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sexta-feira, 8 de abril de 2011

Tem alguma pergunta? Faça-a aqui.

Como este blog parece que ficou maluco, pois eu não consigo ativar os comentários em todos os posts, somente em alguns e não sei o motivo, resolvi deixar esta ala reservada somente para as dúvidas dos amigos praticantes.

Se você tiver qualquer dúvida e quiser me interrogar, pode fazê-lo aqui. Peço somente paciência, pois não tenho sempre tempo para entrar aqui e, além disso, não terei resposta para tudo...mas farei todo o possível para ajudar.


Gravar na consciência o cuidado com a mente

É comum que os aspirantes à verdadeira castidade foquem sua atenção no sexo e se esqueçam da mente, assim como é comum que não aceitem suas limitações e exijam de si mesmos a perfeição imediata.

Toda caída sexual, seja através da masturbação, da fornicação com a esposa, com a namorada, com uma amante ou de qualquer outra forma não mencionada aqui, tem como causa a mente. Após uma caída, se refletirmos, poderemos nos dar conta de como estava o funcionamento de nossa mente nos momentos, horas ou dias que a antecederam. Em que pensávamos, sobre o que falávamos e como agíamos? Descobriremos, então, que a caída foi o produto final, a síntese ou resultado de uma soma de atitudes luxuriosas que se somaram e conduziram a excitação até o nível máximo. E no fundo de todas essas atitudes luxuriosas estava a atividade mental.

Focar a atenção no sexo e esquecer da mente é cometer um erro estratégico. Temos que ir à causa, aos motivos, aos fundamentos das caídas e eles estão na mente. Os momentos em que caímos são os momentos em que a mente está obsessionada por imagens, cenas, recordações, fantasias e pensamentos luxuriosos.

Acreditar que se pode deter o sexo e ao mesmo tempo robustecer a atividade mental luxuriosa é ingenuidade, um erro que necessita ser corrigido. Temos que gravar firmemente na consciência que o nosso alvo se encontra na mente e não no sexo. Quando este conhecimento não fica fortemente gravado na consciência, não focamos a atenção onde devemos, a desviamos e não percebemos os processos de intensificação da luxúria até o resultado inevitável da caída. Logo, importa gravarmos firmemente na consciência que nosso alvo está na mente. Temos que priorizar a mente antes de tudo ou nada conseguiremos.

Sucede que, às vezes, acreditamos que estamos focados na mente e vigiando corretamente os pensamentos. Cremos, então, que estamos protegidos e seguros mas, com uma simples distração, perdemos a vigilância, nos abrimos para a luxúria e sofremos invasões.

Se quisermos o êxito, temos que esquecer a luxúria e isso se consegue disciplinando a mente e não tentando submeter o sexo, o qual é um reflexo do estado mental em que vivemos.

Sexo e emoção são coisas que não se submete e nem se reprime: se desenvolve. Se não os desenvolvemos voluntariamente para cima, se desenvolverão para baixo e nos arrastarão.

A luxúria é principalmente imaginativa. Quando pensamos em sexo, imaginamos cenas eróticas/pornográficas, tais pensamentos exercem um efeito sobre o entendimento, tornando-o enviesado, condicionado. Passamos, então, a ver a mulher e o sexo de uma forma específica, condicionada.

Nenhuma pessoa comum possui condições de contemplar cenas luxuriosas, mesmo que esteja avançando na Morte, devido aos efeitos da imaginação sobre o entendimento. O simples ato de ver já ativa a imaginação mecânica morbosa.

Dissolver a luxúria não é esforçar-se para se enquandrar em uma regra de comportamento "decente" ou moralista, é lutar para se tornar forte e independente das forças instintivas que nos levam à ruína e à submissão.

domingo, 13 de março de 2011

Os bloqueios ao Ego e a morte verdadeira

Há uma diferença entre bloquear e enfraquecer. Bloquear algo é barrá-lo, sem necessariamente retirar-lhe ou diminuir-lhe a força. Enfraquecer é retirar a força, despotenciar.

Quando retiramos gradativamente a força de algo, um ser vivo por exemplo, o tornamos cada vez mais inativo. Ao torná-lo inativo, não há necessidade de bloqueá-lo. Não é necessário bloquear aquilo que foi enfraquecido.

Bloquear é represar, como se faz com um rio: coloca-se um dique, mas não se diminui sua força. O dique deve ser cada vez mais reforçado e, à medida que o rio enche, sua força aumenta e a tensão também. Se o homem dispusesse de um meio para retirar a força com que um rio flui, represá-lo tornar-se-ia desnecessário: o rio deixaria de fluir a partir de um determinado ponto. A força que impele o rio é a força da gravidade, pois ele quer descer através do relevo, a água sempre procura as regiões mais baixas. Quando represamos um rio, aumentamos e força com que ele se opõe à barragem ao invés de diminuí-la, pois mais quantidade de água se acumula, pressionando mais. Em uma enchente violenta e anormal, a barragem se rompe, caso não se abram as comportas...

Com o ego, é algo igual. A maioria das pessoas represam desejos que consideram errôneos ou prejudiciais, aumentando sua força progressivamente, até que os mesmos rompam violentamente suas defesas. Esse foi um erro de muitos estudantes gnósticos: confundiram a verdadeira morte do ego com bloqueios de suas manifestações.

Quando enfraquecemos realmente um defeito, não necessitamos bloqueá-lo ou reprimi-lo, pois seus ataques são cada vez mais fracos. Aqueles que estão bloqueando seus desejos são justamente os que os possuem mais vivos e poderosos. Se esses estudantes querem a Morte verdadeira, devem corrigir o erro, aprendendo a enfraquecer o ego progressivamente.

Barrar ou bloquear o Eu é uma forma de auto-engano e de simulação da Morte verdadeira. Quem está barrando não está morrendo, está fingindo para si mesmo e para os demais.

Barrar, bloquear, reprimir, resistir e recalcar os impulsos são uma só coisa. Quem, dentro de nós, reprime os defeitos? Outros defeitos contrários. O bloqueio é um mecanismo do ego para continuar existindo.

Enfraquecer progressivamente os impulsos prejudiciais equivale a começar matá-los para transformá-los em impulsos favoráveis e beneficiantes. Quem, dentro de nós, enfraquece e mata os impulsos egóicos, que são irrefletidos e condicionados? A MÃE DIVINA! Não somos nós que os enfraquecemos e matamos e sim Ela. O indivíduo repressor de si mesmo despreza a Mãe Divina e tenta vencer o Mim Mesmo sozinho, sem recorrer à Força Superior. O resultado é o fracasso e a loucura.

Por que temos tendência de reprimir? Por que acreditamos que isso seja uma forma de enfraquecer e de matar o desejo e porque temos .medo de fortificá-lo caso removamos os bloqueios. Não nos damos conta de que, por tal mecanismo, o fortificamos, do mesmo modo que o fazemos quando nos entregamos ao desenfreio. Temos aprendido a resistir e a reprimir desde a infância, pela religião, pela cultura e pela moral, e agora nos condicionamos a isso.

Há então dois pólos, dois extremos: resistir e satisfazer. Temos que transcender esse par de opostos. Por um lado, identificar-se e satisfazer o Ego o nutre e o fortifica, por outro lado, reprimi-lo o represa até o ponto da explosão.

Remover a repressão não significa cair no desenfreio, na entrega à satisfação. Significa tão somente deixar de opor um desejo a outro desejo. Reprimir ou bloquear é tentar combater um ego com um ego contrário. É por isso que as repressões geram doenças emocionais, como vimos em muitos estudantes de Gnosis. E a culpa não é da Gnosis, mas sim da cultura repressora em que vivemos. Todas as culturas humanas adotam proibições, que não são mais que mecanismos repressores instituídos. A repressão não é algo restrito aos meios religiosos, a encontramos em qualquer grupo de seres humanos.

Quem imagina que remover os bloqueios é entregar-se ao desenfreio da satisfação está equivocado, pois são duas coisas completamente distintas. Não devemos alimentar nenhum dos dois lados, nenhum dos dois pólos. Em um dado momento, temos que eliminar tanto o Eu que resiste e reprime quanto o Eu que quer satisfazer-se. Não devemos tomar partido do Ego, de nenhum lado. Fiquemos fora da polaridade e nos guiemos unicamente pela compreensão.

Em em mecanismo qualquer de repressão, sempre estarão envolvidos dois egos, ou grupos de egos, opostos. Um eu reprime o eu contrário e gera uma tensão interior, que será tanto mais violenta quanto maior for a força empregada na repressão.

O eu que teme os resultados nefastos da fornicação e cobiça as benesses da castidade tenta reprimir o eu que deseja fornicar. Optar por um dos egos não irá resolver. Temos que observar e eliminar ambos. Se satisfazermos o eu repressor, o eu fornicário continuará existindo, ocultamente, e nos atormentando de múltiplas maneiras. Se satisfazermos o eu fornicário, por outro lado, nos tornaremos mais escravos de seus impulsos, ao mesmo tempo em que o eu repressor continuará nos atormentando com sua culpa. Não há felicidade em nenhum dos dois.

Como superar o vício condicionado da repressão? Observando e pedindo pela morte dos elementos psíquicos repressores, bem como dos seus contrários.

Como fazemos para eliminar ambos os pólos? Por meio da conhecida didática de observar e pedir, sem identificação.

Diante de um desejo qualquer, o indicado não é bloqueá-lo e sim nos dissociarmos. Dissociar-se do defeito é separar-se do mesmo, observá-lo de fora, como um elemento estranho. É romper com a identificação. Aí está o segredo.

Ao rompermos com a identificação, não reprimimos e nem tampouco alimentamos o inimigo interior. Como rompemos com a identificação? Primeiramente, nos recordamos de nós mesmos, saindo da fascinação. A fascinação é a forma pela qual os egos nos roubam a consciência. Romper com a fascinação é encontrar o caminho do meio. O caminho do meio, entre ambos os pólos prejudiciais, encontra-se na ruptura com a fascinação. Não fascinar-se é entrar por esta porta.

Entramos pela porta correta quando rompemos com a identificação e passamos a olhar os defeitos de fora, como algo alheio a nós, completamente distintos do Ser. É aí que se encontra a chave para não reprimirmos e nem tampouco fortificarmos.

Então, que se entenda corretamente:

1. Quando nos recordamos de nós mesmos (de nosso verdadeiro Ser, manifestado sob a forma de nossa essência), rompemos com a fascinação;

2. Quando rompemos com a fascinação, rompemos com a identificação;

3. Quando rompemos com a identificação, passamos a ver o defeito de fora, como algo alheio (do mesmo modo como o faríamos com o defeito de uma outra pessoa);

4. Quando vemos nosso defeito como algo alheio, podemos então observá-lo cada vez com mais clareza, compreendendo-o cada vez mais;

5. Ao observarmos os defeitos em ação, percebemos suas facetas, seus detalhes, suas múltiplas formas de agir e de se alimentar;

6. Ao percebermos as facetas, pedimos imediatamente por sua morte à Mãe Divina.

A Mãe Divina é que conclui a tarefa de eliminar um ego.

Um ego jamais eliminará outro. O eu da mansidão não eliminará o eu da ira, o eu da castidade não eliminará o eu da fornicão, os eus gnósticos não eliminarão o homem mundano e inferior que existe dentro de nós. Somente a Mãe Divina pode matar o Ego.

Temos que entender o que é "identificar-se". A palavra "identificar" significa encontrar. Identificar-se com algo é confundir-se com aquilo, é encontrar-se ali. Identificar-se com um ego é considerá-lo como parte de nosso Ser, o que é um erro, uma visão falsa e equivocada, pois o Ego e o Ser são opostos e incompatíveis.

O segredo para não cairmos na repressão e nem tampouco no desenfreio é não nos identificarmos com nenhum dos dois lados.

Se você quiser um alívio na sua alma, deve entrar por esta porta do meio. Não perca tempo fazendo esforços inúteis para reprimir, faça esforços corretos para não se identificar. Separe-se dos seus desejos, pensamentos, movimentos, emoções e instintos e passe a observá-los conscientemente. Contemplação é a verdadeira natureza do Ser. Não tente conter seus impulsos, apenas os observe conscientemente e peça pela Morte. Quanto mais se disciplinar nesse sentido, mais feliz ficará. Busque uma disciplina de ferro nesse sentido.

Em suma, disciplinar-se para resistir aos desejos é diminuir a compreensão dos mesmos. É muito melhor aprender a manter corretamente a atenção pura, livre de qualquer tensão ou preocupação.

quarta-feira, 2 de março de 2011

Formas de nutrir a luxúria

Você estará nutrindo a luxúria quando:
  • ver películas pornográficas
  • contar piadas pornográficas
  • usar palavras de duplo sentido
  • ficar pensando em lindas mulheres nuas
  • dar asas às fantasias sexuais
  • imaginar-se realizando tudo o que deseja com as mulheres que mais deseja
  • buscar situações que promovam excitação sexual cada vez maior
  • imaginar como seria experimentar práticas sexuais que nunca experimentou
  • imaginar situações em que suas fantasias sexuais fossem satisfeitas
  • manter conversas mórbidas
  • ficar olhando para as bundas e peitos das mulheres
  • tentar ver a calcinha das mulheres por baixo das saias
  • tentar enxergar a silueta corporal delas através de vestidos transparentes
  • lançar cantadas
  • elogiá-las sem necessidade alguma
  • agradá-las sem necessidade alguma
  • contemplá-las
  • ficar lembrando da mulher desejada
  • buscar situações que te deixem sexualmente excitado
Esses são alguns detalhes e correspondem a apenas alguns exemplos de como damos energia ao complexo da luxúria. Há muitíssimos outros mais no cotidiano, que podemos capturar com a auto-observação.

Normalmente, são manifestações inconscientes, isto é, acontecem em baixo do nosso nariz mas não as vemos. Com a auto-observação passamos a vê-las e as descobrimos progressivamente.

Temos que aplicar a morte em marcha em tais manifestações, sem reprimi-las.

Identificá-las e reprimi-as não adiantará nada. Ao invés de reprimi-las, peça pela morte à Mãe Divina e observe os efeitos acontecerem. Você as verá enfraquecendo.

Postem outras formas aqui.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

A necessidade de aceitarmos o que somos

A maioria dos aspirantes espiritualistas almejam atingir estados como o do Senhor Gautama, o Budha, ou do Senhor Jesus, o Cristo. Trata-se de uma meta maravilhosa mas que, curiosamente, pode tornar-se prejudicial se for tomada equivocadamente.

Ser alguém como Milarepa, Krishna, Cristo ou Budha é algo maravilhoso. Mas tornar-se obsecado por tal estado, estando ainda com a consciência adormecida e o Ego bem vivo, é criar graves problemas emocionais e psicológicos para si mesmo.

Nosso estado interior encontra-se muito distante dos elevados níveis dos turyas, santos, mahatmas e mestres. Somos mortais do lodo da Terra. Nossas metas devem ser realistas: pular apenas um ou dois degraus da escada, ao invés de ficarmos dolorosamente contemplando os últimos degraus. Após galgarmos nosso degrau imediatamente superior, teremos condições de galgar o próximo e assim por diante, continuamente e sem limite.

Os mestres não nascem do dia para noite, são o resultado de longos e lentos trabalhos de superação gradativa diária de si mesmo. normalmente ao longo de mais de uma existência. Esses estudantes que se torturam emocionalmente porque não conquistaram a maestria e nem mesmo o adeptado em 10 ou 20 anos, estão fora da realidade, alimentam perspectivas irrealistas. Analisemos mais de perto tal equívoco.

As perspectivas irrealistas escondem egos bons, que sentem urgência em avançar espiritualmente e nos torturam por não fazê-lo. Tais egos têm pressa no avanço espiritual, não por amor verdadeiro ao Ser e nem por um desejo intenso de unir-se a Ele, mas porque cobiçam as benesses da consciência desperta. Analisando tais defeitos, poderemos descobrir muito egoísmo disfarçado de impulso espiritual. Tais defeitos almejam uma libertação imediata da fornicação, da gula etc. Embora tais objetivos sejam nobres, legítimos e sublimes, podem se transformar em obstáculo ao crescimento interior, caso se tornam obsessões. Ao se tornarem obsessões, esses Egos rompem completamente com Egos contrários, que almejam a fornicação e a degeneração, e originam doenças emocionais de vários tipos.

Poderíamos denominar tais egos de "imediatistas". São eus de pressa, voltados especificamente à questões espirituais. Confundem-se facilmente com manifestações legítimas da essência e nos mostram que "entre o incenso da prece se esconde o delito" (V.M.S.). Realmente, o delitos se disfarçam de mártir e até se vestem com a túnica do Cristo, com o único propósito de nos fazer estancar espiritualmente.

Por incrível que pareça, há, dentro de nós, ao lado dos eus da luxúria, eus que rejeitam a fornicação e almejam a castidade e todas as demais virtudes. São egos moralistas que querem nos manter dentro dos preceitos do que aprendemos ser moralmente correto, de acordo com a lei do homem ou com a Lei de Deus.

Portanto, em nosso interior os egos formam polaridades: alguns querem nos arrastar para a direita e outros para a esquerda, alguns querem obedecer rigidamente à moral, enquanto outros querem subvertê-la completamente.

Aquele que principia o trabalho da morte pode tornar-se interiormente dividido, cindido, caso se ocupe em eliminar somente os eus imorais e tome partido dos eus moralistas/imediatistas. O imediatismo poderá criar sérios distúrbios emocionais ao estudante que se polarizar, uma vez que sua meta imediatista de tornar-se subitamente um budha jamais se realizará. O conflito entre as possibilidades reais de crescimento e a obsessiva intenção de crescer com urgência originará o distúrbio. Quando a realidade se choca com nossas obsessões, algo ruim sempre nos espera.

Tenho observado que muitos estudantes gnósticos desenvolveram distúrbios psiquiátricos com o passar dos anos e atribuo os mesmos principalmente ao obsessivo imediatismo, embora possam haver também outras causas. Depressão, ansiedade e outros transtornos, em um estudante gnóstico, podem estar relacionadas à uma cisão violenta entre os egos moralistas e os egos imorais. Como resolver? Dissolvendo os egos de ambos os lados.

Seria interessante informar também que o sentimento de culpa não é arrependimento. A culpa possui um referencial egoísta: o temor de sermos prejudicados pelos nossos próprios atos. O arrependimento vai além: quando nos arrependemos, não queremos mais realizar o ato prejudicial.

Entendo que a culpa é um defeito, um ego. Se me sinto culpado após realizar algo errado, isso se deve a crenças que carrego a respeito do caráter delituoso daquilo. Detalhando, esquadrinhando e explorando a culpa, descobrimos que sua natureza não é a mesma do arrependimento e nem do remorso.

Sentir-se culpado é sentir-se responsável por algo prejudicial ou errado. Esse sentimento, embora pareça sublime, é um sentimento inferior, composto por emoções inferiores. Os critérios a respeito do certo e do errado são construções culturais do Eu. Temos que eliminar a culpa, para que o arrependimento verdadeiro tome o seu lugar.

A culpa e o remorso podem se misturar, mas ainda assim são distintos. O remorso é o princípio do arrependimento, enquanto a culpa é algo assim como uma preocupação ou tristeza porque nos sentimos responsáveis por algo prejudicial a nós mesmos ou ao outro. A culpa não é exatamente a vontade de não realizar novamente o ato que reprovamos. Para diferenciar ambos, basta verificarmos o teor real do que sentimos após cometermos um erro: sentimos medo de suas consequências ou vontade de não realizá-lo mais?

Os egos imediatistas podem se vincular estreitamente aos eus de culpa, até mesmo se confundindo com eles. De todas as maneiras, correspondem àquela parte nossa que nos leva a ficar lamentando a perda de tempo e os fracassos, impedindo-nos de arregaçarmos as mangas e nos pormos à ação. Enquanto ficamos nos lamentando e pensando a respeito dos nossos fracassos, erros, perdas ou caídas, perdemos o tempo inutilmente na inércia e deixamos de agir.

O trabalho interior é realizado à base de pura ação, sem sentimentalismos lamentosos que nos estancam e nos atrasam.

Tomada pelo imediatismo, a pessoa não suporta seu estado atual. Ao invés de aceitá-lo em seu cru realismo, tenta desesperadamente evadir-se. Transforma isso em um grave problema emocional e sofre muito. Não aceita sua crua realidade interior, a rejeita por não compreender que a aceitação é o primeiro passo para a transformação. Se não aceitarmos o que realmente somos no atual estágio, se não admitirmos a realidade crua e desagradável do nosso estado interior, jamais podermos transformá-lo. Transformar-se é compreender e compreender é aceitar uma dada realidade que não se aceita e contra a qual erigiu-se muitos muros, defesas e resistências.

Na verdadeira Morte do Ego, retiramos tudo o que nos prejudica, sem piedade, mesmo que se trate de algo com aparência espiritual ou sublime. Não nos orientamos pela moral e nem pelo politicamente correto, nos orientamos unicamente pela compreensão. O trabalho consiste basicamente em vigiar e orar (observar e pedir à Mãe Divina), e não em cultivar sentimentos negativos de culpa, tristeza, derrotismo e fracasso. Se não formos capazes de realizar avanços fenomenais nesta existência, aceitemos os avanços que conseguirmos. O que importa é sempre estarmos melhorando mais, dia após dia. Se certos defeitos graves e reprováveis persistem, não importa. Melhoremos em outros aspectos, enquanto prosseguimos trabalhando sobre os renitentes, de forma disciplinada mas sem pressa. Há defeitos que levam vários anos e até uma vida inteira para serem dissolvidos.

O estudante que avança é aquele que sabe ser altamente disciplinado sem ter pressa alguma, que aceita sua crua realidade e opera sobre ela de forma realista, não fantasiando avanços absurdamente velozes. Aquele que procede assim, verificará que, quando menos espera, já realizou um grande avanço.

Não estou, de modo algum, desculpando os defeitos ou tratando de incentivar a negligência com relação ao mal que trazemos dentro. Estou unicamente chamando a atenção para a necessidade de sermos realistas, não pendendo para os extremos do otimismo e nem do pessimismo. Um otimista inconsciente, extremista, será negligente e fará muito pouco por si mesmo. Um pessimista extremista, será derrotista e igualmente fará muito pouco por si mesmo. Precisamos do equilíbrio, do caminho do meio, da síntese. E a síntese é uma postura realista.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Sobre o desapego a este mundo

Temos que alcançar a aceitação das perdas, nos tornarmos dispostos a perder tudo. No final, tudo o que conhecemos deste mundo nos será tirado, não há saída, não há alternativa, além de aprendermos a conviver com essa fatalidade.
A aceitação da perda implica em morrer completamente em si mesmo. Mas não poderemos morrer para este mundo se não chegarmos a compreender que o mesmo é uma ilusão, que não é de modo algum como se nos apresenta.
Isso que chamamos de "meu mundo", meus amigos, minha família, meu emprego, minha amada, meus entes queridos, meus prazeres, minhas diversões enfim, minha vida (horizontal), não passa de um engano, uma ilusão, melhor dito: uma mentira. Mas não compreendemos isso e o tomamos por uma verdade, e é justamente aí que reside o nosso sofrimento. Sofremos porque damos importância ao que não existe, ao que é falso. E lhe damos tal importância porque cremos ser real.
Aquilo que entendemos como sendo nossa vida horizontal é um conjunto de imagens e significados e não coisas em si mesmas. Nossa consciência está aprisionada no mundo relativo das formas e não alcança penetrar na realidade maior. Não somos capazes de perfurar o véu da ilusão para penetrar no mundo verdadeiro. Como consequência, não conhecemos o mundo verdadeiro e, aos primeiros contatos com o mesmo, o tememos. Tememos o desconhecido e nos sentimos à vontade no mundo conhecido, o qual entreanto é falso. Em outras palavras: nos sentimos à vontade no mundo de mentira.
Eliminar os sentimentos de apego à vida e à matéria é importante, mas não é tudo. Há que se desenvolver conscientemente em outras dimensões, adquirir uma vida consciente paralela em outros mundos e ali estabelecer alicerces. Nós, adormecidos humanóides ignorantes do lodo da Terra, estabelecemos nossa base no mundo físico. Amamos a vida física, adoramos o corpo, os prazeres e as sensações. O mundo sensorial é aquele em que nos sentimos familiarizados.
Entretanto, cedo ou tarde seremos arrancados deste mundo sensorial. Então, necessitamos estabelecer bases mais sensatas, no interno.
Os inexperientes e desconhecedores imaginam que o mundo exterior, o sensorial, seja o mundo real e objetivo. Ignoram que não percebem os objetos em si (por ex. seus parentes e amigos), mas sim imagens fabricadas pelos seus cérebros, imagens que correspondem tão somente a uma parcela ínfima do que as coisas são em si mesmas. Em si mesmo, qualquer objeto existente é inacessível, pois seu aspecto absoluto é infinito.
Deste modo, compreender a nulidade deste sistema de coisas é parte fundamental para se adquirir a verdadeira felicidade. Somente o conseguiremos se morrermos muito em nós mesmos e nos desenvolvermos conscientemente na parte espiritual.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Aprendendo a observar-se melhor

Podemos analisar as facetas de um ego após sua manifestação ou podemos observá-lo durante sua manifestação. Ambos trabalhos podem ser complementados, apesar da análise ter sua profundidade em dependência da observação.
No início, a análise de um ego é algo meramente intelectual. Com o aprimoramento da capacidade de meditar, este trabalho ultrapassa as fronteiras do intelecto.
A observação de um defeito ao vivo, em plena manifestação, pode substituir completamente a análise a posteriori quando se aperfeiçoa. Então, não necessitamos, posteriormente, pensar a respeito do defeito, pois todas as suas facetas já foram detectadas.
Compreender um defeito é compreender suas facetas e suas facetas são seus detalhes. É por isso que aqueles que rechaçam a observação dos detalhes fracassam na compreensão. Os detalhes aqui referidos são detalhes do que fazemos, pensamos e sentimos. Se você se observar em pleno delito, verá que esses detalhes são inúmeros e te desconcertam.
Quanto mais o sentido de auto-observação se desenvolve, mais detalhes consegue capturar. A captura de quantidades crescentes de detalhes é o exercício do sentido de auto-observação.
Se, em um determinado ato errôneo (defeituoso, pecaminoso) percebemos conscientemente 15 detalhes ou facetas, por que esperar até a noite para suplicar pela morte dos mesmos? É muito mais efetivo pedir imediatamente. É assim que aprendemos a morrer no cotidiano, o tempo todo.
Resistir aos detalhes, sufocá-los, é uma tolice porque eles não morrem desta maneira. Identificar-se com eles, satisfazê-los, é outra tolice porque eles também não morrem assim. Se for assaltado por um defeito forte, não perca tempo resistindo: separe-se dele, observe-o e peça por sua morte. Você comprovará que ele se enfraquece. Não se sinta sendo aquele desejo, faça esforços apenas para separar-se e observá-lo cada vez com mais clareza. Não faça esforços para imobilizá-lo. Separe-se e deixe-o dançar dentro de você, enquanto você o observa em detalhes e pede por sua morte.
Os defeitos não morrem quando os satisfazemos e nem tampouco quando os sufocamos dentro de nós. Eles somente morrem com o fogo letal da Divina Mãe Kundalini. Peça e Ela agirá, você verá o monstro que se agita dentro de você perder força aos poucos.
Vou dar um exemplo de observação de um ego bem feio. Suponhamos que você goste de ficar espiando sua vizinha pela janela, à noite. Você fica desesperadamente invadido de paixão sexual por ela. Quais são os detalhes que sua observação provavelmente captaria?
Vejamos. Talvez você comprasse um binóculo, este seria um detalhe. Você ficaria acordade até tarde, esperando a hora H, o momento em que ela trocaria de roupa, este seria outro detalhe. Você apagaria as luzes da sua casa para ninguém vê-lo, este seria outro detalhe. Caminharia silenciosamente, para não ser notado, eis outro detalhe. Que outros detalhes haveriam? Talvez você abrisse a janela suavemente, para não chamar a atenção, seu coração batesse mais forte no momento em que ela começasse a tirar a roupa, você perdesse o fõlego, sua respiração poderia mudar o ritmo, tremesse de nervoso, se recordasse de outras mulheres parecidas que você já viu nuas, experimentasse uma emoção com um sabor característico e peculiar, procurasse o melhor ângulo de visão, ficasse bravo e decepcionado se ela não tirasse a roupa ou se suas formas não correspondessem ao que você imaginava...seu pênis ficaria ereto! Tudo isso seriam detalhes deste ego particular. Bem...eu citei alguns detalhes neste exemplo hipotético, mas na prática apareceriam centenas. Quando mais você os descobrisse e pedisse, mais fraco ficaria esse desejo infeliz de espiar sua vizinha.
O avanço na observação dos detalhes requer aprofundamento daquilo que se enxerga, quer dizer, que se enxergue cada vez mais. Quanto mais detalhes enxergarmos, mais clara será a visão que teremos do defeito e mais profunda será a compreensão. O que importa é isso: observar com clareza crescente. É isso o que buscamos com os detalhes: clareza.
Na observação dos detalhes, não há nada depreciável: cada mínimo impulso, movimento, pensamento, sentimento, intenção, recordação, alteração corporal etc. deve ser observado rigorosamente. Dar-se por satisfeito com o que se descobriu equivale a estancar. A compreensão e elástica, quem quiser avançar, deve sempre compreender mais e mais.
Bem...dei um exemplo radical, para melhor entendimento, mas não precisamos chegar a tanto, isso depende do estado em que cada um se encontra. Qualquer pessoa, por pior que seja, pode começar este trabalho e modificar-se totalmente. Não importa se você é um grande pecador ou algo assim, se você se decidir a realizar este trabalho, irá se transformar, virar outra pessoa.
Tenha isso como meta: procure sempre ver mais, mais e mais, procure o novo.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Paralisia do sono: uma dica

Ontem, quando fui meditar, tive uma paralisia. Ao invés de tentar me mover, tentei relaxar mais, aquietar mais a minha mente e ficar mais consciente. Tomei a paralisia como um dos sinais de que a meditação estava se aprofundando e tentei aumentá-la. O resultado foi que ela sumiu imediatamente.

Lobsang Rampa afirma que a paralisia é provocada pelo desejo de reverter o processo do sono, o que faz com que a pessoa fique ansiosa e apressada para se movimentar, travando o processo: o sono não aprofunda e não reverte.

A paralisia resulta de um conflito entre o processo corporal do sono, que está avançando, e o desejo da pessoa, que é o de revertê-lo. Ou seja: a pessoa provoca o sono (porque se deita para dormir) e, quando o percebe, fica com medo e quer voltar. Há, portanto, uma contradição: sono X desejo de acordar. Logo, resolvendo esta contradição, resolvemos também o problema.

Pessoas experientes na prática da meditação e da viagem astral não sofrem com a paralisia, pois não desejam reverter o processo natural do sono assim que o percebem conscientemente, ao contrário dos iniciantes e novatos, que se assustam com o mesmo.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Aprendendo a concentrar o pensamento

Muitas pessoas se confundem quando querem concentrar o pensamento, não sabem exatamente o que fazer. Outros confundem o ato de concentrar o pensamento com o ato de concentrar a atenção. Tentarei esclarecer esses pontos.

Usamos a voz interior para pensar porque usamos a voz exterior (física ou material) para significar o mundo. Entretanto, existem pensamentos também na ausência da voz (tagarelice) interior. Há pensamentos não tagarelantes e, não obstante, interiormente "sonoros" e interiormente "visuais", que são percebidos pela clariaudiência e clarividência residuais do ser humano. Podemos silenciar o aspecto "tagarelante" dos pensamentos e, ainda assim, continuarmos pensando por meio de representações visuais e auditivas, neste último caso correspondentes a sons distintos da fala humana. A imagem mental de um pássaro cantando, por exemplo, não apresenta tagarelice alguma e, mesmo assim, é um pensamento e contém representações sonoras e visuais.

O pensamento único desenvolvido na concentração não é, necessariamente, tagarelante. Em uma oração concentrada, pode haver uso da fala interior em estágios iniciais do desenvolvimento. Em estágios avançados, essa fala é abandonada.

O pensamento desenvolvido sobre um objeto, sem o recurso da fala interior mecânica, é a mesma imaginação consciente. Se estiver imaginando processos relacionados ao nascer e morrer de uma planta, não necessitaremos da fala, bastando-nos os sons da natureza e as visões dos processos.

Quando se diz que "imaginar é ver", está-se dizendo que, por meio da clarividência, podemos ver claramente e objetivamente as imagens interiores. Tais percepções se dão através dos sentidos internos.

Concentrar o pensamento é mantê-lo, sob a forma de uma corrente prolongada e duradoura, sobre um objeto. Quando nos concentramos, focamos primeiramente a atenção sobre o objeto. Em seguida, passamos a pensar nele e somente nele, não permitindo desvios do pensamento. A função do pensamento passa então a ser direcionada de forma consciente e voluntária.

O pensamento aleatório e disperso é o que se chama de "imaginação mecânica" ou "fantasia". Não nos interessa.

Quando nos concentramos em um objeto, fazemos passar por nossa mente tudo o que está contido nele (sua história, utilidade, constituição, seu futuro etc.). O fluxo contínuo e direcionado do pensamento subtrai a consciência do corpo físico e das exopercepções, desligando-a de tudo o que não seja o objeto e fixando-a em tudo o que seja aquele objeto. Então, conscientemente, pensamos somente naquilo.

Se somente concentrarmos a atenção em um objeto físico sensível e não fizermos mais nada, teremos iniciado o processo de concentração mas não o teremos concluído, pois ainda falta-nos direcionar e desenvolver o pensamento a respeito daquele objeto.

Uma vez que o pensamento esteja bem firme no objeto, podemos até ir mais longe e descartar esse pensamento único. Então cairemos no vazio.

O que é a concentração do pensamento

Concentrar o pensamento é pensar conscientemente em algo, em um tema, sem mesclar o pensamento com outros temas. Este é o pensamento único.

Pensar de forma concentrada é pensar conscientemente. Pensar conscientemente é pensar sabendo-se o que se está pensando e não pensar a esmo. O pensamento único é o pensamento dirigido, voluntariamente conduzido. Não é, necessariamente, o pensamento estático, mas é necessariamente único, dirigido, voluntário e consciente. É o pensamento voluntário que nos tira do corpo físico. Mas não o confundamentos com a simples teorização.

A prática da concentração apresenta dois aspectos distintos, que não foram muito diferenciados pelos V.V.M.M. por falta de perguntas dos discípulos. Um é o aspecto atencional e o outro é o aspecto pensamental ou imaginativo. A imaginação consciente, da qual nos falaram os mestres, corresponde ao segundo aspecto, sendo o próprio pensamento conscientemente dirigido.

O sono não se instala se os pensamentos simplesmente forem bloqueados, o que se instala sob tal condição é o conflito, o qual nos impede de adormecer. Quem quiser aprender a viajar conscientemente para os mundos paralelos, deve aprender a dormir sem permitir que seus pensamentos vaguem a esmo. O controle da função mental (pensamental ou imaginativa), é fundamental e corresponde ao primeiro degrau da escala da iniciação.

Uma coisa é concentrar o pensamento e outra é concentrar a atenção. São duas coisas distintas, apesar de relacionadas. Obviamente, a concentração do pensamento exige concentração da atenção, mas concentrar a atenção não implica, necessariamente, em concentrar o pensamento, visto que podemos concentrar a atenção nos movimentos, em processo externos etc. sem necessariamente pensar a respeito daquilo. Por outro lado, é impossível concentrar o pensamento sem concentrar sobre ele a atenção, pois uma tal tentativa resultaria em dispersão mental. Para que o pensamento seja conscientemente conduzido, necessita-se atenção plena sobre os seus rumos.

O pensamento conscientemente conduzido em torno de um objeto conduz ao sonho lúcido e do sonho lúcido podemos passar à viagem astral, tudo é questão de entrarmos nas regiões oníricas mantendo a consciência. E da viagem astral podemos passar à meditação.

Concentrar-se sem desejar

Concentrar é observar continuamente.

Observar não é esforçar-se. Observar é receber. A receptividade não é desespero, ansiedade, é entrega.

A observação pura, isenta de ansiedade e desejo de observar, tem um sabor, uma qualidade distinta da observação preocupada. Há que se aprender a observação pura, sem mescla alguma de ansiedade, preocupação, esforço ou desejo de observar. A observação pura, uma vez aprendida, pode ser prolongada.

O prolongamento (dharana = manter) da observação prescinde, igualmente, do esforço, da preocupação, do desespero, da ansiedade e do desejo de prolongamento. Na verdade, a observação pura prolongada e o desejo de conseguí-la são antagônicos.

Desejar concentrar-se é sabotar a prática.

Concentrar-se pelo esquecimento

Ao invés de fazer força para prender a atenção no objeto, empenhe-se em esquecer tudo o que não seja o objeto.

A atenção pura, sem interferência do esforço, é conseguida esquecendo-se tudo o que não seja o objeto. Ao esquecermos tudo o que não seja o objeto, somente ele restará no campo de consciência.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Não acreditar-se capaz de conjugar castidade com imaginações morbosas

As caídas (ejaculações) são sinais de que a luxúria invadiu e dominou a mente por algum aspecto.
Mais do que controlar a ejaculação, busquemos eliminar a luxúria. Eliminando a luxúria, as ejaculações desaparecem.
Quando estamos há muitos dias sem ejacular (e portanto cheios de energia) e permitimos que a mente seja invadida pela luxúria (pensamentos morbosos de infinitos tipos), nos esquecemos de tudo o que não seja o objeto sexual do desejo. A única meta passa a ser a satisfação do desejo.
Um importante segredo para não cairmos é este: limpar constantemente a mente de quaisquer traços de luxúria, mesmo após muito tempo (dias, meses ou anos) de castidade. Se, após um certo tempo, nos sentimos fortes e viris e nos acreditamos muito capazes de deter a ejaculação, pode dar-se o infeliz caso de acreditarmos que seremos capazes de "resistir" aos impulsos ejaculatórios da luxúria mesmo se dermos "asas à imaginação" sexual.
Um importante motivo pelo qual os neófitos e adeptos caem sexualmente é a crença de que poderão dar asas à imaginação luxuriosa (pensar em sexo) sem cair ne ejaculação. Trata-se de um erro ao qual são induzidos pelo Ego.
Se houvermos guardado a energia sexual por um certo tempo (horas, dias, meses ou anos, não importa!) e começarmos a dar asas à imaginação luxuriosa, inevitavelmente cairemos na ejaculação novamente, seja pela masturbação, seja pela fornicação.
Se os pensamentos morbosos desapareceram de sua mente, não seja ingênuo: eles poderão voltar a qualquer momento, ainda que tenham sumido há muito tempo. Continue vigiando sua mente.
Não se preocupe tanto com o número de ejaculações que tenha, preocupe-se em limpar a mente, a fala e as ações da luxúria. A castidade virá por acréscimo. De nada adianta tentar forçar a castidade se não se está limpando a mente, o verbo, a palavra, os gestos etc. Tal tentativa resultará em fracassos e neuroses, nada mais, além de muitas ejaculações deprimentes!
A mente é a guarida do desejo. É ali, na mente, que temos que combater o inimigo e vigiá-lo, mesmo que ele pareça já estar morto.
Não pense nas ejaculações que teve e nem se preocupe com elas. Apesar de nefastas, são meras consequências com as quais não vale a pena se ocupar. Esqueça-as. Concentre seu empenho em vigiar a mente. Lamentar-se pelas ejaculações é cultivar eus de sofrimento que mais tarde terão que ser eliminados. É também perder o tempo com o que não interessa: com os resultados indesejáveis. Mais sensato é ocupar-se com as causas do problema.

sábado, 9 de outubro de 2010

A miséria do apego à matéria densa

No evangelho de Maria Madalena está escrito:

"Por isso adoeceis e morreis[...]. Aquele que compreende minhas palavras, que as coloque em prática. A matéria produziu uma paixão sem igual, que se originou de algo contrário à Natureza Divina. A partir daí, todo o corpo se desequilibra."

Os desejos são paixões pela matéria, em suas distintas formas. Os desejos são voltados para aquilo que é exterior, material. Desejamos mulheres, dinheiro, luxo. Desejamos também saúde e bem estar. Tudo isso é paixão pela matéria. A matéria produz em nós uma paixão sem limites, somos apaixonados pelo corpo físico e pelo mundo físico. Acreditamos que a felicidade se encontra na sensorialidade.

Quando sofremos uma imensa dor física, nossa atenção é violentamente forçada a se focar sobre o local da dor. Ali, onde está a atenção, está também o pensamento. Pensamos mil coisas sobre o problema físico, sobre a doença, lesão ou enfermidade. Estamos plenamente focados no sofrimento e não somos capazes de nos dissociarmos dele. Há uma atração forçada da mente, dos pensamentos e da atenção sobre o órgão ou parte do corpo afetada. Quanto mais atenção voltamos ao sofrimento, mais o intensificamos. A intensificação ocorre por nossa identificação com a matéria. E nos identificamos com a matéria porque estamos apaixonados por ela. Os seres humanos amam o mundo material de forma desesperada.

Quando morre um ente querido, nos desesperamos porque conhecemos tão somente sua parte ilusória. Nos apegamos à seu aspecto temporal, perecedouro. Tememos a morte pela mesma razão. Se nos desenvolvêssemos conscientemente em outros mundos, nos universos paralelos, as coisas seriam diferentes. Mas estamos apaixonados por este mundo e não pelo outro. Somos feridos pela morte por causa do materialismo arraigado em nossas almas.

Se não estivéssemos distantes d'Aquilo que é imperecedouro, imutável e eterno em nós, teríamos acesso ao que é imperecedouro, imutável e eterno no outro. O amor transcenderia o espaço e o tempo, a morte seria entendida como reencontro, como retorno ao lar.

O apego ao mundo e o medo de viajar ao Além, durante a meditação e as viagens astrais, bem como o temor da desencarnação originam-se do apego a este mundo sensorial.

Desenvolver-se espiritualmente é, entre outras coisas, dissociar-se da matéria densa e do veículo físico.

A apego à matéria nos leva à identificação com o corpo. A identificação com o corpo nos impele a buscar ardentemente os prazeres sensoriais e a sofrer com a dor física. Quanto mais prazeres buscarmos, mais dores teremos que sofrer como compensação, para restabelecimento do equilíbrio.

O Ego é o anseio pela vida, pelos prazeres dos sentidos. Quando o Ego morre, morre o apego ao mundo.

Apaixonar-se pelo que é perecedouro e finito é prender-se ao sofrimento. Mas somente poderia apaixonar-se pelo aspecto eterno da vida quem realizou o Eterno em si mesmo. O Ser é o sempre, algo que os materialistas nunca entenderão.

O Ser, que é Eterno, poderia eternizar o corpo físico e protegê-lo de todo desequilíbrio, se o Ego, que é paixão pela matéria, não interferisse. Por uma estranha contradição, aqueles que adquirem a imortalidade física são justamente aqueles que se desvincularam emocionalmente da vida material de forma absoluta, por meio da morte do Ego.

Quando Pistis Sophia desce até este Eon, ela se apaixona e sofre terrivelmente. A matéria possui um poder hipnótico.

A matéria a qual este artigo se refere é a matéria física e não a matéria espiritual. A matéria física existe para ser vencida, viemos a este mundo para vencê-lo. Vencer este mundo é vencer as paixões, os inimigos interiores.

domingo, 2 de maio de 2010

Sobre o estudo das emoções

Como nos ensinou o V.M.S., o centro emocional é como um elefante louco, difícil de amansar. Um homem racional, como eu, talvez não o considere assim, mas tal idéia se deve somente a falta de contato consciente com as próprias emoções.
As pessoas muito racionais, polarizadas no intelecto, tendem a acreditar que não possuem muitas emoções/sentimentos ou que sua parte emocional não seja muito ativa. Ledo engano! Na verdade suas emoções se processam inconscientemente, às vezes de forma muito intensa. No nível consciente, elas realmente podem ser muito frias, calculistas e, aparentemente, equilibradas. Mas, fora do campo de alcance da consciência, elas podem ser altamente emotivas e até infantilizadas.
Emoções que se processam sem serem percebidas conscientemente tendem a causar grande estrago, uma vez que não são vistas e seus efeitos somente se fazem sentir quando em fase avançada. São como doenças que se processam na penumbra.
Um erro que pode ser cometido na morte do ego por algumas pessoas é fingir para si mesmo que não se tem emoções, que se é altamente equilibrado, sereno, e muito pouco sentimental. Isso acusa pouco contato consciente com as próprias emoções, isto é, negligência em observar o centro emocional.
Sabemos que temos cinco centros, entre os quais o centro emocional (o "elefante louco"). A observação deste centro não pode nunca ser negligenciada.
O estresse e a correria do dia a dia, os múltiplos compromissos, os traumas da existência, as dificuldades de relacionamento, os reveses amorosos, as dores da alma, as traições etc. atingem e desgastam diretamente este centro.
É importantíssimo conhecer o jogo de ações e reações do centro emocional, o que pode ser conseguido pela observação direta deste centro em ação a todo momento. Em casos extremos, em que os problemas emocionais se acumulam, ao invés de serem resolvidos, e se transformam em enfermidades, atingindo até o nível físico sob a forma de somatizações, se faz necessária a psico-análise ou psicoterapia, para restabelecimento do equilíbrio. A psicoterapia é o estudo dos egos sob a supervisão de um profissional. Nem sempre é bom e nem recomendável revelar nossas mazelas interiores para alguém, mas nos casos graves isso se faz necessário. Todavia, devemos lembrar que o trabalho interno é algo intimo e que as revelações de cunho esotérico não podem ser divulgadas a ninguém, nem mesmo ao terapeuta. Mas um profissional pode nos ajudar a ter um melhor contato com as próprias emoções e a analisar o nosso Eu sob parâmetros e critérios distintos daqueles nos quais estamos viciados.
Um dos grandes obstáculos ao autoconhecimento é o condicionamento do entendimento dentro de certos parâmetros, critérios e paradigmas. Novas perspectivas de análise podem nos dar novas descobertas. O que importa é descobrir o novo dentro de nós mesmos, descobrir aquilo que não sabíamos antes sobre os nossos egos (no caso, sobre nossas emoções).
Quando estamos em uma situação emocional realmente difícil, sofrendo horrivelmente, e não conseguimos penetrar em nossos sentimentos nem a golpes de martelo, a análise dos sonhos pode ajudar muito. Diz o V.M.R. que nos sonhos as Hierarquias e as partes superiores do Ser nos revelam o estado em que nos encontramos. Podemos, através dos sonhos, descobrir sentimentos/emoções que estão se processando sub/inconscientemente. A forma em que uma pessoa aparece em meus sonhos revela o que sinto por ela. Explorar os sonhos ajuda a explorar as emoções. Por isso o sonho lúcido/viagem astral é tão importante.
Entendo que as análises desses conteúdos se justificam somente nos casos piores. Nas demais situações, a simples observação receptiva dá conta do problema, sem necessidade de ficarmos quebrando a cabeça, raciocinando e nem pensando. A observação é direta e rápida, enquanto a análise é algo lento. Para mim, a análise do Eu deve ser empregada somente em casos graves, de difícil penetração e que requerem certa urgência. É algo complementar às praticas de auto-observacao, morte em marcha, concentração, meditação e desdobramento astral. E a análise com o auxilio de um terapeuta apenas se justifica quando a pessoa não é capaz de efetuá-la sozinha.
Penetrar o centro emocional com a observação me parece mais difícil do que penetrar os demais centros. A emoção é algo sutil, que escapa. Identificar pensamentos, movimentos, processos corporais instintivos e impulsos sexuais é algo relativamente fácil, em comparação à tarefa de identificar as emoções.
A todo momento as emoções estão se processando, o centro emocional está reagindo às situações e eventos, mas experimentemos tentar identificar as várias emoções que estão se processndo para vermos se é algo tão fácil como parece... O materialismo racionalista atrofiou nossas percepções sutis e fez com que o mundo das emoções nos parecesse algo vago.
Observar as emoções e como observar o vácuo ou como tentar enxergar o vapor com os olhos físicos. O sentido da auto-observação está atrofiado e o resultado é nossa imensa dificuldade em ver as emoções tal como são.
Quem enxerga as emoções com objetividade não necessita rotulá-las. Simplesmente as vê com os sentidos internos com tanta objetividade quanto enxergaria uma pedra com os olhos físicos e não necessita identificá-las por nomes, visto que apenas uma parte ínfima das emoções existentes foram nomeadas pelos seres humanos.
Reprimir as emoções, fazendo de conta que não se as possui (como fizemos nós, os estudantes gnosticos por muito tempo) é o pior dos negócios. Elas continuarão existindo e dinamitarão a pessoa interiormente. O melhor é não se auto-enganar, observá-las em ação, enxergando-as em detalhes. Como ensinou o V.M.R., nos detalhes está a chave. Temos que observar os detalhes das emoções.
Durante as relações sociais, as emoções afloram espontaneamente e podem ser perfeitamente observadas. À medida que vão sendo observadas em seus detalhes, pouco a pouco e ao longo do tempo, vão sendo compreendidas com profundidade crescente. E à medida que vão sendo compreendidas, podem ser eliminadas pela Mãe Divina, sem necessidade alguma de recalques ou mecanismos repressivos. Dissolver é muito melhor do que reprimir. Somente a Mãe Divina pode dissolver (eliminar, decapitar, matar) uma emoção negativa. Aqueles que não apelam à Mãe Divina e não realizam a auto-observação, terminam não tendo outra alternativa além da nefasta repressão, com todas as suas desastrosas conseqüências. Observem o eletroencefalograma de um sujeito reprimido e comprovem o que estou dizendo.
Gostaria também de atentar para outro erro muito comum: acreditar que o controle das emoções inferiores é sinônimo de morte do ego. Na verdade, o controle das emoções está condenado ao fracasso, é simplesmente algo impossível. Não podemos controlar as emoções, podemos, no máximo, reprimi-las e elas, então, irão explodir de uma ou outra forma, por outros canais. Podemos, também, observar, contemplá-las e pedir pela morte do defeito correspondente (isso sim é recomendável). A Mãe Divina tem todo o poder de matar o defeito e acabar com as emoções correspondentes. Ao invés de perdermos tempo nesciamente tentando controlar as emoções, é muito mais sensato observar o centro emocional e orar.
É claro que neste texto estou me referindo às emoções negativas do Ego. Não estou me referindo de modo algum às emoções superiores do Ser. Estamos falando dos centros inferiores da máquina, do centro emocional inferior.
O centro emocional inferior possui emoções negativas e positivas. Como existem "eus" bons e maus, resulta que ambas as modalidades de emoções necessitam ser observadas, compreendidas em seus detalhes, e dissolvidas para que a essência comece a manejar este centro.
Lembremos que o Ego é nossa própria pessoa, esta pessoa que tanto amamos e que nos é tão cara, e que observar as emoções é observar tudo o que nossa pessoa sente: "Que estou sentindo, diante disto que está me acontecendo agora?"
Busquemos os sentimentos pequenos, sutis. Neles está a chave para a compreensão do todo maior da emoção.
As emoções podem ser comparadas aos sabores dos alimentos. Cada emoção possui seu sabor, indefinível porém exato. Ninguém poderia descrever o sabor da água, no entanto a água possui seu sabor. O mesmo se passa com as emoções: seus sabores não são claramente definíveis, mas são exatos para a consciência. Identificar uma emoção é dar-se conta de seu sabor e não identificar seu nome. Quais são os sabores da ira, do medo, da inveja, da tristeza? Toda emoção possui seu sabor e também impelem para a realização de algo, para a satisfação do desejo correspondente. O medo origina o desejo de fugir, de evadir-se. A ira origina o desejo de destruir, trucidar, vingar-se. A cobiça origina o desejo de obter algo. Cada emoção, com seu sabor característico, sucita um impulso que clama por satisfação. Enquanto o impulso não é satisfeito, sente-se no coração uma sensação de falta, um vazio. Qual é o sabor do vazio que impele para satisfação da luxúria? E qual é o sabor da luxúria em si mesma? Tudo isso é sentido profundamente no centro emocional. A percepção do sabor das emoções é parte imprescindível do processo de conscientização. E a conscientização é parte do processo de dissolução. Temos que dissolver as emoções, assimilando-as ao invés de reprimi-las. Portanto, observemos o sabor das emoções e para que elas nos impelem.
Obrigado pela atenção e que Deus os guie nesta jornada do autoconhecimento.





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quarta-feira, 21 de abril de 2010

Equilibrando os cinco centros da máquina

Ficar sem dormir ou dormir pouco provoca o desgaste de todos cinco centros da máquina. Quando dormimos, o ego se afasta do corpo físico e temporariamente deixa de desgastar os centros. Devemos dormir até que o sono se esgote totalmente. Não se guie pelo número de horas que os médicos recomendam, deixe que o centro instintivo te informe quando a necessidade de sono acabou.

Ficar pensando mil e uma bobagens todo o tempo, tagarelando interiormente, raciocinando sobre tudo, conceituando, discutindo, teorizando, transformando tudo em problema, analisando tudo etc. ao invés de manter a observação silenciosa de si mesmo, provoca o desgaste do centro intelectual.

São muitas as situações do dia a dia que desgastam o centro emocional. Podemos desgastá-lo sem o perceber, com reações emocionais constantes ao longo do dia, sejam de ira, medo, tristeza, alegria, frenesi, euforia, apaixonamento etc. Se você sofre com palpitações, arritmias cardíacas, ansiedade, depressão, síndrome do pânico, esquizofrenia etc. é bem possível que o desgaste do centro emocional seja a causa, ou uma das causas. Mediante a morte do ego, conseguimos dar um descanso para este centro. Descansamos este centro quando não o usamos, isto é, quando evitamos as emoções inferiores, principalmente as emoções intensas. Emoções inferiores são todas as emoções comuns, ligadas aos defeitos ou aos egos, sejam eles socialmente aceitos ou não. Cultivar as emoções superiores não desgasta este centro porque o centro emocional superior quase não é usado por nós.

Todas as emoções mundanas, boas ou más, são inferiores. Emoções relacionadas à vida horizontal, sem relação com o desenvolvimento espiritual, pertencem a esse tipo. Todas as emoções inferiores, quando exageradas, desgastam e prejudicam o cérebro emocional (o coração). Aqueles que apreciam emoções intensas e violentas, ainda que sejam emoções aparentemente boas, estão desgastando o cérebro emocional. Temos que dar um descanso ao coração, cultivando as emoções superiores e reduzindo as emoções inferiores a zero ou, pelo menos, ao mínimo.

Você estará desgastando o seu centro emocional quando:
  • ficar entusiasmado;
  • rir e dar gargalhadas em excesso;
  • assistir a filmes de ação;
  • brigar;
  • curtir tristezas;
  • assistir a filmes de terror;
  • ouvir músicas baixas e inferiores
  • enfim, sempre que ficar perdendo o tempo cultivando emoções que não sejam a devoção espiritual.

Você estará cultivando e desenvolvendo as emoções superiores quando:
  • orar;
  • contemplar a arte edificante;
  • ouvir música clássica;
  • meditar;
  • extasiar-se contemplando as obras da criação.
Ficar fantasiando sexo ideal, com mulheres lindas que fazem tudo o que desejamos, masturbar-se, fornicar e identificar-se com as fêmeas, pensar somente no sexo etc. desgasta o centro sexual. Resultado: disfunção erétil.

Para prevenir o desgaste, temos que usar os centros levemente, sem sobrecarrregá-los. Usar um pouco um centro, depois usar outro, depois outro...variando as atividades: praticar a magia sexual um pouco, depois ler mais um pouco, depois passear, depois ouvir uma música superior etc. Variando os tipos de atividades ao longo do dia, sem ficar muito tempo somente em um tipo de atividade. Se o seu trabalho desgasta a emoção, deixe de usar o centro emocional (inferior) durante os períodos de folga; se desgasta os movimentos e músculos, deixe de usar o centro motor; se desgasta o intelecto, deixe de usá-lo.

Se a magia sexual pode corrigir a impotência oriunda do desgaste do centro sexual (vide V.M. Samael - "Sim Há Inferno..."), então pode corrigir também o desgaste dos outros centros. Portanto, magia sexual e morte do ego são o caminho para equilibrar os centros da máquina. É o ego quem os desequilibra, com seus excessos e vícios de todo tipo.

Estresse

Os agentes estressores desequilibram os centros e prejudicam a máquina humana (o corpo físico). Experimente fazer uma lista de todos os agentes estressores externos e internos de sua vida e ficará surpreso ao constatar como você se agride e se destrói sem perceber.
Os centros da máquina estão desequilibrados por causa do estresse e a causa do estresse são os egos. Tenha uma vida simples, sem grandes cobiças mundanas e sentirá um grande alívio. Não acumule e não se comprometa, seja livre.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Começando com comprovações imediatas

A fé nas partes internas se desenvolve a partir do momento em que começamos a pedir e observar os resultados em seguida. Quanto mais estreita for nossa relação com as partes internas, mais rapidamente a fé se desenvolverá.
Convém começar pelas comprovações pequenas, acumulando certezas, de modo a irmos nos convencendo da existência e do poder das partes superiores do Ser. Não se pode começar com as grandes comprovações (ex. investigações nos arquivos akáshicos) porque a fé de que dispomos é pequena e fraca, então comecemos comprovando as coisas mais simples. A partir das comprovações simples se desenvolverão progressivamente certezas cada vez maiores, até que toda a concepção de realidade da pessoa sofra uma modificação. Há comprovações que podem ser obtidas imediatamente por qualquer pessoa comum. Um exemplo de comprovação simples e imediata é o poder da Mãe Divina de enfraquecer o detalhe de um defeito ou de aliviar um sofrimento, seja físico ou emocional.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Como a mente sabota a Morte e a meditação

A mente é como uma tela de televisão ou de cinema. Por esta tela da mente, passam sucessivas imagens ou cenas. O desenrolar das cenas segue rumos nem sempre coerentes. De uma cena, passa-se à outra, e à outra, e à outra...e assim sucessivamente, em uma procissão sem fim.
As cenas que passam na tela da mente são os pensamentos, lembranças e imaginações mecânicas ou fantasias. São infinitas imagens, fixas ou móveis, através das quais alimentamos os egos. Trata-se de manifestações dos egos no centro intelectual.
Como somos animais racionais, temos que colocar especial atenção no centro intelectual. Não é possível dissolver o ego se negligenciarmos a Morte neste centro. De nada adianta tentar manter-se casto quando se permite que na tela da mente permaneçam imagens de mulheres, sexo e delícias eróticas. O trabalho da Morte começa pela mente e termina na mente, apesar de também ter necessariamente que passar pelos outros centros.
Quando as imagens mentais desfilam sob o controle do ego, temos o que se chama imaginação mecânica. Trata-se de um tipo de imaginação involuntária, que ocorre sem participação consciente. São cenas que os Egos projetam e sobre as quais desfrutam e deleitam. O deleite do Ego sobre tais cenas se dá por meio da identificação. Identificar-se com as imagens mentais é um grande erro, pois fortifica os desejos.
Há também a tagarelice interior, composta por sons internos, vozes, e não por imagens. As vozes da tagarelice podem ser a nossa própria voz ou de outras pessoas, em situações hipotéticas passadas ou futuras ou em situações reais mescladas a situações possíveis. Tagarelice interior e fantasia se associam no processo de fortificação dos defeitos.
Por trás das imagens e falas mentais estão os Egos. O conteúdo da cenas indica qual é o desejo que está se fortificando.
A guarida dos desejos está na mente. O desejo é sentido intensamente no centro emocional, mas o fundo sobre o qual se embasa está no centro intelectual. Quando se mata o pensamento, se torna muito mais fácil matar o desejo em seguida. Quanto mais se pensa em um desejo ou problema, pior se torna a situação interior. Quantidade de imagens mentais explode na cabeça, somos invadidos e não sabemos como sair da situação. A chave é: calar a mente, não pensar.
Para que a mente não atrapalhe, temos que ter um foco de atenção. Se estivermos andando, trabalhando etc. o foco será a nossa pessoa (auto-observação e morte em marcha). Contudo, se estivermos meditando ou formos nos deitar, o foco poderá ser um Koan, um mantram ou um trabalho de imaginação consciente.
A imaginação consciente é diferente da imaginação mecânica. Nela escolhemos voluntariamente um objeto, algo para imaginar. Então fixamos a atenção nesta imagem, até enxergá-la nitidamente com os "olhos espirituais" (clarividência - todo mundo tem um pouco de clarividência que pode ser ativada momentaneamente com esta prática). Ao enxergá-la, então podemos começar a penetrar o objeto da imagem e acompanhar algumas revelações que vão ocorrendo através da imagem, escolhendo conscientemente por onde iremos penetrá-la. As revelações vão aparecendo e vamos aprofundando o processo. Se estivermos concentrados na imagem da chama de uma vela, podemos penetrar nessa chama representada em nossa imaginação, para ver o que se revela. Se for uma planta, podemos entrar na imagem da planta, como faziam Jacob Boheme e Goethe, descobrindo o que havia dentro desta imagem. O resultado será um desdobramento astral ou até uma viagem mais além. O trabalho de penetrar a imagem não tem necessariamente um fim, podendo haver penetrações sucessivas e cada vez mais profundas, até um nível em que há não haja espaço algum para nenhuma atividade mental. Ao ultrapassá-lo, já estamos na meditação, mergulhados na realidade. Quando se atinge tais alturas, o corpo está em sono profundo e o cérebro em ondas Theta e Delta. Há outros níveis além, e os hindus e tibetanos os designam por distintos nomes. Mas não vamos nos afastar tanto para "cima do telhado", já que somos todos principiantes e nem sequer sabemos nos concentrar direito.
Quando focamos a atenção em uma imagem, a mente lança múltiplas imagens distintas (pensamentos) para nos atrair a atenção. Se nos deixamos distrair, nos desviamos de nosso objetivo. Se nos ocupamos com tais imagens, tentando silenciá-las à força, criamos um conflito e igualmente nos desviamos. O indicado é manter-se focado no objeto e, no caso da insistência ser muita, silenciarmos o pensamento perturbador descobrindo o seu conteúdo. O que é que contém este pensamento insistente? De que se trata? Que imagens contém, o que almeja etc. Assim, com uma breve compreensão, ele deixa de nos perturbar e podemos descartá-lo. Importa, especificamente em tais casos, compreender a inutilidade do pensamento persistente, perguntando-nos com máxima sinceridade: para que serve este pensamento, neste momento? Qual a sua importância? A mente considera seus pensamentos importantes e temos que fazê-la compreender que o pensamento que insiste em perturbar não serve para nada.
Importa entender, aqui, que a mente é o nosso grande inimigo, o qual sabota implacavelmente o trabalho da morte e as práticas da meditação, sem trégua. Podemos considerar a mente como sinônimo do Ego, já que, em nosso estado, quase não dispomos de mente pura e límpida. Sempre que quisermos escapar momentaneamente do Ego, na meditação, ou quisermos matar alguns defeitos, a mente estará interferindo para impedir.
Se quisermos triunfar, a prática da meditação deve ser realizada várias vezes por dia e a Morte em Marcha em tempo integral. Se não for assim, fracassamos.

domingo, 4 de abril de 2010

A mente e o ego

Há uma diferença radical entre a mente e os sentimentos. A mente é a matéria-prima dos pensamentos, imaginações, raciocínios, lembranças e das nossas memórias. O sentimento é uma forma mais duradoura assumida pelas emoções. Emoções e sentimentos estão interligados, são quase uma só coisa. A mente radica na cabeça e as emoções no coração. Aqui se inicia uma confusão.

Acontece que os desejos são sentidos fortemente no centro emocional, sob a forma de emoções inferiores. Por serem sentidos no coração, aqueles que querem se livrar do desejo tentam sufocar os próprios sentimentos ao invés de matá-los. Contudo, a raiz do problema não está ali, mas sim na cabeça: são as imagens mentais. No fundo do sentimento se encontra a mente e é precisamente ali que temos que trabalhar.

De nada adianta tentar "não sentir nada" porque a origem do sentir está no pensar. Se não penso, não sinto. Se estou sentindo, é porque estou pensando. Se estou sentindo e não percebo pensamento algum correspondente, é porque o mesmo está se processando inconscientemente, nas sombras, sem que eu possa vê-lo. Temos que atacar o Ego em nossa cabeça, antes de tudo. Tentar "segurar" ou controlar o centro sexual, o emocional ou outros centros, enquanto se enche a cabeça de imagens que nutrem o defeito, é cometer auto-agressão e cair no fracasso. Pensar é a primeira, mas não a única, forma de nutrir defeitos.

Em "Tratado de Medicina Oculta y Magia Practica", o V.M.Samael ensina que todos os sofrimentos humanos radicam na mente e que nenhuma dor por preocupações terrenais, isto é, por apego à matéria, pode chegar ao Íntimo. Isto significa que sofremos porque pensamos no sofrimento, nos lembramos dele e que aquele que for capaz de não pensar, não será atingido, nem mesmo pelo sofrimento físico intenso das doenças. O V.M. ensina ainda que os pensamentos são a principal forma de alimentar e fortificar os desejos.

"La cueva del deseo está en la mente. El cuerpo de deseo es tan sólo un instrumento emotivo de la mente." (Tercera Parte: Plantas y sus Poderes Magicos - cap. intitulado "La Mente")

Portanto, tal como ensinam Blavatsky e Samael, a morte dos desejos requer antes de mais nada que acabemos com os pensamentos. Tentar combater emoções, sentimentos, vícios, impulsos etc. sem combater os pensamentos correspondentes é arrebentar-se interiormente. É isso o que fazem muitos religiosos e os pobres sofrem horrivelmente. Sugiro aos irmãos católicos e protestantes que buscam verdadeiramente a santidade que disciplinem os pensamentos antes de tudo. Matar os maus pensamentos é estratégico e todas as tentativas que não forem por aí fracassam.

Um homem poderá tentar deter seus impulsos sexuais, mas se não silenciar as imagens e tagarelices mentais relacionadas, se despedaçará interiormente e cairá ainda mais profundamente no vício.

A chave para a morte dos desejos é a morte dos pensamentos. E a chave para a morte dos pensamentos são a vigilância e a oração. Nós vigiamos (observamos) e oramos (pedimos). Então Deus os mata. É Deus que mata os inimigos interiores do homem, não é o homem que os segura. A parte humana somente pede e a parte divina atua.

Este ensinamento dos V.V.M.M. Samael e Blavatsky, converge com uma orientação do V.M.R. de que não devemos levar a mente ao sexo oposto durante prática do arcano. Na verdade, podemos expandir essa orientação para todos os âmbitos da manifestação do ego.

Sempre que estamos possessos, é porque, de algum modo, estamos levando a mente ao problema, ao objeto da ira, da preocupação ou do desejo. O primeiro a fazer, quando estamos obsessionados por um Ego, é focar a atenção na cabeça, na mente, e não levar a mente ao objeto desencadeador do desejo ou do impulso.

Se você está obsessionado, é porque está pensando naquilo de algum modo. Coloque sua atenção na cabeça um pouco, aquiete seus pensamentos a respeito e você verá que a situação irá melhorar dali há pouco.

Suponhamos que você esteja tomado de luxúria por uma mulher. Obviamente, você está pensando nela de diversas maneiras e não conseguirá observar nenhum centro se continuar com tais pensamentos. Use a pequena margem de livre arbitrio que possui e pare seus pensamentos, interrompa-os. Então você verá como irá melhorar! Em seguida, poderá observar-se e estudar essa luxuria nos demais centros.

A mente é estratégica para a Morte. Começamos a mudar pelo centro intelectual. Tentar começar pelo centro emocional, pelo centro sexual ou pelo centro motor é absurdo.

Quando eliminamos um defeito, resta ainda na mente sua recordação. A recordação do sabor daquele desejo permanece no fundo da mente e mais leve pensamento pode acordá-la.


A quem orar?

Não importa qual seja a sua religião, você deve orar à sua Grande Origem, à Fonte de onde você emanou.
Os V.V.M.M. sempre nos disseram que temos que orar às diversas partes superiores do Ser (Mãe Divina, Íntimo, Pai Interno, entre outras partes). Se este conceito te incomoda, pela educação religiosa que você teve, simplesmente ore Àquele (ou Àquilo) que te originou e não perca seu tempo complicando a questão com especulações teóricas, já que quebrar a cabeça com uma questão tão gigantesca é inútil.
As formas religiosas da Terra são somente aproximações, modelos limitados mas importantes. Servem para nos balizar na busca por um poder maior que nos ultrapassa e do qual somos provenientes.
Não importa muito se você se apóia na Bíblia, no Alcorão, nos cânones budistas ou hinduístas. O que importa é que você dirija seu coração à sua Grande Origem, à Força que te originou, de onde sua alma provém. Se você é protestante e ora ao Criador, você não está em desacordo comigo.
Não devemos condenar àqueles que possuem uma idéia de Deus diferente da nossa. Eles não estão errados, já que Deus, sendo a origem de todas as formas existentes, não tem forma e pode assumir a forma que queira, para o povo que quiser. É por isso que há várias religiões no mundo. Como tudo veio de Deus, é claro que tudo está contido nEle, todas as formas estão ali, em estado latente, potencial, e podem ser adoradas. Sempre que se busque o alto, o sublime, a melhora, a perfeição (sem fazer da perfeição uma neurose...) se estará buscando o Deus verdadeiro.

quarta-feira, 17 de março de 2010

Duas formas distintas de lidarmos com os pensamentos

Uma é a forma de tratarmos os pensamentos quando estamos buscando a Morte. Outra é a forma de tratá-los na meditação, quando queremos nos desvincular deles temporariamente. Uma coisa é escapar do ego para experimentar o que está mais além e outra coisa, muito diferente, é matá-lo. Não devemos confundir ambas as coisas.
Na meditação, não nos detemos pedindo pela eliminação dos defeitos que se manifestam sob a forma de pensamentos, posto que nossa meta é somente escaparmos deles por um tempo. O que buscamos nessa prática é separar a essência (o que temos de alma e de real dentro de nós) dos defeitos, o que se consegue rompendo-se toda identificação. Após nos posicionarmos e relaxarmos profundamente, o próximo passo é concentrar o pensamento e a atenção. Conforme a concentração avança, as identificações e fascinações são rompidas, as frações dispersas de essência se juntam e a atenção se intensifica e focaliza, enquanto o silêncio mental se aprofunda. Entretanto, isso não significa que as porções de essência que estejam enfrascadas em cada defeito sejam desenfrascadas. O que se passa é que porções de essência livre (desenfrascada portanto) porém adormecida, que vagueavam dispersas dentro do Ego (entre os defeitos e não dentro de cada defeito), nos diversos níveis sub/inconscientes, levam um choque, se unem e focalizam, como a luz de um laser. Este não é um processo de Morte dos defeitos. Portanto, na meditação, esquecemos dos defeitos completamente, não pensamos neles.
Se conseguimos um relativo silêncio mental e ainda assim não temos nenhuma revelação ou experiência espiritual, isso significa que nossa concentração não é plena, pois há ainda muitas partes da nossa essência livre (os três por cento) que estão perdidas nos níveis mais profundos, fascinadas em meio aos pensamentos submersos. Temos, então, que descer a esses níveis mais profundos e chamar a atenção dessas partes desatentas. Como se faz isso? Por meio do sono. Sem o sono, não é possível descer a esses níveis. Se não houver sono, ficaremos somente aqui fora, nos níveis mais superficiais.
Na concentração plena, todo o percentual de essência livre direciona sua atenção a um mesmo ponto. Se existirem partes da essência livre com atenção dispersa, fascinadas, a atenção não será plena. Portanto, a atenção plena somente se consegue quando se desce a níveis mais profundos e se "puxa" a atenção ao objeto que nos interessa. Entretanto, ninguém conseguirá descer e direcionar a atenção se não dispor do sono, pois o sono é a ferramenta que nos permite entrar nas regiões do inconsciente, onde estão as porções de essência livre distraída.
Quando toda a atenção estiver plenamente focada, então a concentração é perfeita e chegou a hora de saltar no vazio para cair além.
Na Morte, ao contrário, não almejamos simplesmente nos separar dos pensamentos, mas sim encarar e dissolver os defeitos que se manifestam no centro intelectual. Por isso é que os observamos em ação e suplicamos por sua morte. Aqui, o tratamento dado aos pensamentos é outro e é exatamente o mesmo tratamento que damos às manifestações do ego nos demais centros: observar e pedir pela desintegração.
Isso de tentar não sentir luxúria ao mesmo tempo em que se permite que pensamentos de luxúria distraiam a essência é um absurdo. Não existe tal coisa. Se permitirmos que os pensamentos distraiam nossa atenção, seremos incapazes de nos livrar de seus resultados nefastos. Por atenção entenda-se: essência livre, já que é dela que provém a atenção consciente e silenciosa no aqui e no agora.
O motivo pelo qual fracassamos tanto no combate à luxúria, bem como aos outros egos, é que não limpamos a mente continuamente. Permitimos, vez por outra, que a mente fique suja com imagens morbosas. Um pequeno instante de descuido é mais que suficiente para nos levar à fornicação, à masturbação e a outros problemas parecidos. Caímos porque não limpamos a mente em tempo integral. É claro que também não devemos descuidar de outros centros, mas a mente é fundamental, por ser estratégica. Manter a mente limpa é estratégico.
Quando olhamos para uma mulher e sentimos luxúria antes mesmo de emitir qualquer pensamento visível, tal reação resulta de uma forma de entender a situação, de encarar a mulher, de contemplar suas formas... e isso é algo, antes de tudo, mental! Neste caso, embora as imagens morbosas somente apareçam um pouco depois da reação nos outros centros (pois o centro intelectual é lerdo), elas existem em níveis submersos sob formas viciadas e tendenciosas de entendimento. A luxúria é uma forma (errônea) de entender o sexo, o amor e a mulher (ou o homem).

É importante, então, não esquecer que, tanto na meditação quanto na morte, rompe-se toda identificação com os pensamentos e não se permite que os mesmos fascinem a essência à vontade. Nos dois casos, se combate a fascinação e a distração.
Espero ter ajudado e boa sorte no caminho, meu irmão.

quarta-feira, 3 de março de 2010

O hábito de olhar para o corpo feminino

O ato de olhar para certas partes do corpo das mulheres reforça tremendamente a luxúria no dia a dia.
Observando-nos, percebemos que antes de cometer o ato de olhar, sentimos o desejo incontrolável de fazê-lo. Este desejo não deve ser reprimido (sufocado) e nem tampouco satisfeito.
O desejo é sentido como emoção. Sufocando-a, iremos simplesmente represá-la até o ponto de explodir. O mais indicado é desbloqueá-la e observá-la "de fora" (sem identificação) em plena ação, captando suas facetas e detalhes, enquanto pedimos pela dissolução de cada um deles.
O bloqueio a ser removido é o bloqueio emocional.
Devemos observar o desejo agindo dentro de nós, porém sem permitir que ele se realize, pois isso irá fortificá-lo e nos escravizará ainda mais.
Então, se queremos dissolver a luxúria, não podemos permitir que este desejo de contemplar as formas femininas passe ao segundo nível, isto é, que se realize com o ato de observá-las.
Sem fazer nenhum esforço para sufocá-lo, pedimos por sua morte. Então ele enfraquecerá e não passará ao segundo nível, que é o nível da satisfação por meio da ação. Permanecerá no primeiro, que é o nível em que apenas sentimos o desejo mas não o realizamos na prática.
Esse vício de olhar para o corpo das mulheres é um grande problema e traz muito sofrimento.

segunda-feira, 1 de março de 2010

O vicio da masturbação - algumas considerações

Apesar de ouvirmos por todas as partes que a masturbação é algo muito bom e saudável, nos atrevemos aqui a enfatizar a idéia contrária: a de que esta prática é um vício e nos prejudica física e espiritualmente. Sendo assim, é bom descobrir os meios de libertar alguém deste vício, tão elogiado pelos sexólogos. 

O ato da masturbação fortalece a luxúria de um modo geral e não somente os "eus" específicos de masturbação, embora estes últimos também sejam reforçados. O masturbador é alguém que se condicionou a excitar-se com imagens mentais eróticas. O conteúdo de suas fantasias varia imensamente e abrange a forma geral e ampla de sua luxúria. Por meio do ato masturbatório, o masturbador satisfaz seus desejos sexuais mais intensos, lhes dá vazão. Importa, portanto, àquele que quer libertar-se, observar o conteúdo de tais fantasias para conhecê-las.

A prática da Morte em Marcha deve operar-se muito antes da obsessão. As pequenas reações que impelem ao ato devem ser eliminadas o quanto antes. Tais reações provém dos íncubus/súcubus que obsessionam a mente do masturbador e vampirizam suas energias. Toda recordação, por menor que seja, deve ser retirada, pois a castidade se consegue por meio do esquecimento total. É por meio do pensar que se atrai elementos psíquicos funestos.

Uma vez que a pessoa esteja há vários dias sem cair novamente nesta prática, sentirá a força no órgão sexual impelindo-o à ejaculação. Deve, então, intensificar mais ainda a morte ou retornará ao ponto de partida. Para pular a oitava, isto é, dar um passo verdadeiro, é preciso ultrapassar as fases em que somos atraídos de volta. Entretanto, se a pessoa cair, não deve ficar preocupada e nem lamentar-se, pois todo crescimento espiritual é tortuoso. Dá-se vários passos para frente e em seguida alguns para trás. Os passos para trás são resultado natural dos ensaios e não são perdas totais: fica a experiência, a qual facilitará o avanço posterior.

O momento em que a pessoa cai nesta prática são os momentos em que a vigilância é esquecida: pode ser à noite, antes de dormir, de manhã, logo ao acordar, durante o banho etc.

Sabemos que não devemos reprimir os desejos, mas tampouco devemos satisfazê-los. É útil remover bloqueios emocionais e admitir tudo com a máxima sinceridade, para que a observação seja perfeita. Entretanto, quanto mais alguém satisfazer um defeito, tanto mais escravo do mesmo será. Deter-se "curtindo" (saboreando) um desejo ou suas imagens mentais, sob o pretexto de observar-se, é cair em um erro grave, que resulta em estancamento e até em retrocesso espiritual. O masturbador comete este erro, já que se compraz em contemplar imagens eróticas, seja na tela de sua mente, seja na tela de uma televisão ou nas folhas de uma revista. Aquele que quer libertar-se deste vício, deve retirar todos os canais que o alimentam.

Muitas vezes, o desejo do masturbador não é exatamente masturbar-se e sim satisfazer fantasias eróticas que gostaria de realizar concretamente mas não o consegue. O masturbador fantasia relações e práticas com mulheres que deseja ardentemente e lhe são inacessíveis. A masturbação é a realização virtual das metas sexuais inatingíveis e, portanto, dos desejos sexuais mais reprimidos e insatisfeitos. Sem afrontá-los, não é possível libertar-se.

Por trás do ato de masturbar-se, estão as fantasias eróticas específicas, as quais desempenham um papel preponderante no vício e sobre as mesmas é que importa operar. Os viciados que queiram libertar-se, necessitam enfraquecer e abandonar suas fantasias sexuais. Quem cultiva fantasias sexuais, jamais se libertará do vício masturbatório. Quando as fantasias sexuais deixam deixam de ser alimentadas e perdem força, o vício também se enfraquece. O caminho para se libertar desse vício tão nefasto é, portanto, deixar de alimentar as fantasias eróticas, fazendo com que elas enfraqueçam até desaparecerem.