Blog destinado a temas de interesse de gnósticos e simpatizantes. Se você sofre por não ter sucesso na Morte do Ego e se preocupa porque o tempo está passando, ou se é simplesmente alguém que quer se livrar de problemas emocionais e desejos prejudiciais que te afligem, você veio ao lugar certo. As idéias aqui contidas expressam apenas a opinião pessoal do autor e não substituem de modo algum a orientação de um mestre de consciência desperta.
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domingo, 11 de setembro de 2011
Sobre não pensar em perigos inevitáveis
sábado, 3 de setembro de 2011
Em que consiste a concentração nos koans
segunda-feira, 29 de agosto de 2011
Aplicando a dualidade aos pensamentos
sexta-feira, 26 de agosto de 2011
Meditação - recuperando os dispersos percentuais de essência livre
quarta-feira, 3 de agosto de 2011
Criamos os mundos em que vivemos
Detalhes: o que são e como identificar
segunda-feira, 11 de julho de 2011
Desbloquear a repressão sobre os detalhes
terça-feira, 21 de junho de 2011
Quando bloquear a ação?
Começar a partir do hoje e não voltar atrás
Um único dia de castidade verdadeira (não forçada e nem tampouco simulada pela pessoa para si mesma) pode ser prolongado infinitamente, desde que se mantenha a compreensão e se aprofunde neste sentido a vigilância. Pode-se adquirir a castidade a partir de um simples e único dia, desde que se realize neste dia a morte dos detalhes de forma correta, com todo o rigor aplicado sobre TODAS as manifestações luxuriosas daquele dia. Porém, esse dia especial somente chegará depois de uma certa experiência, a qual leva algum tempo para ser conseguida. Esse dia especial, então, pode ser prolongado por tempo indefinido, desde que a pessoa se polarize cada vez mais na castidade e abandone o pólo da fornicação.
Quanto mais nos polarizamos na castidade, tanto mais firmemente nela nos estabelecemos (isso inclui pensamentos, sentimentos, ações e PALAVRAS!). Inversamente, uma simples concessão à luxúria resulta em uma cadeia sucessiva de fracassos sexuais. Por tal razão, temos lutar muito para não nos deixarmos cair, pois, uma vez caídos, é muito mais difícil, mas não impossível, subir. Logo, um dos segredos é "não começar": não começar a pensar, não começar a falar e não começar a fazer as besteiras. Temos que nos adiantar aos defeitos.
Entretanto, os irmãos que fracassarem hoje, não devem desanimar. Devem continuar tentando, pois o dia D sempre chega para aqueles que nunca desistem. Se o irmão fracassou hoje, ontem, anteontem ou nos anos e décadas que já passaram, saiba que é porque sua compreensão dos processos ainda está se configurando, amadurecendo. Esse é o seu tempo , que cada um tem o seu.
Para muitos, o dia D pode demorar muito, seja pelo karma, seja por pactos tenebrosos de outras existências. Daí a importância de não desistir, ainda que se passe por muitos anos de fracasso. O que importa é sempre descobrir por onde se erra e prosseguir. Conforme disse o V.M.S., o problema não são as caídas, mas a falta de vontade de se levantar e prosseguir.
Jamais percamos a noção de nossa fragilidade em relação à luxúria e sempre nos lembremos de que matar um desejo não é de modo algum satisfazê-lo e nem tampouco reprimi-lo.
O péssimo hábito de checar se um defeito está morto
Algumas pessoas possuem o péssimo hábito de "checar" se um defeito sobre o qual estão trabalhando está realmente morrendo ou enfraquecendo. Tal "checagem" é realizada tentando-se "sentir", sob um pretenso controle consciente, se há algum resíduo de desejo, sentimento ou emoção correspondente ao defeito. Na verdade, tal atitude tem o efeito de acordar aquilo que estava adormecido e é uma forma de alimentar e evocar o defeito que deveria ser cada vez mais esquecido.
Algo semelhante acontece com os sintomas físicos de doenças: quanto mais atenção lhes damos, mais energia lhes conferimos. A identificação com uma doença física ou psíquica (o Ego é uma doença) atrapalha os processos de cura realizados pelo Ser.
Um segredo prático para sucesso na magia sexual
No passado, eu acreditava que a magia sexual intensa fosse adequada a nós, pessoas normais, fracas e luxuriosas. Hoje acredito que a prática do maithuna deve ser o mais suave possível, quase somente uma "carezza", e que a regeneração biopsíquica que ela promove é a mesma regeneração natural que se verifica em todo ser humano comum, somente diferindo por ser muito mais intensa e "turbinada" energicamente.
Uma dica que auxilia na magia sexual é ser capaz de retirar-se antes da satisfação plena, não prolongando o ato indefinidamente. Preserve a vontade para outro dia, não a esgote. Praticar magia sexual é como tomar banho quente em um dia bem frio: você quer sempre prolongar mais. É também similar a comer um alimento saboroso: você não quer parar até ter terminado de empaturrar seu estômago. Aí reside um dos erros, pois temos que aprender a moderar o desfrute dos prazeres. Se você não é capaz de um interromper um ato prazeiroso qualquer no momento certo, muito menos será capaz de se retirar do coito após um tempo pré-determinado. Outra dica que pode ajudar é estabelecer previamente o horário de término da prática e segui-lo a todo custo, ainda que o mundo desabe. Comunicar e pedir ajuda à parceira também costuma ser favorável.
O erro dos que fracassam consiste em tentar prolongar demais o ato, acreditando-se muito fortes.
Aprenda sentir satisfação em cheirar a maçã e não em comê-la.
Na prática do arcano, a excitação nunca dever ser alta e nem baixa, deve ser sempre média e constante. Se você estiver muito excitado, acalme-se.
O refinamento da energia sexual está diretamente ligado à santidade na prática do arcano. Quanto mais espiritual e intensa for a prática, mais evoluída estará a energia. Quanto mais animal, mais baixa estará.
Aprenda a sentir intenso erotismo espiritual e não animal.
Quebrando à resistência à conclusão de que se está em astral
O ser humano está geralmente condicionado a sempre acreditar que se encontra em corpo físico, no mundo tridimensional. Esta crença se reforça ao longo da vida, durante os estados de vigília, e se reproduz no interior dos sonhos. Trata-se de uma crença solidamente cristalizada, que guarda relação com outra crença: a de que somente existe este mundo, a de que somente o mundo físico é real. Ambas as crenças se reforçam em uma espécie de simbiose, de sinergia, resultando no adormecimento da consciência astral.
Se não sou capaz de conceber como real e concretamente existente um outro mundo, paralelo a este em que eu vivo, muito menos serei capaz de reconhecê-lo quando estiver inserido no mesmo. A crença na inexistência origina confusão, falta de discernimento. Condicionado pela crença de que somente a matéria densa é real, o materialista dorme profundamente e não reconhece as figuras astrais quando está diante delas, tomado-as sempre por objetos deste mundo e não daquele.
O despertar da consciência astral requer que se "quebre" o condicionamento do entendimento, que se abra para a existência objetiva do que está "além".
À medida que uma pessoa se desenvolve conscientemente no mundo astral, se dá conta, mais e mais, que o mesmo é real e concreto. As constatações se fixam em sua mente e se concretizam de modo a conduzir sua cognição à conclusão de que estar em um mundo paralelo não é um absurdo lógico.
A tendência comum da mente é duvidar da possibilidade de se estar em corpo astral. O ceticismo se origina do impacto realístico do mundo astral e da crença de que somente o mundo físico é real. Ambos, a crença invertida e o impacto realístico interno, se combinam e o resultado é a incapacidade de reconhecer a astralidade dos objetos percebidos.
O condicionamento da mente vai sendo revertido, à medida que a consciência vai sendo impactada pelo impacto realístico das experiências astrais conscientes. Quanto mais vezes uma pessoa sair conscientemente em astral, mais facilidade terá para se desdobrar nas próximas vezes. Cada percepção consciente do mundo astral facilita o seu reconhecimento na próxima oportunidade. É por isso que as pessoas que saem conscientemente com o uso de enteógenos com o tempo não precisam mais dos mesmos para fazê-lo.
Certos enteógenos podem despertar a consciência astral e, após essa consciência se fixar, o mesmo já não se faz necessário, uma vez que a crença na imaterialidade do mundo astral foi revertida. O que impede o discernimento é o ceticismo materialista, a crença na realidade do mundo tridimensional. É esta crença que necessita ser revertida caso queiramos discernir.
Refletindo sobre si mesmo
terça-feira, 31 de maio de 2011
Um erro dos estudantes gnósticos
domingo, 29 de maio de 2011
A relatividade da distância
A distância é uma ilusão da mente e não existe no mundo real. Dois objetos que nos parecem separados por um espaço, em um nível profundo de realidade, estão unidos.
Se a distância entre dois objetos existisse objetivamente, não poderia ser encurtada com o aumento da velocidade e seria sempre a mesma. A distância entre dois pontos poderá ser maior ou menor, consoante a escala espaço-temporal em que se vive ou à velocidade com que se desloca de um a outro.
Uma pessoa poderá transformar dois pontos distantes em pontos muito próximos, caso se desloque a grandes velocidades. Caso dê um salto e passe a viver na escala do seu Espírito, os pontos distantes lhes serão vizinhos.
Consideramos que São Paulo e Tóquio estão distantes porque estamos quase divorciados do nosso Ser.
O Ser tem o poder de transitar por diversas escalas de espaço e de tempo, de acordo com sua vontade. No mundo do Espírito, o passado pode ainda estar acontecendo e o futuro já ter chegado, ambos irmanados em um agora contínuo.
Nossa pobre consciência sofre, aprisionada em uma pequeníssima fração da Grande Realidade. Vivemos e nos movemos em uma parcela relativa do Todo. As distâncias que consideramos longas somente possuem sentido dentro da relatividade em que estamos aprisionados. Se nos libertássemos, poderíamos vivenciar o distante no aqui e o futuro no agora.
O mundo das relatividades não é o mundo verdadeiro, é o mundo das ilusões, dos pontos de vista.
Se o espaço e o tempo fossem absolutos, não poderiam ser alterados pela velocidade. Mas a verdade é que podem ser alterados pela velocidade. Quando estamos atrasados, pedimos ao motorista para que aumente a velocidade. Um lugar será ou não distante de outro em dependência da velocidade de deslocamento de que dispusermos.
Aprofundando a concentração
Diferenças e semelhanças entre concentração e distração
A distração e a concentração apresentam pontos em comum e também diferenças diametrais.
Vocês já viram uma pessoa distraída com algo, algum entretenimento? Observem-na: nada mais existe além do objeto do seu interesse. Ela se esquece de todo o resto do mundo. A concentração é semelhante à distração, no que se refere ao envolvimento, mas oposta a ela no que se refere à consciência. o distraído não está consciente do que faz, está esquecido de si mesmo, ao passo que a pessoa concentrada está percebendo plenamente o que faz.
Quando estamos distraídos, estamos com atenção plena, natural e espontânea naquilo que nos interessa, mas, ainda assim, não é correto dizer que estamos concentrados, pela simples razão de que não estamos conscientes do que estamos fazendo.
A diferença entre a concentração e a distração é a consciência, as semelhanças são o envolvimento, a absorção, a entrega e a espontaneidade.
O distraído está fascinado, esqueceu-se de si mesmo. O concentrado está plenamente lúcido, percebe aquilo que lhe interessa com profundidade crescente. Entretanto, ambos estão entregues e absortos.
Equivocam-se aqueles que imaginam a concentração como um ato de esforço, pois a concentração é um ato espontâneo e natural. Fazer esforço para se concentrar é sabotar a concentração.
Observem-se quando estiverem distraídos e verão que se encontram plenamente ocupados com aquilo que lhes interessa, como se estivessem concentrados, mas não o estão simplesmente porque estão fazendo aquilo inconscientemente, por impulso, e mantêm a consciência passiva, sem receber os fatos e sem perceber nada.
Quando estamos tentando nos concentrar e um pensamento nos atrapalha, dizemos que aquele pensamento nos distraiu, ou seja, roubou nossa atenção. Isso significa que a atenção foi desviada do alvo de nosso interesse para outro alvo que não havíamos planejado. Logo, a distração é também uma forma de focarmos atenção e nos oferece um parâmetro para entendermos o que seria uma atenção concentrada. Se quisermos entender o que é a concentração, basta observarmos o que é a distração. A concentração é o pólo contrário da distração, mas nem por isso deixa de ser semelhante a esta última, em certos aspectos. Ambas são similares e antitéticas, são especulares.
É importante entender o que é exatamente a concentração para se evitar esforços equivocados.
Para se desenvolver a concentração, é conveniente escolher objetos que nos interessem, pois se tentarmos nos concentrar em algo que nos molesta, algo enfadonho, teremos dificuldade, nos cansaremos e não teremos resultado.
As pessoas leigas costumam confundir uma pessoa concentrada com uma pessoa distraída. Se alguém caminha por uma estrada altamente lúcido e concentrado, os demais podem achar que ele está distraído com seus pensamentos, isso porque, aparentemente, os dois estados são semelhantes, mas diferem radicalmente no que tange à lucidez e a recordação de si.
O indivíduo concentrado percebe de forma intensa e objetiva aquilo que se propôs a observar, pois aprofunda a sua atenção e não mariposeia. Já o distraído mariposeia , muda de objeto constantemente e seu pensamento é superficial.
Há um certo tipo de divagação superior e objetiva na concentração, isenta de fascinação e totalmente distinta das divagações subjetivas da distração. Trata-se de uma viagem imaginativa que ocorre sem perda de consciência, sem queda na fantasia.
Poderíamos, para melhor entendimento, colocar as coisas assim: a distração é uma concentração inconsciente, enquanto a concentração é uma distração consciente (apenas para facilitar o entendimento, pois em realidade são opostos).
Concentrar-se é contemplar, observar com interesse.
A concentração está para a imaginação consciente assim como a distração está para a imaginação mecânica (fantasia).
Que ninguém suponha que a concentração seja um conflito com a mente, pois é a superação ou transcendência dos conflitos. Na concentração, tudo vai ficando para trás, inclusive os conflitos com a mente.
Um homem dirigindo em uma estrada, plenamente lúcido e relaxado, sem que nada o distraia, está altamente concentrado.
Tanto na concentração quanto na distração há receptividade, a pessoa está aberta ao objeto, porém na distração não há aprofundamento, a pessoa muda constantemente de objeto.
No cotidiano, temos que aprender a nos concentrar naquilo que estamos fazendo, sem distração, isto é, temos que contemplar a nós mesmos em cena, em ação. Então descobrimos muita coisa sobre o ego que antes não suspeitávamos.
A auto-observação é uma concentração em si mesmo, no que se está realizando.
Um motorista concentrado perceberá minuciosamente o que está fazendo. Esquecerá seus pensamentos, não se ocupará com eles, os deixará para trás. Somente perceberá o que estiver diretamente relacionado à sua tarefa ou ocupação naqueles momentos. Estará presente ao momento e ao lugar, vivendo o aqui e o agora. Perceberá profundamente o que faz, nuances e detalhes do ato penetrarão em seu campo de consciência. Seu campo de consciência abrangerá a estrada, os movimentos do volante, as acelerações e desacelerações, curvas, perigos etc. estará conscientemente entregue ao ato. Seu centro intelectual estará em repouso,enquanto seu centro motor e sua consciência estarão em atividade.
A concentração é o caminho para a meditação e não se consegue silenciar a mente sem antes desligar-se dos múltiplos pensamentos. Quem rejeita a concentração não conseguirá meditar.
Tenho visto pessoas tentarem meditar sem concentração e até rejeitando o sono, o que me parece um absurdo. A mesma similaridade antitética que existe entre a concentração e a distração, existe entre a meditação e o sono. A meditação é um sono consciente, enquanto o sono comum é algo assim como uma espécie de meditação inconsciente (digo isso para fins didáticos, pois a verdadeira meditação é consciente). Tentar meditar rejeitando o sono é forçar uma falsa meditação, cujo efeito é danificar o cérebro. A verdadeira meditação não cria transtornos psiquiátricos, mas a falsa meditação ou meditação sem sono sim. Por isso é tão importante compreender corretamente a teoria. Ninguém pode meditar de verdade sem baixar as ondas cerebrais e o metabolismo. Assim como no sono, os batimentos cardíacos, a respiração e muitas outras funções corporais reduzem-se durante a meditação.
Quando você ouvir falar em meditação, pense em algo análogo ao sono que você tem todas as noites, porém consciente.
O êxtase que se atinge por meio da concentração e da meditação não tem nada a ver, no que se refere à consciência, com os transes, sejam hipnóticos, mediúnicos ou de quaisquer outros tipos. Também entre o transe e o êxtase existem similaridades antitéticas, ambos são semelhantes e contrários.
A partir da concentração, chegamos à meditação e ao êxtase. A partir da fascinação, chegamos ao transe. O indivíduo em transe está absolutamente inconsciente, adormecido, enquanto o indivíduo em êxtase está hiperconsciente e hiperlúcido, ainda que seus centros e seu corpo físico estejam em repouso.
O V.M.R. nos diz que, quando criança, se concentrava, por medo, no som dos grilos à noite, ao deitar-se, e que tal concentração instintiva tinha por resultado o desdobramento astral consciente. Isso demonstra que a concentração não é algo artificial e nem forçado, mas sim espontâneo e natural. "Atenção plena, natural e espontânea, sem artifício de espécie alguma é a concentração perfeita", escreveu o V.M.S.
Por medo do grilo, o menino, bodhisattwa do V.M. Rabolú, se concentrava. O medo fazia com que o som se tornasse objeto do seu interesse e o levava a focalizar a atenção ali, esquecendo-se de todo o restante.
Se ainda assim a concentração não está clara para você, imagine o seguinte. Suponha que você tenha que carregar uma xícara cheia de água sem derrubar uma só gota e sob a mira de um arqueiro, pronto para disparar a flecha contra você caso não cumpra a meta. Você obrigatoriamente terá que se concentrar da forma correta! Se pensar na flecha, se desconcentrará.
Temos que diferenciar a atenção do esforço. Atenção é uma coisa e esforço é outra. Na concentração existe atenção pura, sem esforço nenhum, somente a atenção, separada do esforço e de modo algum mesclada ao mesmo.
A atenção pode existir na ausência total do esforço, da preocupação e até do desejo, pois o ato de prestar atenção é um ato de receptividade. Estar atento não é estar tenso, é estar receptivo, aberto a alguma coisa. Quando se diz "concentre-se", está-se dizendo "torne-se aberto para tal coisa".
O V.M. Rabolú nos fornece alguns parâmetros que permitem melhor compreender o que é uma prática da concentração. Ele nos diz que concentrar-se em um objeto é refletir sobre seus seguintes aspectos:
- o que é o objeto (em que consiste?);
- de que é feito o objeto (quais são os materiais que o constituem, de que é composto?);
- para que está feito o objeto (qual é a sua função, para que serve?);
- como funciona o objeto (de que maneira opera, como o mesmo atua?);
O estudante, concentrado, deve refletir sobre esses aspectos. Tais parâmetros "balizam" o pensamento sobre o objeto e o direcionam. O Mestre também sugere ao estudante que "entre" no objeto com a imaginação.
Em suma, concentrar-se, dentro desta concepção, é investigar reflexivamente o objeto. Muito provavelmente, o V.M. não restringia a prática a tais parâmetros, os quais parecem ser mais um ponta-pé inicial. Entendo que tudo o que for intrinsecamente inerente ao objeto pode ser alvo de reflexão sem que incorramos em desvio e desconcentração.
Em etapas profundas, o pensamento na concentração não é articulado, é um simples "dar-se conta" silencioso, receptividade pura.
Por meio do pensamento único ocorre o desligamento dos sentidos externos, do mundo físico e do corpo físico.
A recordação do Ser
Os desejos não são o Ser.
Os pensamentos não são o Ser.
A mente não é o Ser.
As emoções não são o Ser.
O corpo físico não é o Ser.
A Essência é o Real Ser em nós, o que há dEle em nosso interior.
Recordar-se de si é recordar-se da Essência.
Recordar-se de si é recordar-se de que se possui um Ser/Essência real, totalmente distinto do corpo, dos sentimentos, das emoções, da mente, dos pensamentos, dos desejos, das lembranças, dos sofrimentos, alegrias etc. É recordar-se desse "algo" que ultrapassa tudo e que somos, no fundo.
Mediante a recordação de si, a Essência se dissocia do Ego. Nos separamos do Ego quando nos recordamos de nós mesmos.
Quando nos recordamos de nós mesmos, rompemos com a fascinação e nos diferenciamos de tudo o que não é o Ser.
Não é possível observar algo com o qual estejamos identificados.
Identificar-se com algo é confundir-se com aquilo, perdendo a noção da diferença entre o que verdadeiramente somos e o objeto que nos fascina.
Nos identificamos pela fascinação (força hipnótica).
A fascinação "apaga" a consciência (adormece a Essência), impedindo-a de observar e contemplar.
O choque da recordação de si rompe com a fascinação e permite a contemplação consciente do objeto do qual nos diferenciamos.
A observação do Ego somente é possível mediante a recordação de si.
A Essência fascinada confunde-se com o Ego e sente seus desejos e sofrimentos.
Por ser uma parte do Ser Real (Espírito Divino ou Deus Interior), a Essência (alma pura e primordial) participa da mesma natureza natureza divina. A Essência é Deus em miniatura.
São características da Essência e, portanto, do Real Ser:
· silêncio interior (o que pensa não é o Ser);
· serenidade (o que se perturba não é o Ser);
· contemplação (observação).
Damos o choque da recordação de nós mesmos para romper nossa identificação com o Ego. Rompemos a identificação com o Ego para podermos observá-lo.
Aquele que se identifica com o Ego, sente-se como ego e se confunde com o mesmo. Identificado, sentirá como se os seus pensamentos, atos e desejos fossem ele mesmo, sua própria Essência, o seu próprio Ser Real ou Espírito, perdendo a capacidade de diferenciar-se dos mesmos.
O choque da recordação de si mesmo rompe tal vínculo fascinatório e equivocado, nos permitindo evidenciar que não somos os elementos que pensam, sentem e atuam dentro de nós.
Na recordação de nós mesmos, nos recordamos de nosso próprio Ser e rompemos a identificação com o ego, a qual é causada pela fascinação. Somente assim podemos começar a observá-lo e compreendê-lo.
A mente, os desejos, as emoções e o comportamento como um todo não podem ser observados quando os consideramos como parte do Ser e não como algo distinto.
Tratar a mente como um elemento estranho e o Ego como um conjunto de pessoas estranhas ("Eus") assinala o princípio do trabalho sério sobre nossa natureza interior.