quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Sobre os múltiplos universos paralelos e dimensões

A velocidade da luz não é a maior existente e em a maior possível

A despeito do que os físicos alcançaram calcular, existem velocidades acima da velocidade da luz. A velocidade da luz é a maior conhecida, mas não é a maior velocidade existente e nem a maior velocidade possível. Acima da velocidade da luz se dão os fenômenos que escapam à percepção humana comum e, portanto, dos cinco sentidos, que são o fundamento de toda lógica sobre a qual se baseiam os cálculos dos cientistas materialistas.

Obviamente, os cálculos matemáticos se baseiam na lógica. E a lógica que os baseia é extraída dos sentidos, principalmente da visão. É, portanto, a partir da percepção comum que os físicos concluíram que a velocidade da luz não pode ser superada. Entretanto, acima da velocidade da luz abre-se, para a visão espiritual, um abismo infinito de universos paralelos ou Eons (Aeons). A descrição que realizarei a seguir parte do pressuposto de que a escala de velocidades possíveis é infinita, tanto para cima como para baixo (alta e baixa velocidade) e não termina na velocidade da luz, como todo mundo gosta de afirmar, indo muito além deste limite até se perder na infinitude além.

Relatividade do tempo-espaço e os multiversos

A relatividade do tempo-espaço indica a multiplicidade das formas de se perceber distâncias, velocidades e períodos. Em outras palavras, sob certas perspectivas, o distante, o lento e o grande podem se tornar o perto, o veloz e pequeno. Longas distâncias se transformam em curtos trajetos quando enfocadas sob determinados pontos de vista. E os pontos de vista são estados de consciência. As câmeras em alta velocidade provam isso de forma irrefutável, para desespero dos resistentes. Se o tempo e o espaço fossem constantes e absolutos, os movimentos das asas de um beija-flor não seriam captados com riqueza de detalhes por câmeras de alta precisão e velocidade.

As várias escalas de espaço-tempo coexistem e se interpenetram, formando múltiplos universos paralelos. O macro e o micro se interpenetram mutuamente sem se confundirem.

Os multiversos dos físicos são os mesmos universos paralelos dos espiritualistas e os "outros mundos" das culturas religiosas e xamânicas. Contudo, os primeiros não os conhecem muito e conjeturam fantasiosamente sobre seus conteúdos por falta de experiência e de contato diretos, enquanto os segundos muitas vezes são capazes de neles penetrar conscientemente.

A não-localidade do elétron e as dimensões extra-físicas

A possibilidade das micro-partículas estarem simultaneamente em vários pontos indica a existência de uma dimensão em que o tempo-espaço conhecido não existe, sendo substituído por outra escala espaço-temporal. Somente a existência de outra(s) dimensão(ões) poderia explicar como algo passa daqui para ali sem passar pelos espaços intermediários ou está aqui e ali simultaneamente, sem que partes suas estejam no meio dos dois pontos em que o objeto inteiro pode ser encontrado, tal como se verifica em experimentos controlados em laboratório. Se partículas elementares apresentam superposições de múltiplos estados simultâneos, por que os objetos macroscópicos, que não deixam de ser constituídos por essas mesmas partículas, não poderiam apresentá-los igualmente? 

"No mundo quântico, uma partícula elementar, ou um conjunto delas, pode existir em uma superposição de dois ou mais estados possíveis. Um elétron, por exemplo, pode estar em uma superposição de diferentes posições, velocidades e orientações de spin. Ainda que não se possa medir quaisquer dessas propriedades com precisão, em qualquer instante, é possível obter um resultado bem definido - somente um dos elementos da superposição e não uma combinação deles. Nunca vemos objetos macroscópicos em superposições. O problema da medição se resume em uma única questão: como e por que o mundo único da nossa experiência emerge da multiplicidade de alternativas possíveis no mundo quântico superposto?" (Byrne, s/d.)

O mundo da nossa experiência não é necessariamente a única realidade possível

Stephen Hawking

As teorias de Stephen Hawking sobre o surgimento do universo não são mais lógicas, mais realistas ou menos fantasiosas que quaisquer explicações mitológicas e esotéricas. A diferença é que estas são analógicas e simbólicas, enquanto aquela não. Não sei porque todo mundo aclama os produtos da imaginação deste cientista e depreciam as descrições dos Mestres do Esoterismo.

Avanços científicos e espiritualidade

Quanto mais a ciência da matéria por excelência (a física) avança no conhecimento do mundo material, tanto mais se aproxima da concepção espiritualista de realidade. Quando a física chegar aos confins da matéria, estará no limiar do mundo físico, adentrando aos domínios do mundo espiritual. O mundo espiritual começa no nível subatômico.

Os materialistas estão em um beco sem saída, já que constataram que a matéria, tal como sempre a entenderam, não existe.

Os universos paralelos dos fenômenos ultra-velozes

Qualquer um sabe que acontecimentos muito velozes não podem ser percebidos a olho nu, assim como acontecimentos de amplitude espacial muitíssimo pequena.

Fenômenos muito velozes escapam completamente à percepção comum. Quando as câmeras atingirem a capacidade de capturar fenômenos a velocidades próximas à da luz ou acima dela, no futuro, um mundo novo e cheio de vida começará a se descortinar.

Existe um universo ultra-rápido, invisível e infinito, que escapa completamente à consciência comum. A gama de acontecimentos ultra-velozes preenche distâncias e períodos curtos e longos, formando múltiplos universos paralelos.

Se uma bala ultrapassasse a velocidade da luz, ela passaria através do nosso corpo sem nos ferir. Suas partículas pertenceriam a uma escala espaço-temporal distinta ou, em termos mais simples, a outro mundo.

O universo paralelo dos acontecimentos muito lentos

Se um corpo excessivamente rápido não existe para mim, sendo imperceptível em relação à minha pessoa, então minha pessoa, em relação ao mencionado corpo, também lhe será invisível, caso este corpo seja um ser dotado de algum tipo de consciência.

Imaginemos a bala de revólver. Ela me é invisível por ser muito veloz, mas eu também serei invisível em relação a um hipotético ser que esteja montado sobre esta bala, uma vez que ele passará por mim muito rapidamente. Se eu estiver caminhando ao lado de uma ferrovia e um trem me ultrapassar na velocidade da luz, serei invisível para os passageiros por ser muito mais lento que eles. Minha baixíssima velocidade me tornará invisível e me colocará em outro mundo paralelo, em outra escala espaço-temporal. Isso significa que a lentidão, e não somente a rapidez, pode ser um fator que promove a invisibilidade e até a inexistência de um objeto em um determinado lugar e momento.

Não existe imobilidade absoluta, como costumamos acreditar. O zero absoluto no campo da velocidade é algo inexistente. Por mais imóvel que nos pareça um corpo, ainda assim estará em movimento em relação a algo muito mais lento que não estejamos vendo.

Ora, se algo é muito rápido em relação a mim, então é lógico que serei muito lento em relação a este corpo veloz. Do mesmo modo, nós, que nos acreditamos fixos ou lentos, estamos nos movendo muito velozmente em relação a universos cuja velocidade para nós é inconcebivelmente lenta.

O erro de muitas pessoas consiste em imaginar que objetos que lhes parecem em repouso tenham velocidade nula e que nada pode se mover mais lentamente que aquilo que consideram "em repouso". Em relação a seres de um universo ultralento (infra-dimensões), nos movemos a velocidades altíssimas.

Assim como porções infinitamente gigantescas de espaço não podem ser percebidas pela consciência humana comum, os fatos que se dão em velocidades ultra-lentas também não o podem.

A percepção comum do ser humano não pode abarcar fenômenos imensos, pois os mesmos lhe escapam por sua amplitude. É por isso que a Terra nos parece plana e fixa em relação ao Sol e à Lua. Ora, como o infinitamente lento corresponde, comumente, à escala espaço-temporal do infinitamente gigantesco, resulta então que acontecimentos que se dão em tal escala nos são imperceptíveis.

Ainda que certos objetos nos pareçam parados (ex. um prato fixo sobre uma mesa), eles na verdade estão se movendo em relação a algo, como, por exemplo, a outros corpos celestes, em relação aos quais talvez também estejamos nos movendo. Além disso, suas micro-partículas se movem no interior dos seus átomos. É tudo isso que os torna visíveis e palpáveis ao nosso tato. Caso suas partículas ou todo o objeto se movessem a velocidades muito mais lentas ou rápidas que aquelas que correspondem à nossa escala de percepção, os mesmos nos seriam invisíveis e, o mais interessante, impalpáveis.

Não deve ser muito difícil entender que, se um objeto se move velozmente em relação a mim, isso significa que me movimento lentamente em relação a ele. Similarmente, se eu me movimento velozmente em relação a outro objeto, o mesmo estará se movendo lentamente em relação a mim, talvez tão lentamente que não sejamos visíveis um ao outro. Se a diferença de velocidade entre dois seres é exageradamente grande, eles não são mutuamente perceptíveis. Portanto, a lentidão, e não somente a rapidez, é um fator que oculta a existência de seres e mundos. A velocidade dos corpos e das partículas define a escala espaço-temporal em que atua nossa consciência.

Podemos dizer que os mundos altamente velozes estão "acima" do mundo tridimensional e que os mundos infinitamente lentos estão "abaixo". Por isso os chamamos "infra-dimensões" e "supra-dimensões", respectivamente.

A impalpabilidade dos corpos dos univeros paralelos se deve às suas altíssimas ou baixíssimas velocidades. Acontecimentos em velocidades muito abaixo daquela que corresponde ao mundo em que nos movemos, simplesmente não existem para nós, mas existem por si mesmos e, no caso de serem criaturas viventes de um outro mundo, para si mesmos.

No caso dos acontecimentos pertencentes ao âmbito do infinitamente lento, entendo que correspondem às infra-dimensões, sendo as partículas correspondentes muito mais pesadas que as partículas do mundo que comumente percebemos.

Velocidades e dimensões

A existência de distintas e infinitas escalas de velocidade torna possível a existência de outras dimensões além das três conhecidas. Isso vale tanto para as partículas componentes dos corpos como para os corpos inteiros, os quais compõem corpos maiores.

Acontecimentos velozes que abarcam amplas porções de espaço

O mais interessante, a meu ver, são os acontecimentos hiper-rápidos que cobrem grandes distâncias. Ali, precisamente, suponho que se revelarão os grandiosos acontecimentos que os videntes religiosos descreveram. Não me refiro somente a corpos que se movem rapidamente em relação a outros corpos, mas também, e principalmente, a corpos que vibram muito rapidamente no nível de suas partículas, ainda que não se desloquem rapidamente em relação a nós.

São esses os corpos e seres acessados nas visões da ayahuasca, na meditação e nos estados místicos verdadeiros, não alucinatórios.

O mundo das partículas sutis

Partículas infinitamente pequenas, muitas das quais ainda desconhecidas para os cientistas atuais, arranjam-se de modo a constituir formas pertencentes aos universos paralelos ao físico. Podemos dizer que tais partículas são, em relação a este universo em que vivemos, sutis e o compenetram perfeitamente sem que suas formas se confundam com as dele. Um objeto constituído por tais partículas será espiritual (extra-físico) e poderá penetrar um objeto físico sem afetá-lo ou ser por ele afetado. A conhecida impermeabilidade entre objetos de matéria tridimensional torna-se permeabilidade quando um objeto pertence a este universo e o outro pertence a um universo distinto, porém paralelo.

Aquilo que convencionalmente chamamos de "átomo" (não divisível) na verdade não existe, pois não há partícula que seja indivisível. O que se convencionou chamar de átomo, na verdade, é um amplo espaço composto por partículas infinitamente menores, as quais, por sua vez, são compostas por partículas ainda menores, em um abismo incomensurável rumo ao infinitamente pequeno e, obviamente, ao infinitamente veloz.

A palpabilidade ou impermeabilidade dos corpos é dada pela proximidade das escalas de espaço-tempo de suas partículas componentes. Se, entre ambas as escalas, a diferença for muito alta, ambos serão intocáveis, impalpáveis um para o outro. Um objeto somente existirá para o outro se ambos existirem em escalas próximas, isto é, dentro de um mesmo universo.

No abismo subatômico, as velocidades são inconcebivelmente altíssimas e escapam ao alcance dos cálculos de qualquer cientista que se norteie pelos parâmetros que regem os fenômenos no mundo sensível. Tais partículas ínfimas não apenas permeiam e atravessam livremente, por suas dimensões infinitamente menores, aquilo que se convencionou chamar de "átomos", como também, por suas altíssimas velocidades, inexistem nas dimensões que lhes correspondem.

No interior do átomo há espaço de sobra para as micro-partículas dos corpos espirituais. Além disso, essas partículas espirituais ou sutis vibram ou se movem tão velozmente que simplesmente "não existem" para aqueles átomos, apenas influenciando-os "à distância", ou seja, de um universo para outro que lhe é paralelo.

A relatividade do espaço

A distância é uma ilusão da mente e não existe no mundo real. Dois objetos que nos parecem separados por um espaço, em um nível profundo de realidade, estão unidos.

Se a distância entre dois objetos existisse objetivamente, não poderia ser encurtada com o aumento da velocidade e seria sempre a mesma. A distância entre dois pontos poderá ser maior ou menor, consoante a escala espaço-temporal em que se vive ou à velocidade com que se desloca de um a outro.

Uma pessoa poderá transformar dois pontos distantes em pontos muito próximos, caso se desloque a grandes velocidades. Caso dê um salto e passe a viver na escala do seu Espírito, os pontos distantes lhes serão vizinhos.

Consideramos que São Paulo e Tóquio estão distantes porque estamos quase divorciados do nosso Ser.

O Ser tem o poder de transitar por diversas escalas de espaço e de tempo, de acordo com sua vontade. No mundo do Espírito, o passado pode ainda estar acontecendo e o futuro já ter chegado, ambos irmanados em um agora contínuo.

Nossa pobre consciência sofre, aprisionada em uma pequeníssima fração da Grande Realidade. Vivemos e nos movemos em uma parcela relativa do Todo. As distâncias que consideramos longas somente possuem sentido dentro da relatividade em que estamos aprisionados. Se nos libertássemos, poderíamos vivenciar o distante no aqui e o futuro no agora.

O mundo das relatividades não é o mundo verdadeiro, é o mundo das ilusões, dos pontos de vista.

Se o espaço e o tempo fossem absolutos, não poderiam ser alterados pela velocidade. Mas a verdade é que podem ser alterados pela velocidade. Quando estamos atrasados, pedimos ao motorista para que aumente a velocidade. Um lugar será ou não distante de outro em dependência da velocidade de deslocamento de que dispusermos.

Referência:

BYRNE, Peter. Multiverso: Os Vários Mundos do Atormentado Hugg Everett. pp. 14-21. In: Scientific American Brasil, Fronteiras da Física 3 (edição especial). São Paulo: Ediouro Duetto Editorial Ltda, s/d. 

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Concentração: utilizando o centro emocional

Por que é tão fácil ficarmos tomados por um mal pensamento e tão difícil fazer o mesmo com um pensamento sublime? Porque os pensamentos maus são carregados de conteúdo emocional. Se levado às últimas consequências, o cultivo de um pensamento mau afeta todos os centros e até o metabolismo do corpo físico se torna direcionado àquele objetivo. Isso significa que, se quisermos inverter o processo psicológico para cima, temos que procurar sentir as emoções superiores correspondentes ao pensamento sublime que estamos tentando cultivar por meio da concentração. Não basta somente empenhar-nos em manter certas imagens na cabeça: temos que permitir que as emoções superiores correspondentes nos invadam e que o pensamento sublime nos arrebate e atinja todos os centros da máquina. 

Se você escolheu como tema de sua concentração a Mãe Divina, o Ìntimo, o Cristo ou um mantram, por exemplo, não basta somente tentar imaginá-los, é necessário ir muito além e buscar sentir as emoções superiores correspondentes. É assim que vamos nos abrindo para as influências superiores e cooperando com o Alto.

O processo de concentrar a mente em algo superior é análogo ao processo em que ela é arrebatada pelas coisas inferiores mundanas e negativas, com a diferença de que é um processo consciente e ocorre no sentido inverso. É o direcionamento intencional da mente para cima, para o que é espiritual, com o intuito de posteriormente descartar até mesmo a mente (como um barco que serve para atravessar um grande lago mas não pode ser mantido às costas depois da travessia). A mente é como uma arma e pode ser direcionada para o bem ou para o mal. Quando pensamos em coisas mundanas, materiais, a condicionamos a pensar assim cada vez mais. Os maus pensamentos formam sanskaras, sinapses específicas, que vão sendo reforçadas a cada repetição e direcionam os demais centros para objetivos malignos, fazendo com que as pessoas se "desenvolvam" no mal, ao longo das várias existências, até se transformarem em asuras (demônios). Em outras palavras: elas cultivam o Ego (seus defeitos e desejos) por meio do pensamento até níveis imensuráveis. 

Por outro lado, se aprendermos a mudar o curso da mente, cultivando pensamentos elevados durante as práticas de concentração/meditação, podemos inverter o nosso destino espiritual, por pior que seja o nosso estado atual. Portanto, não faz sentido algum ficarmos nos lamentando por nossos pecados e erros, pois isso os atrai, melhor é esquecê-los e praticar o amor a Deus por meio da concentração e da meditação, até que todos os nossos centros fiquem direcionados para o Espírito.

Todos somos asuras, se não desenvolvidos, pelo menos em estado embrionário. Por outro lado, somos também devas e suras (deuses) em estado igualmente germinal, em semente. O que iremos cultivar dentro de nós?

Para que o pensamento sublime atinja a emoção e desenvolva as emoções superiores, temos que prestar atenção no que sentimos diante de uma imagem superior. Qual é a emoção que o mantram "Om" ou qualquer mantram sagrado provoca em nosso coração quando o estamos recitando? Que emoção sentimos quando nos concentramos e contemplamos uma imagem da Mãe Divina? São essas emoções que temos que cultivar, desenvolver, para que elas nos arrastem, nos arrebatem para cima. 

domingo, 4 de agosto de 2013

Etapas didáticas da meditação

Uma prática completa de meditação possui várias fases, desde a postura até a meditação propriamente dita. Após a meditação, ainda temos outros estágios mais profundos que não podem ser descritos por meio de palavras das línguas ocidentais.

Antes de mais nada, você deve escolher o tema (lakshya) em que irá meditar e uma postura ideal (asana) para fazê-lo. É claro que o ideal são temas sátwicos (sagrados e espirituais), mas podemos começar com temas mais concretos para compreender melhor como se realiza uma concentração. Um tema que nos faça bem e no qual pensemos com certa facilidade poderá servir.

A postura ideal deve, em primeiro lugar, permitir que você respire sem problemas, mesmo nos estágios mais avançados, quando você estiver bem longe do corpo e dos sentidos. Uma postura que não permite que o corpo respire com facilidade em sono profundo irá atrapalhar e estancar a prática, pois o praticante terá que interromper e retornar ao estado comum para ajustar a posição da cabeça, do pescoço ou algo assim. Em segundo lugar, a postura não deve permitir incômodos, tais como dores ou circulação sanguínea obstruída. Um braço, uma perna ou o pescoço mal posicionados poderão apresentar dor ou dormência, o que irá atrapalhar. Podemos meditar sentados ou deitados, o que importa é termos uma boa posição que não incomode quando o relaxamento atingir níveis bem profundos. Meditar não é muito diferente de dormir, embora seja algo consciente. Particularmente, acho muito estranha essa idéia de dissociar meditação de sono e de concebê-los como coisas contrárias e incompatíveis. Quem realmente sabe meditar, dorme e descansa enquanto medita sem problema algum, na verdade dorme mais profundamente.

Uma vez escolhida a postura ideal, devemos iniciar o trabalho de relaxar os músculos. Para tanto, temos que tomar consciência das tensões musculares que possuímos e descartá-las. Começando pelos pés, vamos descobrindo e afrouxando tensões de todo o corpo, abandonando-as. Como começamos a prestar atenção específica, podemos também sentir algumas dores que antes não estavam sendo percebidas e isso é normal. 

Nesta fase, muitos sentem comichões, coceiras e vontade de se mexer. O motivo é que a pessoa está pondo a atenção nesses processos ao invés de direcioná-la às tensões musculares. Quando a pessoa se volta completamente para o relaxamento, os pruridos desaparecem.

Na etapa do relaxamento utilizamos nosso poder de concentrar a atenção, porém não entramos ainda na etapa da concentração propriamente dita. O que se passa é que direcionamos nossa atenção ao corpo, aos músculos, e vamos nos tornando conscientes de nossas tensões. Não podemos negligenciar esta etapa, pois a mesma, quando concluída, irá nos liberar da identificação com o corpo físico.  O que importa é chegarmos a um relaxamento profundo, a uma libertação das tensões. 

Se ocorrerem algumas percepções alteradas durante o relaxamento, não se assuste, pois isso é normal. Sensações de formigamento e impossibilidade de mover-se são comuns, sendo na verdade manifestações do sono biológico. Caso ocorram, não se importe e aprofunde ainda mais o relaxamento. É possível que você comece a sentir um princípio de ananda (felicidade espiritual) 

Uma vez que tenhamos conseguido um relaxamento razoável, passamos agora à etapa de nos desligarmos dos pensamentos. Como a mente está em ebulição, convém tomarmos consciência dos pensamentos que vão desfilando em nossa mente, "rotulando-os" à medida que passam. Não devemos nos identificar com os pensamentos e isso significa que temos que ser neutros, nem contra e nem a favor dos mesmos, simplesmente observá-los de fora, sem compromisso algum. Tanto aquele que se detém com os maus pensamentos, lutando com eles para silenciá-los, como aquele que gosta e "curte" os maus pensamentos, se divertindo em saboreá-los, está preso eles e não pode abandoná-los. O trabalho de observar os pensamentos vai retirando a consciência dos cinco sentidos e concentrando-a nos processos internos. Aqui principia o que se chama "pratyahara", que é o desligamento dos indryas (sentidos externos) e o direcionamento da consciência para dentro, para o mundo interior, que na verdade é o outro mundo.

Quando o pratyahara está bem estabelecido, o praticante já desligou seus cinco sentidos externos comuns: ele não ouve, não vê e não sente mais o mundo físico e, às vezes, nem mesmo o corpo físico. É aqui que algumas vezes somos assaltados pela paralisia do sono e podemos começar a ter percepções alteradas e incomuns. Normalmente, o praticante sente muito medo, crê que está morrendo e não vai além desta etapa. São percepções alteradas comuns nesta fase: estar paralisado e não conseguir mover-se, ver com os olhos fechados, ouvir sons estranhos, ter a sensação de que o corpo está em outra posição, achar que se está em outro lugar, ter flashes de cenas da infância, recordar-se de traumas e perdas, lembrar-se de algo que atemorizante, sentir-se flutuando etc. Se você quiser ir além de uma prática superficial, terá que  manter-se neutro e indiferente em relação a todas essas percepções, como fez o Buddha Gautama embaixo da Árvore, e deixá-las todas para trás. Você deve ir atrás de sua meta e não perseguir mais nada.

O próximo passo é começar a pensar e prestar atenção (com os olhos fechados) no alvo ou objeto de concentração (lakshya). Embora o poder de concentrar a atenção já fosse empregado desde a etapa do relaxamento, é agora que a concentração mais plena, tanto da atenção e da percepção como do pensamento, se faz mais necessária. O lakshya adequado é aquele que nos eleva, no qual pensamos com certa facilidade e profundidade. Um tema negativo e carregado, embora seja um alvo fácil para concentração, certamente nos levará para baixo ao invés de nos deixar sátwicos e provocará experiências ruins, sonhos maus e pesadelos oriundos de pensamentos malignos. Temos que apartar a mente de todo o mal, não levar a mente ao que prejudica. 

Ao pensarmos no lakshya, não necessitamos articular os pensamentos através de palavras mentais, podemos simplesmente utilizar a imaginação para visualizar processos, sem o recurso da conversa interior. Se você emitir um mantram mentalmente, esse "som" pronunciado internamente será o seu pensamento único e você poderá ouvi-lo com a clariaudiência incipiente que todo ser humano possui. Se você imaginar uma cachoeira, as imagens e sons internos da cachoeiras são mais que suficientes e você não precisará conceituar e nem conversar consigo mesmo, mentalmente, sobre a cachoeira. O que importa é que a imaginação flua. Com o fluir da imaginação, vem a reflexão serena e silenciosa sobre o tema.

Muitas interferências mentais podem ocorrer para tentar nos desviar nessa etapa. Imagens de lindas mulheres, de problemas familiares, de compromissos, de perigos, de ameaças, de doenças etc. tentam absorver nossa atenção e nos desviar da meta. Se continuamos focados no que nos interessa, atravessaremos essa fase e cada vez mais a concentração se aprofundará. Então só restarão imaginações referentes ao tema em que estamos meditando e nada mais. Teremos nos libertado de todos os demais pensamentos.

Quando a mente fica completamente tomada pelo pensamento em algo, termina experienciando diretamente aquilo em que pensa. Quando isso ocorre, há uma perda temporária de identidade (pois estamos começando a sair da mente e do Ego) e isso nos assusta, principalmente no começo.

Quando a concentração está perfeita, tendo todos os demais pensamentos sido deixados para trás, estamos na fase denominada Dharana. Em uma perfeita Dharana, não há percepção do mundo físico, do corpo e nem de nada mais que não seja o objeto de concentração, mas ainda não saímos da mente.

Sabemos que nosso propósito, ao meditar, é sairmos da mente. Sair da mente é deixar os pensamentos para trás, esquecê-los, nos desligarmos deles. Em Dharana, ainda resta um pensamento único, que apresenta vários sub-pensamentos, todos dentro do mesmo tema. A mente ainda está nos prendendo, como uma corda amarrada ao pé de um pássaro. Se quisermos ir além e descobrir o que há além daquele pensamento, temos que abandoná-lo.

O pensamento restante, por mais concentrado que esteja, ainda não é a realidade. Esse pensamento único pode realizar prodígios, produzir insights, revelações, soluções, pode afetar até o funcionamento do corpo físico, mas ainda não é a realidade sobre o tema. A realidade está além de qualquer pensamento. Todo pensamento é parcial, polarizado e possui seu contrário. Para abandonar o pensamento restante, temos que encontrar seu pólo oposto e confrontar ambos, transcendendo a dualidade e compreendendo que ambos são um. Ao compreendermos o caráter ilusório do pensamento que havia sobrado, nos libertamos da mente e caímos em Dhyana, que é a meditação propriamente dita. 

Em Dhyana, compreendemos a realidade sobre o objeto da meditação, a qual está além da mente, de conceitos, de idéias, de opiniões, de pontos de vista, de raciocínios etc. porém esta mesma realidade possui níveis e níveis infinitamente mais profundos, os quais são acessados somente em estágios posteriores ao da meditação. Em Dhyana há reflexão pura, sem conceitos, o que nos permite experimentar os primeiros aspectos da Realidade.   

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Aforismos sobre o desenvolvimento espiritual

Ao invés de fazer esforços para aprofundar a concentração, empenhe-se em prolongá-la.  A natureza fará o resto.

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Explicada de outro modo, a Morte do Ego pode ser definida como uma atrofia, pelo desuso, dos estados mentais e emocionais negativos.

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Se você estiver meditando em uma floresta e de repente experimentar a visão de um jaguar (onça) ou de uma serpente, essas visões fazem parte do seu lakshya. Se você estiver meditando no mar e experimentar a visão de um navio, você também não terá se desviado do seu lakshya. 

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Aprenda a desviar o caminho muito antes que o desejo cresça e se torne incontrolável.

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A meditação será uma aliada da Morte em Marcha se a utilizamos para analisar um defeito com o intuito de compreendermos por onde o alimentamos. O indicado é refletir a respeito dos caminhos pelos quais o defeito adquire força.

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Quando você estiver sonolento e quiser concentrar-se em uma imagem com os olhos fechados, visualize a imagem e procure enxergá-la com o terceiro olho como se este fosse um olho físico. Não entendeu? Explico melhor: procure literalmente VER com os olhos da imaginação. Mantendo os olhos fechados, VEJA o objeto que você está imaginando. Sua percepção clarividente se tornará assim cada vez mais clara.

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Há uma diferença entre desviar intencionalmente os sentidos (indryas) e a vida das tentações que nos perseguem e isolar-se geograficamente das tentações. No primeiro caso, elas estão por perto, mas nos isolamos delas voluntariamente e não somos afetados. No segundo caso, elas estão distantes e inacessíveis, motivo pelo qual estamos involuntariamente isolados das mesmas e não somos afetados. O primeiro caso é o da Morte do Ego. O segundo caso corresponde mais à meditação. Precisamos equilibrar as duas formas de isolamento.

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Seja seu próprio instrutor, esteja sempre aprendendo algo novo, estabeleça metas. Ao refletir sobre suas próprias práticas em busca da correção de erros e problemas, você está ensinando a si mesmo. Ao ensinar a si mesmo, você está, na verdade, dando oportunidades às Partes Superiores do Ser para que te instruam, te guiem, te levem e te orientem. Seu poder de refletir sinceramente e compreender, assim como as conclusões e aspirações que daí advém, provém do Alto. 

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Saibam vocês, que estão lendo estas linhas, que o mundo físico em que vivem não é o único e nem o mais real mundo existente. Os mundos espirituais apresentam impacto realístico mais intenso que este mundo fenomênico de relatividades. Os mundos internos, apenas postulados pelos físicos como multiversos, são universos materiais muito reais, que coexistem paralelamente a este.


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Pequenas alterações, leves, sutis, quase imperceptíveis, ocorrem a todo momento e não são notadas, a menos que as estejamos observando intencionalmente: são os detalhes do Ego.

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Não espere as catástrofes emocionais começarem para correr atrás delas. Aprenda a trabalhar com o mínimo e com o que antecede. Aborte o furacão antes que se instale.


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A luxúria aumenta seu poder quando contemplamos imagens e cenas luxuriosoas em nossa mente (imaginação) ou com os nossos olhos (sentido da visão).


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Ore várias vezes ao dia e não somente nos seus horários habituais.


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O problema está nas pequenas concessões que fazemos ao desejo a cada instante.


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Nem sempre os resultados da meditação se fazem sentir no momento exato da prática. A meditação pode apresentar resultados indiretos, posteriores e nem sempre perceptíveis. Pode dar-se o caso de alguém praticar muito a concentração, não ver resultados imediatos mas, posteriormente, tornar-se consciente durante os sonhos, ter sonhos com conteúdos elevados ou experimentar um alívio emocional. 

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O ideal é a neutralidade em relação às coisas. Pequenos desgostos ou, ao contrário, pequenas atrações ou paixões, são sutis manifestações de defeitos. Uma pequena e inofensiva reação de desagrado a algo sem importância é um detalhe que pode resultar em uma grande catástrofe no futuro. 

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Um mínimo pensamento é suficiente para iniciar um intenso processo luxurioso do qual não possamos nos livrar. Vigie os pensamentos e não permita os mínimos pensamentos luxuriosos. 


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Após uma cairmos em tentação, o melhor a fazer é refletirmos a respeito do caminho percorrido até aquele resultado. Temos que nos perguntar: quais foram as pequenas concessões que fizemos ao vício ou defeito, até ficarmos tomados e satisfazê-lo? Onde estão as causas horizontais?

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Durante a meditação, a impaciência dos músculos por movimentos pode estar indicando a necessidade de relaxá-los mais.

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O melhor a fazer, durante a paralisia do sono, é aprofundar o relaxamento e a concentração. 

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Quem se deixa guiar pelo Ser faz rápidos progressos. Aprenda a não sabotar e a não ignorar as orientações do seu Íntimo. Se você prestar atenção, Ele te mostrará exatamente onde está errando. Após cada fracasso, medite e pergunte-se: "qual foi o erro que cometi desta vez?" Revise sua conduta, procure pela resposta e a resposta virá. Assim, os degraus da escada do ascenso vão sendo construídos. Sua inteligência, discernimento e poder de intuição são virtudes do seu Íntimo. Ele te guiará através da tua própria inteligência e discernimento.

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Por mais afundados e perdidos que estejamos, há momentos em que a mente repousa e desfrutamos de uma pureza temporária. Se soubermos como não voltar para a masmorra da identificação, podemos prolongar esses momentos indefinidamente.

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Não entre no mundo da identificação com os prazeres e dores mundanos, mantenha-se longe. Se você está dentro, não retorne depois que conseguir sair.

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O progresso na meditação requer acumulação de virtudes sáttwicas. A acumulação das virtudes sáttwicas requer que se medite várias vezes por dia. Aqueles que, após uma sessão de meditação, correm para se identificar com os problemas e atrativos do mundo, estão dissipando as poucas virtudes que acumularam.

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Pense com leveza no objeto da concentração. Busque sempre a leveza nas práticas.

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Os mínimos sinais corporais que se sente durante o relaxamento devem ser tomados como indícios favoráveis de avanço na meditação.

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Quem cai sexualmente, após ter se mantido casto por alguns meses, semanas ou mesmo dias, tende a cair nos dias seguintes. Quem cai após alguns anos de castidade ininterrupta, tem lutar muito para recuperar o perdido, pois tende a ficar escorregando a cada vez que tentar levantar-se. Por tais razões, é melhor lutar para não se deixar cair do que apoiar-se na possibilidade de cair e se levantar. É mais fácil manter-se em pé e não cair do que levantar-se após cair. Por outro lado, as caídas, por mais numerosas que sejam, devem ser tomadas como meros acidentes naturais do percurso. Aprender a manter-se em pé, caminhando, leva muito tempo.

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A imaginação determina o que sentimos diante das coisas. Se imagino que uma formiga é perigosa, tremerei diante dela, ainda que faça todos os esforços para não temer. Se imagino que meditar é impossível, tal imaginação atuará como um freio que sabotará a minha prática.
Temos muitas imaginações inconscientes, das quais não suspeitamos nem de longe que existam. Temos que corrigi-las ou não avançamos.
Se imagino que sou incapaz de vencer a luxúria, a gula, o medo ou a ira, me debaterei inutilmente contra tais tentações, por toda a vida, e não experimentarei sucesso algum.
Temos que descobrir as imaginações inconscientes equivocadas e corrigi-las.
Quando um sacerdote fica dizendo constantemente para os fiéis que as tentações são impossíveis ou muito difíceis de vencer, está condicionando a imaginação de seus adeptos ao fracasso.

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Uma chave indispensável, durante a prática do arcano, é manter a mente sem imagens de mulheres e de atos sexuais de quaisquer tipos ou naturezas. A mínima imagem erótica é suficiente para desencadear um processo de excitação descontrolado.

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Mantenha a mente, a fala e a conduta constantemente limpos de quaisquer traços sutis do defeito que almeja eliminar. E descubra novos traços sutis constantemente utilizando o ginásio como espelho para você se enxergar e se descobrir durante a auto-observação.

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Quando sentimos um impulso violento, vindo desde dentro, para satisfazer um desejo, o que se passa é que o Ego correspondente está pressionando para se alimentar.

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Aquilo que experimento diretamente faz parte da realidade em que vivo e constitui meu mundo. O que vivencio de forma direta e crua no mundo físico, no mundo astral ou em outro mundo, é um conhecimento que não me pode ser arrancado por nenhuma teoria.

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Ao tentarmos discernir se estamos no mundo físico ou no mundo astral, podemos incorrer no erro de tentar fazê-lo artificialmente, buscando uma espécie de natureza extraordinária e espantosa neste último. Como tal natureza não existe no mundo astral e nem no mundo físico, pois ambos são simplesmente mundos materiais (cada um à sua maneira) e nada mais, essa preocupação atrapalha ao invés de ajudar. Procure discernir sem artificialismos.

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Seu Ìntimo te dá lições diariamente, sob a forma de inspirações, insights e ganhos de compreensão. Esteja atento, seja obediente e as siga. Seu Ìntimo te orienta no trabalho interior.

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Quando estiver concentrado em algo (um mantram, um koan, uma oração ou uma tarefa cotidiana), sinta-se o mais lúcido e consciente que puder.

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A morte de um defeito é uma cura espiritual realizada pela Mãe Divina. Do mesmo modo o são a cura de quaisquer enfermidades emocionais e mentais.
As curas, físicas ou psíquicas, são realizadas pelas Partes Superiores do Ser.
As curas efetuadas pelo Ser sempre são realizadas de acordo com a lei do karma e jamais a violam. Portanto, não basta somente pedir, é necessário realizar boas obras.

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Peça, aguarde e observe os resultados continuamente. Então você verá o defeito enfraquecendo com o passar dos dias, meses e anos.

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A morte de um defeito é gradativa: a cada dia retiramos um pouco mais.

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Fusione o sono com o profundo relaxamento consciente e entrará facilmente do outro lado sem perder a lucidez.
Muitas vezes, ao estar profundamente relaxado, você pode já estar do outro lado e não se dar conta disso, pois continua deitado na cama.

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Nas práticas de concentração/meditação, o esquecimento deve ser absoluto: esquecer-se do ego, da meditação, das teorias, dos livros e de tudo, concentrando-se unicamente no objeto da prática. Deve-se esquecer inclusive das coisas boas e sublimes. A prática é um desligamento total, absoluto, somente existe o objeto, o alvo.

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Se presto atenção em mim mesmo, descobrirei coisas sobre mim mesmo. Se presto atenção no mundo que me rodeia, descobrirei coisas sobre o mundo que me rodeia. Para discernir se estou no mundo astral ou no mundo físico, tenho que prestar atenção na realidade circundante, pois se prestar atenção somente em mim mesmo, estarei estudando meu ego, ainda que dentro do mundo astral, e compreenderei coisas sobre este ego, mas não necessariamente discernirei que estou em astral. Convém não confundir ambas observações.

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Posso me contemplar enquanto me movimento, enquanto sinto e enquanto penso. E posso continuar me contemplando enquanto observo o mundo ao meu redor para discernir se o mesmo é físico ou astral. Assim como sou capaz de observar meus movimentos, posso também observar meu discernimento, ver a mim mesmo procurando discernir sobre o mundo em que estou.

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A capacidade de compreender objetivamente os fatos exteriores a nós esbarra no condicionamento sensório-cognitivo imposto pelo ego. O ego é um elemento subjetivante das percepções, um agente distorcedor que nos impede de enxergar a realidade. Por mais que queiramos objetivar nossa percepção de algo (ex. uma bela mulher nua ou um insultador irritante), esbarraremos nos limites da subjetividade da percepção egóica. Por tal motivo, não adianta somente tentarmos refletir sobre as situações tentadoras, como todo mundo quer. Temos que refletir sobre os elementos que impedem a compreensão das situações tentadoras, os quais são as causas secretas (psicológicas) do caráter tentador dos fatos externos.
Os fatos externos não são tentadores por si mesmos: adquirem este caráter porque sobre eles projetamos significados de tentação. É sobre tais significados que temos que trabalhar, conscientizando-nos ao máximo dos seus inúmeros detalhes e nexos causais.
Eliminar os desejos e paixões não é algo assim tão fácil e controlá-los, como todo mundo tenta, é impossível.

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Quando sentimos conscientemente uma emoção, a estamos percebendo. Ao percebê-la, a estamos observando. Ao observá-la, rompemos com a identificação pois não é possível observar uma emoção com a qual se esteja identificado. Quem se identifica com uma emoção, fusiona-se a ela, tornando-se indistinto e se indiferenciando. É assim que a pessoa passa a sentir a emoção como se fosse parte de si mesmo. Identificada, a pessoa "goza" da emoção e não se recorda de ela e a emoção são distintos. A perda da noção de distinção é a marca característica da identificação e o fator que impede que a observação verdadeira ocorra.

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A Mãe Divina é a arma do estudante na Morte do Ego. É a Mãe Divina que mata os nossos inimigos interiores. Peça e Ela os matará.

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Eliminar a luxúria é normalizar o instinto e não infligir moralismo sobre si mesmo. A luxúria é o instinto sexual desviado.

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Aqueles que dizem ser a morte do Ego impossível nem sequer sabem do que estão falando.

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Observe todos os seus atos inocentes e verifique se os mesmos não alimentam algum defeito sem que você perceba.

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Observe-se sob a orientação do Íntimo.

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Encare a auto-observação como uma prática de concentração.

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Reaja à aproximação do desejo com a morte em marcha.

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Polarize-se do lado da castidade.

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Use as doenças e o sofrimento como ginásio psicológico. Acalme a mente perante ameaças de desencarnação. Em outras palavras: as dores existem para serem esquecidas, deixadas de lado, e não para ficarmos nos ocupando com elas.

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Cultive sentimentos superiores intensos e confira à frieza seu papel correto.

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Há uma boa e uma má fé. Cultive a primeira e dissolva a segunda.
A má fé é uma fé ruim, é a crença absoluta na onipotência do mal, na soberania da sentença desfavorável de um médico, na nossa incapacidade de nos disciplinarmos, na impossibilidade de nos concentrarmos, na onipotência da matéria, na inexistência do Espírito etc. Ex. crença de que um remédio irá falhar.

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O homem resiste em aceitar a realidade por medo.

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A morte do eu é a correção das incompreensões.

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A compreensão conduz à total rejeição consciente da característica indesejável compreendida.

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A parcela incompreendida da realidade insiste até a ignorância ser reconhecida.

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Pressupostos, critérios e parâmetros equivocados mantém inacessíveis aspectos incompreendidos do real. Ex. materialismo.

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Desordem na dialética, mescla de múltiplos problemas e o não-isolamento de partes para análise são formas de defender teorias inconsistentes e absurdas como se fossem algo sensato e bem fundamentado.