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sábado, 10 de novembro de 2012

Como diminuir o estresse


Fonte: http://saude.hsw.uol.com.br/como-funciona-o-stress3.htm

Você precisará da lista de estressores que fez na página anterior para tirar proveito dos conselhos dessa página. Nessa seção, mostraremos o que fazer com os causadores que você categorizou.

A lista E 

Uma vez que tenha classificado sua lista de estressores em Es, Rs e Cs, você já está pronto para ficar ocupado. Comece separando sua lista E - a lista de estressores que você decidiu eliminar de sua vida. Olhe bem essa nova lista. Respire fundo pelo nariz e solte o ar lentamente pela boca. Se você for como a maioria das pessoas, já deve estar se sentindo melhor.

Se sua lista E for pequena, considere as seguintes formas de adicionar itens:você não consegue enfrentar seu ambiente de trabalho (ou seu chefe)? Se possível, faça uma observação para preparar seu currículo e procurar outro emprego;

a cafeína está deixando-o nervoso? Comprometa-se a diminuir gradualmente e, depois, eliminar a ingestão de chá cafeinado, café e refrigerante;


�2006 Publications International, Ltd.Se sua xícara de café da manhã lhe dá energia,pense na possibilidade de cortá-la de sua dietavocê está perdendo o sono por causa do barulho de um aeroporto recentemente inaugurado no bairro? Se já tentou usar tampões de ouvido, mas não sentiu nenhum alívio, pense em procurar um outro lugar para morar.O objetivo desse exercício é ser o mais criativo possível sem exagerar. Não há nenhum mal em demorar um pouco mais em questões que tenham um grande efeito na sua sanidade mental. O truque é calcular o impacto de seus estressores e pesar os custos para eliminá-los contra a força que eles exercem na sua saúde e no seu bem estar.

A lista R 

Como a lista E, a lista R refere-se ao controle das forças externas que freqüentemente tiram o melhor de você. Embora a lista E ofereça uma gratificação instantânea pela eliminação, literalmente, de suas preocupações, a lista R requer um pouco mais de criatividade. É uma questão de reorganização e nova priorização. É fazer com que alguns estressores inevitáveis pareçam mais suportáveis.

Aqui vão algumas técnicas da lista R testadas e comprovadas.

Invista em uma agenda de compromissos. Quando você tem muita coisa para fazer e pouquíssimo tempo, é comum se sentir sobrecarregado. Embora não acabe com seus compromissos, um diário de compromissos, uma agenda eletrônica ou um caderninho de bolso simples pode ajudar a diminuir o estresse de ter que lembrar o que você deveria fazer nos próximos 15 minutos. Para algumas pessoas, ser capaz de olhar rapidamente as prioridades do dia pode restabelecer a confiança e dar um sentido de direção e controle.

Descubra a arte menosprezada de fazer listas. Além de manter um cronograma diário, semanal e mensal, a lista pode ajudar a limpar uma mente completamente cheia. Embora algumas pessoas achem as listas um tanto constrangedoras, outras acham que elas ajudam a aliviar o esforço de tentar se lembrar de tudo ou o estresse por ter esquecido algo. 

�2006 Publications International, Ltd.Fazer listas e organizar-se podem ajudar a diminuir seu nível de estresseA idéia é tirar as preocupações de sua cabeça e colocá-las em uma lista. Não há motivo para se preocupar se vai esquecer alguma coisa quando você sabe que ela está anotada em algum lugar.

Quando tiver criado sua lista, priorize as tarefas. Se alguma tarefa parecer muito pesada ou consumir muito tempo até ser concluída, tente dividi-la em estágios ou passos "factíveis", discretos e menores que você possa realizar nos períodos de tempo disponíveis.

Se você acha útil fazer listas diárias ou semanais, experimente fazer o que os especialistas em listas fazem: mantenha duas listas - uma lista para tarefas de curto prazo, que você precisa fazer hoje ou essa semana, e outra lista de metas de longo prazo que você precisa concluir dentro do mês ou do ano. Chame a última de lista "em tempo". Ela pode incluir necessidades de manutenção da casa ou do carro, compras que precisa fazer ou tarefas que precisa concluir (como limpar a garagem). Não importa o que você anotou, desde que você acredite que, se está na lista, de algum modo você cuidará daquilo.

Procure compromissos leves. Muitas situações estressantes - mesmo aquelas que não podem ser totalmente eliminadas - podem ser amenizadas por meio de negociações. Por exemplo, se você está sofrendo porque seu chefe está fazendo com que fique no trabalho até tarde, tente elaborar um plano que atenda às necessidades de vocês dois. Sugira que você terá prazer em trabalhar até tarde uma ou duas noites por semana, desde que nos outros dias você possa ir para casa no horário. Se o rádio do vizinho o acorda todo dia às 6h da manhã, estabeleça com ele o horário do silêncio e o horário do barulho. Você não está se livrando desses estressores, mas sim reduzindo sua força.

Reorganize sua vida. Assim que começar a fazer uma programação e uma lista, consulte-as antes de iniciar seu dia. Tente imaginar onde você pode combinar tarefas para reduzir a quantidade de energia necessária para concluí-las. Veja se consegue adiar alguns itens até o final de semana, quando terá mais tempo disponível para se encarregar dos serviços. Coordene as tarefas, de modo que possa realizar mais coisas ao mesmo tempo (como deixar a roupa na lavanderia no caminho para o trabalho e pagar as contas enquanto a panela está no fogo). 

Pense em cada hora que você se organiza como uma hora que você terá para relaxar. Se você se organizar o suficiente, talvez pare de se sentir como se estivesse sendo esmagado por suas muitas responsabilidades.

Mude suas prioridades. Sempre que achar que está ficando realmente sobrecarregado, tire cinco minutos e classifique os itens da lista por ordem de importância. Então, continue de cima para baixo. Mesmo que você não consiga concluir todas, pelo menos poderá ficar despreocupado por ter lidado com as mais importantes. 

Se sua lista de tarefas diárias está passando para a página seguinte, faça o exercício de classificação descrito acima e desenhe uma linha de separação. Passe tudo que está abaixo da linha para o dia seguinte. E não entre em pânico: seu mundo não acabará só porque alguma tarefa ficou para o outro dia. 

Solte as rédeas. Tentar ser perfeito pode contribuir muito para seu nível de estresse. Se você acha que tudo que fizer terá que ser perfeito, saiba que sofrerá muita pressão. Essas dicas podem ajudá-lo a diminuir seu perfeccionismo:

Experimente a técnica "que importância tem isso?". Quando você estiver estressado porque a casa está desarrumada ou porque está atrasado para um compromisso, pergunte-se que importância terá se você adiar a limpeza ou chegar 10 minutos atrasado. Elimine de sua cabeça os piores cenários possíveis (sua sogra aparecendo de surpresa e achando que você é uma péssima dona de casa ou sua companhia do almoço deixando o restaurante antes de você chegar). 

Às vezes, realmente, pode ser importante que você faça as coisas com perfeição. No entanto, muitas vezes, conseguirá se convencer de que o mundo compreenderá que você é um ser humano. A última atitude mais bondosa pode ajudar a diminuir significativamente seu nível de estresse.

Delegue tarefas. Muitas pessoas vivem seguindo o lema "se quer bem feito, faça você mesmo". Essa atitude pode sobrecarregá-lo com um volume excessivo de trabalho.

2006 Publications International, Ltd.Aprender a esquecer as responsabilidades pode fazê-lo relaxarUsando a técnica "que importância tem isso", pergunte-se como seria a pior situação possível se você delegasse uma tarefa a alguém que a fizesse muito mal, ou, na pior das hipóteses, não a fizesse. Então, tente imaginar um cenário mais realista em que, talvez, a pessoa tenha concluído a tarefa, mesmo que não tenha sido com a mesma perfeição que se fosse você quem tivesse feito. 

Ao delegar tarefas, determine passos para reduzir possíveis erros, determinando claramente suas expectativas e encontrando maneiras de ajudá-lo a confiar para seguir suas instruções. 

Pratique a imperfeição. Não estamos sugerindo que você, intencionalmente, cometa erros em projetos importantes, mas que simplesmente você relaxe uma vez. Por exemplo, quando estiver cansado, deixe os pratos para o dia seguinte e vá para a cama. Quando estiver realmente sobrecarregado, remarque um compromisso ou tente estabelecer outro prazo. A redução de seu nível de estresse o torna ainda mais produtivo quando você tem a chance de cuidar do que adiou.

Reserve um tempo para "você". O estresse é um forte sinal do seu subconsciente de que alguma coisa está errada na sua vida. Por alguma razão, suas necessidades não estão sendo atendidas. Certamente, você está dedicando mais tempo ao trabalho, satisfazendo mais as necessidades de outras pessoas ou lidando com uma situação problemática (como a perda do emprego ou uma separação), do que cuidando de você mesmo. Mesmo que você tenha que se sobrecarregar por um certo período, é importante reservar um espaço na sua agenda ocupada para você.

Aqui vão algumas dicas para ter tempo suficiente para "você":

Faça uma pausa para o almoço. Mesmo que você tenha um trabalho muito exigente, esforce-se para fazer uma pausa ao meio-dia, mesmo que seja por apenas 20 minutos. Use o tempo para caminhar, recompor-se, respirar fundo e relaxar. Você ficará surpreso ao perceber como uma pausa faz bem.

Não comprometa todo seu dia. Reserve uma hora não programada todo dia da semana e duas (ou mais) horas nos finais de semana. Faça disso uma regra e viva por ela. Todo mundo precisa de um pouco de descanso.

Durante a sua hora, não pague contas, lave pratos, nem separe as correspondências. Tire o telefone do gancho. Use seu tempo para fazer atividades relaxantes: tome um banho, deite-se, medite, leia um livro ou assista a TV. Se seu corpo precisar, use esse tempo para uma atividade saudável, como uma caminhada rápida ou jardinagem.

Vá para a cama cedo. Se no final do dia você achar que ainda há muito para fazer, finja que seu dia terminou e vá se deitar. Quando estiver sozinho, leia um bom livro ou ouça a músicas relaxantes com fones de ouvido. E não se sinta culpado. Esse comportamento é perfeitamente saudável.

Coloque seus sentimentos no papel. Ter um diário de seus sentimentos pode ser uma maneira saudável de desabafar. Também pode servir como um "barômetro" de estresse eficaz, permitindo que você calcule a pressão sob a qual está e que efeito isso está tendo em você. Aqui vão algumas orientações para manter um diário de estresse:pegue folhas em branco. Não compre aquelas com data na parte superior de cada página. Ao contrário, compre um caderno em branco. Dessa forma, se você deixar de escrever alguns dias, não se sentirá culpado. Seu caderno não precisa ser caro. Serve até um caderno espiral de escola;

respire fundo antes de mergulhar no papel. Antes de começar a escrever, feche os olhos por alguns minutos, tentando ficar em contato com todas as sensações que você tem naquele momento. Você está irritado? Cansado? Sobrecarregado? Relaxado? Triste? Feliz? Abra os olhos e escreva todos os sentimentos que vieram à mente;

descreva os acontecimentos do dia. Escreva sobre o que está levando você a ter os sentimentos que está tendo agora. Isso pode ajudá-lo a compreender algumas das razões que o deixam estressado;

liste quaisquer preocupações que tiver na parte de trás da sua mente. Nem sempre temos consciência do que está nos incomodando. Colocar no papel pode fazê-lo entender mais claramente;

tente escrever uma mensagem de encorajamento a você mesmo. Escrever para você como se estivesse escrevendo a um amigo que precisa de ânimo pode ser uma maneira eficaz de dar a si mesmo o apoio e o cuidado de que está precisando;

faça desenhos. Às vezes, as palavras podem não ser adequadas para expressar o que está sentindo. Nessas horas, ilustrar seus sentimentos pode ser mais fácil e útil;

deixe fluir. Quando se sentir mentalmente bloqueado, experimente um exercício usado em psicologia: simplesmente escreva o que vier à mente, mesmo que não pareça ter origem ou que faça pouco sentido. Omita totalmente a pontuação, se isso melhorar o fluxo de seus pensamentos. Não pare para se corrigir. Apenas deixe que um pensamento flua livremente do outro. Quando não tiver mais força, volte e leia o que escreveu. Você pode ficar surpreso ao descobrir previamente dicas escondidas de seu estado emocional;

reescreva a realidade. Se uma situação o deixou frustrado ou irritado durante o dia, escreva como ela aconteceu. Então, tente reescrevê-la com um novo final, a forma como você gostaria que tivesse acontecido;

não permita que escrever no diário se torne uma outra tarefa. Se começar a achar que escrever no diário é só mais uma tarefa que você precisa fazer antes de dormir, tente outro caminho. Procure enxergar seu diário como uma forma positiva de relaxar do estresse do dia.Aprenda a relaxar. Uma maneira de diminuir os efeitos prejudiciais do estresse é aprender a relaxar, seja imaginando uma cena calma, se entretendo com o passatempo favorito ou fazendo um exercício de relaxamento. Quando aprender uma técnica que funcione em você, poderá usá-la antes de um acontecimento estressante. Entretanto, para ter mais benefícios, reserve pelo menos alguns minutos por dia para que sua mente e seu corpo se soltem.

�2006 Publications International, Ltd.Imaginar uma paisagem bonita ou calma pode ajudá-lo a relaxar quando estiver em uma situação estressanteOs exercícios de relaxamento que liberam a tensão muscular podem ajudar bastante a enfrentar o estresse. Para fazê-los, você precisa sentar ou deitar em um lugar calmo e confortável, onde não será incomodado. Afrouxe qualquer roupa apertada e tire as jóias que estiverem desconfortáveis.

Seu objetivo é contrair e relaxar os grupos de músculos em seqüência, da cabeça aos dedos dos pés. A contração dos músculos aumenta sua consciência de como é a tensão armazenada. O relaxamento dos músculos, na verdade, faz com que você sinta diferença entre estar tenso e estar solto.

Comece com os músculos de sua testa. Tensione-os enrugando a testa; permaneça dessa maneira por cinco segundos; solte a tensão. Imagine uma onda de banho relaxante pelos músculos. Respire fundo, solte o ar, permitindo que os músculos relaxem ainda mais.

Continue o processo com os músculos dos olhos, fechando-os firmemente. Trabalhe todos os grupos de músculos do corpo, incluindo os dos dedos dos pés. Após terminar, deite por um minuto ou dois para aproveitar essa sensação de relaxamento.

Embora todo mundo tenha que lidar com um certo grau de estresse, o estresse prolongado pode ter efeitos negativos na saúde. Entretanto, se você seguir nossos passos simples, será capaz de tornar sua vida mais tranqüila.

Publications International, Ltd.

Ph.D. Betty Burrows: A dra. Betty Burrows recebeu seu douturado em psicologia clínica pela DePaul University in Chicago, onde coordena o programa de aconselhamento. Ela também mantém um atendimento privado especializado em controle do estresse e questões relacionadas.

Esses dados são apenas informativos. ELES NÃO TÊM O OBJETIVO DE PROPORCIONAR ORIENTAÇÃO MÉDICA. Nem os editores de Consumer Guide (R), Publications International, Ltd., nem o autor e nem a editora se responsabilizam por quaisquer conseqüências possíveis oriundas de qualquer tratamento, procedimento, exercício, modificação alimentar, ação ou aplicação de medicação resultante da leitura ou aplicação das informações aqui contidas. A publicação dessas informações não constitui prática de medicina, e elas não substituem a orientação de seu médico ou de outros profissionais da área médica. Antes de se submeter a qualquer tratamento, o leitor deve procurar atendimento médico ou de outro profissional da área da saúde.

Concentração - por Sri Swami Sivananda

Fonte: http://www.be8.com/profiles/blogs/concentration-part1-by-1

Parte-1 concentração por Sri.Swami Sivananda


Queridos todos,

Se você concentrar os raios do sol através de uma lente, poderá queimar um algodão ou um pedaço de papel, mas os raios espalhados não podem realizar este ato. Se você quer falar com um homem à distância, você faz um funil com a mão e fala. As ondas sonoras são coletadas em um ponto e depois direcionados para o homem. Ele pode ouvir o seu discurso de forma muito clara. A água é convertida em vapor e o vapor é concentrado em um ponto. A locomotiva se move. Todos estes são exemplos de ondas concentradas. Da mesma maneira, se você coletar os raios dissipados da mente e concentrá-los em um ponto, você terá concentração maravilhosa. A mente concentrada servirá como um holofote potente para descobrir os tesouros da alma e alcançar a riqueza suprema do Atman (o Ser), a felicidade eterna, a imortalidade e alegria perene.

O Raja Yoga real começa a partir de concentração. Concentração se funde na meditação. Concentração é uma parte de meditação.

A meditação segue a concentração. O Samadhi (erstado super consciente) segue a meditação. O estado Jivanmukti (ser liberto) segue a realização do Nirvikalpa Samadhi, o qual é livre de todos os pensamentos da dualidade.  Jivanmukti leva à emancipação da roda de nascimento e morte. Portanto, a concentração é a primeira e mais importante de todas as coisas que um aspirante espiritual deve adquirir no caminho espiritual.

Você nasceu para concentrar a mente em Deus, após coletar os raios mentais dispersos em vários objetos. Esse é o seu importante dever. Você esquece o dever em razão da paixão (Moha) pela família, filhos, dinheiro, poder, posição, respeito, nome e fama.

A concentração da mente em Deus, depois da purificação, pode lhe dar felicidade e conhecimento verdadeiros. Você nasceu apenas para esse fim. Você é levado aos objetos externos através do apego e do amor apaixonado.


                                        O QUE É A CONCENTRAÇÃO?

Uma vez um erudito em sânscrito aproximou-se de Kabir e lhe perguntou: "Ó Kabir, o que você está fazendo agora?". Kabir respondeu: "Ó Pundit, estou destacando a mente dos objetos mundanos e anexando-a aos pés de lótus do Senhor". Esta é a concentração.

Concentração ou Dharana é centrar a mente em um pensamento único.  Os vedantinos tentar fixar a mente no Atman. Esta é a sua concentração (Dharana). Hatha yogues e Raja yogues concentram sua mente nos seis Chakras (centros de energia). Devotos (Bhaktas) concentram-se em sua divindade tutelar. A concentração é uma grande necessidade para todos os aspirantes.

Durante a concentração, os vários raios da mente são coletados e focalizados sobre o objeto de concentração. Não haverá jogo da mente. Uma idéia ocupa a mente. Toda a energia da mente está concentrada naquela idéia única. Os sentidos se tornam quietos. Eles não funcionam. Quando há concentração profunda, não há consciência do corpo e dos arredores.

Quando você estuda um livro com profundo interesse, você não ouve se um homem grita e te chama pelo seu nome. Você não vê uma pessoa quando ela está na sua frente. Você não sente o cheiro da doce fragrância das flores que colocadas sobre a mesa ao seu lado. Esta é a concentração ou unidirecionalidade da mente. A mente está fixa firmemente em uma coisa. Você deve ter uma concentração profunda assim, quando pensar em Deus ou no Atman.

Todo mundo possui alguma habilidade para se concentrar. Todo mundo se concentra em certa medida, quando lê um livro, quando escreve uma carta, quando joga tênis e, de fato, quando faz qualquer tipo de trabalho. Mas, para fins espirituais, a concentração deve ser desenvolvida a um grau infinito.

Há grande concentração quando você joga cartas ou xadrez, mas a mente não está preenchida com pensamentos puros e divinos. Os conteúdos mentais são de natureza indesejável. Você dificilmente poderá experimentar a emoção divina, o êxtase e a elevação quando a mente estiver cheia de pensamentos impuros. Cada objeto tem suas próprias associações mentais. Você terá que encher a mente com pensamentos sublimes, espirituais. Só então a mente será expurgada de todos os pensamentos mundanos.

A imagem do Senhor Jesus, Buda ou do Senhor Krishna está associada com idéias sublimes, ativadores da alma; xadrez e cartas estão associados às idéias de jogos de azar, enganações e assim por diante.

! Continuará!


Hare Rama Hare Rama Rama Rama Hare Hare
Hare Krishna Hare Krishna Krishna Krishna Hare Hare

sábado, 3 de novembro de 2012

O Mantra dos Invencíveis


(Conferência proferida pelo V.M. Samael Aun Weor)


"O mantra que vou lhes dar é muito simples:

Gate, gate, paragate, parassamgate, bodhi suaha.

Este mantra pronuncia-se assim:

Gaaateee... Gaaateee... Paaaraaagaaateee...

Parassssamgaaateee... Booodhiii-suaaahaaa...

Em nossos corações tem de ficar gravado. Este mantra é pronunciado suavemente, profundamente, e no coração. Pode também ser usado como verbo silencioso, porque há dois tipos de verbo, o verbo articulado e o verbo silencioso.

O verbo silencioso é poderoso. 

Este mantra abre o Olho de Dagma. Este mantra, profundo, um dia os levará a experimentar o Vazio Iluminador, na ausência do Ego. 

Então saberão o que é o Sunyata, então vocês entenderão o que é o Prajñaparamita.

Perseverança é o que se necessita, com este mantra vocês poderão chegar muito longe. Convém experimentar a Grande Realidade alguma vez, isso nos enche de ânimo para lutar contra nós mesmos.

Esta é a vantagem do Sunyata, esta é a maior vantagem que existe com relação à experiência do Real.

E para aproveitar a meditação e o mantra devidamente, vamos entrar por um momento em meditação com o mantra. Portanto, rogo a todos os irmãos entrar em meditação. Relaxamos o corpo completamente e depois nos entregamos totalmente a nosso Deus Interior Profundo, sem pensar em nada, unicamente recitando o mantra completo, com a mente e o coração. A meditação deve ser profunda, muito profunda, os olhos fechados, o corpo relaxado, completamente entregues a nosso Deus interior. Não se deve admitir nenhum pensamento nestes instantes, a entrega a nosso Deus deve ser total, somente o mantra deve ressoar em nossos corações. Apaguem as luzes, relaxem o corpo. Relaxamento completo e entrega total a nosso Deus Interior Profundo. Não pensem em nada, por nada, por nada...

Recitarei o mantra, eu o repetirei muitas vezes para que não se esqueçam:

Gaaateee... Gaaateee... Paaaraaagaaateee...

Parassamgaaateee... Booodhiii-suaaahaaa...

Continuem repetindo em seus corações, não pensem em nada...

Entreguemo-nos a nosso Deus...

Sintam-se como um cadáver, como um defunto...

Observem como as pessoas que se dizem intelectuais são cheias de estranhas manias, alguns deixam o cabelo desalinhado, se coçam espantosamente, fazem mil palhaçadas; claro, é produto de uma mente mais ou menos deteriorada, destruída pelo batalhar das antíteses.

Se a todo conceito colocamos uma objeção, nossa mente termina brigando sozinha. Como conseqüência, vêm as enfermidades ao cérebro, as anomalias psicológicas, os estados depressivos da mente, o nervosismo, que destroem órgãos muito delicados como o fígado, o pâncreas, o baço etc. Mas se nós aprendemos a não ficar fazendo objeções, e deixar que cada qual pense como quiser, que diga o que quiser, terminarão as lutas dentro do intelecto e em seu lugar virá uma Paz verdadeira.

A mente das pobres pessoas briga o tempo todo. Briga consigo mesma espantosamente, e isso nos conduz por um caminho muito perigoso, que leva a enfermidades do cérebro e de todos os órgãos, destruição da mente, porque muitas células são queimadas inutilmente.

Há que viver em santa paz, sem fazer objeções, que cada qual diga o que quiser e pense o que quiser. Nós não devemos fazer objeções, assim andaremos como deve ser, conscientemente.

Temos de aprender a viver. Infelizmente, não sabemos viver, estamos metidos dentro da Lei do Pêndulo. Mas reconheço aqui, conversando com vocês, que não é coisa fácil não colocar objeções.

Saímos daqui, pegamos nosso carrinho e logo adiante alguém vem e nos dá uma fechada. Se não dizemos nada, pelo menos tocamos a buzina em sinal de protesto. Ainda que seja buzinando, protestamos.

Se alguém nos diz algo, em um momento que abandonamos a guarda, é certo que protestamos, fazendo objeções. É muito difícil, espantosamente difícil, não fazer objeções. No mundo oriental já se refletiu muito sobre este assunto, e também no mundo ocidental. Eu creio que há vezes em que é necessário apelar a um poder superior a nós mesmos, se é que queremos liberar-nos desta questão das objeções.

Em certa ocasião, lá pelas terras do mundo oriental, um monge budista ia caminhando, em um inverso espantoso, cheio de gelo e de neve, de animais selvagens. Claro que isto proporcionava sofrimentos ao pobre monge, que, naturalmente, protestava e colocava objeções.

Mas o pobre teve sorte. Quando estava quase desmaiando, lhe apareceu em meditação Amitaba (Amitaba em verdade é o Deus Interno de Gautama, o Buda Sakyamuni) e lhe entregou um mantra para que pudesse manter-se forte e não fazer objeções, uma ajuda para que ele não ficasse protestando toda hora, contra si mesmo, contra a neve, contra o mundo.

Esse mantra é utilíssimo, vou vocalizar bem para que vocês o guardem na memória e para que fique também gravado nas fitas que vocês trazem em seus gravadores:

Gaaatteee... Gaaatteee... Gaaatteee...

É melhor soletrar: G - A - T - E. Entendo que este mantra permitiu àquele monge budista abrir o Olho de Dagma, e isso é interessante, se relaciona com a iluminação interior profunda e com o Vazio Iluminador...

Houve necessidade dessa ajuda, porque não é tão fácil deixar de colocar objeções. Um momento em que a pessoa se descuida da guarda, já está colocando objeções a tudo, à vida, ao dinheiro, à inflação, ao frio, ao calor etc. Muitos protestam porque está fazendo frio, ou porque está fazendo calor, protestam porque não têm dinheiro, protestam porque um mosquito lhes picou, protestam por tudo.

Em realidade e de verdade, quando alguém vive fazendo objeções, se prejudica horrivelmente, porque o que ganha por um lado dissolvendo o Ego, está perdendo por outro lado, com as objeções. Se alguém está lutando por não sentir ira, mas está fazendo objeções, pois o demônio da ira volta a tomar força. Se está lutando terrivelmente para eliminar o demônio do orgulho, se coloca objeções à má situação, a isto ou aquilo, volta a fortalecer esse demônio. Se está fazendo um esforço para acabar com a abominável luxúria, mas se em um dado instante coloca objeções, "porque a mulher não quer Ter relações sexuais com ele", ou a mulher, "porque o homem não a procura", e cinqüenta mil objeções deste tipo, pois está fortalecendo o demônio da luxúria.

Assim, se de um lado estamos lutando por eliminar os agregados psíquicos e por outro os estamos fortalecendo, simplesmente estancamos. Portanto, se vocês querem, em realidade e de verdade, eliminar os agregados psíquicos, têm de acabar com essa questão das Objeções. Se não procedem assim, se estancam inevitavelmente, não vão progredir de maneira alguma. Quero que compreendam isto de uma vez."

Concentração: contentar-se com a simplicidade


Quando você (ou eu ou qualquer um de nós, mas vamos usar o "você" agora) estiver tentando se concentrar, não busque nada além de simplesmente perceber e pensar no objeto. Não busque manifestações extraordinárias, experiências espantosas. Não force nada em nenhum sentido, simplesmente se contente em estar ali. O simples fato de estar percebendo o lakshya já é uma concentração. 

Não se pergunte: "Será que 'ainda' ou 'já' estou concentrado?" Tal pergunta conduz a mente a analisar e a pensar fora do lakshya. Essa é uma má dúvida (existem as dúvidas boas e as más). Não tema o desvio da mente e não fique checando se você já se desviou ou não. Entregue-se ao seu Deus e confie. Não tema o fracasso na prática, tal temor leva a mente a pensar fora do tema. Deixe que as coisas aconteçam.

Durante a prática, a mente tende a criar problemas e obstáculos. Checar é um obstáculo, ficar esperando acontecimentos espantosos é outro, criar idéias falsas e tentar encaixar a concentração nas mesmas é outro.

Para a correta prática, é necessário saber apenas isso: concentrar-se em algo é pensar e perceber aquilo, nada mais.

Não faça esforços inúteis para "aprofundar" ou "concentrar-se mais". Saiba que o aprofundamento ocorrerá por si mesmo com o simples ato de ocupar a mente e a atenção com o lakshya. Descomplique e simplifique a prática ao máximo.

Se você pensa ou percebe conscientemente algo por apenas alguns segundos, esses poucos segundos são o princípio de sua concentração. A breve concentração foi verdadeira, embora curta. Só o que você precisa é prolongá-la. Para prolongá-la, você precisa somente compreender bem a qualidade deste estado e mantê-lo. O prolongamento promoverá naturalmente o aprofundamento. 

Se algo estiver sequestrando teimosamente sua atenção e seus pensamentos¹ não perca tempo lutando com eles e nem fique tentando imaginar mil formas de se livrar. Simplesmente se ocupe conscientemente com o lakshya escolhido. Caso sua consciência "se apague" e você o perca por alguns instantes, não desanime, retome e continue. Faça isso quantas vezes forem necessárias. Se você se distrair mil vezes, retorne ao objeto mil vezes, caso se distraia dez mil, retorne dez mil vezes. 

Mantenha o frescor dos instantes iniciais durante toda a prática. Não fique tenso, preocupado em ter sucesso. Abra mão até mesmo do sucesso. O sucesso na prática é também uma forma de desviar a mente do lakshya.

Nota:

1.  Sintomas de doenças ou problemas graves, por exemplo, podem fazer isso. O sequestro ocorre devido a uma supervalorização involuntária do fato. O fato passa a exercer um poder despótico e violento sobre a pessoa, que se mantém presa ao mesmo, não conseguindo deixar de pensar ou de prestar atenção naquilo. Por mais que queira, a consciência não consegue direcionar a atenção para outras coisas. Esse é um problema para concentração porque aquilo em que pensamos e com o que nos ocupamos tende a se ampliar em nosso campo de consciência e a ser percebido de forma cada vez mais intensa. O sequestro da consciência é um processo hipnótico e pode ser revertido mediante o emprego crescente da atenção em um objeto distinto e também por meio do trabalho de morte dos eus que supervalorizam o fato hipnótico.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Mentiras sobre a Gnosis e os Veneráveis Mestres Samael e Rabolú


Atenção

Movi este texto para cá mas deixei em aberto o antigo post para esclarecimento de perguntas. Se você tem alguma dúvida, pode postá-la aqui:

http://dwere.blogspot.com.br/2011/04/mentiras-sobre-gnosis-samael-e-rabolu.html?showComment=1351087842953#c5541548789053862587


Obrigado.

Peço aos leitores para que traduzam este post para outras línguas e o publiquem onde quiserem.

"Samael foi adúltero, pois praticou magia sexual simultaneamente com sua esposa e com a mulher chamada Anjo Filadelfia"

Mentira. Quando Samael trocou de mulher, já fazia oito anos que não tinha contato sexual com sua esposa. Para uma relação ser qualificada como adultério, o período de abstinência sexual necessita ser de, no máximo, um ano. Se o período for maior, não se qualifica como adultério e sim como uma nova relação. E Samael já estava sem realizar a prática sexual há oito anos.
É óbvio que, após toda uma vida conjugal com Dona Arnolda, o V.M. Samael lhe devia muita consideração e tinha para com ela obrigações morais, motivo pelo qual não poderia simplesmente abandoná-la e ir embora. Isso estaria contra tudo o que ele pregou. O V.M. Samael continuou dando-lhe assistência e apoio familiar, somente isso.
Os falsos discípulos que saíram acusando-o de adúltero depois deste incidente não passam de fanáticos que não entendem de leis esotéricas. Esses fanáticos deram inúmeros depoimentos públicos com a intenção de denegrir a imagem do Mestre e se alinharam com os detratores.

"Depoimentos desfavoráveis de ex-discípulos do Movimento Gnóstico são uma fonte confiável para se saber o que é a Gnosis"

Mentira. Depoimentos desfavoráveis de pessoas que pertenceram a uma instituição normalmente são motivados por rixas pessoais e nada significam, a menos que o acusador apresente provas incontestáveis. O mero depoimento de um ex-discípulo ou ex-integrante não é prova incontestável de nada.

"Samael Aun Weor vivia se auto-elogiando em suas obras"

Mentira! O que acontece é que seu bodhisattwa louvava o Ser Interior. O Íntimo de todo ser humano é um mestre e merece louvor, pois é Deus dentro do homem. Não há nada demais em louvar a Deus, que é onipresente e está dentro do homem, dos animais, das plantas e em toda a criação.
Qualquer alma que se desprenda da mediocridade por alguns momentos e se fusione com seu Íntimo experimentará o estado divino e se converterá no Esplendor dos Esplendores, em um Dragão de Sabedoria, podendo dar testemunho disto quando retornar. E não haverá presunção alguma em tal testemunho pois reconhecer e atestar a Grandeza de Deus é prova de humildade e não de arrogância, orgulho ou petulância. Louvar a Grandeza de Deus dentro de você não é convencimento, pois você não estará louvando a si mesmo e nem a seu Ego, mas sim ao Espírito Divino do qual você faz parte e é tão somente uma fagulha.
Quando o bodhisattwa Victor enaltece Samael, não está se auto-elogiando, como supõem os ignorantes que desconhecem a constituição interna do Homem, está louvando, venerando e enaltecendo o Poder Maior que o considerou digno de ser Seu instrumento de expressão. Entenderam, difamadores?

"Cristo é o demiurgo criador do mundo físico que os gnósticos dos primeiros séculos combatiam"

Mentira! Se isso é assim, então porque Ele mesmo é enaltecido nos evangelhos gnósticos de Tomé, Felipe, Maria Madalena, Pistis Sophia e muitos outros? Estudem antes de blasfemar, seus ignorantes.

"A gnosis samaeliana adora o demiurgo que os antigos gnósticos dos primeiros séculos combatiam"

Mentira! O demiurgo que os gnósticos antigos combatiam é um símbolo dos poderes fascinantes deste mundo, o qual Pistis Sophia deve vencer para alcançar seu regresso para a Luz, através dos diversos Eons. Esse demiurgo não é nenhuma entidade pessoal e sim a própria matéria física, por isso é que os apócrifos gnósticos dizem que ele é o criador deste mundo (o mundo físico ou material). Ele não tem nada a ver com o Absoluto, que é o Demiurgo Maior e criador de todos os Eons (que Samael chama de "Grande Arquiteto do Universo").
Saibam, ó ignorantes, que a palavra Demiurgo significa "produtor ou criador", aquele que faz alguma coisa acontecer. É uma palavra genérica e ampla que não possui em si mesma o significado intrínseco de "criador disto ou daquilo".

"O termo demiurgo provém do latim demiurgus, e este por sua vez do grego δημιουργός (dēmiourgós), literalmente "o que produz para o povo", e foi originalmente um termo comum que designava qualquer trabalhador cujo ofício se faz de uso público: artistas, artesãos, médicos, mensageiros, advinhos etc, e no século V a.C. passou a designar certos magistrados ou funcionários eleitos.Platão o utilizou em seu diálogo Timeu, uma exposição sobre cosmologia escrita por volta de 360 a.C., onde o Demiurgo figura como o agente que, embora não seja o criador da realidade, organiza e modela a matéria caótica preexistente de acordo com modelos perfeitos e eternos." (Wikipédia, fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Demiurgo).

Qualquer criador de qualquer coisa pode ser chamado de demiurgo e não somente um criador de mundos. Os ignorantes difamadores da Gnosis não sabem disso, desconhecem o significado desta palavra e, ao verem o V.M.S. usá-la, imediatamente concluíram que ele estava se referindo ao criador deste Eon e não ao criador maior de todos os Eons. Em nenhum momento o Mestre Samael diz que devemos ficar rendendo culto aos poderes fascinatórios deste mundo físico, muito pelo contrário: a morte do Ego é a libertação da alma das correntes deste mundo.
Nem na gnosis samaeliana e nem na gnosis dos livros apócrifos dos primeiros séculos a palavra "demiurgo" é usada em sentido antropomórfico, como imaginam os desconhecedores.
É claro que o Verdadeiro Deus Inefável, que envia o Christos para salvar Pistis Sophia, é também um criador e, portanto, um demiurgo divino.

"Todos os livros dos antigos hebreus e gnósticos mencionam Samael como um demônio"

Mentira! Se, por um lado há textos que afirmam isso, por outro lado há também textos da antiguidade que afirmam o contrário e dizem que Samael é um anjo exaltado, habitante do sétimo céu, líder do quinto céu, o "quinto anjo dos sete", guardião de Esaú etc.
Portanto, na literatura antiga, Samael aparece ora como uma hierarquia celeste elevada e ora como um demônio.
O motivo dessa aparente contradição são os processos de ascensão, queda e descida pelos quais esse Ser Divino passou. Quando um mestre cria seus veículos solares e cai, recria o Ego e adquire um duplo centro de gravidade, o que é horrível e doloroso. O V.M. Samael levantou-se e caiu três vezes em passados remotos, por isso as mitologias dos antigos o retratam de forma contraditória.

Aqui vai um artigo sobre o Samael mitológico, bem esclarecedor:


Não se deixem enganar pelos mentirosos e difamadores.

"Samael é homofóbico"

Mentira! Se ele fosse homofóbico, não criticaria também a degeneração heterossexual e nem desejaria que os homossexuais praticassem a magia sexual com pessoas do sexo oposto, como ele explica em "A Doutrina do Super-Homem".
Samael critica todas as práticas sexuais que assinalem degeneração, sejam práticas homossexuais ou heterossexuais. Há nos seus livros extensas críticas aos Don Juans, adúlteros, masturbadores e celibatários. Na visão samaeliana, toda pessoa que não pratique magia sexual branca é sexualmente degenerada, excetuando-se as crianças, que ainda não possuem sexualidade desenvolvida. Não há, portanto, críticas exclusivas aos homossexuais.
Acrescente-se ainda que, para o V.M. Samael, as crianças hermafroditas que nascem de vez em quando são o protótipo da raça futura e não deveriam de modo algum serem submetidas a cirurgias para "correção" de sexo. 

"Samael copiou os rituais de Aleister Crowley, pois Crowley veio antes dele"

Mentira! O fato de existirem alguns pontos de semelhança entre dois rituais não significa que um tenha sido copiado do outro, assim como o fato de duas pessoas terem pensamentos parecidos não significa que outras mil pessoas não tenham os mesmos pensamentos e nem que uma tenha roubado o pensamento da outra.
Os rituais da Igreja Gnóstica são praticados desde tempos imemoriais nos mundos superiores e não foram inventados por ninguém, são ritos da natureza, que refletem a inteligência solar. Se Crowley aprendeu tais ritos e depois os aplicou, com significados invertidos, em suas práticas imundas de magia negra, a culpa é toda dele e não dos verdadeiros mestres da Loja Branca. Nem Samael e nem Huiracocha podem ser responsabilizados pela demência de um mago negro, seja Crowley ou Papus, que se meta em estudos esotéricos para aprender ritos e depois os profane e os inverta, como faziam certos padres diabólicos da Idade Média com os ritos da Igreja Católica.

"Samael ensina a repressão sexual"

Mentira! Ele ensina justamente o contrário: como desenvolver a sexualidade de forma positiva e superior. A morte do ego conduz a uma visão completamente realista e natural do sexo, ao contrário da visão do luxurioso e do recalcado, que são completamente artificiais. O luxurioso é desesperado por sexo e o considera o objeto central de sua vida, o recalcado tem horror ao sexo e o considera um pecado terrível. Comumente, as pessoas costumam oscilar entre as duas visões nefastas de sexualidade.

"Samael é nazista, pois escreveu um livro intitulado 'A Doutrina do Super Homem' "

Mentira! Deixem de ser ignorantes: a idéia do super homem é muito anterior a Hitler, existe nas culturas antigas. Todo mito do herói é o mito do super homem.

"Samael era vigarista, pois há pessoas que usam seu nome para ganhar dinheiro"

Mentira! Se uma pessoa é culpada porque outra usa seu nome para enganar os outros, então VOCÊ, que pensa de tal maneira, deveria ir para a cadeia caso alguém usasse o seu nome para cometer crimes, enganar os outros etc, sem que você soubesse disso.
Um mestre não tem culpa se alguns idiotas se dizem seus discípulos e exploram a humanidade. Os culpados são os exploradores.
Nenhum discípulo autêntico do V.M.S. é vigarista. Os vigaristas são ex-discípulos, desviados, ou então pessoas que nunca pertenceram ao discipulado autêntico mas que se intrometeram nos círculos gnósticos. A doutrina samaeliana é "anti-vigarice", basta ler seus livros.

"Os gnósticos não permitem questionamentos"

Mentira! Os estudos gnósticos priorizam os questionamentos, tanto que o estudo é feito sob a forma de conferências com perguntas ao final, aproximando-se o estudo do método socrático. O que não se permite nos grupos é o caos dialógico, tão apreciado pelos sofistas, pois buscamos o esclarecimento e não a confusão. Se você não gosta de diálogos organizados e nem de inquirição metódica, vá procurar um círculo em que as pessoas gostem de discutir de forma desorganizada. Não somos bêbados e nem fofoqueiras de esquina, que tagarelam sem objetivo e sobre futilidades. Nossos estudos não são conversa de boteco.
A gnosis não é afeita a debates, discussões e polêmicas, pois nossa meta não é a confusão.

"Samael plagiou Gurdieff, Blavatsky e outros autores ocultistas"

Mentira! O que existem são erros técnicos nos seus livros (paráfrases e frases de outros autores citadas sem recurso a normas técnicas), que seriam facilmente corrigidas simplesmente acrescentando-se aspas. Tais erros técnicos não foram corrigidos pelos revisores e editores e, para piorar, seguidores fanáticos do Mestre não permitem que se corrija até hoje (o que prova que o fanatismo é uma praga). O acréscimo de simples aspas com notas de rodapé corrigiria imediatamente o problema.
Leve-se em conta que muitos livros são transcrições literais de conferências, sendo comum que alguém, ao dar uma conferência, mencione certas frases de autores, muitas vezes conhecidos dos presentes, e se esqueça de ficar decorando e recitando as respectivas fontes. Além do mais, publicar livros em países subdesenvolvidos como a Colômbia e o México nas décadas de 50 e 60, sendo o autor pobre e sem recursos, é um grande feito ao qual nem sempre se pode exigir perfeitas correções e revisões gráficas e técnicas.

"Samael e Rabolú são charlatães, pois se contradizem algumas vezes"

Mentira! Não há problema algum em contradizer ou ser contradito por alguém, isso é simplesmente algo natural quando se trabalha honestamente com a construção contínua de conhecimento. Quando um mestre corrige ou contradiz outro, não o faz por inveja, ódio ou intenção de denegrir, como imaginam os detratores da Gnosis. Para os mestres, ser contradito não é uma desgraça, como costuma ser para vocês, ó detratores anti-gnósticos! Eles não se incomodam com isso nem um pouco e até agradecem quando são corrigidos.

domingo, 14 de outubro de 2012

Concentração: duas condições a serem desenvolvidas


A capacidade de concentrar o pensamento requer o amadurecimento de algumas condições sem as quais a prática não é possível.

Visualizar com nitidez o pensamento escolhido é uma das condições requeridas. Outra condição importante é pensar no lakshya sem tensão ou ansiedade por êxito.

Mantendo os olhos fechados, convém "ver" com clareza aquilo em que queremos nos concentrar. Um praticante avançado, verá o objeto imaginado com a mesma nitidez com que o veria com os olhos abertos, caso estivesse em sua frente. Um principiante, não verá, no sentido literal da palavra, o objeto, mas o perceberá imaginativamente de forma tênue. Por mais vaga e tênue que seja a forma imaginada, marca o princípio do desenvolvimento da clarividência, que não é outra coisa senão a faculdade imaginativa desenvolvida e objetivada. Trabalhar o poder imaginativo é importante. Uma prática de meditação, como a da Deusa Kakini, requer um mínimo de poder imaginativo para ser iniciada. Convém, portanto, trabalhar bastante o poder de ver imaginativamente aquilo que escolhemos como objeto de nossa concentração. Também podemos exercitar o "ouvir" imaginativamente, como no caso da pronúncia mental dos mantrans, e o resultado é o desenvolvimento do ouvido mágico.

Paralelamente ao exercício do poder imaginativo, convém trabalharmos em nós a tranquilidade durante a prática. Quem quer demais obter resultados, sente muita pressa e torna-se ansioso por progredir rápido. O resultado é uma tensão durante o exercício da imaginação, pois a pessoa está ávida por obter logo as experiências espirituais. A tensão das pessoas ávidas costuma provocar dores de cabeça. Assim, é importante também exercitarmos a capacidade de pensar com suavidade e levemente no lakshya. Principalmente quando o fluxo de idéias se esgota ou quando a mente teima em pensar milhares de bobagens inúteis que não nos interessam no momento, costumamos tentar forçar as coisas. O ideal é praticar várias vezes por dia, mas sem tensões de nenhuma espécie. Aprendamos a ficar cada vez mais desinteressados, à medida que o pensamento único se desenvolve. Quanto mais concentrado estiver o pensamento, mais desinteressados e calmos devemos estar. Que haja,durante a prática, um progresso paralelo das duas coisas: da capacidade de pensarmos demoradamente em um mesmo tema e da capacidade de nos desligarmos de qualquer preocupação com o sucesso da prática. Conforme o pensamento vai fluindo no que nos interessa, mais calmos, tranquilos, esquecidos e desligados de tudo devemos ir nos tornando. Nesse ínterim, vamos deixando de perceber e de recordar tudo o que não seja o lakshya. É assim que vamos nos desligando dos pensamentos. 

Não brigue com as recordações e percepções teimosas, deixe-as lá. Ao invés disso, torne-se mais e mais consciente do objeto de sua concentração. Vivencie seu objeto e não o que há fora dele. O desligamento ocorrerá por si mesmo. Se as gargalhadas do vizinho estão se intrometendo e você não consegue deixar de ouvi-las, não se importe. Empenhe-se em tomar mais consciência do objeto de sua concentração. Com o tempo, você aprenderá a ficar "surdo" àquilo que não interessa.

Se as imagens sobre o objeto faltarem e a mente teimosamente não quiser mais fluir dentro do tema, não tente obrigá-la. Interrogue-se a respeito do que você ainda não sabe a respeito daquilo e use suas indagações como um koan. Se ainda assim a mente obstinadamente se recusar a cooperar, retome a prática mais tarde.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

As muitas formas assumidas pelos pensamentos

Como uma de nossas metas é desenvolver o pensamento único, que é a capacidade de pensar sem desvios, convém explicar melhor o que é e como se processa o pensamento no ser humano.

O pensamento é a mente em ação e uma das formas assumidas pela imaginação. A mente é uma substância existente na natureza, ainda desconhecida pelos cientistas desta época, mas já postulada, de forma meio confusa, por alguns físicos: as partículas mentais seriam os "psíons". A substância mental, com a qual fabricamos os pensamentos, pode ser chamada de substância manásica. 

A substância manásica em si mesma é neutra, não é boa e nem má, mas pode assumir uma forma destrutiva ou construtiva. A substância manásica dota o ser humano do poder imaginativo. Quando a imaginação se dá na ausência do contato sensorial direto com o objeto imaginado, dizemos que é abstrata. Somente os animais intelectuais são dotados de imaginação abstrata, os demais animais possuem somente imaginação concreta, em diversos níveis, sendo incapazes de associar imagens mentais na ausência dos objetos. 

O poder imaginativo pode ser consciente ou inconsciente. A maior parte dos seres humanos ainda não desenvolveu o poder da imaginação consciente, suas mentes são rebeldes e não obedecem. A mente rebelde trilha sempre seus próprios caminhos e conduz a desastres. A mente rebelde é a chamada "imaginação mecânica". A imaginação mecânica não é mais que o pensamento comum, subjetivo, desorganizado.

Nesse ínterim, temos que entender que o pensamento pode ser disperso ou concentrado. O pensamento disperso é o pensamento sem meta, aquele cujo fluxo não se detém em nada, mas mariposeia sobre infinitos assunto. O pensamento disperso é superficial, "pincela" um pouco de cada assunto e muda constantemente de objeto. Pela lei das associações, a mente pensa um pouco em algo e logo muda de objeto, passando a pensar em outra coisa distinta, porém relacionada. Essa é a classe de pensamentos das pessoas comuns, que não disciplinam a mente. São pessoas que pensam muito mas de forma superficial, pois sua função imaginativa não tem foco. 

Muito diferente é o pensamento concentrado. O pensamento concentrado é quase sinônimo, senão sinônimo, de imaginação consciente. Ao invés de pular constantemente de tema em tema, o pensamento concentrado passeia longamente dentro de um mesmo tema, aprofundando-o pelas associações dos diversos subtemas que o compõem. No pensamento concentrado, o fluxo das idéias flui livremente para dentro do objeto proposto. O objeto de interesse é, por assim dizer, penetrado pelo pensamento. Não há desvio no fluxo de idéias, há direcionamento e penetração. O pensamento concentrado é, portanto, profundo. 

Quando estamos pronunciando um mantram mentalmente, estamos com o pensamento concentrado, pois o som do mantram, entoado interiormente, é o nosso pensamento naquele instante. Quando imaginamos uma paisagem, em todos os seus detalhes, também estamos com o pensamento concentrado, pois a paisagem imaginada é o conteúdo do nosso pensamento. Estaremos, ainda, com o pensamento concentrado quando analisarmos detidamente um problema até que a solução nos caia ou quando oramos. Em todos esses casos, há o pensamento único e a imaginação consciente. Quem aprendeu a penetrar um objeto com o pensamento e passear através dele longamente, aprendeu a concentrar o pensamento.

Há certa forma de endovisão e endoaudição no pensamento concentrado, pois a pessoa "vê" e/ou "escuta" o objeto psicologicamente, isto é, com os sentidos espirituais. A pessoa "vê" e "escuta" com os olhos e ouvidos da alma.

Convém saber que a função imaginativa do pensamento engloba a memória, as lembranças, as reflexões, as análises e o estudo. Portanto, quem direciona corretamente o pensamento exerce influência sobre esses funcionamentos. 

A Grande Verdade não está no pensamento concentrado, está além dele. O pensamento concentrado é a ponte ou meio para a verdade, mas tem que ser descartado quando queremos chegar até ela. Por mais sublime que seja o pensamento concentrado, ainda será algo mental. Uma oração pode ser muito sincera mas, ainda assim, possui algo mental. O aspecto mental da oração também precisa ser transcendido.

O pensamento não pode ser confundido com a atenção, pois é algo diferente. O pensamento é um funcionamento da mente e a atenção uma faculdade da essência ou alma. Concentrar a atenção é perceber um objeto de forma ininterrupta, concentrar o pensamento é ter muitas idéias sobre um objeto de forma ininterrupta. Ambos são interdependentes. Durante a concentração, o objeto imaginado é o objeto da observação. 

Durante a concentração, é importante procurar perceber, enxergar ou ouvir o objeto imaginado com a maior nitidez possível.


Quando estamos pensando analiticamente, estamos concentrados no nível intelectual. Transcendemos este nível quando pensamos de forma completamente imaginativa, isto é, fora da lógica formal conhecida. Se as imagens sobre o lakshya estiverem fluindo livremente e sem desvios, ainda que não encadeadas logicamente de maneira a formar uma análise, estaremos com o pensamento concentrado mesmo assim.

Visualizações com os olhos fechados, desde que se dêem dentro do tema proposto e não se desviem, constituem o pensamento único que nos interessa, mesmo que não pareçam encadeadas logicamente. Concentrar o pensamento é desenvolver e educar a imaginação. O fato das imagens não apresentarem um aspecto analítico à primeira vista não significa que não sejam parte do pensamento. Essas imagens, com o aprofundamento da prática, se transformam em um sonho lúcido. O sonho lúcido, com o aprofundamento da prática, se transforma em desdobramento e viagem astral. Tudo é acompanhado por relaxamento crescente até o nível do sono REM, das ondas delta.


*****

Os pensamentos costumam conter valores, os quais costumam corresponder a formas de entendimento. Aquilo que penso sobre algo é uma determinada maneira de entendê-lo e também uma espécie de crença. A forma de entender algo provocará desejo, medo ou repulsa. Por exemplo: se alguém apontar uma arma para outra pessoa, esta achará graça, caso acredite que a mesma é de brinquedo, ou sentirá medo, caso acredite que a mesma é de verdade. Suas emoções são, portanto, resultado de uma forma de entender as coisas. O mesmo princípio vale para o desejo e para tudo mais. Há, no entanto, pensamentos solidamente cristalizados, cuja dissipação, tentada somente com o recurso da compreensão, é impossível. Tais pensamentos densos somente se dissipam quando são explodidos com o poder da Mãe Divina. São os pensamentos obsessivos e compulsivos.

Via de regra, escapamos de um pensamento, ao menos temporariamente, quando compreendemos seu caráter inútil e falso (inútil porque não serve para nada e falso porque não corresponde à realidade a respeito da coisa pensada). O questionamento sincero nos leva a tal compreensão. Na concentração, vamos escapando de todos os pensamentos até o momento em que apenas reste o pensamento único, do qual também nos libertamos posteriormente.

sábado, 29 de setembro de 2012

Concentração: dissociando a atenção dos pensamentos

A consciência vincula-se indissociavelmente à atenção. Onde estiver nossa atenção, ali está nossa consciência. Atenção e consciência são quase sinônimos.

Quando realizamos uma tarefa perigosa, dissociamos a atenção de todos os pensamentos e de todos os acontecimentos que não estejam implicados na realização da tarefa. Nossa consciência está focada, direcionada. Se a concentração é profunda, chegamos a perder a noção de tempo.

Quando nos distraímos prestando atenção nos pensamentos, nossa atenção se dispersa, a consciência é absorvida pelos pensamentos e nos tornamos desatentos à realidade.

Os milhares de pensamentos têm o poder de roubar a atenção e sequestrar a consciência, apagando-a e deixando-nos anestesiados. É então que atuamos mecanicamente, como robôs.

Absortos nos pensamentos, passamos a maior parte do tempo agindo sem nos darmos conta do que estamos fazendo. 

Na correta prática de concentração, dissociamos a atenção dos sentidos e de todos os pensamentos que não sejam intrínsecos ao tema. Concentrar-se é abandonar tudo em favor de uma meta, um alvo. 

A mente é a substância componente dos pensamentos (manas). Quem quer escapar da mente, tem que escapar dos pensamentos. Para escaparmos dos pensamentos, é necessário prestar atenção em um alvo (lakshya). A observação contínua de algo nos dissocia de tudo o que não faça parte daquilo. 

A atenção dispersa é a atenção repartida entre muitos alvos. Saltar de alvo em alvo é o oposto de concentrar-se.

O que importa é aprender a observar, seja o lakshya interno ou externo, e dissociar-se de tudo o mais.

Assim como nos dissociamos dos pensamentos quando observamos um alvo físico, nos dissociamos dos sentidos e dos pensamentos quando observamos um alvo mental (o pensamento único).

A chave para dissociar-se não é entrar em conflito com os pensamentos indesejáveis. A chave está na atenção consciente, que é uma virtude da nossa Essência ou Alma. É a Essência que presta atenção e possui consciência.

Compreendamos que:

  • O corpo físico não é a essência;
  • Os sentimentos não são a essência;
  • Os pensamentos não são a essência.
Nossa essência ou alma, portanto, está além do corpo, dos afetos e da mente.


Quando os pensamentos tentarem atrair sua atenção, não lute com eles, simplesmente confira mais importância ao tema e se aprofunde.




Morte do Ego: descobrindo as causas horizontais


Em nossa vida, fatos indesejáveis e destrutivos repetem-se incessantemente, atormentando-nos. Os fatos indesejáveis resultam de múltiplas causas, combinadas e sequenciadas em diversos níveis horizontais: algo que fazemos agora desdobra-se em um efeito daqui há pouco, que se desdobra novamente e assim por diante. Tudo o que fazemos tem múltiplas e prolongadas consequências, tanto internamente como externamente.

Um ato impulsivo qualquer se origina, horizontalmente, de outros atos cometidos, os quais se originam de outros que, por sua vez, se originaram de outros e assim sucessivamente. Os atos formam cadeias de eventos sucessivos. 

Vejamos um exemplo. Alguém que tenha brigado em um bar, primeiramente se desentendeu com o rival, mas antes de se desentender já havia cometido inúmeros atos que o levaram àquela situação. A pessoa originou sua própria tragédia de inúmeras e insuspeitadas maneiras. Se jamais houvesse frequentado bares, não teria conhecido o inimigo. Se não houvesse conhecido o inimigo, não teria entrado em conflito. Portanto, sua desgraça começou a se gestar muito antes do acontecimento trágico em si. Se detalharmos ainda mais as causas, descobriremos um sem número de frases, posturas, olhares, pensamentos, movimentos, deslocamentos, caminhadas etc. que originaram e nutriram aquela situação até o dia fatídico. A briga foi o resultado indesejável da combinação de múltiplos fatos anteriores. 

Quando removemos de nossa vida as situações que conduzem a um resultado indesejável, o resultado deixa de acontecer.

Em grande medida, nós mesmos somos os autores de nossas desgraças, mas não nos damos conta.

Cometer um delito é como caminhar por uma estrada rumo a um grande perigo, quanto mais caminhamos em direção àquele objetivo, mais difícil é retornar, quanto mais longe, mais fácil. Melhor é não dar os primeiros passos naquela direção.

Não é tão fácil deter a fornicação, mas não é tão difícil manter-se distante da mulherada. A fornicação, uma vez provocada, dificilmente retrocederá. Aprendemos o Morrer quando aprendemos a evitar as situações que desencadeiam os atos que queremos eliminar de nós mesmos. O que importa é antecipar-se à compulsão, agir antes. 

Na Morte, ao invés de nos ocuparmos com tolas tentativas de fazer retroceder resultados desastrosos, trabalhamos sobre as causas desses resultados. Investigamos as sequências causais até onde nosso entendimento alcance e as eliminamos. Então o monstro invencível tomba.

As causas dos atos compulsivos devem ser buscadas na mente (pensamentos, lembranças, raciocínios, imaginações e fantasias) e nos movimentos (tudo o que fazemos e dizemos). Um ato, fala ou pensamento inofensivos podem ter desdobramentos desastrosos. Esses são os "detalhes" ou fonte de alimentação dos defeitos.

O desejo se torna despótico quando tentamos combatê-lo diretamente, ao invés de irmos aos fatores que o nutrem, às suas causas.

Quando queremos nos livrar de um vício, temos que nos afastar de tudo o que esteja a ele relacionado. Tudo o que lembre ou conduza ao vício tem que ser removido. Mas, para remover os fatores do vício, temos primeiramente que descobri-los.

Por trás de cada pequeno e inofensivo ato, fala ou pensamento que conduz a uma posterior situação de satisfação do desejo há um pequeno ego. Temos, portanto, milhares de pequenos elementos psíquicos que convergem rumo à satisfação de um dado desejo poderoso e violento. Um desejo violento não atua sozinho, mas por intermédio ou facilitação de inúmeros desejos menores, sutis e quase imperceptíveis.

Um homem que fique andando com mulheres, marcando encontros, correspondendo-se, que tenha uma agenda cheia de números de telefones de parceiras, que assista a filmes pornográficos, que frequente danceterias, boates, prostíbulos, que mantenha conversas luxuriosas com amigos, que aprecie se distrair com pensamentos morbosos etc. jamais conseguirá livrar-se do vício da fornicação por uma simples razão: o estará nutrindo com tais atos. Os referidos atos são as causas (horizontais) do seu vício. E cada ato possuirá uma causa vertical ou interior: um ego respectivo. O mesmo princípio vale para quaisquer outros defeitos que tenhamos: a ira, o medo, a preguiça, a gula e muitos outros.

Portanto, aprendamos a evitar aquilo que nos levará a situações das quais não poderemos retornar. Aí está uma das chaves para a Morte.

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Perguntas importantes


1. O que é uma concentração intensa?

Quando ouvimos a expressão "concentração profunda" ou "concentração intensa", imaginamos imediatamente alguém franzindo o entrecenho enquanto faz um terrível esforço para concentrar-se. A palavra "intensa" é equivocadamente associada à palavra "tensa" e a palavra "concentração" é erroneamente associada à palavra "contração". Ao ser traduzida para o português e línguas próximas, a palavra original "dharana" perde seu sentido verdadeiro e suas traduções originam confusões. Na verdade, "dharana" deveria ser traduzida por uma expressão composta, algo assim como "atenção contemplativa ininterrupta", e não por uma palavra simples. Por pertencerem a culturas muito materialistas, as línguas ocidentais não possuem palavras simples que equivalham exatamente a "dharana".

Particularmente, defino a concentração intensa como sendo um fluxo de pensamentos que não sofre interrupção por um tempo prolongado e é contemplado conscientemente, acompanhado com atenção tranquila. A intensidade é definida pela ininterrupção do fluxo.

Sabemos que atingimos o pensamento único e a concentração intensa quando formos capazes de pensar longamente, de forma livre e profunda sobre o objeto, sem nos desviarmos. O pensamento prolongado, livre, ininterrupto, contínuo dentro do tema proposto é o que buscamos. Almejamos a fluidez do pensamento. 

2. Por que um perigo ameaçador não existe?

Porque o perigo ameaçador que tememos existe somente dentro de nossa cabeça e não fora de nós. Se deixássemos de existir, o perigo deixaria de existir para nós, "escaparíamos" do perigo. Um mesmo fato que ameaça uma pessoa pode ser visto como inofensivo ou até um fator de proteção para outra. Portanto, o caráter ameaçador de algo é uma qualidade que lhe atribuímos mentalmente. Mesmo os perigos universalmente ameaçadores não meterão medo em ninguém se não houver ninguém para ser ameaçado. Não estou dizendo que o fato da ameaça, em si mesmo, não existe, mas sim que seu caráter terrível é subjetivo, atribuído pela mente. Uma barata, por exemplo, pode amendrotar uma pessoa e não despertar medo algum em outra.

3. Por que uma bela e desejável mulher não existe?

Porque a linda imagem de uma fêmea humana desesperadamente desejável é uma criação da mente do macho. Prova disso é que esta mesma mulher não desperta desejo algum em outra mulher heterossexual ou em um animal cuja espécie seja muito distante da espécie humana. Em si mesmas, as criaturas não são belas ou feias, apenas existem. Você, muito provavelmente, não sente atração alguma pela fêmea de um lagarto, apesar dela ser sexualmente atrativa para ele, concorda?

Não estou afirmando que as mulheres em si não existam, mas sim que a beleza/fealdade são atributos mentais que estão na mente de quem as contempla. Uma mulher não é bonita "em si mesma", mas sim aos nossos olhos.

Toda excitação, seja sexual, nervosa ou de outra índole, é algo mental. Se retirássemos a mente de um ser humano, não haveria excitação de espécie alguma. Nos excitamos porque imaginamos mil coisas relacionadas ao objeto excitante. Até mesmo o orgasmo é algo mental, que não pode ocorrer sem a excitação correspondente.

4. Por que os problemas não existem?

Porque estão dentro da mente e não fora dela. Não estou afirmando, com isso, que o mundo exterior seja mais real que o mente e sim que ambos, mente e matéria, não correspondem à realidade última das coisas. Os problemas não existem objetivamente, mas sim subjetivamente. O que existe objetivamente são alguns fatos que em essência são neutros mas aos quais atribuímos um caráter problemático. Um problema é um problema porque assim o entendemos e assim o entendemos porque nele pensamos deste modo. As coisas, em si mesmas, não são boas e nem más, apenas existem, se processam na natureza rumo a determinados fins, às vezes inevitáveis, mas, ainda assim, naturais.

5. Se todas as coisas que vemos não existem, por que acreditamos e sentimos tão fortemente que existam tal como as percebemos?

Porque cristalizamos solidamente formas tendenciosas e parciais de entendê-las e, por extensão, de percebê-las. Aprendemos a pensar obstinadamente nas coisas de determinadas maneiras e tais formas se consolidaram em nossa percepção. Por tais razões, mesmo que queiramos entendê-las de outras maneiras não somos capazes. Para recebermos o mundo de outra maneira, teríamos primeiramente que destruir as formas mentais condensadas e cristalizadas que criamos ao longo de várias existências. A Morte do Ego tem justamente esse resultado. 

6. Por que a mente costuma não fluir quando tentamos concentrá-la em algo superior?

Por que a acostumamos excessivamente a pensar somente dentro de determinados eixos ou trilhos. Se você focar sua mente em algo imprestável (não faça isso!) ela rapidamente se concentrará naquilo e te levará aos nefastos resultados. Mas se você focá-la em algo superior, ela imediatamente tentará se desviar. Temos que acostumar a mente a pensar nas coisas superiores e desacostumá-la de pensar no que é mundano. 

Passamos a vida toda pensando no que não presta, por isso é tão fácil concentrar o pensamento negativo e prejudicial. Os pensamentos prejudiciais fluem com facilidade e levam muita gente à desgraça e ao crime. Não flerte com os pensamentos maus, mas também não conflite com eles, simplesmente abandone-os, substituindo-os por pensamentos elevados.

Quando um pensamento maligno e vergonhoso te assaltar, não se assuste e nem se preocupe, mantenha-se neutro e simplesmente aplique a Morte em Marcha ao ego que o emitiu.

7. Se todas as coisas não existem, então não há perigo algum em jogar-se de um prédio?

Sim, há. Eu não faria isso...As coisas não existem tal como as percebemos (tal como nos parecem ou se nos afiguram), mas isto não significa que não possuam realidade em si mesmas. Quando digo que as coisas não existem, estou me referindo à aparência que assumem ante nossos olhos (não existem da maneira como as imaginamos ou entendemos) e não ao aspecto absoluto que as permeia. Elas existem como coisas em si, inacessíveis aos nossos sentidos. A rocha que você vê na sua frente não existe, o que existe é outra coisa distinta do que você vê, mais completa. A rocha que você vê é uma imagem parcial (e portanto falsa, pois não corresponde à realidade). Por outro lado, a rocha completa (absoluta) é invisível, mas pode perfeitamente ferir o crânio de alguém, por isso...não a jogue em ninguém!

8. Quem são os inimigos da Gnosis?

Os inimigos do conhecimento espiritual gnóstico pertencem a várias correntes de pensamento. Entre os principais difamadores existem espiritualistas, ateus, materialistas e religiosos (embora nem sempre os representantes desses grupos sejam anti-gnósticos). De um modo geral, os detratores se incomodam com a idéia de uma ciência espiritual que faça alegações passíveis de comprovação. Neste sentido, embora existam entre eles grandes divergências, os anti-gnósticos estão em acordo em um ponto: negam a possibilidade de se conhecer os mistérios espirituais de forma objetiva e comprovável, sem o recurso das crenças e teorias. Esses grupos sentem-se ameaçados pela possibilidade das massas chegarem conhecer o Além de forma direta.

sábado, 22 de setembro de 2012

Libertando-se da ilusão dos opostos

Compreendendo o caráter ilusório do mundo

Milarepa e outros santos mestres relataram que compreendiam o caráter ilusório de tudo, incluindo dos objetos do desejo e de temor. Ensinaram que o desinteresse pela matéria advém da compreensão de seu caráter ilusório. Mas o que significa a expressão "compreender o caráter ilusório do mundo"?

Compreender o caráter ilusório dos elementos que nos rodeiam, do mundo em que vivemos e daquilo que desejamos ou tememos é compreender que os mesmos não passam de formas mentais criadas pela mente, desprovidas de realidade. São artifícios que não existem em si mesmos. A essência de um pássaro não é o que vemos, assim como não o é a essência de um belo carro ou de uma linda mulher. As características que percebemos nas coisas são atribuídas por nossa mente. Uma mulher desejável não é desejável em si mesma, se o fosse, seria desejável para todos os seres, todos criaturas a veriam como desejável. Um objeto qualquer (ex. um tênis) é desejável apenas para algumas pessoas, sendo desinteressante ou detestável para outras. Se as coisas não são desejáveis em si mesmas, então o são para alguém, ou seja, em relação a alguém. E, se o são somente em relação a alguém, isso significa que o caráter desejável da coisa está dentro e não fora, além de ser subjetivo. Em suma: aquilo que vemos e consideramos desejável não existe, é somente uma forma mental, uma maneira de entender e de perceber as coisas.

O boneco de vidro que está enfeitando a sala não é, em si mesmo, exatamente como o vemos. Vemos uma imagem forjada pela mente, através dos sentidos. O mesmo objeto pode ser percebido de formas distintas por outras pessoas ou por animais de outras espécies. Se o olharmos com o microscópio, através de câmeras de raios X, infravermelho ou ultravioleta, o veremos de forma distinta, pois entre os sentidos e a consciência está a mente, dando às percepções o seu tom e sua nota tendenciosa. Como a coisa em si mesma não é percebida, pois é infinita e sua infinitude escapa à mente, o que percemos é uma imagem ilusória. Não vemos os objetos do mundo de forma integral, mas de uma forma parcial, muito limitada. Esta é a ilusão da qual escapamos durante a meditação.

Quando desejamos ou tememos de forma intensa alguma coisa, isso deve à uma sólida impressão de realidade conferida ao objeto pela mente. Acreditamos piamente, sem sombra de dúvida, na realidade daquilo. Não é o objeto em si que desejamos ou tememos, mas sim uma forma criada por nossa mente.

Compreender o caráter ilusório do mundo é compreender que o mesmo não existe, tal como o vemos. Aquilo que desejamos inexiste e aquilo que tememos é falso, pelo simples fato de que não correpondem ao que imaginamos. 

Quando meditamos, escapamos temporiariamente da ilusão e, quando o Ego morre, as ilusões deixam de existir de forma definitiva.

Libertando-se dos opostos

Dizem também os veneráveis e santos mestres que estamos presos aos opostos. Que opostos são esses? 

Os opostos aos quais a mente está presa são as características que percebemos nas coisas. Quando achamos algo bonito, temos a fealdade como referencial, quando consideramos algo bom, temos a maldade como referência, quando sentimos prazer, temos a dor como referência e assim por diante, ainda que não estejamos conscientes disso. 

É pelos opostos que os objetos do mundo adquirem suas qualidades (para nós). Nosso modo de entender as coisas oscila entre os opostos: para nós, as coisas são boas ou ruins, belas ou feias, agradáveis ou desagradáveis, grandes ou pequenas etc. Entendemos e percebemos o mundo dentro das polaridades. Esse é o batalhar das antíteses.

Reflita sobre um tipo de mulher que você deseja e descobrirá que a deseja em oposição outro tipo, que possui características contrárias. Analise algo que você teme ou detesta e descobrirá que teme aquilo em oposição a alguma outra coisa, considerada desejável ou inofensiva. Você se sente seguro em certas situações em oposição a outras situações, que provocam insegurança. Aquilo que nos irrita ou incomoda sempre terá o seu oposto, algo que nos proporciona agradáveis sensações de bem estar. Vivemos oscilando entre os opostos.

A mente presa nos opostos é o próprio Ego, uma vez que é o Ego que confere características às coisas. As qualidades dos objetos são aprendidas ao longo da vida, não nascemos sabendo as diferenças. As coisas se tornam o que são (para nós) à medida que o Ego se desenvolve. É pelo contraste que achamos e sentimos que as coisas são boas ou ruins.  Nossa visão de mundo atual resulta de experiências passadas.

Quando meditamos, perdemos a noção dos opostos. Então não há diferença entre dia e noite, doença e saúde, vida e morte, velhice e juventude, antes e depois. Nos libertamos desses opostos e, então, aquilo que nos perturbava deixa de nos perturbar.

A primeira noção que costumamos perder quando praticamos a meditação é a noção do tempo. Perdemos a noção e não sabemos se passou muito ou pouco tempo. Podemos ter a impressão de que se passou  bastante tempo e, ao olhar o relógio, apenas alguns minutos se passaram. Isso ocorre porque escapamos do par de opostos "breve" e "demorado", nossa consciência escapa do tempo por um breve período.

Em seguida, com o avanço da prática, pode ser que escapemos do par de opostos "aqui" e "acolá" ou do "próximo" e do "distante". Então perdemos a noção de onde estamos e deixamos de saber se estamos meditando em casa ou em outro lugar. É comum que, ao voltarmos da meditação, nos surpreendamos por acharmos que estávamos em outro lugar. Nossa consciência escapou temporariamente do espaço.

Essas perdas de noção não fazem mal algum e não são patologias mentais. As noções são imediatamente recuperadas assim que terminemos a prática.

Praticantes avançados e experientes vão se desvencilhando de todas as noções de opostos até o ponto de escaparem completamente desta realidade fenomênica. Escapar dos opostos é libertar a essência da prisão da mente, pois é a mente que entende as coisas de forma dual. Quando escapamos completamente dos opostos, não discernimos entre o alto e o baixo, o feio e o belo, o grande e o pequeno e outras dúadas, pois o nosso discernimento estará funcionando de outra maneira, em sintonia com realidades que estão além do compreensível.

O escape dos pares de opostos não é algo que se consiga por meio da simples força. E, antes, o resultado natural do aprofundamento do pensamento concentrado e do posterior abandono do mesmo.

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Milarepa: ensinamento em vídeo

Este  vídeo contém alguns ensinamentos importantes do Santo Milarepa sobre a meditação (é a segunda parte de uma sequência de três vídeos):


"Para testar a conquista e experiência de Rechungpa e também para descobrir o quão forte era o seu espírito de renúncia, um dia Milarepa casualmente cantou para ele a 'Canção dos Doze Enganos':

A Canção dos Doze Enganos 

'Afazeres mundanos são todos enganadores; então procuro a verdade divina.

A excitação e distração são ilusões; então medito na verdade não dual.

Companheiros e servos são enganadores; então permaneço em solidão.

Dinheiro e posses também são enganadores; então se eu os tenho, dou para os outros.

Coisas do mundo externo são todas ilusões; a mente interna é a que observo.

Ensinamentos vagantes são todos enganadores; então só trilho o caminho da sabedoria.

Enganadores são os caminhos da verdade oportuna; a Verdade Final é aquela em que medito.

Livros escritos em tinta preta são todos enganadores; apenas medito no âmago das instruções da Linhagem Sussurrada.

Palavras e dizeres também são enganadores; calmo, descanso minha mente no estado sem esforço.

Nascimento e morte são ambos ilusões; observo somente a verdade do Não Elevar.

A mente é, em todos os meios, enganadora; então pratico como animar a consciência.

A prática de segurar a mente é enganadora e leva a caminhos errados; então descanso no Reino da Realidade.'

Rechungpa pensou:

'Meu Guru é o próprio Buda, não há idéia ilusória em sua mente. Mas, por minha incapacidade de devoção e também a dos outros, ele cantou para mim, esta canção.'

E Rechungpa cantou em resposta para explicar ao seu guru sua compreensão sobre o ensinamento da visão, prática e ação:

'Ouça-me, por favor Pai Guru, minha mente escura é cheia de ignorância, segure-me com a corda de sua compaixão.

Na encruzilhada onde Realismo e Nihilismo encontram-se, perdi meu caminho, ao procurar a visão dos Não Extremos, então não tenho segurança no conhecimento da Verdade.

Sonolento e distraído a toda hora, alegria e Iluminação ainda não são minhas e assim não conquistei todo o apego.

Não consigo me libertar de tomar e abandonar e, sem necessidade, continuo em meus atos impulsivos, então ainda não destruí todas as ilusões.

Fui incapaz de afastar todos feitos de fraude e observar os preceitos tântricos sem falha, ainda não conquistei todas as tentações.

A distinção ilusória entre o Samsara (ciclo da reencarnação) e o Nirvana (Felicidade Eterna) ainda não percebi na própria mente do Buda, então ainda tenho que encontrar meu caminho ao Darmakhaya.

Não fui capaz de equalizar esperança com medo e a minha própria face para contemplar, então ainda tenho que ganhar os Quatro Corpos de Buda.

Eu fui protegido por sua Compaixão no passado, agora, colocando-me inteiramente em tuas mãos, rezo; dê-me ainda mais de tuas bençãos.'

Assim Milarepa, mandou sua Graça compassiva para abençoar Rechungpa e disse a ele, fingindo:

'OH, Rechungpa, você tem mais conhecimento e experiências que aqueles que acabou de me contar. Não deveria esconder nada de mim. Seja franco e cândido.'

Quando Milarepa disse isto, Rechungpa se tornou iluminado e ele cantou as 'Sete Descobertas'.

Canção das Sete descoberta

'Através da Graça do meu pai guru, o sagrado Jetsün, agora percebi a Verdade nas Sete Descobertas.

Em manifestações, descobri o Vazio, agora não tenho pensamento de que nada exista.

No Vazio encontrei o Dharmakaya, agora não tenho pensamento da ação.

Em miríades de manifestações o Não Dual encontrei, agora não tenho pensamento de reunir ou dispersar.

Em elementos de Vermelho e Branco descobri a essência da igualdade, agora não tenho pensamento de aceitar ou rejeitar.

No corpo da ilusão descobri Grande Felicidade, agora em minha mente não há sofrimento algum.

Na Auto Mente descobri o Buda, agora em minha mente Samsara (ciclo da reencarnação) não existe mais.'

Milarepa então disse a Rechungpa:

'Sua experiência e compreensão estão próximos da real iluminação, mas ainda não são o mesmo. Experiência Real e compreensão verdadeira deveriam ser assim; e ele cantou 'Os Oito Reinos Supremos':

Canção dos Oito Reinos Supremos

'Aquele que vê que o mundo e o vazio são o mesmo, alcançou o reino da Verdadeira Visão.

Aquele que não sente diferença entre sonho e despertar, ele alcançou o Reino da Verdadeira Prática.

Aquele que não sente diferença entre Alegria e Vazio, atingiu  o Reino  da Verdadeira Ação.

Aquele que não sente diferença entre 'agora' e 'depois', atingiu o Reino da Realidade.

Aquele que não vê que a mente e o vazio são o mesmo, atingiu o Reino de Dharmakaya.

Aquele que não sente diferença entre dor e prazer, atingiu o reino do Verdadeiro Ensinamento.

Aquele que vê os desejos humanos e a sabedoria de Buda como iguais, atingiu o Reino da Suprema Iluminação.

Aquele que vê como a própria mente e o Buda são semelhantes, alcançou  o Reino da Verdadeira Realização.'


Consequentemente, através da Misericórdia e Benção de seu Guru, Rechungpa gradualmente aprimorou em compreensão e realização. Ele então, compôs a 'Canção dos Seis Bardos', no qual ele apresentou a Milarepa seu insight e compreensão final:

'Eu me curvo diante dos Santos Gurus. 

No Bardo (estado de existência entre a morte e o renascimento), onde o Grande Vazio manifesta-se, não há visão realista e nem niilista, eu não compartilho o pensamento dos sectários humanos.

Além de toda a apreensão está a Não Existência agora. Da visão esta é minha firme convicção.

No Bardo do Vazio e da Alegria não há objeto no qual a mente possa meditar, então não preciso praticar a concentração.

Descanso minha mente sem distração no estado natural. Esta é minha compreensão da Prática. 

Não me sinto mais envergonhado diante dos amigos iluminados. No Bardo, com luxúria e sem luxúria, eu não vejo felicidade samsárica, e então, não sou mais um hipócrita, eu não encontrei má companhia alguma.

Tudo o que eu vejo diante de mim tomo como minha companhia. Esta é minha convicção na ação. 

Não sinto mais vergonha diante de um encontro de grandes yogues. Entre vícios e virtudes, não discrimino mais; os puros e impuros são agora para mim iguais. 

Assim eu nunca devo ser falso ou pretensioso. Agora conquistei totalmente a maestria da Auto-Mente. Esta e minha compreensão de Moralidade. 

Não sinto mais vergonha diante da assembléia dos Santos. No reino recém descoberto do Samsara e Nirvana, seres senscientes e os Budas são para mim o mesmo. 

Então, não espero e nem anseio pela qualidade de Buda. Neste momento, todo o meu sofrimento tornou-se um prazer. Esta é minha compreensão de iluminação. 

Não sinto mais vergonha diante dos seres iluminados. Tendo me libertado das palavras  e significados, não falo mais a linguagem de todos os estudiosos. 

Não tenho mais dúvidas em minha mente. O Universo e todas as suas formas agora não aparecem senão como o Dharmakaya. Esta é a convicção a que cheguei. 

Não sinto mais vergonha diante de uma reunião de grandes estudiosos.'


Milarepa estava em grande prazer e disse:

'Rechungpa, esta é de fato a Experiência Real e o Conhecimento. Você pode realmente ser chamado de Discípulo Bem Presenteado. Agora existem três formas nas quais alguém pode agradar seu Guru: Primeiro, o discípulo deve empregar sua fé e inteligência para gratificar seu Guru; então, através do aprendizado inequívoco e da contemplação, ele deve entrar no portão do Mahayana e do Vajrayana e praticá-los com diligência e grande determinação. Então, ele finalmente pode agradar seu Guru com suas experiências reais de Iluminação, que são produzidas passo a passo através de sua devoção.

Eu não gosto do discípulo que fala demais; a prática real é muito mais importante. Até a completa realização da Verdade ser obtida, ele deve fechar sua boca e trabalhar em sua meditação. Meu Guru, Marpa, disse para mim: Não importa o quanto e se alguém sabe grande coisa sobre Sutras e Tantras. É preciso não apenas seguir as palavras e livros, mas a pessoa deve fechar sua boca, seguir sem erro as instruções verbais de seu guru e meditar. Assim, você deve também seguir seu conselho, não esquecendo e colocando-o em prática. Se você puder deixar todos os assuntos samsáricos para trás, os grandes méritos e realizações serão todos seus.'

Rechungpa replicou:

'Querido Jetsün, por favor seja bom o bastante para dizer o que Marpa disse.

Milarepa então cantou 'As Trinta Admoestações do Meu Guru':

'Querido filho, estas são as palavras que Ele me disse :

De todos os Refúgios, o Buda é o Melhor.

De todos os amigos, a fé é a mais importante.

De todos os males, Nhamdog (pensamento perturbador) é o pior.

De todos os demônios, o orgulho. De todos os vícios, difamar.

Ele disse: Aquele que não purifica seus pecados com os quatro poderes, estará atado a vagar no Samsara.

Aquele que, com diligência, não acumula mérito, nunca ganhará a Benção da Liberação.

Aquele que não refreia cometer os Dez Males está atado a sofrer as dores junto ao Caminho.

Aquele que não medita no Vazio e na Compaixão, nunca atingirá o estado do BUDDHADO.' "



Se você gostou, pode assistir também outros vídeos onde Milarepa compartilha seu conhecimento.

Milarepa instrui as Dakinis e aos patronos:

http://www.youtube.com/watch?v=w7RLNBFKiPw&feature=relmfu

Aqui há a estória inteira: (três vídeos)

http://suprememastertv.com/pt/bmd/?wr_id=763&url=link1_2&page=4#v




Boa reflexão.