Blog destinado a temas de interesse de gnósticos e simpatizantes. Se você sofre por não ter sucesso na Morte do Ego e se preocupa porque o tempo está passando, ou se é simplesmente alguém que quer se livrar de problemas emocionais e desejos prejudiciais que te afligem, você veio ao lugar certo. As idéias aqui contidas expressam apenas a opinião pessoal do autor e não substituem de modo algum a orientação de um mestre de consciência desperta.
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segunda-feira, 31 de janeiro de 2011
Aprendendo a observar-se melhor
No início, a análise de um ego é algo meramente intelectual. Com o aprimoramento da capacidade de meditar, este trabalho ultrapassa as fronteiras do intelecto.
A observação de um defeito ao vivo, em plena manifestação, pode substituir completamente a análise a posteriori quando se aperfeiçoa. Então, não necessitamos, posteriormente, pensar a respeito do defeito, pois todas as suas facetas já foram detectadas.
Compreender um defeito é compreender suas facetas e suas facetas são seus detalhes. É por isso que aqueles que rechaçam a observação dos detalhes fracassam na compreensão. Os detalhes aqui referidos são detalhes do que fazemos, pensamos e sentimos. Se você se observar em pleno delito, verá que esses detalhes são inúmeros e te desconcertam.
Quanto mais o sentido de auto-observação se desenvolve, mais detalhes consegue capturar. A captura de quantidades crescentes de detalhes é o exercício do sentido de auto-observação.
Se, em um determinado ato errôneo (defeituoso, pecaminoso) percebemos conscientemente 15 detalhes ou facetas, por que esperar até a noite para suplicar pela morte dos mesmos? É muito mais efetivo pedir imediatamente. É assim que aprendemos a morrer no cotidiano, o tempo todo.
Resistir aos detalhes, sufocá-los, é uma tolice porque eles não morrem desta maneira. Identificar-se com eles, satisfazê-los, é outra tolice porque eles também não morrem assim. Se for assaltado por um defeito forte, não perca tempo resistindo: separe-se dele, observe-o e peça por sua morte. Você comprovará que ele se enfraquece. Não se sinta sendo aquele desejo, faça esforços apenas para separar-se e observá-lo cada vez com mais clareza. Não faça esforços para imobilizá-lo. Separe-se e deixe-o dançar dentro de você, enquanto você o observa em detalhes e pede por sua morte.
Os defeitos não morrem quando os satisfazemos e nem tampouco quando os sufocamos dentro de nós. Eles somente morrem com o fogo letal da Divina Mãe Kundalini. Peça e Ela agirá, você verá o monstro que se agita dentro de você perder força aos poucos.
Vou dar um exemplo de observação de um ego bem feio. Suponhamos que você goste de ficar espiando sua vizinha pela janela, à noite. Você fica desesperadamente invadido de paixão sexual por ela. Quais são os detalhes que sua observação provavelmente captaria?
Vejamos. Talvez você comprasse um binóculo, este seria um detalhe. Você ficaria acordade até tarde, esperando a hora H, o momento em que ela trocaria de roupa, este seria outro detalhe. Você apagaria as luzes da sua casa para ninguém vê-lo, este seria outro detalhe. Caminharia silenciosamente, para não ser notado, eis outro detalhe. Que outros detalhes haveriam? Talvez você abrisse a janela suavemente, para não chamar a atenção, seu coração batesse mais forte no momento em que ela começasse a tirar a roupa, você perdesse o fõlego, sua respiração poderia mudar o ritmo, tremesse de nervoso, se recordasse de outras mulheres parecidas que você já viu nuas, experimentasse uma emoção com um sabor característico e peculiar, procurasse o melhor ângulo de visão, ficasse bravo e decepcionado se ela não tirasse a roupa ou se suas formas não correspondessem ao que você imaginava...seu pênis ficaria ereto! Tudo isso seriam detalhes deste ego particular. Bem...eu citei alguns detalhes neste exemplo hipotético, mas na prática apareceriam centenas. Quando mais você os descobrisse e pedisse, mais fraco ficaria esse desejo infeliz de espiar sua vizinha.
O avanço na observação dos detalhes requer aprofundamento daquilo que se enxerga, quer dizer, que se enxergue cada vez mais. Quanto mais detalhes enxergarmos, mais clara será a visão que teremos do defeito e mais profunda será a compreensão. O que importa é isso: observar com clareza crescente. É isso o que buscamos com os detalhes: clareza.
Na observação dos detalhes, não há nada depreciável: cada mínimo impulso, movimento, pensamento, sentimento, intenção, recordação, alteração corporal etc. deve ser observado rigorosamente. Dar-se por satisfeito com o que se descobriu equivale a estancar. A compreensão e elástica, quem quiser avançar, deve sempre compreender mais e mais.
Bem...dei um exemplo radical, para melhor entendimento, mas não precisamos chegar a tanto, isso depende do estado em que cada um se encontra. Qualquer pessoa, por pior que seja, pode começar este trabalho e modificar-se totalmente. Não importa se você é um grande pecador ou algo assim, se você se decidir a realizar este trabalho, irá se transformar, virar outra pessoa.
Tenha isso como meta: procure sempre ver mais, mais e mais, procure o novo.
terça-feira, 18 de janeiro de 2011
Paralisia do sono: uma dica
Lobsang Rampa afirma que a paralisia é provocada pelo desejo de reverter o processo do sono, o que faz com que a pessoa fique ansiosa e apressada para se movimentar, travando o processo: o sono não aprofunda e não reverte.
A paralisia resulta de um conflito entre o processo corporal do sono, que está avançando, e o desejo da pessoa, que é o de revertê-lo. Ou seja: a pessoa provoca o sono (porque se deita para dormir) e, quando o percebe, fica com medo e quer voltar. Há, portanto, uma contradição: sono X desejo de acordar. Logo, resolvendo esta contradição, resolvemos também o problema.
Pessoas experientes na prática da meditação e da viagem astral não sofrem com a paralisia, pois não desejam reverter o processo natural do sono assim que o percebem conscientemente, ao contrário dos iniciantes e novatos, que se assustam com o mesmo.
sexta-feira, 26 de novembro de 2010
Aprendendo a concentrar o pensamento
Pensar de forma concentrada é pensar conscientemente. Pensar conscientemente é pensar sabendo-se o que se está pensando e não pensar a esmo. O pensamento único é o pensamento dirigido, voluntariamente conduzido. Não é, necessariamente, o pensamento estático, mas é necessariamente único, dirigido, voluntário e consciente. É o pensamento voluntário que nos tira do corpo físico. Mas não o confundamentos com a simples teorização.
A prática da concentração apresenta dois aspectos distintos, que não foram muito diferenciados pelos V.V.M.M. por falta de perguntas dos discípulos. Um é o aspecto atencional e o outro é o aspecto pensamental ou imaginativo. A imaginação consciente, da qual nos falaram os mestres, corresponde ao segundo aspecto, sendo o próprio pensamento conscientemente dirigido.
O sono não se instala se os pensamentos simplesmente forem bloqueados, o que se instala sob tal condição é o conflito, o qual nos impede de adormecer. Quem quiser aprender a viajar conscientemente para os mundos paralelos, deve aprender a dormir sem permitir que seus pensamentos vaguem a esmo. O controle da função mental (pensamental ou imaginativa), é fundamental e corresponde ao primeiro degrau da escala da iniciação.
Uma coisa é concentrar o pensamento e outra é concentrar a atenção. São duas coisas distintas, apesar de relacionadas. Obviamente, a concentração do pensamento exige concentração da atenção, mas concentrar a atenção não implica, necessariamente, em concentrar o pensamento, visto que podemos concentrar a atenção nos movimentos, em processo externos etc. sem necessariamente pensar a respeito daquilo. Por outro lado, é impossível concentrar o pensamento sem concentrar sobre ele a atenção, pois uma tal tentativa resultaria em dispersão mental. Para que o pensamento seja conscientemente conduzido, necessita-se atenção plena sobre os seus rumos.
O pensamento conscientemente conduzido em torno de um objeto conduz ao sonho lúcido e do sonho lúcido podemos passar à viagem astral, tudo é questão de entrarmos nas regiões oníricas mantendo a consciência. E da viagem astral podemos passar à meditação.
Concentrar-se sem desejar
Concentrar é observar continuamente.
Observar não é esforçar-se. Observar é receber. A receptividade não é desespero, ansiedade, é entrega.
A observação pura, isenta de ansiedade e desejo de observar, tem um sabor, uma qualidade distinta da observação preocupada. Há que se aprender a observação pura, sem mescla alguma de ansiedade, preocupação, esforço ou desejo de observar. A observação pura, uma vez aprendida, pode ser prolongada.
O prolongamento (dharana = manter) da observação prescinde, igualmente, do esforço, da preocupação, do desespero, da ansiedade e do desejo de prolongamento. Na verdade, a observação pura prolongada e o desejo de conseguí-la são antagônicos.
Desejar concentrar-se é sabotar a prática.
Concentrar-se pelo esquecimento
Ao invés de fazer força para prender a atenção no objeto, empenhe-se em esquecer tudo o que não seja o objeto.
A atenção pura, sem interferência do esforço, é conseguida esquecendo-se tudo o que não seja o objeto. Ao esquecermos tudo o que não seja o objeto, somente ele restará no campo de consciência.
quarta-feira, 24 de novembro de 2010
Não acreditar-se capaz de conjugar castidade com imaginações morbosas
Mais do que controlar a ejaculação, busquemos eliminar a luxúria. Eliminando a luxúria, as ejaculações desaparecem.
Quando estamos há muitos dias sem ejacular (e portanto cheios de energia) e permitimos que a mente seja invadida pela luxúria (pensamentos morbosos de infinitos tipos), nos esquecemos de tudo o que não seja o objeto sexual do desejo. A única meta passa a ser a satisfação do desejo.
Um importante segredo para não cairmos é este: limpar constantemente a mente de quaisquer traços de luxúria, mesmo após muito tempo (dias, meses ou anos) de castidade. Se, após um certo tempo, nos sentimos fortes e viris e nos acreditamos muito capazes de deter a ejaculação, pode dar-se o infeliz caso de acreditarmos que seremos capazes de "resistir" aos impulsos ejaculatórios da luxúria mesmo se dermos "asas à imaginação" sexual.
Um importante motivo pelo qual os neófitos e adeptos caem sexualmente é a crença de que poderão dar asas à imaginação luxuriosa (pensar em sexo) sem cair ne ejaculação. Trata-se de um erro ao qual são induzidos pelo Ego.
Se houvermos guardado a energia sexual por um certo tempo (horas, dias, meses ou anos, não importa!) e começarmos a dar asas à imaginação luxuriosa, inevitavelmente cairemos na ejaculação novamente, seja pela masturbação, seja pela fornicação.
Se os pensamentos morbosos desapareceram de sua mente, não seja ingênuo: eles poderão voltar a qualquer momento, ainda que tenham sumido há muito tempo. Continue vigiando sua mente.
Não se preocupe tanto com o número de ejaculações que tenha, preocupe-se em limpar a mente, a fala e as ações da luxúria. A castidade virá por acréscimo. De nada adianta tentar forçar a castidade se não se está limpando a mente, o verbo, a palavra, os gestos etc. Tal tentativa resultará em fracassos e neuroses, nada mais, além de muitas ejaculações deprimentes!
A mente é a guarida do desejo. É ali, na mente, que temos que combater o inimigo e vigiá-lo, mesmo que ele pareça já estar morto.
Não pense nas ejaculações que teve e nem se preocupe com elas. Apesar de nefastas, são meras consequências com as quais não vale a pena se ocupar. Esqueça-as. Concentre seu empenho em vigiar a mente. Lamentar-se pelas ejaculações é cultivar eus de sofrimento que mais tarde terão que ser eliminados. É também perder o tempo com o que não interessa: com os resultados indesejáveis. Mais sensato é ocupar-se com as causas do problema.
sábado, 9 de outubro de 2010
A miséria do apego à matéria densa
"Por isso adoeceis e morreis[...]. Aquele que compreende minhas palavras, que as coloque em prática. A matéria produziu uma paixão sem igual, que se originou de algo contrário à Natureza Divina. A partir daí, todo o corpo se desequilibra."
Os desejos são paixões pela matéria, em suas distintas formas. Os desejos são voltados para aquilo que é exterior, material. Desejamos mulheres, dinheiro, luxo. Desejamos também saúde e bem estar. Tudo isso é paixão pela matéria. A matéria produz em nós uma paixão sem limites, somos apaixonados pelo corpo físico e pelo mundo físico. Acreditamos que a felicidade se encontra na sensorialidade.
Quando sofremos uma imensa dor física, nossa atenção é violentamente forçada a se focar sobre o local da dor. Ali, onde está a atenção, está também o pensamento. Pensamos mil coisas sobre o problema físico, sobre a doença, lesão ou enfermidade. Estamos plenamente focados no sofrimento e não somos capazes de nos dissociarmos dele. Há uma atração forçada da mente, dos pensamentos e da atenção sobre o órgão ou parte do corpo afetada. Quanto mais atenção voltamos ao sofrimento, mais o intensificamos. A intensificação ocorre por nossa identificação com a matéria. E nos identificamos com a matéria porque estamos apaixonados por ela. Os seres humanos amam o mundo material de forma desesperada.
Quando morre um ente querido, nos desesperamos porque conhecemos tão somente sua parte ilusória. Nos apegamos à seu aspecto temporal, perecedouro. Tememos a morte pela mesma razão. Se nos desenvolvêssemos conscientemente em outros mundos, nos universos paralelos, as coisas seriam diferentes. Mas estamos apaixonados por este mundo e não pelo outro. Somos feridos pela morte por causa do materialismo arraigado em nossas almas.
Se não estivéssemos distantes d'Aquilo que é imperecedouro, imutável e eterno em nós, teríamos acesso ao que é imperecedouro, imutável e eterno no outro. O amor transcenderia o espaço e o tempo, a morte seria entendida como reencontro, como retorno ao lar.
O apego ao mundo e o medo de viajar ao Além, durante a meditação e as viagens astrais, bem como o temor da desencarnação originam-se do apego a este mundo sensorial.
Desenvolver-se espiritualmente é, entre outras coisas, dissociar-se da matéria densa e do veículo físico.
A apego à matéria nos leva à identificação com o corpo. A identificação com o corpo nos impele a buscar ardentemente os prazeres sensoriais e a sofrer com a dor física. Quanto mais prazeres buscarmos, mais dores teremos que sofrer como compensação, para restabelecimento do equilíbrio.
O Ego é o anseio pela vida, pelos prazeres dos sentidos. Quando o Ego morre, morre o apego ao mundo.
Apaixonar-se pelo que é perecedouro e finito é prender-se ao sofrimento. Mas somente poderia apaixonar-se pelo aspecto eterno da vida quem realizou o Eterno em si mesmo. O Ser é o sempre, algo que os materialistas nunca entenderão.
O Ser, que é Eterno, poderia eternizar o corpo físico e protegê-lo de todo desequilíbrio, se o Ego, que é paixão pela matéria, não interferisse. Por uma estranha contradição, aqueles que adquirem a imortalidade física são justamente aqueles que se desvincularam emocionalmente da vida material de forma absoluta, por meio da morte do Ego.
Quando Pistis Sophia desce até este Eon, ela se apaixona e sofre terrivelmente. A matéria possui um poder hipnótico.
A matéria a qual este artigo se refere é a matéria física e não a matéria espiritual. A matéria física existe para ser vencida, viemos a este mundo para vencê-lo. Vencer este mundo é vencer as paixões, os inimigos interiores.
domingo, 2 de maio de 2010
Sobre o estudo das emoções
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quarta-feira, 21 de abril de 2010
Equilibrando os cinco centros da máquina
- ficar entusiasmado;
- rir e dar gargalhadas em excesso;
- assistir a filmes de ação;
- brigar;
- curtir tristezas;
- assistir a filmes de terror;
- ouvir músicas baixas e inferiores
- enfim, sempre que ficar perdendo o tempo cultivando emoções que não sejam a devoção espiritual.
- orar;
- contemplar a arte edificante;
- ouvir música clássica;
- meditar;
- extasiar-se contemplando as obras da criação.
quinta-feira, 15 de abril de 2010
Começando com comprovações imediatas
Convém começar pelas comprovações pequenas, acumulando certezas, de modo a irmos nos convencendo da existência e do poder das partes superiores do Ser. Não se pode começar com as grandes comprovações (ex. investigações nos arquivos akáshicos) porque a fé de que dispomos é pequena e fraca, então comecemos comprovando as coisas mais simples. A partir das comprovações simples se desenvolverão progressivamente certezas cada vez maiores, até que toda a concepção de realidade da pessoa sofra uma modificação. Há comprovações que podem ser obtidas imediatamente por qualquer pessoa comum. Um exemplo de comprovação simples e imediata é o poder da Mãe Divina de enfraquecer o detalhe de um defeito ou de aliviar um sofrimento, seja físico ou emocional.
quarta-feira, 7 de abril de 2010
Como a mente sabota a Morte e a meditação
As cenas que passam na tela da mente são os pensamentos, lembranças e imaginações mecânicas ou fantasias. São infinitas imagens, fixas ou móveis, através das quais alimentamos os egos. Trata-se de manifestações dos egos no centro intelectual.
Como somos animais racionais, temos que colocar especial atenção no centro intelectual. Não é possível dissolver o ego se negligenciarmos a Morte neste centro. De nada adianta tentar manter-se casto quando se permite que na tela da mente permaneçam imagens de mulheres, sexo e delícias eróticas. O trabalho da Morte começa pela mente e termina na mente, apesar de também ter necessariamente que passar pelos outros centros.
Quando as imagens mentais desfilam sob o controle do ego, temos o que se chama imaginação mecânica. Trata-se de um tipo de imaginação involuntária, que ocorre sem participação consciente. São cenas que os Egos projetam e sobre as quais desfrutam e deleitam. O deleite do Ego sobre tais cenas se dá por meio da identificação. Identificar-se com as imagens mentais é um grande erro, pois fortifica os desejos.
Há também a tagarelice interior, composta por sons internos, vozes, e não por imagens. As vozes da tagarelice podem ser a nossa própria voz ou de outras pessoas, em situações hipotéticas passadas ou futuras ou em situações reais mescladas a situações possíveis. Tagarelice interior e fantasia se associam no processo de fortificação dos defeitos.
Por trás das imagens e falas mentais estão os Egos. O conteúdo da cenas indica qual é o desejo que está se fortificando.
A guarida dos desejos está na mente. O desejo é sentido intensamente no centro emocional, mas o fundo sobre o qual se embasa está no centro intelectual. Quando se mata o pensamento, se torna muito mais fácil matar o desejo em seguida. Quanto mais se pensa em um desejo ou problema, pior se torna a situação interior. Quantidade de imagens mentais explode na cabeça, somos invadidos e não sabemos como sair da situação. A chave é: calar a mente, não pensar.
Para que a mente não atrapalhe, temos que ter um foco de atenção. Se estivermos andando, trabalhando etc. o foco será a nossa pessoa (auto-observação e morte em marcha). Contudo, se estivermos meditando ou formos nos deitar, o foco poderá ser um Koan, um mantram ou um trabalho de imaginação consciente.
A imaginação consciente é diferente da imaginação mecânica. Nela escolhemos voluntariamente um objeto, algo para imaginar. Então fixamos a atenção nesta imagem, até enxergá-la nitidamente com os "olhos espirituais" (clarividência - todo mundo tem um pouco de clarividência que pode ser ativada momentaneamente com esta prática). Ao enxergá-la, então podemos começar a penetrar o objeto da imagem e acompanhar algumas revelações que vão ocorrendo através da imagem, escolhendo conscientemente por onde iremos penetrá-la. As revelações vão aparecendo e vamos aprofundando o processo. Se estivermos concentrados na imagem da chama de uma vela, podemos penetrar nessa chama representada em nossa imaginação, para ver o que se revela. Se for uma planta, podemos entrar na imagem da planta, como faziam Jacob Boheme e Goethe, descobrindo o que havia dentro desta imagem. O resultado será um desdobramento astral ou até uma viagem mais além. O trabalho de penetrar a imagem não tem necessariamente um fim, podendo haver penetrações sucessivas e cada vez mais profundas, até um nível em que há não haja espaço algum para nenhuma atividade mental. Ao ultrapassá-lo, já estamos na meditação, mergulhados na realidade. Quando se atinge tais alturas, o corpo está em sono profundo e o cérebro em ondas Theta e Delta. Há outros níveis além, e os hindus e tibetanos os designam por distintos nomes. Mas não vamos nos afastar tanto para "cima do telhado", já que somos todos principiantes e nem sequer sabemos nos concentrar direito.
Quando focamos a atenção em uma imagem, a mente lança múltiplas imagens distintas (pensamentos) para nos atrair a atenção. Se nos deixamos distrair, nos desviamos de nosso objetivo. Se nos ocupamos com tais imagens, tentando silenciá-las à força, criamos um conflito e igualmente nos desviamos. O indicado é manter-se focado no objeto e, no caso da insistência ser muita, silenciarmos o pensamento perturbador descobrindo o seu conteúdo. O que é que contém este pensamento insistente? De que se trata? Que imagens contém, o que almeja etc. Assim, com uma breve compreensão, ele deixa de nos perturbar e podemos descartá-lo. Importa, especificamente em tais casos, compreender a inutilidade do pensamento persistente, perguntando-nos com máxima sinceridade: para que serve este pensamento, neste momento? Qual a sua importância? A mente considera seus pensamentos importantes e temos que fazê-la compreender que o pensamento que insiste em perturbar não serve para nada.
Importa entender, aqui, que a mente é o nosso grande inimigo, o qual sabota implacavelmente o trabalho da morte e as práticas da meditação, sem trégua. Podemos considerar a mente como sinônimo do Ego, já que, em nosso estado, quase não dispomos de mente pura e límpida. Sempre que quisermos escapar momentaneamente do Ego, na meditação, ou quisermos matar alguns defeitos, a mente estará interferindo para impedir.
Se quisermos triunfar, a prática da meditação deve ser realizada várias vezes por dia e a Morte em Marcha em tempo integral. Se não for assim, fracassamos.
domingo, 4 de abril de 2010
A mente e o ego
A quem orar?
Os V.V.M.M. sempre nos disseram que temos que orar às diversas partes superiores do Ser (Mãe Divina, Íntimo, Pai Interno, entre outras partes). Se este conceito te incomoda, pela educação religiosa que você teve, simplesmente ore Àquele (ou Àquilo) que te originou e não perca seu tempo complicando a questão com especulações teóricas, já que quebrar a cabeça com uma questão tão gigantesca é inútil.
As formas religiosas da Terra são somente aproximações, modelos limitados mas importantes. Servem para nos balizar na busca por um poder maior que nos ultrapassa e do qual somos provenientes.
Não importa muito se você se apóia na Bíblia, no Alcorão, nos cânones budistas ou hinduístas. O que importa é que você dirija seu coração à sua Grande Origem, à Força que te originou, de onde sua alma provém. Se você é protestante e ora ao Criador, você não está em desacordo comigo.
Não devemos condenar àqueles que possuem uma idéia de Deus diferente da nossa. Eles não estão errados, já que Deus, sendo a origem de todas as formas existentes, não tem forma e pode assumir a forma que queira, para o povo que quiser. É por isso que há várias religiões no mundo. Como tudo veio de Deus, é claro que tudo está contido nEle, todas as formas estão ali, em estado latente, potencial, e podem ser adoradas. Sempre que se busque o alto, o sublime, a melhora, a perfeição (sem fazer da perfeição uma neurose...) se estará buscando o Deus verdadeiro.
quarta-feira, 17 de março de 2010
Duas formas distintas de lidarmos com os pensamentos
Na meditação, não nos detemos pedindo pela eliminação dos defeitos que se manifestam sob a forma de pensamentos, posto que nossa meta é somente escaparmos deles por um tempo. O que buscamos nessa prática é separar a essência (o que temos de alma e de real dentro de nós) dos defeitos, o que se consegue rompendo-se toda identificação. Após nos posicionarmos e relaxarmos profundamente, o próximo passo é concentrar o pensamento e a atenção. Conforme a concentração avança, as identificações e fascinações são rompidas, as frações dispersas de essência se juntam e a atenção se intensifica e focaliza, enquanto o silêncio mental se aprofunda. Entretanto, isso não significa que as porções de essência que estejam enfrascadas em cada defeito sejam desenfrascadas. O que se passa é que porções de essência livre (desenfrascada portanto) porém adormecida, que vagueavam dispersas dentro do Ego (entre os defeitos e não dentro de cada defeito), nos diversos níveis sub/inconscientes, levam um choque, se unem e focalizam, como a luz de um laser. Este não é um processo de Morte dos defeitos. Portanto, na meditação, esquecemos dos defeitos completamente, não pensamos neles.
Se conseguimos um relativo silêncio mental e ainda assim não temos nenhuma revelação ou experiência espiritual, isso significa que nossa concentração não é plena, pois há ainda muitas partes da nossa essência livre (os três por cento) que estão perdidas nos níveis mais profundos, fascinadas em meio aos pensamentos submersos. Temos, então, que descer a esses níveis mais profundos e chamar a atenção dessas partes desatentas. Como se faz isso? Por meio do sono. Sem o sono, não é possível descer a esses níveis. Se não houver sono, ficaremos somente aqui fora, nos níveis mais superficiais.
Na concentração plena, todo o percentual de essência livre direciona sua atenção a um mesmo ponto. Se existirem partes da essência livre com atenção dispersa, fascinadas, a atenção não será plena. Portanto, a atenção plena somente se consegue quando se desce a níveis mais profundos e se "puxa" a atenção ao objeto que nos interessa. Entretanto, ninguém conseguirá descer e direcionar a atenção se não dispor do sono, pois o sono é a ferramenta que nos permite entrar nas regiões do inconsciente, onde estão as porções de essência livre distraída.
Quando toda a atenção estiver plenamente focada, então a concentração é perfeita e chegou a hora de saltar no vazio para cair além.
Na Morte, ao contrário, não almejamos simplesmente nos separar dos pensamentos, mas sim encarar e dissolver os defeitos que se manifestam no centro intelectual. Por isso é que os observamos em ação e suplicamos por sua morte. Aqui, o tratamento dado aos pensamentos é outro e é exatamente o mesmo tratamento que damos às manifestações do ego nos demais centros: observar e pedir pela desintegração.
Isso de tentar não sentir luxúria ao mesmo tempo em que se permite que pensamentos de luxúria distraiam a essência é um absurdo. Não existe tal coisa. Se permitirmos que os pensamentos distraiam nossa atenção, seremos incapazes de nos livrar de seus resultados nefastos. Por atenção entenda-se: essência livre, já que é dela que provém a atenção consciente e silenciosa no aqui e no agora.
O motivo pelo qual fracassamos tanto no combate à luxúria, bem como aos outros egos, é que não limpamos a mente continuamente. Permitimos, vez por outra, que a mente fique suja com imagens morbosas. Um pequeno instante de descuido é mais que suficiente para nos levar à fornicação, à masturbação e a outros problemas parecidos. Caímos porque não limpamos a mente em tempo integral. É claro que também não devemos descuidar de outros centros, mas a mente é fundamental, por ser estratégica. Manter a mente limpa é estratégico.
Quando olhamos para uma mulher e sentimos luxúria antes mesmo de emitir qualquer pensamento visível, tal reação resulta de uma forma de entender a situação, de encarar a mulher, de contemplar suas formas... e isso é algo, antes de tudo, mental! Neste caso, embora as imagens morbosas somente apareçam um pouco depois da reação nos outros centros (pois o centro intelectual é lerdo), elas existem em níveis submersos sob formas viciadas e tendenciosas de entendimento. A luxúria é uma forma (errônea) de entender o sexo, o amor e a mulher (ou o homem).
É importante, então, não esquecer que, tanto na meditação quanto na morte, rompe-se toda identificação com os pensamentos e não se permite que os mesmos fascinem a essência à vontade. Nos dois casos, se combate a fascinação e a distração.
Espero ter ajudado e boa sorte no caminho, meu irmão.
quarta-feira, 3 de março de 2010
O hábito de olhar para o corpo feminino
Observando-nos, percebemos que antes de cometer o ato de olhar, sentimos o desejo incontrolável de fazê-lo. Este desejo não deve ser reprimido (sufocado) e nem tampouco satisfeito.
O desejo é sentido como emoção. Sufocando-a, iremos simplesmente represá-la até o ponto de explodir. O mais indicado é desbloqueá-la e observá-la "de fora" (sem identificação) em plena ação, captando suas facetas e detalhes, enquanto pedimos pela dissolução de cada um deles.
O bloqueio a ser removido é o bloqueio emocional.
Devemos observar o desejo agindo dentro de nós, porém sem permitir que ele se realize, pois isso irá fortificá-lo e nos escravizará ainda mais.
Então, se queremos dissolver a luxúria, não podemos permitir que este desejo de contemplar as formas femininas passe ao segundo nível, isto é, que se realize com o ato de observá-las.
Sem fazer nenhum esforço para sufocá-lo, pedimos por sua morte. Então ele enfraquecerá e não passará ao segundo nível, que é o nível da satisfação por meio da ação. Permanecerá no primeiro, que é o nível em que apenas sentimos o desejo mas não o realizamos na prática.
Esse vício de olhar para o corpo das mulheres é um grande problema e traz muito sofrimento.
segunda-feira, 1 de março de 2010
O vicio da masturbação - algumas considerações
domingo, 21 de fevereiro de 2010
Pensar: grave erro que cometemos!
Entendo que esta orientação pode ser estendida para todos os âmbitos do desenvolvimento espiritual.
Um dos vários erros que podemos cometer consiste em pensarmos nas práticas, na morte em marcha, nos problemas da vida e em tudo o mais. Pensamos em demasia e acreditamos que pensando poderemos resolver as situações. Pensamos buscando soluções, mas elas muitas vezes surgem de onde não estamos esperando e sem que houvesse necessidade alguma de pensarmos.
Quando temos um problemas, ficamos martelando-o mentalmente, em busca da soluções. Quando alguém que amamos falece, ficamos pensando, como se o pensamento resolvesse ou melhorasse a situação.
Observando os animais, me dei conta de que eles não sofrem tanto quanto nós por que não possuem a mesma capacidade de pensar. Isso lhes protege do sofrimento em grande medida.
Mesmo o sofrimento físico fica atenuado quando não se pensa nele e, após ter passado, não deixará sequelas ou, se as deixar, serão poucas. Não pensar é um dos segredos para libertar a alma do sofrimento, por isso é que costumo dizer que a morte do Eu é o esquecimento.
Entretanto, somos viciados no pensar. Acreditamos que o pensar é imprescindível. Nossa capacidade de pensar, indubitavelmente, nos conferiu o poder de manipular a matéria, desenvolver a ciência e a tecnologia, mas o preço que pagamos foi alto: nos tornamos criaturas sofredoras. Sofremos com o passado que se foi, com o futuro que tememos. Tudo porque somos muito mentais.
No que se refere às práticas que queremos tanto desenvolver (Morte do Ego, concentração, meditação, viagens astrais, magia sexual), podemos afirmar que o pensamento é absolutamente desnecessário e prejudicial. Ficar pensando no trabalho interior é não realizá-lo.
Não necessitamos pensar para nos observarmos, nem para levantar da cama e sair em astral. Tampouco necessitamos pensar para orar. A meditação é a busca do não-pensamento, pois Deus, a Grande Verdade, está muito além do corpo, dos afetos e... da mente!
Entendo que o desenvolvimento interior resulta, entre outras coisas interessantes, na capacidade de enfrentarmos as situações mais aterradoras da vida sem levarmos a mente ao negativo, ao desastre, sem pensarmos no pior. É uma capacidade que somente alguns poucos homens possuem e que se consegue somente com a morte do Ego. Por isso a Morte é tão importante.
Limpemos a mente continuamente, a todo momento. A auto-observação não pode ser realizada se a mente estiver suja. Se ficarmos pensando, como poderemos enxergar? Descobrir novas facetas do ego no cotidiano requer lucidez, observação atenta, as quais não são possíveis se estivermos pensando. O trabalho sobre a mente é, portanto, fundamental.
Na origem de todos os problemas psíquicos e emocionais está a mente. Na mente está a origem do ego. Se alguém quiser descobrir detalhes do Eu, terá que domar a mente para poder focar a atenção sobre si mesmo. Surge aqui então um problema: como silenciar a mente?
Todos temos uma capacidade relativa de silenciá-la pela vontade, de suspender o pensar, ainda que seja por alguns poucos instantes. A capacidade se desenvolve com o exercício. É esta capacidade que exercitaremos e, à medida que formos morrendo, a iremos aumentando. Aqui não se trata de silenciar todos os níveis subconscientes, como se busca na meditação, pois não estamos tentando dissociar a essência livre dos pensamentos e sim observar os defeitos que afloram durante as relações sociais ou mesmo quando estamos sós. A meta, aqui, não é meditar e sim morrer. Na meditação, esquecemos completamente do eu, nos dissociamos dele para mergulhar no real. Na morte, da qual trata esta explicação que estou dando, observamos o eu para conhecê-lo. Então são dois casos distintos: em um caso nos esquecemos do eu e no outro nos ocupamos com ele, em um caso viramos as costas ao eu e no outro nos voltamos para ele. Mas em ambos os casos a mente irá tentar atrapalhar e impedir.
Observemos a nós mesmos de fora, como observaríamos uma outra pessoa, buscando compreender o que fazemos cada vez com mais clareza.
Fiquem com Deus
sábado, 20 de fevereiro de 2010
O erro de adotar posturas negativistas
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
Tarefas práticas
1. Primeira proposta:
Observe-se durante um dia inteiro ou durante algumas horas, à procura dos pensamentos, atos, frases, movimentos etc. que de algum modo alimentarem um defeito (por exemplo, a ira). Anote-os e depois releia. Esses canais de alimentação que você descobriu são os detalhes ou facetas do defeito observado. Rasque ou queime as anotações depois, pois isso não é da conta de ninguém.
2. Segunda proposta:
Observe, durante outro dia, as pequenas reações de todo tipo que você tem perante as situações, pessoas etc. Anote essas reações e releia depois. Aí estão vários detalhes descobertos.
Entendeu? É simples assim: apenas olhar para si mesmo e ver.
O que se faz com esses detalhes, uma vez descobertos? Pede-se por sua morte à Mãe Divina. Você deve pedir instantaneamente, no mesmo instante em que os vê, e não esperar para depois. Peça pela morte deles em plena manifestação, sem reprimí-los mas também sem satisfazê-los.
3. Outra proposta: corte toda alimentação de um defeito por um tempo, com esse procedimento da Morte em Marcha, e observe os resultados. Você comprovará que ele se enfraquece, perde o poder sobre você.
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010
Ego e distorções cognitivas
Um defeito é uma cognição condicionada, distorcida, que resiste às simples tentativas voluntárias de corrigí-la. Um homem pode compreender intelectualmente que um vício o prejudica, mas ainda assim, este vício permanecerá atormentando-o, pois a porção de sua psique correspondente ao vício (a parte que sente o desejo) entende as coisas de modo diferente.
O ego correspondente a um vício considera este mesmo vício algo maravilhoso. Daí a necessidade de compreendermos o defeito, se quisermos eliminá-lo. Quando se trabalha com a morte em marcha, esta compreensão vai se configurando naturalmente, como resultado da observação constante.
Se prestarmos atenção, perceberemos que os defeitos distorcem nossa percepção da realidade. Por exemplo: um luxurioso não vê o sexo e nem as mulheres tal como são, de forma objetiva, mas sim de forma subjetiva e distorcida, os vê de acordo com a ótica do eu da luxúria. É uma visão condicionada da qual o luxurioso não escapará a menos que dissolva a causa do problema: o ego. O mesmo se passa com a ira, a inveja e os demais defeitos que tenhamos.
O Ego não permite ao ser humano enxergar a realidade, distorce tudo e faz com que vivamos em um mundo de ilusões e mentiras. Por isso é tão importante destruí-lo.
Um pouco sobre o medo
A pessoa atemorizada não compreende, em profundidade, que o medo, em si mesmo, não a beneficia em nada e não melhora o problema que o origina. Mesmo que tente fazê-lo, não conseguirá, visto que seu entendimento está condicionado, ou seja, sua consciência está embotelhada. O medo não salva e nem transforma o problema para melhor. Ele é, portanto, inútil. Ainda assim, o atemorizado acredita inconscientemente na necessidade do medo. Essa crença é algo autônomo, não obedece à simples vontade e não adianta simplesmente determinar-se a não temer.
Explorando o medo, descobriremos vários canais que o alimentam: muitas atitudes, movimentos, falas, pensamentos etc.
A eliminação do medo requer a morte do defeito psicológico que o origina e a transmutação da energia sexual, visto que o descarregamento energético do corpo leva a pessoa a se sentir exposta, vulnerável.