRIM BY JE TSONGKHAPA
Homage to the venerable Spiritual Guide

I shall explain to the best of my ability
The essential meaning of all the Conqueror’s teachings,
The path praised by the holy Bodhisattvas,
And the gateway for fortunate ones seeking liberation.

You who are not attached to the joys of samsara,
But strive to make your freedom and endowment meaningful,
O Fortunate Ones who apply your minds to the path that pleases the Conquerors,
Please listen with a clear mind.

Without pure renunciation there is no way to pacify
Attachment to the pleasures of samsara;
And since living beings are tightly bound by desire for samsara,
Begin by seeking renunciation.

Freedom and endowment are difficult to find, and there is no time to waste.
By acquainting your mind with this, overcome attachment to this life;
And by repeatedly contemplating actions and effects and the sufferings of samsara,
Overcome attachment to future lives.

When, through contemplating in this way, the desire for the pleasures of samsara
Does not arise, even for a moment,
But a mind longing for liberation arises throughout the day and the night,
At that time, renunciation is generated.

However, if this renunciation is not maintained
By completely pure bodhichitta,
It will not be a cause of the perfect happiness of unsurpassed enlightenment;
Therefore, the wise generate a supreme bodhichitta.

Swept along by the currents of the four powerful rivers,
Tightly bound by the chains of karma, so hard to release,
Ensnared within the iron net of self-grasping,
Completely enveloped by the pitch-black darkness of ignorance,

Taking rebirth after rebirth in boundless samsara,
And unceasingly tormented by the three sufferings
Through contemplating the state of your mothers in conditions such as these,
Generate a supreme mind [of bodhichitta].

But, even though you may be acquainted with renunciation and bodhichitta,
If you do not possess the wisdom realizing the way things are,
You will not be able to cut the root of samsara;
Therefore strive in the means for realizing dependent relationship.

Whoever negates the conceived object of self-grasping
Yet sees the infallibility of cause and effect
Of all phenomena in samsara and nirvana,
Has entered the path that pleases the Buddhas.

Dependent-related appearance is infallible
And emptiness is inexpressible;
For as long as the meaning of these two appear to be separate,
You have not yet realized Buddha’s intention.

When they arise as one, not alternating but simultaneous,
From merely seeing infallible dependent relationship,
Comes certain knowledge that destroys all grasping at objects.
At that time the analysis of view is complete.

Moreover, when the extreme of existence is dispelled by appearance,
And the extreme of non-existence is dispelled by emptiness,
And you know how emptiness is perceived as cause and effect,
You will not be captivated by extreme views.

When, in this way, you have correctly realized the essential points
Of the three principal aspects of the path,
Dear One, withdraw into solitude, generate strong effort,
And quickly accomplish the final goal.

Como identificar os causadores do estresse


Como funciona o estressepor Betty Burrows, Ph.D. - traduzido por HowStuffWorks Brasil

Fonte: http://saude.hsw.uol.com.br/como-funciona-o-stress2.htm

Todos nós nos sentimos estressados por diferentes motivos. Uma situação que faz uma pessoa querer se jogar no precipício pode ser um pequeno obstáculo ou até mesmo um grande desafio para outra. O primeiro passo na superação de seus estressores pessoais, ou indutores do estresse, é identificá-los.

Os estressores geralmente estão nas categorias relacionadas a seguir.

Os estressores emocionais, que também podem ser chamados de estressores internos, incluem medos e ansiedades (como preocupações sobre se você será demitido ou se causará uma boa impressão no primeiro encontro), assim como certas características de personalidade (como perfeccionismo, pessimismo, desconfiança ou sensação de impotência ou falta de controle sobre a vida de alguém) que podem distorcer suas idéias ou percepções em relação aos outros. Esses estressores são bastantes pessoais.

Os estressores familiares podem incluir mudanças no relacionamento com seu parceiro, problemas financeiros, adolescente rebelde ou síndrome do ninho vazio. 

Os estressores sociais surgem em nossas interações dentro de nossa comunidade pessoal. Eles podem incluir encontros, festas e discursos em público. Assim como acontece com os estressores emocionais, os estressores sociais são bastante individualizados (você pode adorar falar em público, enquanto seu colega treme só de pensar).

Os estressores de mudança são sentimentos de estresse relacionados a qualquer mudança importante em nossas vidas. Eles incluem mudar-se, arranjar um novo emprego ou outro companheiro ou ter um bebê.

Os estressores químicos são quaisquer drogas que uma pessoa usa em excesso, como álcool, nicotina, cafeína ou tranqüilizantes.

Os estressores do trabalho são causados pelas pressões de bom desempenho no local de trabalho. Eles podem incluir prazos apertados, um chefe imprevisível ou as necessidades intermináveis da família.

Os estressores de decisão envolvem o estresse causado pelas tomadas de decisões importantes, como a escolha de uma profissão ou de um companheiro.

Os estressores de fobia são aqueles causados por situações das quais você tem muito medo, como andar de avião ou estar em lugares fechados.

Os estressores físicos são situações que sobrecarregam o corpo, como trabalhar durante horas seguidas, privar-se de uma alimentação saudável ou ficar em pé o dia inteiro. Eles também podem incluir gravidez, tensão pré-menstrual ou excesso de exercícios.

Os estressores de doenças são os resultados de problemas de saúde de curto ou longo prazo. Eles podem causar o estresse (digamos, impedindo que você saia da cama), serem causados pelo estresse (como o aparecimento de herpes) ou serem agravados pelo estresse (como enxaquecas).

Os estressores de dor podem incluir dor aguda ou crônica. Assim como os estressores de doenças, os estressores de dor podem causar estresse ou serem agravados por ele.

Os estressores ambientais incluem barulho, poluição, falta de espaço ou calor ou frio excessivo.Usando a lista acima como referência, anote a categoria na qual estão os principais estressores da sua vida. Pode ser que você descubra que alguns de seus estressores estão em mais de uma categoria.

Entretanto, provavelmente existem itens na sua lista de estressores que você pode deixar de lado. Se limpar a casa inteira no seu dia de folga, toda semana, está fazendo com que você não tenha nenhum momento de lazer, talvez você possa incluir em seu orçamento uma faxineira. Se passar roupa está fazendo com que você fique até tarde acordado, mande-a para a lavanderia. Se você acha que não pode se dar ao luxo de tudo isso, tente rever seu orçamento. Lembre-se de que seu tempo também é valioso.

Diminuir a intensidade de seus estressores geralmente é mais viável do que eliminá-los por completo. Por exemplo, se você não está conseguindo se concentrar no trabalho devido ao barulho no escritório, pense na possibilidade de comprar tampões de ouvido. Se seu percurso até o trabalho faz você dirigir duas horas diariamente em trânsito intenso, tente outra opção, como transporte público ou compartilhamento de veículos, e carregue com você um jornal, um bom livro ou um CD player ou MP3 player com suas músicas favoritas.

Não há dúvida de que enfrentar os estressores é a única opção para a maioria dos itens de sua lista. Entretanto, isso não deve ser tão impossível quanto possa parecer. Existem várias técnicas para aprender a ficar calmo e lúcido sob pressão. À medida que você as domina, até mesmo os seus maiores estressores serão cada vez menos uma ameaça.

Reveja sua lista de estressores e marque E para cada item que você pode eliminar, R para cada estressor que você pode diminuir e C para cada item que você pode aprender a enfrentar. Para os itens marcados com E ou R, anote qualquer idéia que você tenha sobre como chegar a essas metas (por exemplo, mandar as roupas para a lavanderia ou comprar tampões de ouvido).

Agora que você identificou e organizou seus estressores, é hora de começar a aprender a lidar com eles. Na próxima seção, mostraremos como diminuir o estresse em sua vida.

Como diminuir o estresse


Fonte: http://saude.hsw.uol.com.br/como-funciona-o-stress3.htm

Você precisará da lista de estressores que fez na página anterior para tirar proveito dos conselhos dessa página. Nessa seção, mostraremos o que fazer com os causadores que você categorizou.

A lista E 

Uma vez que tenha classificado sua lista de estressores em Es, Rs e Cs, você já está pronto para ficar ocupado. Comece separando sua lista E - a lista de estressores que você decidiu eliminar de sua vida. Olhe bem essa nova lista. Respire fundo pelo nariz e solte o ar lentamente pela boca. Se você for como a maioria das pessoas, já deve estar se sentindo melhor.

Se sua lista E for pequena, considere as seguintes formas de adicionar itens:você não consegue enfrentar seu ambiente de trabalho (ou seu chefe)? Se possível, faça uma observação para preparar seu currículo e procurar outro emprego;

a cafeína está deixando-o nervoso? Comprometa-se a diminuir gradualmente e, depois, eliminar a ingestão de chá cafeinado, café e refrigerante;


�2006 Publications International, Ltd.Se sua xícara de café da manhã lhe dá energia,pense na possibilidade de cortá-la de sua dietavocê está perdendo o sono por causa do barulho de um aeroporto recentemente inaugurado no bairro? Se já tentou usar tampões de ouvido, mas não sentiu nenhum alívio, pense em procurar um outro lugar para morar.O objetivo desse exercício é ser o mais criativo possível sem exagerar. Não há nenhum mal em demorar um pouco mais em questões que tenham um grande efeito na sua sanidade mental. O truque é calcular o impacto de seus estressores e pesar os custos para eliminá-los contra a força que eles exercem na sua saúde e no seu bem estar.

A lista R 

Como a lista E, a lista R refere-se ao controle das forças externas que freqüentemente tiram o melhor de você. Embora a lista E ofereça uma gratificação instantânea pela eliminação, literalmente, de suas preocupações, a lista R requer um pouco mais de criatividade. É uma questão de reorganização e nova priorização. É fazer com que alguns estressores inevitáveis pareçam mais suportáveis.

Aqui vão algumas técnicas da lista R testadas e comprovadas.

Invista em uma agenda de compromissos. Quando você tem muita coisa para fazer e pouquíssimo tempo, é comum se sentir sobrecarregado. Embora não acabe com seus compromissos, um diário de compromissos, uma agenda eletrônica ou um caderninho de bolso simples pode ajudar a diminuir o estresse de ter que lembrar o que você deveria fazer nos próximos 15 minutos. Para algumas pessoas, ser capaz de olhar rapidamente as prioridades do dia pode restabelecer a confiança e dar um sentido de direção e controle.

Descubra a arte menosprezada de fazer listas. Além de manter um cronograma diário, semanal e mensal, a lista pode ajudar a limpar uma mente completamente cheia. Embora algumas pessoas achem as listas um tanto constrangedoras, outras acham que elas ajudam a aliviar o esforço de tentar se lembrar de tudo ou o estresse por ter esquecido algo. 

�2006 Publications International, Ltd.Fazer listas e organizar-se podem ajudar a diminuir seu nível de estresseA idéia é tirar as preocupações de sua cabeça e colocá-las em uma lista. Não há motivo para se preocupar se vai esquecer alguma coisa quando você sabe que ela está anotada em algum lugar.

Quando tiver criado sua lista, priorize as tarefas. Se alguma tarefa parecer muito pesada ou consumir muito tempo até ser concluída, tente dividi-la em estágios ou passos "factíveis", discretos e menores que você possa realizar nos períodos de tempo disponíveis.

Se você acha útil fazer listas diárias ou semanais, experimente fazer o que os especialistas em listas fazem: mantenha duas listas - uma lista para tarefas de curto prazo, que você precisa fazer hoje ou essa semana, e outra lista de metas de longo prazo que você precisa concluir dentro do mês ou do ano. Chame a última de lista "em tempo". Ela pode incluir necessidades de manutenção da casa ou do carro, compras que precisa fazer ou tarefas que precisa concluir (como limpar a garagem). Não importa o que você anotou, desde que você acredite que, se está na lista, de algum modo você cuidará daquilo.

Procure compromissos leves. Muitas situações estressantes - mesmo aquelas que não podem ser totalmente eliminadas - podem ser amenizadas por meio de negociações. Por exemplo, se você está sofrendo porque seu chefe está fazendo com que fique no trabalho até tarde, tente elaborar um plano que atenda às necessidades de vocês dois. Sugira que você terá prazer em trabalhar até tarde uma ou duas noites por semana, desde que nos outros dias você possa ir para casa no horário. Se o rádio do vizinho o acorda todo dia às 6h da manhã, estabeleça com ele o horário do silêncio e o horário do barulho. Você não está se livrando desses estressores, mas sim reduzindo sua força.

Reorganize sua vida. Assim que começar a fazer uma programação e uma lista, consulte-as antes de iniciar seu dia. Tente imaginar onde você pode combinar tarefas para reduzir a quantidade de energia necessária para concluí-las. Veja se consegue adiar alguns itens até o final de semana, quando terá mais tempo disponível para se encarregar dos serviços. Coordene as tarefas, de modo que possa realizar mais coisas ao mesmo tempo (como deixar a roupa na lavanderia no caminho para o trabalho e pagar as contas enquanto a panela está no fogo). 

Pense em cada hora que você se organiza como uma hora que você terá para relaxar. Se você se organizar o suficiente, talvez pare de se sentir como se estivesse sendo esmagado por suas muitas responsabilidades.

Mude suas prioridades. Sempre que achar que está ficando realmente sobrecarregado, tire cinco minutos e classifique os itens da lista por ordem de importância. Então, continue de cima para baixo. Mesmo que você não consiga concluir todas, pelo menos poderá ficar despreocupado por ter lidado com as mais importantes. 

Se sua lista de tarefas diárias está passando para a página seguinte, faça o exercício de classificação descrito acima e desenhe uma linha de separação. Passe tudo que está abaixo da linha para o dia seguinte. E não entre em pânico: seu mundo não acabará só porque alguma tarefa ficou para o outro dia. 

Solte as rédeas. Tentar ser perfeito pode contribuir muito para seu nível de estresse. Se você acha que tudo que fizer terá que ser perfeito, saiba que sofrerá muita pressão. Essas dicas podem ajudá-lo a diminuir seu perfeccionismo:

Experimente a técnica "que importância tem isso?". Quando você estiver estressado porque a casa está desarrumada ou porque está atrasado para um compromisso, pergunte-se que importância terá se você adiar a limpeza ou chegar 10 minutos atrasado. Elimine de sua cabeça os piores cenários possíveis (sua sogra aparecendo de surpresa e achando que você é uma péssima dona de casa ou sua companhia do almoço deixando o restaurante antes de você chegar). 

Às vezes, realmente, pode ser importante que você faça as coisas com perfeição. No entanto, muitas vezes, conseguirá se convencer de que o mundo compreenderá que você é um ser humano. A última atitude mais bondosa pode ajudar a diminuir significativamente seu nível de estresse.

Delegue tarefas. Muitas pessoas vivem seguindo o lema "se quer bem feito, faça você mesmo". Essa atitude pode sobrecarregá-lo com um volume excessivo de trabalho.

2006 Publications International, Ltd.Aprender a esquecer as responsabilidades pode fazê-lo relaxarUsando a técnica "que importância tem isso", pergunte-se como seria a pior situação possível se você delegasse uma tarefa a alguém que a fizesse muito mal, ou, na pior das hipóteses, não a fizesse. Então, tente imaginar um cenário mais realista em que, talvez, a pessoa tenha concluído a tarefa, mesmo que não tenha sido com a mesma perfeição que se fosse você quem tivesse feito. 

Ao delegar tarefas, determine passos para reduzir possíveis erros, determinando claramente suas expectativas e encontrando maneiras de ajudá-lo a confiar para seguir suas instruções. 

Pratique a imperfeição. Não estamos sugerindo que você, intencionalmente, cometa erros em projetos importantes, mas que simplesmente você relaxe uma vez. Por exemplo, quando estiver cansado, deixe os pratos para o dia seguinte e vá para a cama. Quando estiver realmente sobrecarregado, remarque um compromisso ou tente estabelecer outro prazo. A redução de seu nível de estresse o torna ainda mais produtivo quando você tem a chance de cuidar do que adiou.

Reserve um tempo para "você". O estresse é um forte sinal do seu subconsciente de que alguma coisa está errada na sua vida. Por alguma razão, suas necessidades não estão sendo atendidas. Certamente, você está dedicando mais tempo ao trabalho, satisfazendo mais as necessidades de outras pessoas ou lidando com uma situação problemática (como a perda do emprego ou uma separação), do que cuidando de você mesmo. Mesmo que você tenha que se sobrecarregar por um certo período, é importante reservar um espaço na sua agenda ocupada para você.

Aqui vão algumas dicas para ter tempo suficiente para "você":

Faça uma pausa para o almoço. Mesmo que você tenha um trabalho muito exigente, esforce-se para fazer uma pausa ao meio-dia, mesmo que seja por apenas 20 minutos. Use o tempo para caminhar, recompor-se, respirar fundo e relaxar. Você ficará surpreso ao perceber como uma pausa faz bem.

Não comprometa todo seu dia. Reserve uma hora não programada todo dia da semana e duas (ou mais) horas nos finais de semana. Faça disso uma regra e viva por ela. Todo mundo precisa de um pouco de descanso.

Durante a sua hora, não pague contas, lave pratos, nem separe as correspondências. Tire o telefone do gancho. Use seu tempo para fazer atividades relaxantes: tome um banho, deite-se, medite, leia um livro ou assista a TV. Se seu corpo precisar, use esse tempo para uma atividade saudável, como uma caminhada rápida ou jardinagem.

Vá para a cama cedo. Se no final do dia você achar que ainda há muito para fazer, finja que seu dia terminou e vá se deitar. Quando estiver sozinho, leia um bom livro ou ouça a músicas relaxantes com fones de ouvido. E não se sinta culpado. Esse comportamento é perfeitamente saudável.

Coloque seus sentimentos no papel. Ter um diário de seus sentimentos pode ser uma maneira saudável de desabafar. Também pode servir como um "barômetro" de estresse eficaz, permitindo que você calcule a pressão sob a qual está e que efeito isso está tendo em você. Aqui vão algumas orientações para manter um diário de estresse:pegue folhas em branco. Não compre aquelas com data na parte superior de cada página. Ao contrário, compre um caderno em branco. Dessa forma, se você deixar de escrever alguns dias, não se sentirá culpado. Seu caderno não precisa ser caro. Serve até um caderno espiral de escola;

respire fundo antes de mergulhar no papel. Antes de começar a escrever, feche os olhos por alguns minutos, tentando ficar em contato com todas as sensações que você tem naquele momento. Você está irritado? Cansado? Sobrecarregado? Relaxado? Triste? Feliz? Abra os olhos e escreva todos os sentimentos que vieram à mente;

descreva os acontecimentos do dia. Escreva sobre o que está levando você a ter os sentimentos que está tendo agora. Isso pode ajudá-lo a compreender algumas das razões que o deixam estressado;

liste quaisquer preocupações que tiver na parte de trás da sua mente. Nem sempre temos consciência do que está nos incomodando. Colocar no papel pode fazê-lo entender mais claramente;

tente escrever uma mensagem de encorajamento a você mesmo. Escrever para você como se estivesse escrevendo a um amigo que precisa de ânimo pode ser uma maneira eficaz de dar a si mesmo o apoio e o cuidado de que está precisando;

faça desenhos. Às vezes, as palavras podem não ser adequadas para expressar o que está sentindo. Nessas horas, ilustrar seus sentimentos pode ser mais fácil e útil;

deixe fluir. Quando se sentir mentalmente bloqueado, experimente um exercício usado em psicologia: simplesmente escreva o que vier à mente, mesmo que não pareça ter origem ou que faça pouco sentido. Omita totalmente a pontuação, se isso melhorar o fluxo de seus pensamentos. Não pare para se corrigir. Apenas deixe que um pensamento flua livremente do outro. Quando não tiver mais força, volte e leia o que escreveu. Você pode ficar surpreso ao descobrir previamente dicas escondidas de seu estado emocional;

reescreva a realidade. Se uma situação o deixou frustrado ou irritado durante o dia, escreva como ela aconteceu. Então, tente reescrevê-la com um novo final, a forma como você gostaria que tivesse acontecido;

não permita que escrever no diário se torne uma outra tarefa. Se começar a achar que escrever no diário é só mais uma tarefa que você precisa fazer antes de dormir, tente outro caminho. Procure enxergar seu diário como uma forma positiva de relaxar do estresse do dia.Aprenda a relaxar. Uma maneira de diminuir os efeitos prejudiciais do estresse é aprender a relaxar, seja imaginando uma cena calma, se entretendo com o passatempo favorito ou fazendo um exercício de relaxamento. Quando aprender uma técnica que funcione em você, poderá usá-la antes de um acontecimento estressante. Entretanto, para ter mais benefícios, reserve pelo menos alguns minutos por dia para que sua mente e seu corpo se soltem.

�2006 Publications International, Ltd.Imaginar uma paisagem bonita ou calma pode ajudá-lo a relaxar quando estiver em uma situação estressanteOs exercícios de relaxamento que liberam a tensão muscular podem ajudar bastante a enfrentar o estresse. Para fazê-los, você precisa sentar ou deitar em um lugar calmo e confortável, onde não será incomodado. Afrouxe qualquer roupa apertada e tire as jóias que estiverem desconfortáveis.

Seu objetivo é contrair e relaxar os grupos de músculos em seqüência, da cabeça aos dedos dos pés. A contração dos músculos aumenta sua consciência de como é a tensão armazenada. O relaxamento dos músculos, na verdade, faz com que você sinta diferença entre estar tenso e estar solto.

Comece com os músculos de sua testa. Tensione-os enrugando a testa; permaneça dessa maneira por cinco segundos; solte a tensão. Imagine uma onda de banho relaxante pelos músculos. Respire fundo, solte o ar, permitindo que os músculos relaxem ainda mais.

Continue o processo com os músculos dos olhos, fechando-os firmemente. Trabalhe todos os grupos de músculos do corpo, incluindo os dos dedos dos pés. Após terminar, deite por um minuto ou dois para aproveitar essa sensação de relaxamento.

Embora todo mundo tenha que lidar com um certo grau de estresse, o estresse prolongado pode ter efeitos negativos na saúde. Entretanto, se você seguir nossos passos simples, será capaz de tornar sua vida mais tranqüila.

Publications International, Ltd.

Ph.D. Betty Burrows: A dra. Betty Burrows recebeu seu douturado em psicologia clínica pela DePaul University in Chicago, onde coordena o programa de aconselhamento. Ela também mantém um atendimento privado especializado em controle do estresse e questões relacionadas.

Esses dados são apenas informativos. ELES NÃO TÊM O OBJETIVO DE PROPORCIONAR ORIENTAÇÃO MÉDICA. Nem os editores de Consumer Guide (R), Publications International, Ltd., nem o autor e nem a editora se responsabilizam por quaisquer conseqüências possíveis oriundas de qualquer tratamento, procedimento, exercício, modificação alimentar, ação ou aplicação de medicação resultante da leitura ou aplicação das informações aqui contidas. A publicação dessas informações não constitui prática de medicina, e elas não substituem a orientação de seu médico ou de outros profissionais da área médica. Antes de se submeter a qualquer tratamento, o leitor deve procurar atendimento médico ou de outro profissional da área da saúde.